sexta-feira, 9 de maio de 2014

Éramos Seis, versão clássica do SBT completa 20 anos

A Família Lemos no início dos anos 30

Hoje também é aniversário de outra produção brasileira que marcou o ano de 1994. Éramos Seis, novela do SBT que foi originalmente transmitida entre 9 de maio e 5 de dezembro de 1994, totalizando 180 capítulos. Numa jogada de marketing (esperta) de Silvio Santos, a novela tinha dois horários noturnos: a primeira exibição às 19h45 e a reprise às 21h45. Na cola dos encerramentos das novelas globais A Viagem e Quatro por Quatro na faixa das sete; e Fera FeridaPátria Minha na faixa das oito, no mesmo período em que ficou no ar. Uma fórmula que deu certo na época.

A versão de 1994 era, na realidade, a quarta adaptação produzida para a TV. As anteriores eram dos anos de 1958, 1967 e 1977. A primeira produzida pela Record e as duas seguintes pela Tupi. Talvez a caçula seja a mais querida e lembrada pelo público em geral.


[SPOLIERS]

Os Lemos na primeira fase
de Éramos Seis, em 1921.
Baseada na obra original de Maria José Dupré (in memorian), a novela apresentou três fases protagonizadas por Dona Lola (Irene Ravache), que vivia com sua família. O marido Júlio (Othon Bastos) e os filhos Carlos (Caio Blat), Alfredo (Wagner Santisteban), Julinho e Maria Isabel.

A novela começa na antiga cidade de São Paulo, no ano de 1921. Mais precisamente situada na Avenida Angélica. Foi um período onde mostrou as dificuldades da Família Lemos para manter as prestações da casa onde moravam. Além focar os momentos da infância dos filhos do casal. Principalmente de Carlos, que era apaixonado por Carmencita; e Alfredo, que fazia parte da gangue do colega Raio Negro.

A segunda fase situa-se no ano de 1932, onde ocorreram as mortes de Júlio e de Carlos (Jandir Ferrari). O primeiro morreu de infarto, e o segundo por um tiroteio na Revolução Constitucionalista (ou Guerra Paulista) daquela época. Alfredo (Tarcísio Filho) se envolvera com movimentos políticos; Isabel (Luciana Braga) se casaria com um homem mais velho e casado; e Julinho (Leonardo Brício) casaria com uma mulher rica. Fato que culminou com a saída de Lola para um asilo. Puxando um gancho para a terceira fase que saltou para os idos de 1942-43, durante a Segunda Guerra Mundial.

A novela mostrava também temas paralelos, como o casal vizinho Genú (Jandira Martini) e Virgulino (Marcos Caruso); As irmãs de Lola -- Clotilde (Jussara Freire) e Olga (Denise Fraga), que moravam com uma tia doente. Olga se casaria com um farmacêutico Zeca (Osmar Prado), onde tiveram vários filhos. Já Clotilde vivia um drama por se apaixonar por Almeida (Paulo Figueiredo), amigo de Júlio que era desquitado. Havia também dramas como de Carmencita (Eliete Cigarini), que retorna ao Brasil depois de 10 anos e reencontra seu amado Carlos, antes de morrer. E de Emília (Nathália Timberg), tia de Lola, que vivia com suas filhas: a rebelde Adelaide (Bete Coelho) e Justina (Mayara Magri), que tinha problemas mentais.


Carmencita e Alfredo --
um romance incosistente
O interessante é que os próprios personagens chegavam a dialogar com os telespectadores após o final de cada capítulo e antes das cenas do próximo. Os momentos felizes e tristes eram bastantes comoventes, fazendo com que o público se identificasse com a trama. A novela procurou seguir a descrição original do romance. Tendo acrescentado alguma trama ou outra que não fazia parte do livro. Uma coisa típica em qualquer teledramaturgia.

A mudança mais apelativa, sem dúvida, foi o romance entre Alfredo e Carmencita na reta final. Algo inexistente no livro e um filler que rendeu altos papos entre a imprensa especializada em novelas e deixou o público feminino roendo unhas e torcendo para um final feliz entre os dois.


Os destaques ficaram para Caio Blat, que tinha apenas 13 anos e já havia participado de séries da TV Cultura como Mundo da Lua e O Professor. Tarcísio Filho que viveu o Alfredo na fase adulta. Além de participações especiais de Ana Paula Arósio como Amanda (um affair de Carlos que durou pouco tempo) e Eduardo Silva (o Bongô do Castelo Rá-Tim-Bum) como Raio Negro adulto.


Jussara Freire e Paulo
Figueiredo contracenando
 mais um casal na mesma obra.
Uma curiosidade importante: a atriz Chica Lopes, a doméstica Durvalina, estava reprisando sua personagem. É que ela havia interpretado na versão de 1977. Desta mesma versão, Jussara Freire e Paulo Figueiredo foram Olga e Zeca, respectivamente.

Éramos Seis foi reprisada entre 22 de janeiro e 22 de maio de 2001. Comprimido numa exibição de apenas 4 meses. Contando apenas 87 capítulos exibidos na faixa das seis da tarde. Já tá mais que na hora do SBT também se render à tempos de nostalgia e reprisar como vem fazendo com novelas mexicanas. Uma boa opção para fugir de enredos apelativos do atual horário nobre.

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