quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

Roberto Carlos ensina como se faz um autêntico show de romantismo

O rei e seu estranho "decotão" (Foto: Divulgação/Globo)

E mais um especial de Roberto Carlos passou em época de natal. Não sei você, mas a garotada adolescente pode chorar, se espernear, fazer protesto na internet, ou até escrever cartas ridículas que não tem remédio que dê jeito. Enquanto o rei tiver vida e disposição, ele vai mandar brasa mesmo. Aqui acolá sempre tem uns que soltam umas bobajadas afora dizendo algo como: "Roberto tá velho e precisa se aposentar" ou "Quem já viu uma vez, já viu todos os especiais" e outros causos absurdos. Que negócio é esse, hein? A verdade é que os que reclamam ao vento são os mesmos que defendem músicas de baixo calão que estão de passagem a entupir as rádios populares do nosso Brasil. Não conhecem, de fato, a obra do mandarim da música brasileira e não faz ideia da dimensão da riqueza e do grande potencial que só ele tem para a nossa cultura popular. Quer aceitem ou não. Os especiais podem parecer "a mesma coisa". Errado. A estética pode ser parecida em alguns pontos. Padrão e isso não é mal nenhum. Sempre começa com 'Emoções' e termina com 'Jesus Cristo'. Em tempo, as emoções são diferentes. Tem que acompanhar religiosamente todas as edições e entender bastante de romantismo pra manjar antes de soltar o verbo.

Todos os anos acompanho os especiais e - como fã e admirador do cantor e de sua obra - digo que tem especiais que deixam saudades e outros nem tanto. A juventude do funk que me desculpe, mas Roberto Carlos deu uma aula de como se faz canções de qualidade e que falam profundamente sobre o amor. Sem ferir integridade. Apesar do "decotão" brega que o rei adotou neste fim de ano, não teve nada que tirasse o brilho do especial. Aliás, foi um dos melhores dos últimos cinco anos. Pra ser mais exato: superou o mediano especial do ano passado. Nada de constrangedor ou que comprometesse o estilo do anual. Pelo contrário, foi digno e de muitas, mas muitas emoções.

Confesso que fiquei temeroso quanto à participação de Luan Santana. Ele cantou com Roberto a música 'Lobo Mau'. Não ficou ruim, porém um tanto estranho por sua imagem atrelada ao atual sertanejo (que nada se associa ao genuíno sertanejo). Pelo menos ele não teve que cantar nenhuma de suas canções melosas.

O especial gerou momentos impactantes como a participação de Alexandre Nero (o Comendador da novela das nove Império). Os dois interagiram legal no intervalo instrumental de 'Mulher de 40'. Bacana mesmo foi a brincadeira que fizeram no final quando Nero disse "Mulher de 40, 50, 60, 70..." na música. E Roberto disse: "Pegou todas hein, bicho". O momento da atriz Sophie Charlotte (da novela O Rebu), cantando 'Sua Estupidez', também foi belo. Digamos, um colírio de sereia.

Contrariando os comentários sem fundamentos, Roberto investiu aqui em versões de suas músicas em inglês e espanhol. Um diferencial que deu o que falar. Destaques para 'Breakfast' ('Café da Manhã') e 'Ese Tipo So Yo' ('Esse Cara Sou Eu'). Cantou até música do argentino Carlos Gardel e fez um dueto caprichado com Alcione, com a música 'Just The Way You Look Tonight'. Ah, foi legal ver a canjinha feita em tributo ao Elvis Presley, com 'Tutti-Frutti', e lembranças do rei em outros especiais. E Glória Maria repetiu a dança que teve com Roberto no especial de Jerusalém, de setembro de 2011.

Esse é o Roberto Carlos. Mostrando que aos 73 anos de idade é gênio e tem muito o que a ensinar para a nova geração musical que anda atrofiada - carecendo no conhecimento do amor.

E para aqueles que subestimam o talento de Roberto Carlos, aqui vai uma dica: espere dezembro do ano que vem e até lá pesquise sobre sua carreira musical. Talvez o seu cantor favorito não mereça ou não pese na mesma balança que o rei está e fez por onde chegar.

Quem é rei, jamais perde sua majestade.

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