quinta-feira, 2 de julho de 2015

Nostalgia: Os 15 anos do fenômeno Digimon no Brasil

O anime foi febre na Globo

Na história dos animes no Brasil, houve três momentos marcantes que causaram um grande boom de popularidade e moveram marketing devastadores por parte das emissoras brasileiras. O primeiro fenômeno do gênero acontecia com Os Cavaleiros do Zodíaco na extinta Rede Manchete (entre 1994 e 1995), a segunda com Pokémon na Rede Record (entre 1999 e 2000) e a terceira foi com Digimon (entre 2000 e 2001). Há exatamente 15 anos atrás o país, que já enfrentava uma febre com os monstrinhos de bolso, agora passaria a vivenciar uma nova aventura e mais emocionante e desenvolvida do que Pikachu e cia.

A grande concorrência fora do Japão começou nos EUA, onde Pokémon estava perdendo audiência para os seres digitais que surgiam nas manhãs de sábado. Havia um marketing super agressivo pra que toda a popularidade fosse impulsionada e a trama caísse no gosto da molecada gringa.

No Brasil a coisa não foi diferente. A disputa foi praticamente declarada meses antes quando a revista Veja cobriu uma reportagem sobre a vinda da série da Toei Animation, licenciada pela Imagine Action. Daí podia-se sentir mais um sinal de briga pela audiência entre as emissoras de Roberto Marinho e de Edir Macedo. Cogitava-se também a aquisição do então novo anime pela Record, mas a coisa não se concretizou.

Assim como Pokémon virou carro-chefe na programação do canal do bispo no fim do milênio passado (com direito a menção num especial de natal da Escolinha do Barulho), a Globo investiu pesado na divulgação daquele que seria o desenho mais badalado do segundo semestre do ano 2000. Pra se ter uma ideia, chamadas do lançamento surgiam em pleno horário nobre, durante os intervalos da novela das oito Laços de Família e também da revista eletrônica dominical Fantástico (onde ganhou matéria especial para promover o lançamento). Isso sem mencionar anúncios em revistas e jornais, por exemplo. E para completar (ou estragar alguma coisa), Angélica foi chamada para interpretar o tema de abertura. Infelizmente, no lugar da eletrizante música Butterfly, do cantor japonês Koji Wada, tivemos uma medonha melodia que dizia "Digimons/Digitais/Digimons são campeões". Algo que foi herdado da versão americana, feita pela Saban Entertainment (a mesma de Power Rangers). Mas por sorte as matrizes que vieram foram trazidas diretamente do Japão, com exceção do filme 3 em 1 copilado pelo estúdio americano.

Para reforçar ainda mais, a Fox Kids fez uma pré-estreia no domingo, dia 2 de julho, com a exibição dos dois primeiros episódios - das 19h00 às 20h00. A grande estreia de fato acontecia no dia seguinte. Nas manhãs do programa infantil TV Globinho (edição de férias), e nos fins de tarde da Fox Kids, às 17h30 e com reprises às 21h30. No canal pago, o anime tinha até exibição nos fins de semana. Porém, os episódios inéditos iam ao ar regularmente de segunda à sexta. Ou seja, quem não podia assistir de manhã, tinha mais duas chances à noite (caso tivesse TV por assinatura, claro). Um timing perfeito que nunca foi visto igual para um anime no Brasil. Vale lembrar que a partir da quarta semana de exibição, a Globo passou a exibir Digimon num segundo horário pelas manhãs, desde o primeiro episódio. Outra chance pra quem tinha perdido ou quem quisesse ver mais uma vez.

A dublagem realizada pela extinta (e lendária) Herbert Richers foi um grande primor de destaque. Já que a grande maioria dos animes eram dublados em São Paulo. O elenco carioca conquistou mais uma vez, agora com a então mais nova sensação do momento. Inclusive, Hermes "Seiya de Pégaso" Baroli estava passando uma temporada dublando no Rio de Janeiro.

A primeira temporada (originalmente intitulada como Digimon Adventure) foi lançada em DVD via Focus Filmes, em 2010. Servindo indiretamente como parte das comemorações de uma década completa do anime no Brasil. Mas apenas duas boxes - de quatro volumes previstos - foram lançados e em todos os episódios os eyecatches foram cortados. O mesmo corte de vinheta de intervalo voltaria a se repetir no primeiro box do tokusatsu clássico Comando Estrelar Flashman (exibido nas emissoras Manchete, Record e CNT/Gazeta), também lançado pela Focus no fim do mesmo ano.

Sem dúvida, a primeira temporada é a mais nostálgica de todas e a mais marcante. Não que as demais séries não mereçam atenção, mas é a que tem maior apelo para uma continuação. Digimon Adventure tri (lê-se: "trai"), filme de seis partes que será lançada no Japão a partir de novembro, é uma boa pedida para atender um público mais ávido por nostalgia.


4 comentários:

  1. Excelente. Mais um "debutante".
    Cara, eu acho que a estreia foi na TV Globinho (aquele tapa-buraco de férias), pq o Angel Mix já tinha acabado mas o Bambuluá só foi estrear perto do dia das crianças. Tenho que conferir numa fita...
    Abs

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  2. Tem razão, Matheus. Confusão de eras de programas infantis por parte deste que vos escreve. (rsrs) O Bambuluá só estreou em 9 de outubro de 2000. E o Angel Mix já tinha acabado, em 30 de junho do mesmo ano (junto com a exibição regular do Samurai X). Mas tá corrigido. Valeu.

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  3. Respeito sua opinião mas descordo a música de abertura com a angélica marcou muitas crianças como eu , que cantavam todos os dias essa canção muito chiclete que todo vez que alguém recorda de digimon a música vem instantaneamente com esse refrão "digimons digitais , digimons são campeões e um máximo , é com aquela introdução parecendo de uma voz de robô e bastante marcante , essa abertura japonesa nunca chegará aos pés da abertura global .

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