quinta-feira, 5 de maio de 2016

Cyborg 009 VS Devilman, o mais novo crossover a ser testemunhado mundialmente

O encontro de dois univesos da animação japonesa

Sempre disse em várias oportunidades neste blog que o streaming é a alternativa certa de veiculação de produções japonesas em tempos onde emissoras de TV aberta e paga estão se distanciando cada vez mais desse tipo de produto. No Brasil e em outros países fora do Japão algumas séries de anime da atual temporada estão em exibição via serviços Crunchyroll e Daisuki, que costumam lançar episódios em transmissão simultânea (simulcast) para serem assistidos a hora que quisermos e de forma mais rápida/segura. A Netflix tem dado os seus próprios passos para investir nesse mercado e surpreendeu a muitos quando adquiriu os direitos de transmissão mundial (porém sem o selo de exclusividade) da série Cyborg 009 VS Devilman, coincidindo com o lançamento da nova safra de animes para abril.

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O OVA (Original Video Animation), produzido em parceria pelos estúdios Bee Media e Actas foi lançado há pouco tempo no Japão, em outubro de 2015. O crossover de três episódios (batizados como "act") traz de volta dois clássicos heróis do mangá e da animação japonesa. Cyborg 009, do saudoso mangaká Shotarô Ishinomori (o pai dos Kamen Riders) e Devilman, do veterano Go Nagai (autor de títulos famosos como Mazinger e Cutie Honey). Este mesmo encontro rendeu uma adaptação em mangá chamada Cyborg 009 VS Devilman: Breakdown e uma novel chamada Cyborg 009 VS Devilman Treacheries: The Traitors, que serviu como uma prequel dos eventos do OVA. Como marketing estratégico, o OVA foi anunciado como trabalhos separados de ambas as séries. De um lado seria um anime dirigido por Jun Kawagoe (que está de fato no staff) para comemorar os 50 anos do mangá anunciado em março de 2015, e de outro um anime de Devilman anunciado em abril de 2014.

Os eventos de cada série (as versões originais eram produzidas pela Toei Animation) se cruzam quando um aviso iminente sobre uma invasão de demônios chega ao grupo dos nove 00 Cyborgs. Pensando ser um ataque da organização Black Ghost, a equipe liderada por Joe Shimamura se vê diante de um violento ataque maciço de criaturas das trevas. Para ajudar os Cyborgs, o jovem Akira Fudô passa a reforçar a batalha contra a união das forças do mal, antes que haja uma terrível criação que funde máquina e demônio.

Cyborg 009 VS Devilman foi distribuído mundialmente com o áudio original japonês e dublagem americana. Nesta última versão o destaque fica para Johnny Yong Bosch, o Adam de Power Rangers, que é conhecido por lá também como dublador de animes. Os temas de abertura "Cyborg 009 ~Nine Cyborg Soldiers~" e encerramento "Devil Mind ~Ai wa Chikara~" foram interpretados pela banda JAM Project (Hironobu Kageyama, Masaaki Endô e cia).

O OVA está disponível no Brasil via Netflix desde 1 de abril de 2016.


Bônus: Cyborg 009


Criado por Shotarô Ishinomori, a série foi publicada originalmente pela Shonen King, entre 1964 e 1981. A história contava sobre nove humanos que foram sequestrados pela organização maligna Black Ghost e foram transformados em ciborgues e passaram a adquirir super poderes. Os 00 Cyborgs (tendo como o protagonista Joe Shimamura/Cyborg 009) se rebelam e lutam contra Black Ghost, que pretende começar a Terceira Guerra Mundial.

O sucesso de Cyborg 009 rendeu dois filmes animados no cinema pela Toei Animation em 1966 e 1967 (exibidos no Brasil pelo extinto circuito de cinemas do bairro da Liberdade, em São Paulo) e mais tarde uma série animada de 26 episódios exibida originalmente pela NET (atual TV Asahi) sempre às noites de sexta-feira na faixa das sete e meia da noite entre abril e setembro de 1968. Apesar de já existir transmissão em cores, o anime foi lançado ainda em preto e branco e com produção precária. Esta mesma versão foi exibida no Brasil pela extinta TV Tupi entre o final dos anos 60 e início dos 70. Uma segunda série foi produzida pela Toei, em parceria com a Sunrise, entre março de 1979 e março de 1980. Com o total de 50 episódios, a série inédita no Brasil foi concluída no filme Cyborg 009 Contra o Monstro do Mar, lançado em vídeo por aqui.

Entre 2001 e 2002 os estúdios Japan Vistec e Avex Mode produzem uma terceira série de 51 episódios exibidos no Brasil pelo canal pago Cartoon Network, em 2004. Os traços foram fiéis à obra de Ishinomori e ganhou um final inédito no manga. Cyborg 009 rendeu também dois games em 2002 e 2003, um áudio drama em 2009 e um filme para cinema em 2012.


Bônus: Devilman


Gô Nagai, antes de criar Devilman, era assistente de Shotarô Ishinomori e colaborou junto do seu mestre para o mangá de Cyborg 009. Publicado nas páginas da Weekly Shonen entre 1972 e 1973, Devilman ganhou uma versão animada pela Toei entre julho de 1972 e abril de 1973, totalizando 39 episódios exibidos pela NET (TV Asahi), sempre aos sábados às oito e meia da noite.

Teve um retorno aos mangás com o título Shin Devilman (Novo Devilman) entre 1979 e 1981, três séries novels, dois OVAs de 50 minutos cada e um filme live-action em 2004. Devilman e outros personagens da trama apareceram em outros trabalhos de Go Nagai. O mais notável foi no filme Mazinger vs. Devilman (1973), do diretor Tomoharu Katsumata. Este foi o primeiro crossover tanto de Devilman quanto da série Mazinger.

Devilman conta sobre o jovem tímido Akira Fudô que passa a adquirir poderes demoníacos para defender a humanidade contra as forças do mal. O anime original de Devilman é inédita no Brasil. Vale mencionar que sua concepção do personagem veio de outra obra de Nagai, do mangá Demon Lord Dante, de 1971. A série animada de 2002 baseada neste mesmo mangá foi exibida no Brasil pelo extinto canal pago Animax e esteve até pouco tempo em exibição pelo serviço Netflix.

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