segunda-feira, 1 de junho de 2015

Fansubs: inimigas ou aliadas da indústria de séries japonesas?

Os Cavaleiros do Zodíaco: Alma de Ouro é uma das vítimas das subbers

Em tempos de aquisições de séries antigas e novas de tokusatsu e animes na Netflix, vale uma reflexão sobre materiais com direitos aqui no Brasil e o lado das fansubs. Antes de qualquer coisa: eu não tenho nada contra os grupos que se reúnem pra legendar e não citarei os seus nomes por questões de ética. Mas tenho que expor alguns pontos que discordo e que quase ninguém se atentou pra falar. É um assunto chato, eu sei, que não dá pra fugir e é preciso ser debatido com todos os que se consideram amantes da cultura pop japonesa.

Sobre os animes: existe uma fansub conhecida pelo público que já legendava desenhos japoneses que estavam no ar na TV local. Todos os que queriam assistir, tinham que baixar o material, pois não havia nenhuma tecnologia aliada à indústria específica para distribuição. Quando o Brasil ganhou uma versão nacional da Crunchyroll, em novembro de 2012, muitos fãs comemoraram. Ora, com o avanço da tecnologia, precisávamos de algo que suprisse a necessidade de um mercado da animação japonesa no Brasil. Não é verdade? Por outro lado, tivemos um chororô medonho por parte de alguns leite-com-pera. Por que? Pelo simples fato da tal fansub conhecida ter tomado a decisão de cancelar parte de seus projetos, pois estes animes estavam chegando oficialmente através da então nova "casa dos animes e J-dramas". Toda uma comoção foi gerada por uma minoria que fez birra pra sequer pagar uma "arara vermelha", se acharam donos dos animes que assistiam, e pregavam várias ideias absurdas que até hoje são motivos de piada. O tal medo se deu por um suposto "fim das fansubs", pela falta do "-kun" e do "-san" (fato que não é muito diferente das fansubs por aí), e fora que inventaram alguns defeitos que nunca surgiram no serviço. Tinha até quem dissesse que a Crunchyroll tem licença, mas "não tem direitos". (???) Hoje em dia há aqueles haters deste serviço e que acreditam em tais ideais atrasadas sem jamais ter feito uma assinatura. Bobagens que o tempo provou o contrário. Duvida? Pergunte então a quem adere o serviço (pode ser pra mim também, ok?) se vai querer saber em acordar de madrugada, perder horas baixando, ocupar espaço no disco rígido e esperar uma semana pra ver o episódio, quando o que grande parte do que nós queremos está lá no catálogo? Alô alô, seu Morfeu! Tem alguém aí? 2015, otakada. É pra frente que se anda, meus paixes. Não há problema nenhum em ter o capitalismo nesse meio, até porque o seu anime favorito é movido por essa engrenagem. Você sabe porque pagamos pelo serviço? Simplesmente porque não consumimos os produtos dos animes que são anunciados na programação da TV japonesa. É justo sim e a começar pelo preço. Mais justo ainda é que os episódios surgem por lá através de simulcast. Distâncias encurtadas que nenhuma fansub fará igual. Aceite.


