quinta-feira, 19 de novembro de 2015

Power Rangers Megaforce, uma série estranha com heróis quase cativantes

O elenco da adaptação americana de Goseiger

Quando Haim Saban recuperou os direitos de Power Rangers - que estavam com a Disney até meados de 2010, muita gente se surpreendeu com a aquisição da série japonesa Samurai Sentai Shinkenger. O excelente Super Sentai de 2009 era carregado de elementos da cultura milenar japonesa. O resultado foi duas temporadas tenebrosas atendidas como Power Rangers Samurai e Power Rangers Super Samurai, que não fez o mesmo jus à série original pela óbvia diferença cultural.

Com o tempo, a Saban Brands (antiga Saban Entertainment) anunciou duas séries que serviram como um arco de comemoração aos 20 anos da franquia. Power Rangers Megaforce (2013) e Power Rangers Super Megaforce (2014). Ambas são respectivamente as versões ocidentais das séries Tensou Sentai Goseiger (Sentai de 2010) e Kaizoku Sentai Gokaiger (Sentai de 2011).


Os vassalos do Império Warstar

Megaforce começa com cenas de uma guerra conhecida como Batalha Lendária (versão da Legend Taisen, de Gokaiger) entre os Power Rangers veteranos contra um grande exército espacial que veio para dominar a Terra. O tal evento era apenas (ou pelo menos parecia) um sonho de Troy Burrows (contraparte de Alata/Gosei Red), um adolescente que acabara de se mudar de cidade, e por consequência é solitário. Somos apresentados também aos rapazes Noah Craver (Hyde/Gosei Blue), Jake Holling (Agri/Gosei Black) e as garotas Emma Goodall (Eri/Gosei Pink) e Gia Morgan (Moune/Gosei Yellow). Nos primeiros minutos percebemos um certo interesse de Jake pela loirinha Gia.

Quando o Império Warstar (Exército Universal de Aniquilação Warstar em Goseiger) chega ao nosso planeta, Gosei (Master Head), um antigo guardião sobrenatural e discípulo de Zordon, presente o perigo que a Terra está para acontecer. Com a ajuda de Tensou (equivalente ao fliperama humanóide Datas), ele convoca os tais adolescentes para se tornarem os Power Rangers Megaforce. Também conhecidos como Mega Rangers (OBS: não confunda com a série Denji Sentai Megaranger, que serviu de adaptação para a série Power Rangers no Espaço).


Emma, a graciosa Ranger Rosa
O primeiro episódio começou de forma um tanto bizarra. Quando Gosei convoca os jovens, eles simplesmente são arrebatados para a sua base. A situação lembra o primeiro episódio de Mighty Morphin Power Rangers, mas ali na série clássica a situação era de extremo perigo onde Alameda dos Anjos sofria um ataque de Rita Repulsa com devastações e terremotos. Aqui a situação foi adiantada e os Rangers ainda estavam em plena paz. Antes do ataque da Warstar. Tudo bem a intenção de fazer um tributo ao clássico episódio "Day fo the Dumpster". Mas não precisava forçadamente imitar algumas situações de MMPR. Lá os novos Rangers souberam das suas missões, não acreditaram, rejeitaram, foram atacados, e na hora do perigo morfaram pela primeira vez. Até no final do episódio Emma deu uma de Kimberly dizendo que o capacete poderia amassar os cabelos, mas que iria aceitar a missão. Não convenceu em nada desta vez e a série poderia começar com leves referências, mas com toque de originalidade. Não é por ser uma adaptação de Super Sentai que não vá sair alguma novidade, né?


A produção de Megaforce não se preocupou em criar conceitos próprios. Um bom exemplo é que sequer houve alguma adaptação em relação aos símbolos originalmente criados em Goseiger. No caso, as tribos Skick (de Alata e Eri), Landick (de Agri e Moune) e Seaick (de Hyde e Magis/Gosei Green). Curiosamente, a Saban deixou transparecer propositalmente alguns detalhes como a rápida aparição de Alata nos primeiros segundos da abertura e os nomes originais dos Power Cards (Gosei Cards em Goseiger). A impressão é que a Saban voltou bem mais relaxada nesses detalhes. Aliás, a curta duração de 20 episódios também atrapalhou no desenvolvimento.


Troy invocando seu Power Card para morfar

Os heróis perdem em carisma, enquanto a série chega a ser um pouco melhor que o próprio Goseiger. A série japonesa começou bem, com leves toques de dramaticidade, mas do meio para o final infantilizou. Vale ressaltar que Alata era o principal dos heróis, mas não era necessariamente o líder dos Gosei Angels. Melhor dizendo: nenhum dos Goseiger era um líder de fato. Em Megaforce, Troy se mostra um bom líder ao invés de sua contraparte da terra do sol nascente. Só que sua solidão poderia ser melhor trabalhada e dar um pouco mais de garra no roteiro. O que infelizmente não aconteceu.

