quinta-feira, 27 de agosto de 2015

Piloto de Power Rangers seria uma catástrofe mastodôntica para a Saban

O elenco da primeira temporada do clássico com a Trini definitiva

O que seria de Mighty Morphin Power Rangers se a antiga Saban Entertainment (atual Saban Brands) fosse pra frente com o tal episódio-piloto, hein? Tenho certeza que seria um fracasso certo. A série talvez nem vingasse ou elevasse da categoria B para o topo que alcançou nos distantes anos 90. Este episódio foi exibido num especial de TV chamado The Lost Episode, apresentado pelos atores Austin St. John e Walter Jones. Respectivamente, Jason/Ranger Vermelho e Zack/Ranger Preto. O especial foi ao ar no extinto bloco Fox Kids, da Fox americana, na manhã do dia 22 de maio de 1999 (sábado). Tal programa promovia a série Power Rangers na Galáxia Perdida, que já estava no ar nos EUA desde fevereiro daquele ano. Aliás, esta temporada foi a primeira da era pós-Zordon (período que ficou até Power Rangers: Força Animal). Os atores principais de todas as temporadas até então foram creditados.

O mais legal é que St. John e Jones citaram a franquia Super Sentai. Talvez fosse a primeira vez que isso acontecia dentro da esfera de Power Rangers. Resumidamente os atores-apresentadores explicavam sobre a franquia de sucesso no Japão e citaram a série Himitsu Sentai Gorenger (que já havia sido incluída desde 1995 junto com JAKQ Denguekitai) e disseram que MMPR era uma adaptação (diferente de "imitação", crianças) da série Kyoryu Sentai Zyuranger. E com direitos a algumas cenas dos episódios da série original e até rolou uma cena com a auto-apresentação dos heróis japoneses.

O episódio-piloto já havia sido intitulado como "Day of the Dumpster" ("Dia da Mudança" no Brasil) e foi usado novamente na versão definitiva da estreia. Trini era interpretada pela atris Audri Dubois. Ela tinha 25 anos na época e era a mais velha do quinteto. Enquanto Austin St. John tinha apenas 18 anos (o mais jovem), Walter Jones e Amy Jo Johnson tinham 22 e David Yost tinha 24. Segundo informações, Audri teria pedido salários maiores e acabou sendo demitida e substituída pela atriz Thuy Trang (in memorian).

Power Rangers teria uma tentativa seca de mostrar o cotidiano pacato dos adolescentes americanos (ou pelo menos como era nas séries de comédia da época). Pra se ter uma ideia, Bulk fazia parte de uma gangue. Engraçado é que alguns deles sutilmente seduziam Trini e Kimberly, mas levavam uma sova das garotas. Uma coisa que ficou estranha nesse episódio era que a briga de Jason contra Bulk foi meio violenta pros padrões. O gorducho que nos fazia rir ao lado de Skull (não apareceu no piloto) não teria o mesmo carisma que conhecemos e seria menos atrapalhado como de costume.

Havia algumas peculiaridades quanto a aparição do Rita. Diferente da versão definitiva, Rita atacaria rapidamente os astronautas que a libertaram na lua. Rapidamente era mostrada o ataque ofensivo da bruxa contra a cidade de Alameda dos Anjos. Algo que ficou pela metade se comparado a Zyuranger que foi mais dramático e agressivo. Quem manja das cenas japonesas em Power Rangers e tem os olhos treinados para reconhecer a película, pode notar cenas inéditas de Zyuranger (Zyu1.5) onde a atriz Machiko Soga (dublada por Barbara Goodson) falava frases em inglês. A leitura labial e uma noção de inglês ajudam o espectador a decifrar também.

Mas a produção americana começou ruim. Os efeitos do teletransporte eram péssimos de doer. Zoltar (este era o nome original de Zordon) e Alpha 5 tinham aparências horríveis. Sem contar que o interior do Centro de Comando era cafona e oitentista demais pra década. Quase um cenário improvisado do Fantástico daquela década e com mais luzes. Uma das coisas mais sofríveis era ver os Rangers se transformarem nos dinossauros que representavam as feras individuais do Esquadrão Jurássico (e que apareciam logo no início da série japonesa). Aquilo não cairia nada bem para uma produção americana, independente de nível. Nem os efeitos e nem os dinossauros (que convenciam mais em Zyuranger).

E o que dizer das lutas civis, hein? Totalmente constrangedoras. Os Rangers caiam vergonhosamente como cadáveres na cova. O mais ridículo era ver os jovens gritando por socorro. Praticamente sem um pingo de coragem. E o que era pior: na hora da morfagem os Rangers apenas erguiam os seus Transmorfers (este era o nome dos Power Morphers no piloto), os Zyuranger apareciam com seus Dino Buckler (preciso mesmo explicar o que é?). Quer mais? Que tal ver o Jason aparecer de lampejo apenas com o capacete do Ranger Vermelho? Tiranicamente medonho. Por curiosidade, as cenas de batalha do Megazord era do sexto episódio de Zyuranger. A expressão "rock'n roll" já era usada neste piloto no momento da formação do robô gigante. Ah, a falta de continuidade na ação foi gritante, pois o King Sphinx apareceu do acaso no meio da história e já agigantado.

A coisa melhorou quando a série começou de fato. O hiato entre as duas versões foram de três meses de gravação. Mighty Morphin Power Rangers teve um humilde e precário começo, mas evoluiu com o passar do tempo (apesar de uns certos furos) e se consolidou como uma série infanto-juvenil top de linha para sua geração. Ainda bem que esta versão jamais vingou. Estaria fadada ao fracasso.

E se você é daqueles que diz odiar Power Rangers com todas as forças, saiba que MMPR é bem melhor que do que o piloto perdido. Power Rangers pode ter seus altos e baixos se comparados com temporadas específicas de algum Super Sentai, mas não chega a ser um "lixão" como alguns taxam na net afora. Muito pelo contrário, Power Rangers é tão divertido quanto assistir um Super Sentai. Tudo é questão de ter a mente aberta e analisar as diferenças com bom humor.

Um comentário:

  1. Ótimo texto! Um samba na cara dos haters o último parágrafo, inclusive!
    Realmente aquele piloto era catastrófico! A maior vergonha alheia de todos os tempos! Ainda bem que os executivos da Saban perceberam logo que não ia dar certo e tomaram providências, porque, daquele jeito, não passaria de poucos episódios e rapidinho viraria chacota por aí!

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