quinta-feira, 18 de junho de 2015

Dragon Ball Z: O Renascimento de 'F' é nostalgia pura a mais de oito mil


Quando o filme Dragon Ball Z: A Batalha dos Deuses (de 2013) foi lançado no Brasil, muitos fãs se dividiram pela pirataria (a versão japonesa em home vídeo tinha saído um mês antes) e pelo lado nostálgico (dublagem/comédia). Que, aliás, também conta e ajuda no retorno comercial. Enfim, está em cartaz agora o filme Dragon Ball Z: O Renascimento de 'F' (Dragon Ball Z: Fukkatsu no「F」). Pra encurtar a janela de lançamento entre Japão e Brasil, a Fox Film do Brasil procurou estrear exatamente dois meses em relação à terra do sol nascente. A divulgação foi mediana foi mediana, se comparada com o tratamento glamouroso para Os Cavaleiros do Zodíaco: A Lenda do Santuário (em setembro de 2014) e com o vergonhoso fiasco de bilheteria The Last: Naruto the Movie (maio deste ano).

A nova aventura de Goku e cia nas telonas é uma das melhores e mais divertidas dos últimos tempos. E se por acaso você é um daqueles que se contorceram por ver mais pitadas de humor do que as próprias batalhas em si (melhor dizendo, houve um equilíbrio dos conceitos já vistos desde a série clássica de 1986), este foi melhor trabalhado e mais conciso. Uma vez que o próprio Akira Toriyama - criador da franquia - se empenhou em dobro na supervisão desta nova produção.

Duas coisas podem incomodar ou deixar os fãs mais exigentes com um pé atrás antes de ir ao cinema. A primeira é quanto à participação de Bills e Whis (estreantes do filme passado). Este último é uma peça importantíssima para a trama e que deve ser observado com bastante atenção (para evitar possíveis mimimis gratuitos). O ajudante do temível (e folgado) destruidor treinou Goku e Vegeta para serem mais fortes/poderosos do que já são. A dupla de Saiyajins agora chega ao nível acima de um Deus Super Saiyajin. Há um diálogo que está nas entrelinhas e que tem tudo haver com os momentos finais do filme. Inclusive, isso deve ser muito bem abalizado por cada um na hora de assistir, pois é um gancho para o clímax.

A outra coisa que parece ser duvidosa - ou tenebrosa - na cabeça de boa parte do público é quanto à ressurreição do clássico vilão Freeza (o que obviamente faz jus ao 'F' do título). Sendo bem direto, passa longe de um fanservice ou de qualquer outro pretexto pra trazê-lo de volta do mundo das trevas. Seu retorno foi um tanto consistente, apesar de não acrescentar tanto na mitologia de Dragon Ball (pelo menos por ora). Vale por ver Freeza numa aventura totalmente inédita e diferente contra Goku e Vegeta. Ou até mais do que isso. Freeza mostrou o seu nível mais avançado de poder. O interessante é que tudo gira em volta do vilão, que renasce sedento de vingança e mais ameaçador. Agora ele tem que treinar para tentar se igualar ao nível dos Saiyajins que o destruíram no passado. Apesar de suas informações serem precárias.



Bem, como todos já sabiam pela sinopse, Freeza ressuscitou por causa das Esferas do Dragão do nosso planeta. O responsável pela catástrofe foi o novo comandante do exército de seu exército, Sorbet, que estava buscando originalmente pelas Esferas do Dragão do planeta Nameku para realizar tal façanha. Para isso, os vilões contaram com a ajuda do icônico trio Pilaf, Mai e Shu - que estiveram só de passagem e interferiram na presença de Shenlong.

Há um furo considerável, no anime, que é quando Freeza aparenta não saber da vitória de Goku contra o demônio Majin Boo. Quem acompanhou os episódios finais de Dragon Ball Z ou até mesmo se estiver assistindo atualmente esta mesma saga em Dragon Ball Kai, irá lembrar que Freeza assistiu a luta de lá do inferno, ao lado de Cell e tantos outros vilões derrotados anteriormente. Mas isso só aconteceu na TV, uma vez que isso nunca aconteceu no mangá. Toriyama jamais havia colocado uma visão do inferno, como foi mostrado pela Toei. Bem, o inferno de Freeza parece ser um tanto kawaii.

Dragon Ball Z: O Renascimento de 'F' equilibra melhor os momentos de luta e de humor. E por que não dizer que os momentos de batalha sofrem praticamente breaks de piadas. O que não e ruim, veja bem. Serviu até mesmo pra quebrar o gelo (padrão) imposto nos tempos de brutalidade da série Z - onde vimos muito mais sangue e o espírito comediante da série original praticamente desaparecer com o tempo. Curiosamente, tanto Goku quanto Vegeta lutaram sem cogitar a mínima possibilidade de derrota. O negócio com eles era lutar como se não houvesse amanhã. Falando em Vegeta, o Príncipe Saiyajin foi o um belo trunfo do enredo. Com certeza aqueles que queriam vê-lo longe de alguma situação constrangedora (não sou um deles) ficarão satisfeitos com o desempenho do anti-herói contra Freeza. Ou não.



A dublagem dispensa comentários. Mas destaco aqui algumas atuações: Carlos Campanile (o Barão Kageyama de Cybercop), que emprestou sua voz mais uma vez ao Freeza com bastante entusiasmo e estilo; Felipe Grinnan (o Willy da novela mexicana A Usurpadora) que se entregou ao personagem de uma maneira que Whis não enganasse ninguém e superasse até mesmo a qualidade da dublagem japonesa; Armando Tiraboschi (o Change Pegasus de Changeman e Meowth de Pokémon) foi outra voz ilustre que abrilhantou como Sorbet. Ah, não dá pra não se divertir com Alfredo Rollo interpretando os velhos e manjados insultos de Vegeta. Ouvir o sonoro "Seu verme maldito!" é impagável.

O Renascimento de 'F' vale cada centavo e merece ser assistido mais de uma vez. Em caso de algum detalhe despercebido, um bom repeteco à acústica é válido pra tirar todas as dúvidas. Supera o filme anterior e tenta agradar a todos os gostos e expectativas possíveis do público. Diferente de A Batalha dos Deuses, onde qualquer leigo em Dragon Ball poderia assistir sem se preocupar muito com a cronologia, este pode ser um pouco mais cansativo na última metade pela sequencia de lutas. Mas pode vir a se divertir com as piadas que entram sem forçação alguma. Aliás, piada é quando a preocupação sobre o filme é derrubada com a diversão, que é garantida. A nostalgia também é outro ponto que engrena o filme. É digno de deixar as salas de cinema pequenas pra tanto chi.
 
Tanto A Batalha dos Deuses quanto O Renascimento de 'F' estarão ligadas de uma forma ou de outra em Dragon Ball Super, a nova série da franquia que estreia no próximo dia 5 de julho nas manhãs de domingo da emissora japonesa Fuji TV, cuja está prevista para ter 100 episódios.

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