domingo, 5 de junho de 2016

VR Troopers é realmente uma série tão ruim assim?

O trio deformado da Saban

Em 2014 escrevi aqui no blog uma resenha sobre a série VR Troopers. Querendo ou não a série marcou época nos anos 90. Não tanto quanto o morfenomenal Power Rangers, mas deixou sua marca de alguma forma quando exibido na Globo e na extinta Fox Kids. Tanto pro bem quanto pro mal. A série é até hoje odiada por muitos fãs de tokusat... digo, digo, da saudosíssima Rede Manchete (também sou fã, mas sem viuvez) que levam séries japonesas a sério demais. É que VR Troopers é uma adaptação americana de três séries originais da franquia Metal Hero, da Toei Company. As "vítimas" foram Metalder, Spielvan e Shaider. Foi a primeira série não oficial da franquia Metal Hero ao lado de Big Bad Beetleborgs (B-Fighter e B-Fighter Kabuto) e Zaido (uma sequencia filipina de Shaider).

Tais fãs (da Manchete) afirmam que a série é uma "imitação" e um "estupro" contra as séries japonesas exibidas no Brasil. Por causa desse falatório que vem desde o antigo Orkut, uma lenda urbana foi criada que reza uma praga que diz: "por causa da Saban o tokusatsu não voltará jamais ao Brasil". Tivemos várias reprises de séries de tokusatsu nos anos 90. Vimos lançamentos de Ultraman Tiga e Ryukendo nos canais abertos Record, Rede 21 e RedeTV!, respectivamente na década passada. E agora temos séries Ultra em serviços oficiais de streaming como Netflix e Crunchyroll. Bem, o tokusatsu está aí, não tem que ninguém reclamar de barriga cheia e a Saban não é lá esse monstrão nazista que você talvez pense que é (apesar da empresa não ser nenhuma santinha e dar suas prezepadas).

A questão é se VR Troopers é uma série ruim. Isso é verdade? Tem motivo pro trio formado por Ryan Steele, Kaitlin Star e J.B. Reese serem odiados assim (por alguns mancheteiros)? Então, a série é tosca. Mas vá sabendo que ela ASSISTÍVEL e tentou ser séria. Aliás, ela é bem mais séria se comparada e minuciosamente analisada ao lado do tenebroso Masked Rider (Kamen Rider Black RX) e do mal-assombrado Beetleborgs, que seguiram padrões mais infantiloides. Dentre as adaptações americanas de tokusatsu, só perde para Kamen Rider: O Cavaleiro Dragão (Kamen Rider Ryuki), que foi mais trabalhado e ficou bem longe do cúmulo da tosquidão. É melhor que as séries originais da Toei? Nem de longe. Mas você for uma pessoa paciente e parar pra assistir um episódio por dia/semana ou resolver descarregar a série em maratonas você vai descobrir muitos erros na série. Erros não são raros de serem encontrados em VR Troopers, mas faz o espectador se divertir. É como você encontrar um zíper nas costas do Godzilla ou de qualquer monstro de tokusatsu.

Se eu listasse aqui as inúmeras gafes, este post ficaria grande demais. E são tão risíveis de um jeito que o espectador se livra da depressão em dois tempos. Pois é. Ficar por aí estressado enquanto Toei e Saban ganham dinheiro loucamente é que leva numa depressão profunda. Rir é o melhor remédio. Analisar as cenas e as situações entre original japonesa e adaptação americana é divertido. Pois além de perceber as limitações, roteiros forçados de VR Troopers, você acaba encontrando erros. 

Só pra deixar umas curiosidades, Kenji Sony (Hiroshi Watari) virou "dublê" de J.B., Duas "Kaitlins" já apareceram juntas ainda na primeira temporada antes mesmo da duplicata (ocorrida na segunda e última), Satoru Kiita (Kazuoki Takahashi) de penetra em dois episódios, e por aí vai. Nas cenas originais, o que dizer das armaduras? São mal feitas pra caramba, mas bem engraçadas. Dignas de um "cospobre". Não tem como não rir e você acaba gostando daquilo - pra escrachar, é claro. Tem algumas gafes como Ryan aparecer sem o "fraldão" da armadura, a cinta da armadura de J.B. cair diante às câmeras, etc.

De início as lutas civis entre os Troopers contra os previsíveis Skugs (assista pra entender o porquê) não são as melhores no inicio. Mas vão melhorando. Só não chegam perto do mentor Tao Chong (o proprietário do Tao Dojo). Agora, um ponto a ser exaltado são as lutas coordenadas por Koichi Sakamoto (que dirigiu Ultraman X) no momento do Grid de Batalha. Tá certo que os trajes são horríveis, os capacetes foram modelados pelo capacete do Ranger Vermelho de Mighty Morphin Power Rangers (Kyoryu Sentai Zyuranger), mas são as lutas mais bem feitas. Tem lá uns personagens bobocas Woody e seu repórter Percy que tentam fazer comédia pastelão, mas são totalmente dispensáveis. Comédia de verdade foi o que eu falei acima. Tem seus momentos de drama com as reflexões de Tyler Steele, que serviu como um "Trooper" secundário ao assumir o codinome Dark Heart (Top Gunder em Metalder).

Então. Se por acaso você brigou com a namorada, tive um péssimo dia no trabalho, o gás acabou e o chefe ficou mal humorado, assista lá os Troopers pra desopilar e faça um teste em sua Netflix, mou. Dê boas risadas ou seu mal humor de volta. Metalder, Spielvan e Shaider continuam no mesmo lugar de sempre, no mundo da Toei e não são as gafes dos Troopers que vão destruir as obras originais. VR Troopers é uma boa série... pra rir.

Um comentário:

  1. Eu reperei que as cenas do grid de batalha pareciam mais "tokusatsu
    profissional", mas não sabia que Sakamoto colaborou nessa série.
    Sobre as armaduras "paraguaias", dizem que os trajes originais de
    Metalder e Spielvan estariam no Brasil e teriam sido usados em
    um circo-show com os heróis da Toei,só quem viu esse velho show
    para confirmar ou negar.Eu tenho lido fóruns americanos,onde usuários
    hoje reconhecem a edição horrível da série, mas ainda a reverenciam
    porque foi marcante para a infância deles ver uma série infanto-juvenil com vilões tão sinistros que as vezes eram estraçalhados
    pelos heróis enquanto nos Rangers da época até Lord Zedd várias vezes
    era palhaço para não assustar os pais.Aliás foi devido a tantas reclamações com a violência que Beetleborgs acabou virando aquela
    loucura(dizem que originalmente B-Fighter viraria a terceira temporada dos Troopers), enquanto Kamen Rider Black RX se tornou uma
    sitcom sem graça.Mas no final isso não deu muito certo e a Saban
    passou a experimentar enredos mais sérios para os Rangers

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