Os demais heróis ficam na superficialidade. Noah é aquele tipo de CDF que não tem acrescenta em nada. Ainda assim, Jake consegue divertir um pouco com a suas tentativas em investir na sua paixão secreta. Gia e Emma agradam em beleza. A última é a que mais inspira em graciosidade. Ela mostra uma certa empatia com Troy em alguns momentos.


Quem acompanhou Goseiger deve lembrar que a série foi dividida em quatro arcos. As sagas Warstar (nos primeiros 16 episódios), Yuumajuu (do 17 ao 32), Matrintis (do 33 ao 44) e Dark Headders (do 45 ao final). Em Megaforce as sagas foram comprimidas em uma só, criando algumas lacunas. Os primeiros sete episódios de Megaforce foram baseadas na primeira fase de Goseiger. A chegada de Robo Knight (Gosei Knight em Goseiger; Robô Guerreiro na versão brasileira) no episódio 8 marcou juntamente com a primeira aparição de Bluefur (Bigfoot no Kinggon) e Bigs (Blob no Makuin). Apesar de Robo Knight não ser tão frio quanto Gosei Knight, sua vontade de aprender sobre os costumes dos humanos agrada em alguns momentos.

Robo Knight em ação

A coisa mais estranha no decorrer das sagas é o porquê das mudanças de forma de Vrak (Burajira) durante os episódios. Falando nele, não dá pra engolir aquele sotaque latino-americano do personagem. Canastrão, se comparado a sua contraparte em Goseiger que foi um vilão frio e calculista que salvou Goseiger dos momentos de infantilidade. Aliás, é preciso que se diga que Burajira era a mola que impulsionava o espectador a assistir Goseiger.


Há um momento curioso durante o episódio 18 de Megaforce, intitulado "The Human Condition". Este é baseado no episódio 15 de Goseiger, o penúltimo do arco Warstar. Considerando que Gosei Knight ainda não havia aparecido em Goseiger até então (o que acontece em dois episódios depois), a desculpa para a ausência de Robo Knight na batalha final contra o Almirante Malkor (Daioh Wakusei no Mons Drake) foi que o androide havia deixado o seu celular, o Robo Morpher (Leon Cellular) numa biblioteca, enquanto ele se aprofundava em leituras sobre os humanos. Lembrou aquelas desculpas esfarrapadas que víamos em VR Troopers, por exemplo, se analisarmos as situações do episódio da versão americana com a versão original japonesa. Não chegou a ser terrivelmente constrangedor, mas ainda assim foi engraçado. Ainda mais pra quem assistiu ambas as versões.

Agora, o mais estranho nos episódios finais é a "troca de papéis" entre Goseiger e Megaforce. No penúltimo episódio, surge o vilão The Messenger (Tensai no Robogog) que é subordinado indireto de Vrak. Em Goseiger, Robogog era o líder do Império Matrintis. Logo, The Messenger é membro do grupo The Armada (versão do Uchuu Teikoku Zangyack, de Gokaiger) e tem participação pequena. Metal Alice (Agent no Metal Alice) tem uma atuação considerável, porém fica atrás da sua versão original. Como esperado, o final da série dá um gancho para a próxima temporada.

A impressão que temos é que Power Rangers Megaforce tentou agradar apressadamente e tem situações que são melhores que Goseiger e vice-versa. Apesar de não ter uma trama construída como em temporadas passadas, consegue divertir nas sequencias de ação. Ainda que o clima é de ver os Rangers sendo jogados nas missões sem expressividade.

A versão original de Megaforce: Tensou Sentai Goseiger

Power Rangers Megaforce rendeu dois especiais de TV. Os agora "tradicionais" episódios de Halloween e Natal. Respectivamente: Power Rangers Megaforce: Raising Spirits e Power Rangers Megaforce: The Robo Knight Before Christmas. Ambas são aquela coisa. Em nada acrescentam diretamente a trama e servem mesmo como flashback contadas em situações.

Em 2012, os heróis apareceram em público na cerimônia do Dia de Ação de Graças, ao lado das equipes Mighty Morphin e Super Samurai. Na mesma festa do ano seguinte foi a vez da equipe Super Megaforce se apresentar em palco.

No Brasil, Power Rangers Megaforce estreou primeiro via streaming via Netflix. A série completa está disponível no catálogo desde 1 de outubro de 2013. Bem como os dois especiais de TV. No ano seguinte, em 19 de maio de 2014 pelo Cartoon Network, onde era exibido nas tardes de segunda-feira.

Sobre a dublagem, esta foi a segunda feita em São Paulo. A primeira foi em Power Rangers Super Samurai. A qualidade ficou devendo às dublagens cariocas. Algumas vozes são consideráveis, com exceção de Noah e Gia que ficaram infantis demais para suas performances.

No futuro escreverei sobre esta tenebrosa adaptação norte-americana de Kaizoku Sentai Gokaiger.

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