quarta-feira, 29 de junho de 2016

Nelson Sato diz que a pirataria é um grande problema para a expansão do mercado de séries japonesas

Sr. Sato esteve em bate-papo ao vivo na Fest Comix (Foto: Reprodução/TokuDoc)

Há cerca de dois finais de semana atrás o sr. Nelson Sato, presidente da Sato Company, lançou a primeira mostra de séries e filmes Anima Sato, no evento paulista Fest Comix. Lá ele também participou de um bate-papo interativo com o público e respondeu firmemente sobre questões sobre dublagem, a volta das series clássicas de tokusatsu, a estreia de Garo e de animes inéditos, e até sobre pirataria. Na noite desta terça (28) o site ANMTV divulgou uma entrevista com o proprietário da empresa.

Sobre dublagem, o Sr. Sato ressalta a dificuldade de atender o público que sempre pede por dublagem. Disse ele: "Infelizmente não consigo atender a todos os pedidos, devido ao alto custo. Hoje dublar custa R$ 150,00 o minuto. Se for pensar num filme de 90 minutos gasta-se 13/14 mil reais. O dinheiro é muito alto e as vezes eu não consigo ter o retorno desse investimento, mas na medida do possível, realmente a gente vai dublar." Ou seja, não é uma coisa tão simples num estalar de dedos como a garotada pode pensar. Isso é coisa que eu e outros sites especializados já falaram e o povo já deveria estar careca de saber.

Ainda sobre dublagem, um mito que ainda perdurava por um ano foi quebrado de vez. As séries de tokusatsu Jaspion, Changeman, Flashman, Jiraiya, Jiban e National Kid "Vão estar com a dublagem clássica". Sato frisa que os direitos de dublagem foram readquiridos (pense aí numa fortuna que a distribuidora teria que gastar com redublagem, meu povo?). Também ressaltou que tem interesse em Kamen Rider, porém os americanos também estão na briga. “Quando os americanos adquirem os direitos, as séries não podem ser mais distribuídas diretamente do Japão", disse Sato. Ou seja, seria como adquirir o Ultraman Tiga das mãos da 4Kids ao invés da própria Tsuburaya, por exemplo. Kamen Rider continua difícil e por isso a Toei interrompeu as negociações com a Sato Company. Pelo menos uma boa notícia pra todo mundo ficar numa boa: "Garo terá dublagem e legendas disponíveis." Garante o executivo.

Dentre outros assuntos, Sato frisou que sofre problemas com a pirataria: "(a animação japonesa) tem futuro, mas é um mercado realmente difícil. Não só pelo lado de consumo, mas também pelo lado de aquisição. As empresas japonesas são mais lentas em decisões e aqui no Brasil o grande problema é a pirataria. Estamos apostando na fidelidade do público. Se a pirataria continuar forte e a gente não conseguir pagar nossos custos…. vai acabando, matando esta possibilidade de trazer com qualidade, legalizado um material." Então, mais uma vez, é coisa que já foi debatido aqui no blog e por outros sites especializados do nosso nicho e nada melhor do que o próprio Sato confirmar o que a gente sabe (e o que todos deveriam saber). Esse é um dos problemas que emperra o lançamento de anime e tokusatsu por aqui. A Sato não é a única empresa que sofre com isso. Outras empresas de cinema e TV também são vítimas da ferrenha pirataria castiga - consciente ou inconscientemente - o mercado de séries japonesas no Brasil e no mundo. Só depende da compreensão, boa vontate, paciência, amizade e respeito do público em fazer a sua parte. Não é nada fácil abrir a mente pra essa realidade.

O sr. Sato continua apostando no desafio de lançar animes inéditos no Brasil e agradar variados públicos e idades. Ele garante também que a série High School of the Dead virá (por enquanto apenas na versão legendada) e que não vai ficar apenas no OVA que foi lançado este mês na Netflix. O anime Diabolik Lovers está sendo dublado e outros títulos estão na lista para os trabalhos. Doraemon ainda é uma aposta e novos episódios virão, além do recente filme Stand By Me, também do gato azul.

O sr. Nelson Sato está praticamente representando o mercado de séries japonesas no Brasil e é uma referência e tanto para os nossos dias. A sua persistência e sinceridade são admiráveis. Bom, na humilde opinião deste blogueiro que vos escreve, Sato está fazendo o que o sr. Toshihiko "Toshi" Egashira (Everest/Tikara) não fez em 13 anos atividade no mercado e tem um diálogo mais aberto e sem rodeios do que o sr. Afonso Fucci (Focus Filmes). É assim que tem ser. Pulso firme pra tocar o barco e transparecer os fatos com proximidade do público.

2 comentários:

  1. Texto muito bom e instingante parabéns pela matéria

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  2. Ótimo texto, que mostra o que nós, fãs de tokusatsu e anime tem que fazer.

    Eu estou otimista com esta empreitada da Sato Company e tenho fé de que ela traga mais títulos inéditos. O que me chamou a atenção na entrevista foi a parte que ele falou sobre lançamentos no mercado de home-vídeo. Eu espero que isso dê certo e a gente tenha um mercado de animes consistente em DVD e Blu-ray como se tem nos EUA. Mas claro, não só os fãs tem que fazer sua parte e comprarem mas também a Sato tem que fazer os lançamentos com o máximo de qualidade que os fãs tanto esperam. Afinal, o fã não vai comprar porcaria feita de qualquer jeito.

    Só uma pena que a franquia Kamen Rider esteja emperrada devido aos americanos. O Sr. Nelson Sato está certíssimo em dizer que a pirataria é um problema para o mercado, ainda mais tendo em vista que o brasileiro é o povo do jeitinho, de levar vantagem em tudo...

    Só não estou assinando o Wow! Play nesse momento porque eles só aceitam cartão de crédito e eu não tenho, mas eles disseram que no futuro vão permitir em boleto. Assim que isso acontecer, eu assino sem pestanejar. O Netflix e o Crunchyroll eu já assino. Faço a minha parte para ajudar na criação de um novo mercado de animes no Brasil.

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