quarta-feira, 24 de junho de 2015

Porquê reverenciar a obra chamada Roque Santeiro

Os protagonistas da divertida trama oitentista
(Foto: Divulgação/Globo)

Hoje a teledramaturgia brasileira comemora os 30 anos da clássica novela Roque Santeiro. Particularmente considero uma obra prima da Globo e não escondo minha predileção pela saga que dominou a faixa das oito da noite entre 24 de junho de 1985 e 22 de fevereiro de 1986. A seguir eu listo alguns pontos que mais me cativam desta obra de Dias Gomes e Aguinaldo Silva.

1) A trama - É uma das coisas mais criativas já realizadas para uma novela. A história gira em torno da lenda de Roque, que teria se tornado um mártir e um santo devotado pelos moradores da pequena cidade de Asa Branca (que ficaria em algum ponto do Nordeste brasileiro). Tudo vira de pernas pro ar com a chegada do "defunto" que nunca morreu. Sem contar que o mesmo nem imaginaria sobre tamanha fama e repercussão que ganhou, após fugir da cidade. Sem mencionar que no período havia gravações de um filme sobre sua história.

2) O triângulo amoroso - Praticamente todos os personagens carregam bastante carisma. Mas, claro, nada comparado ao Sinhozinho Malta (Lima Duarte), Viúva Porcina (Regina Duarte) e o próprio Luiz Roque Duarte (José Wilker; in memorian). O primeiro é um vilão com personalidade engraçada e que você acaba gostando dele desde o início e não sente sequer ódio por ele. A segunda é tagarela e um tanto fogosa (apesar da fama de "santinha"). E o terceiro tenta driblar a mentira em volta de sua famosa saga e é cabeça fria diante dos problemas internos que envolve a política e a religiosidade de Asa Branca.

3) O grande elenco - Os atores são talentos renomados. Um que merece destaque é Paulo "Odorico Paraguaçu" Gracindo (in memorian) como Padre Hipólito. Curiosamente, Lima Duarte foi um dos poucos atores da versão censurada de 1975 que defendeu o mesmo personagem até a versão exibida nos anos 80. Apesar de já ter visto trechos da versão original, queria muito assistir o material na íntegra até onde foi produzido. Coisa que a Globo poderia muito bem liberar nos tempos de hoje.

4) A trilha sonora - Essa é a parte que eu mais gosto. Sem dúvida alguma, Roque Santeiro é uma novela riquíssima em termos de qualidade musical. Um bom exemplo de como a Música Popular Brasileira era extremamente superior, se comparada com as gritantes dos dias atuais. Principalmente pelo fator romantismo. Você pode até conferir um setlist das minhas canções favoritas da novela aqui.

5) Pontas amarradas - Apesar das tramas paralelas, muita coisa acaba sendo ligada à farsa e mais engôdos são gerados para tentar impedir que a verdade sobre Roque seja revelada, afim de que toda aquela aculturação seja salva a qualquer custo. É divertida e há momentos em que você ri com tanta confusão. Há também uma boa dosagem de drama, mas sempre na medida certa. Vale a pena o esforço pra adquirir o box completo da novela.

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