sexta-feira, 4 de setembro de 2015

Pokémon foi e sempre será uma nostalgia promissora

A dupla inseparável Ash e Pikachu

Confesso que Pokémon (apesar de muitos leigos em minha volta pensarem que anime é tudo a "mesma coisa") não é lá um anime favorito meu. Mas gosto das primeiras temporadas. Lembro como se fosse ontem quando a Record anunciou aquela atração que antes tinha sido conhecida mundialmente por aquele trágico episódio proibido que levou centenas de crianças para os hospitais do Japão.

Engraçado é que nas vésperas da estreia já havia uma certa resistência por aqueles que não vão com a cara das animações orientais. Não me esqueço, por exemplo, de uma noite em que Datena voltava de uma de um intervalo comercial, no Cidade Alerta, que havia passado uma chamada da estreia daquele que seria um novo anime de sucesso. Lembrando aquele caso, o apresentador disse: "A Record vai passar isso?!". Mas logo seguiu em frente com o seu famigerado noticioso policial e deixou pra lá.

Pokémon chegou fazendo burburinho no Brasil, assim como no Japão, EUA e demais países por onde passou. A faixa das onze da manhã era obrigatória, pois o episódio do dia era o assunto principal na roda de amigos na escola. Não demorou muito para que Pokémon virasse uma febre nacional. A mania gerou vários produtos nas lojas que puder imaginar. Sucesso similar ao clássico Os Cavaleiros do Zodíaco. Rendeu até uma revista oficial, a Pokémon Club, pela Editora Conrad no começo do ano 2000. Na época os monstrinhos de bolso estavam ainda em pleno auge, com os então inéditos episódios da segunda temporada e antes de sofrer com o concorrente Digimon.

O sucesso era tão estrondoso que a Record usava o título da série em passagens de programa nos breaks comerciais. Se duvidar, estavam lá ainda depois das nove da noite. Pra se ter uma ideia, num especial de natal da temporada original da Escolinha do Barulho teve uma citação bacana e criativa. O professor Miele (aquele apresentador do programa Cocktail) perguntou ao aluno Armando "Sambarilove" Volta qual o nome do anime de maior sucesso da Record. Sem saber o nome, Volta deu de presente a ele um baralho de cartas e Miele se lembrou que jogava poker com seu irmão. Contando a história, Miele disse que seu irmão havia esquecido o nome do jogo e respondeu assim: "É poker, irmão". (- "Sambariloooooooove!"). Assim já tendo a resposta com aquele jeitinho malandro.

Sobre o desenho, Pokémon era divertido e bem inocente. Tem personagens carismáticos que fazem o espectador se rolar de rir. Quem nunca disse "Pikuchu (ou qualquer outra criatura), eu escolho você" ou mesmo aprendeu e ainda diz de cor e salteado o lema da Equipe Rocket, hein? Pokémon tinha também seus momentos dramáticos dignos de um Supercampeões, por exemplo. O que é mais bacana é a amizade bonita entre Ash (Satoshi no original) e Pikachu. Ambos tiveram alguns momentos que arrancavam lágrimas de quem via e fazia até o mais viril dos humanos ter seu coração derretido como manteiga.

Por mais que os leigos dissessem e tentassem convencer os país da geração do terceiro milêncio de que aquele programa era "violento" e "coisa do demônio", quem manjava daquilo de fato sabia que Pokémon ensinava a persistência, a determinação, a amizade, e tantos outros pontos positivos que são encontrados fáceis numa análise básica.

Depois veio Digimon na Globo e minha empolgação e atenção foram voltadas pra aquela nova série. Não por ser algo do momento, mas porque as histórias eram visivelmente mais sérias e maduras se comparadas ao Pokémon. Visivelmente pra quem parava mesmo pra assistir ambas as séries e entendia os conceitos, eis o detalhe. Continuei acompanhando Pokémon após as duas primeiras temporadas, mas não com aquela assiduidade de antes, até parar de vez. Sempre numa reprise ou outra no Cartoon Network e na RedeTV! eu parava, quando podia, pra ver aqueles clássicos episódios que marcaram minha infância/adolescência.

Pokémon pode não ter mais aquele boom de antigamente, mas seu sucesso ainda é garantido no mundo por conta de seus produtos, jogos e também nos novos Pokémons que atualmente são bem mais que 150 espécies. E atende muito bem aos fãs e nichos da série.

Enfim, o bom e velho Pokémon clássico está de volta. O sucesso está em alta nos comentários das redes sociais. Nada melhor do que voltar no tempo e dizer "Netflix, eu escolho você!". Falta acontecer o mesmo com as temporadas completas de Digimon Adventure.

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