segunda-feira, 26 de outubro de 2015

Ikki Tousen tinha tudo pra ser uma nostalgia "adulta" entre os animes no Brasil

Os personagens principais do anime

Nos idos de 2006 um título bem conhecido entre o público hardcore dos animes iria pintar nas telinhas da TV fechada. Trata-se de Ikki Tousen: Anjos Guerreiros (ou simplesmente Ikki Tousen, no original). Inicialmente a sua primeira temporada, do ano de 2003, e intitulada originalmente como Ikki Tousen: Battle Vixens (baseado no mangá de mesmo nome), estava prestes a estrear na programação do Cartoon Network.

Por conta de seu conteúdo apelativo (fortes fanservices), o anime esteve engavetado por alguns anos. Bastante inapropriado para o horário vespertino do extinto bloco Toonami, mas seria ideal para o Adult Swim. A programadora Turner havia voltado atrás no final de 2008 e resolveu agendar a estreia para o canal I-Sat, em novembro daquele ano. Porém o lançamento foi cancelado. A salvação foi a Netflix que disponibilizou esta temporada entre 15 de março de 2012 e 1 de outubro de 2015, com áudios em português e espanhol. Logicamente a matriz era a mesma que seria usada na TV paga brasileira.

O pano de fundo é uma "guerra" entre sete escolas situadas na região de Kantô e os alunos de cada são treinados para se tornarem lutadores e rivalizarem entre si. Suas vidas e destinos são guiados por estranhas jóias de magatama que contém espíritos dos guerreiros da era dos Três Reinos da China antiga, bem como seus destinos.

A heroína principal é Hakufu Sonsaku, uma garota que se mudou para o Japão e é ingressada para a Escola Nanyo. Ela é descendente do lendário conquistador Sun Ce e é destinada a unir as escolas, mas com um lado sombrio que adormece em seu ser. Hakufu mora com seu primo Koukin Shuuyu e sua mãe Goei.

Esta premissa promete uma história interessante e digna de muita ação. E é de fato. Só que, como citado acima, Ikki Tousen apela em várias situações. E não é qualquer apelo não. É do tipo banalmente sexual ou próximo a passar dos limites. Apesar de Hakufu ser uma peça-chave da trama, ela faz o tipo de loira burra (é sério!) que não tem muita preocupação na vida e sua ingenuidade atrai mal intencionados que subestimam sua força. Não são dispensadas cenas onde os seus seios balançam e sua calcinha e sutiã ficam quase sempre amostra. Fora que já foi apelidada por um de seus colegas de escola como "garota do peitão bombado". (que linguajar, hein?!)

A impressão que se tem de início é que as situações são boas desculpas pra explorar um pouco da sensualidade (ou sexualidade). Até uma cena de estupro entre a vilã Ryofu e a heroína Ryomô já foi praticamente explicitada. Sem mencionar que Goei meio que ostenta de sua beleza e gosta de namorar rapazes mais novos que ela.

Apesar dos pesares, Ikki Tousen tem uma boa trama e rica em conceitos. O que gera uma certa complexidade, inclusive. Mas as várias pitadas ecchi são constrangedoras. Elas diminuem mais com a proximidade do clímax nos últimos três episódios da temporada inicial. Sem tirar o mérito, Ikki Tousen tem personagens carismáticos. Mas a série em si é consideravelmente regular ou um pouco mais se garimparmos apenas o essencial da história.

A primeira temporada de Ikki Tousen, cuja autoria é do mangaká Yuji Shiozaki, possui apenas 13 episódios exibidos originalmente pelo canal pago AT-X, entre 30 de julho e 22 de outubro de 2003. Estranhamente a exibição original era inapropriada: 11h30 da manhã. Mas ganhou exibição regular na temporada de outono do mesmo ano (de outubro a dezembro) nas madrugadas dos canais TVK, Sun TV, etc. A série tem mais três temporadas que permanecem inéditas no Brasil. Dragon Destiny (2007), Great Guardians (2008) e Xtreme Xecutor (2010). Todas com 12 episódios cada.

Com distribuição da Ledafilms, a dublagem foi realizada pelo estúdio Uniarthe, de São Paulo-SP. Podemos conferir destaques como de Jussara Marques (a Maluca do TV Cruj) emprestando a voz para Hakufu Sonsaku. Ela é conhecida como a Pan em Dragon Ball GT e trabalhou em diversos animes exibidos na TV e no streaming. Telma Lúcia foi Ryofu Housen. Ela é conhecida como Néfer do tokusatsu Flashman, Kuririn na primeira dublagem do anime Dragon Ball e tantos outros.

Os 10 primeiros episódios possuem créditos em inglês na abertura e encerramento. Porém o restante está todo em japonês. Vale citar que durante o preview de alguns episódios, acontece a repetição das mesmas cenas de um determinado episódio, mas com a locução referente ao próximo. Os temas de abertura "Drivin' Through The Night", da banda japonesa M.o.v.e e o encerramento "Let me be with you" da cantora Shela foram exibidas. Infelizmente nunca tivemos de forma oficial a música "Fate" de Masumi Asano (a voz original de Hakufu) nos episódios 8 ao 13 (que foram substituídas pelo tema de encerramento anterior).

Curiosamente, Wendee Lee, a Scorpina de Mighty Morphin Power Rangers, empresta sua voz para Goei na dublagem americana.

Se na época Ikki Tousen tivesse conquistado espaço na TV fechada, seria lembrado com um certo saudosismo. Seja pela trama convidativa ou pelo fanservice exageradamente fora do habitual.


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