sábado, 5 de abril de 2014

Cavaleiros - Comentários sobre a dublagem clássica (#1-2)


Resolvi começar ontem a assistir Os Cavaleiros do Zodíaco com a dublagem clássica da extinta Gota Mágica, de 1994. Isso pra entrar no embalo dos 20 anos do anime no Brasil -- que será comemorado em setembro próximo. Fora também o aniversário de 40 anos da carreira de Masami Kurumada e do filme A Lenda do Santuário em junho no Japão e em setembro por aqui. 2014 será um ano bastante especial para Saint Seiya.


Então, não vou assistir a série em maratonas, por enquanto. E sim em dobradinhas semanais. Devo aparecer de vez por outra com comentários sobre a dublagem clássica. Incluindo alguns pontos interessantes que vão além dos erros de dublagem. Um assunto que interessa e diverte tanto a antiga quanto a nova geração que acompanhou e aprendeu a amar Seiya e cia.


Jonas Mello
Quem puder comparar a versão atual da também extinta Álamo (2003), vai reparar umas certas diferenças nas interpretações dos dubladores quando assistir com a dublagem original. A começar pelo narrador Jonas Mello, também conhecido em várias novelas brasileiras, onde na época ele narrava compassadamente e com bastante calma. Muito diferente do que estamos costumados a assistir com a versão atual e corrigida, onde ele daria mais garra na narração. Não que isso ficasse ruim na versão da Gota Mágica. Pelo contrário, ficou interessante. E isso era uma característica nas interpretações de Mello. Um profissional de grande excepcionalidade.


Ainda assistindo, é possível notar a diferença no timbre de voz de Hermes Baroli. Na época ele tinha apenas 18 anos. Não lembro se entre a era de ouro dos tokusatsus na Geração Manchete e CdZ ele havia dublado algum personagem de destaque, além de Biker em Winspector (dublado no mesmo ano pela extinta Windstar -- meses antes de Cavaleiros). Hermes se destacou na época pela sua interpretação como Seiya de Pégaso. Uma vez que isso fez com que ele dublasse alguns anos depois outros personagens de anime como Leiga em Shurato, Hector em Samurai Warriors, Kojiro Hyuga em Super Campeões, etc. Ah, seu talento o levou para o Rio de Janeiro onde dublou por uma temporada de três anos várias produções em estúdios como da extinta Herbert Richers, por exemplo. Lá foi desde filmes até novelas mexicanas. De animes até Power Rangers (no qual dublou em quatro temporadas).


Hermes Baroli


Patrícia Scalvi
Voltando sobre Cavaleiros, há também uma interpretação que foi ofuscada nas lembranças do tempo. No primeiro episódio, Shina de Cobra (ou Shaina de Ofiúco) foi interpretada por Patrícia Scalvi. Que logo seria substituída por Maralisi Tartarine, a dubladora oficial da vilã. De repente, quem não liga pra esses detalhes pode até achar que seja a mesma voz. Bem, Scalvi é dona de uma voz feminina de bastante firmeza. Antes de Cavaleiros, ela se destacara nos tokusatsus como Rainha Cosmos em Jiban, Luna em Cybercop, Helen em Spielvan, Pérola em Kamen Rider Black, Igam em Maskman, e em 1995 como Maribaron em Kamen Rider Black RX. Além de sua voz ser lembrada pelo filme Elvira, a Rainha das Trevas e Jesus de Nazaré (neste último como Maria Madalena).


Nos primeiros episódios nota-se que entre os soldados do Santuário as vozes de Élcio Sodré e Mário Vilela (Buba/Gyodai/Seu Barriga/Nhonho) são presentes. Élcio, antes de ser oficializado como o dublador de Shiryu de Dragão, era o narrador da Guerra Galática. Antes o cabeludo fora dublado por Sérgio Rufino (Bobby/Doug). Mas isso é assunto pra sábado...


Durante estes episódios, ouve-se várias BGMs do próprio anime entrando por cima das que tocavam originalmente em uma determinada cena de ação. Coisa que acontecia algumas vezes nos tokusatsus dublados pela Álamo. Os mais interessantes foram os furos de áudio na luta de Seiya contra Geki de Urso. Praticamente na íntegra tocou o tema de encerramento "Blue Forever" em instrumental. Música do Nobuo Yamada que ficou em evidência por aqui nos anos 2000. Ah, sem falar que houve uma escapadinha levianas dos áudios dos eyecatches na luta. Não foi leve não. Foi leviana mesmo. Hehehe!

Erros de dublagem? Vamos lá então. O grande primeiro erro foi quando o Mestre do Santuário (dublado por Gilberto Baroli), diz que ao vencedor concederia a "armadura de ouro" de Pégaso; Shina dizer "Cobra Venha" por duas vezes; Jabu ser chamado de Cavaleiro de "Capricórnio" (isso durou a dublagem inteira); e Geki ser chamado de "Jack"!

Por hoje é só. Mais comentários sobre a dublagem noventista de Cavaleiros no próximo fim de semana. Fiquem ligados no Blog DAILEON para mais. Antes de encerrar, que tal relembrar aquela abertura "made in España" do anime? "Os Guardiões do Universo" marcou demais a cabeça da gurizada da época nos primeiros oito meses de exibição na saudosa Rede Manchete. Ô saudade lá de casa... :D

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