quinta-feira, 28 de maio de 2015

Metanoia, um filme que vai além das mudanças

Antes de qualquer Mad Max ou Poltergeist, você tem que assistir Metanoia - Mães de Joelhos, Filhos de Pé. O filme está em cartaz há duas semanas e tem exibição limitada em 

algumas salas de cinema em todo o território nacional. Com distribuição da Europa Filmes, a produção conta com o protagonismo do ator Caique Oliveira, conhecido da Companhia de Teatro Jeová Nissi, que também ficou encarregado do roteiro ao lado de Miguel Nagle (que dirigiu o longa).

Aqui ele vive o personagem Eduardo, um rapaz que mora com sua mãe Solange (Einat Falbel) numa periferia de São Paulo. Sem grandes expectativas de futuro, ele passa a seguir o seu ricaço amigo Jeff (Caio Blat), que o leva para o submundo do crack.

Como a própria temática exige, o que podemos esperar é que Metanoia seja um filme sofrido. E isso é verdade. Pra assisti-lo, o espectador tem que ter uma certa porção de "nervos de aço" na hora. Não que isso venha a abusar da violência, mas a dor e as consequências das drogas levam a quem assiste a refletir sobre as causas de um dos grandes males do século.

Apesar do clichê de "um jovem que sofre com as más companhias e das drogas", Metanoia mostra que não é mais apenas um filme sobre o crack. Bem mais que a fotografia (algumas cenas foram gravadas nas redondezas da cracolândia) e da participação de alguns globais, o filme se destaca por várias peculiaridades. Tanto do talento indiscutível de Oliveira, quanto por alguns detalhes e pistas que se unem na conclusão do longa.

Aliás, Oliveira não mede espontaneidade em suas interpretações. Seu ápice, com certeza, está nas cenas mais críticas onde todo o sofrimento de seu personagem é extraído com bastante sinergia. Blat teve uma participação breve, mas sua passagem é memorável num momento onde interpreta uma estranha recitação. Curiosamente, o filme possui uma única cena paralela onde que - sem qualquer ligação com o drama de Eduardo e Solange - vemos um diálogo entre uma mãe (Solange Couto) e que visita o seu filho (Silvio Guindane) viciado em crack, no dia de seu aniversário. Um dos momentos mais comoventes, inclusive.

Metanoia pode ser um filme onde você pensa que vai sair da sala de exibição carregado de uma enorme tristeza. Mas o seu final é compensador e renova os ânimos. Pode parecer estranho para alguns, mas o elemento teatral "Deus ex machina" (termo usado para soluções com intervenção divina) esteve presente. Pode até ser evitado hoje em dia por vários roteiristas. É neste momento onde o quebra-cabeça embaralhado durante a trama é montado, exigindo maior compreensão além da técnica.

Independente de qual fé que o espectador venha a ter (ou não), Metanoia é um filme que vale a pena ser assistido e apreciado. Tanto pela abordagem de um tema interessante e atual (apesar das esperadas passagens de angústia, claro), quanto pela atuação dos atores. Mais do que isso: o filme traz uma profunda palavra que merece ser testemunhada, seja o espectador dependente ou não das drogas.

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