terça-feira, 26 de abril de 2016

Tokusatsu e binge-watching: a combinação que irá declarar oficialmente o obituário do velho formato da TV

Ultraseven X é a mais nova série tokusatsu no Brasil (Foto: Divulgação/Netflix)

A grande parte do público que curte tokusatsu no Brasil viveu a geração Manchete e alguns a geração dos heróis cult como Vingadores do Espaço, Robô Gigante, Spectreman, Ultra Q, Ultraman, Ésper, etc. No geral, a era do tokusatsu na TV brasileira se deu entre a estreia de National Kid nos anos 60 até a última exibição de Ryukendo em 2011. (Rede Brasil e derivados que fazem transmissões piratas não contam. Por favor, não insista.) Isso sem contar com eventuais exibições de Power Rangers. Aos poucos os resquícios da era em que as emissoras andavam na contramão das tradicionais exibições semanais da TV japonesa para exibir os episódios de tokusatsu diariamente está chegando ao fim.

Hoje estamos em uma nova era em que o tokusatsu está crescente nos serviços oficiais de streaming. Por enquanto apenas a Netflix e a Crunchyroll são os que possuem títulos do estilo em seus catálogos. É fácil encontrar séries e filmes das franquias Ultraman e Power Rangers. Daqui a pouco haverá o a invasão dos clássicos da era Manchete. Não dá pra reclamar nem muito menos dizer "o Brasil não tem mais tokusatsu". Isso é balela, coisa de saudosista que ficou escorado no paredão do tempo.

Quem é marinheiro de primeira viagem e está começando a acompanhar o tokusatsu por estes meios (ou mesmo série inéditas no Brasil por meios alternativos) provavelmente deve estar passando pelo efeito de maratonas chamado binge-watching e não faz ideia do que é esperar dias/semanas para chegar até o final da série. Vou mais longe: imagine ter que esperar cerca de dois anos e meio para ver o final do Jaspion e reprises infindáveis segurando o suspense e a audiência.

Maratona não é uma novidade de hoje, mas está se tornando uma coisa comum em vários nichos da cultura pop. Coisa que se deve à influência positiva da Netflix e isso se elevou mais ainda nos últimos três anos com o crescimento das suas Originals (séries exclusivas que consequentemente recebem o selo do serviço). Indo para o lado das séries japonesas - anime e tokusatsu, a TV japonesa ainda exibe suas séries semanalmente com cronogramas de médio/longo prazo para concluir. Dificilmente essa realidade irá mudar. Tal elemento é o forte dos serviços como Crunchyroll e Daisuki. Por um lado isso é bom pois ainda existe o hábito de comentarmos episódios semana após semana (e, sem desmerecer, nos livra dos atrasos das fansubs). Quem me acompanha por este blog percebe que isso é uma das coisas que alimenta a coluna, apesar de requerer tempo, foco e um certo drible pra acompanhar as principais séries do momento.

O efeito binge-watching tem uma vantagem: Ultraseven X, por exemplo, foi lançado em 1 de abril. Por questão de tempo e de compromissos eu ainda não consegui pegar um domingo inteiro para torrar todos os 12 episódios. O jeito foi assistir um episódio por dia e concluir dessa forma. Mas muita gente conseguiu assistir em uma ou duas sentadas. Já fiz essa experiência com algumas séries e é bacana você acompanhar tudo de uma vez. Você não fica dependendo de horário de TV e você mesmo cria sua própria grade. Sabe, você até esquece que a TV existe e não fica por aí pedindo pra ver alguma série ou filme japonês na TV. Não tem como mais. Daí vem a parte dramática da história, a série acaba mais rápido e você quer ver uma ou outra série. Em outras palavras, é uma "ejaculação precoce" de séries.

Agora estamos no final de abril. Ultraseven X estava muito badalado nas duas primeiras semanas e ainda mais pela dublagem surpresa. Já não é mais novidade pra ninguém e em menos de um ciclo inteiro da lua o lançamento virou uma nota fria. Aumentou mais ainda a expectativa de ver Garo na Netflix que em questão de poucos dias de lançamento vai ficar pra trás. É um lado que gera uma certa pressão pra assistir e acompanhar os lançamentos. Nem sempre é fácil.

Como blogueiro, a minha vontade é de assistir tudo. Ainda tenho muitas séries e filmes na lista pra assistir. É angustiante você não poder assistir a tudo quando se tem outras prioridades pessoais, metas pra alcançar, interesses variados e vontade pra respirar outros ares. Mas faz parte da vida de quem toca o barco. Confesso que sou meio tradicional ainda e assisto uma ou outra série por semana. É o que eu faço atualmente com Ultraman Leo, por exemplo. Um ritmo ainda antiquado (brincar de TV japonesa) diante aos novos tempos, confesso, mas que estou procurando me adaptar e deixando de lado o antigo formato. É algo que preciso fazer e dividir as séries que chegam de uma vez por temporada, sendo que esse fato é uma realidade no cenário da cultura pop japonesa. Mas não é fácil quando olho pra imensidão de programas que quero assistir (e resenhá-las) e outras que eu tenho e quero fazer. Sei que vou conseguir com o tempo. Bem, cada um tem o seu próprio ritmo. O importante é que as séries estão disponíveis pra vermos quando quisermos e a hora que quisermos. Essa é a vantagem que mudou o jeito de acompanhar essas tralhas inúteis que a gente tanto gosta.

Os nichos do cinema, das séries americanas e dos animes estão evoluindo. Restam alguns fãs do "verdadeiro tokusatsu" saírem da estagnação, acordarem pra vida e enxergar esse caminho pro futuro.

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