quarta-feira, 26 de agosto de 2015

Filme de Ataque dos Titãs é pra ultrapassar o cúmulo da bizarrice


Quando foi anunciado o filme da série de anime/mangá Ataque dos Titãs (Shingeki no Kyojin/Attack on Titan) muitos ficaram curiosos em ver o resultado e já imaginavam a tensidade que a produção traria. A Toho (mesmo estúdio dos filmes de Godzilla e da série televisiva Cybercop) fez um excelente trabalho e superou nossas expectativas.

A primeira parte (de duas) do live-action baseado na obra de Hajime Isayama (que participou da supervisão) procurou ser o mais fiel possível. Há algumas diferenças, em destaque está a inclusão de novos personagens que foram criados exclusivamente para o cinema. Segue basicamente o mesmo plot, só que com uma carga mais que brutal e próximo do "realismo".

A introdução é meio rápida, explicando o que já sabemos sobre os primeiros ataques das horrendas criaturas e o erguimento das muralhas. Vemos quem são Eren, Mikasa e Armin deste universo cinematográfico sem muita exploração. Há não ser pela forte ligação dos dois primeiros. A primeira invasão começa por volta dos dez minutos do filme com a chegada do lendário Titã Colossal. O grito do monstro é algo profundamente assustador. Dá arrepios e é de deixar qualquer pessoa perturbada do juízo. De longe supera o grito do nosso (vovô do tokusatsu) Rei dos Monstros. Há alguns Titãs com fisionomia monstruosa, mas o mais legal mesmo é ver os Titãs com cara de gente. E não é qualquer pessoa de esquina de olhos puxados não. É gente feia meeeeeeeeeesmo. Com nítida fidelidade que superou nossas imaginações de como seriam esses Titãs se fossem reais. É algo que você se impressiona, mesmo com toda aquela deformação anatômica dos gigantes e expressões faciais assustadoras. Se duvidar, tem momentos que o espectador pode pensar que a produção meio que se devotaram a São Jorge - por gostar de "dragões".

Isso pra não citar que os ataques cruéis dos Titãs contra os humanos é digno de um filme de terror. A censura dos momentos em que os humanos são comidos é quase nula. Tem lá uma cena em que os Titãs se divertem com uma pobre vítima ao brincar de ver quem fica com a parte inteira do humano. Pense aí também num Titã saboreando outro humano como se estivesse chupando um din-din? Isso mesmo, você não leu errado. Quer mais? Então que tal ver um Titã comendo a cabeça de alguém como se fosse uma barrinha de cereal? A produção não perdoa e supera infinitamente as demais versões de Ataque dos Titãs no quesito bizarrice. O que faz pessoas com nervos de aço terem taquicardias involuntárias e pessoas com problemas coronários se arriscarem por conta e risco. Independente de ter acompanhado ou não a série.


Depois de um pouco mais de 20 minutos de película, vemos o resultado sofrível da catástrofe das criaturas. Logo somos levados dois anos no tempo e vemos a formação da Tropa de Exploração e um foco mediano nos heróis e a inserção dos novos personagens. Capitão Shikishima (interpretado por Hiroki Hasegawa), um homem que é conhecido como "o homem mais forte do mundo", deverá ter um destaque maior na próxima parte. Até aqui ele mostrou ser um personagem misterioso, com um toque de sarcasmo e zero de canastrice. A atriz Ayame Misaki (musa conhecida de tokusatsus como Go-Busters e Cutie Honey: The Live) chamou a atenção em várias cenas e de forma discreta. Vale uma surpresa na sua atuação no meio do filme. No filme tambem está outro nome conhecido das séries de tokusatsu. O ator Shu Watanabe (o Kamen Rider OOO [Ôzu] da série homônima), que interpreta Fukushi. Aliás, ele estava quase que irreconhecível no filme.

Quanto ao trio principal, eles estavam mais "equilibrados" no filme, se comparados ao anime/mangá. Talvez pela produção dividir o foco no drama dos demais personagens da Tropa e também dos principais. Mas há algumas coisas que acrescentam na relação entre Eren e Mikasa. É como o caso de uma pequena vítima que foi salva por um deles na primeira invasão dos Titãs, logo no início do longa, que acrescenta um detalhe importante no enredo.

E um bom gancho para o final do filme (Se você ainda não acompanhou nada sobre o Ataque dos Titãs, pare de ler agora mesmo ou pule para o próximo pagágrafo) é a épica cena da qual Eren salva Armin e é engolido por um Titã e por fim se torna um deles. Ao invés de esticar vários episódios até que isso aconteça (não há como por razões óbvias), a transformação aconteceu no mesmo momento e de forma espetacular. Enfervecendo ainda mais o clímax da primeira parte da obra, que retratará a perseguição de Eren e o preconceito por ser um Titã.

Ataque dos Titãs: o Filme é uma obra sensacional e tem que ser conferida, se possível, na calada da noite. É digna de um dos melhores dark fantasy que já surgiram nos últimos tempos e provou estar bem longe de ser um simples blockbuster. O filme pode ser destinado também para um público que não é aficionado pela cultura pop japonesa e tem que ser aclamada por um público mais ávido por filmes de terror. Até as bizarrices se tornam uma obra de arte perfeita que casa com o contraste da sombria fotografia. Eu espero que Ataque dos Titãs venha algum dia ao Brasil em home-vídeo e nas plataformas oficiais de streaming/on demand. Tem potencial e uns dois passos pra isso acontecer.

A segunda parte, intitulada Shingeki no Kyojin: End of the World (Ataque dos Titãs: Fim do Mundo), tem previsão para lançamento nos cinemas japoneses no próximo dia 19 de setembro.


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