Ultraman Leo é uma série que foi
respeitada, comercialmente,
 pelas subs americanas
Sobre os tokusatsus: Muitos (como eu) estão brindando com a chegada de Jaspion, National Kid, Garo e cia naquela que é a maior plataforma on demand do planeta. A notícia teve uma grande repercussão por várias fontes confiáveis e também não confiáveis (responsáveis por distorcer e criar boatos na web que não duraram muito) durante a semana passada. Mas muitos esquecem que a Netflix já tinha filmes da Família Ultra há algum tempo. Fora que a Crunchyroll, por licenciamento da Tsuburaya Productions, lançou quatro séries: Ultraman Max, Ultraman Mebius, Ultraman Leo e Ultraman 80 (Eighty). Todas elas podem ser assistidas gratuitamente, inclusive. Eu fui um dos poucos que noticiaram e frisaram que as séries estavam garantidas para vir ao Brasil através do serviço. Os dois últimos títulos mencionados não tinham sido legendados por nenhuma fansub até então, pelo simples fato de nenhuma sub gringa ter legendado antes. Aliás, havia uma fansub da terra do Tio Sam que estava legendando Ultraman Leo até o final de 2014. Em respeito ao material legalizado que estava chegara aos EUA pela Crunchyroll (sede), a tal fansub gringa cancelou o projeto, faltando os episódios finais para completar e incentivando o material inédito oficial por lá. Infelizmente a coisa aqui no Brasil é bem contrária e feita (perdão pelo termo) na cara dura. Foi só aparecer os Ultramen da Era Showa na Crunchyroll americana que uma outra fansub conhecida por aqui no Brasil já apareceu legendando, desconsiderando o fato de que a série já estava garantida em nosso país. Quando, do contrário, a tal fansub poderia seguir o mesmo exemplo da tal sub gringa e divulgar os novos tokusatsus pós-Ryukendo (e pré-Garo) e incentivar o público a aderir as novas mídias. Isso fica ruim para o próprio staff, pois dá aquela má impressão que que eles se passaram como os "primeiros" quando na realidade já havia quem trouxesse direto da fonte. Sem contar que há muitos fãs de tokusatsu no Brasil que ainda desconhecem os tais lançamentos destas novas Ultra Series no Brasil e estas precisam ser divulgadas pelas grandes e pequenas fontes de informação do meio.

É daí que eu faço o triste questionamento: pra que servem as subs brasileiras? Divulgar um nicho de séries inéditas em nosso país ou competir indiretamente contra os serviços oficiais de streaming? Que bem me lembro, as fansubs foram feitas pra divulgar materiais não licenciados. Se há serviços de streaming/on demand que estão se prontificando em agilizar a transmissão oficial de séries japonesas com rapidez e precisão, então porque não dá força ou desvalorizar/relativizar estes meios? Eles são as nossas TV do futuro, onde podemos escolher e montar a programação e assistir a hora que quisermos. Uma portabilidade como essa é uma coisa que as fansubs ou qualquer meio alternativo jamais prestarão igual aos seus "clientes".

Em particular, o que mais me incomoda nas redes sociais atualmente é quando sai um episódio inédito de Os Cavaleiros do Zodíaco: Alma de Ouro (através da Crunchyroll e do gratuito Daisuki) e tem gente que faz propaganda de download ilegal de uma série que a Toei Animation se prestou em pensar no Brasil (além de outros países) e trazer em tempo real para o seu público fiel. E o pior é que muita gente não procura se informar e prefere trocar o certo pelo duvidoso. Melhor dizendo: trocar um avião por um jegue.

Como fãs de séries japonesas, devemos ser gratos às empresas japonesas que se lembram do Brasil e de outros países. Ou senão acompanhem o raciocínio: se uma empresa ver que o nosso país está realmente assistindo diretamente pelas fontes oficiais, o mercado de produtos pode entrar em ascensão com o tempo. On demand é o que há de mais moderno e está desbancando os próprios downloads ilegais. Metade dos fãs brasileiros de animes e de tokusatsu já acordaram pra vida (eu me incluo nesse meio) e outra metade continua no arcaico parasitismo, infelizmente. E pra ser sincero, a desinformação no rol (principalmente vindo da geração leite-com-pera) não tem limites.

Infelizmente as fansubs perderam a consciência sobre sua real função e estão se tornando, legitimamente, as grandes vilãs do mercado japonês de animes e tokusatsu. Sim, foram por causa delas que muitas séries exibidos até então apenas no Japão se tornaram populares. Mas aquela foi uma outra época e o novo sempre vem com algo maior/melhor. Incrível como algo tão futurístico como on demand seja ignorado por uma garotada que nem sequer procura saber como isso funciona, em plena era digital, e prefere sacar a "manivela". Perde quem não se atualiza e prefere fechar a mente por birra, esquecendo que o mercado de animes/tokusatsu necessita de mais materiais originais vindos diretamente do Japão e que o mercado precisa crescer mais e mais. É preciso que se diga que as fansubs gringas de animes são mais honestas que as brasileiras, como citei um exemplo acima, pois elas são mais competentes e do que certas fansubs brasileiras. Sem generalismos, claro. Quero acreditar que ainda há algumas subs que realmente apoiem e divulguem se caso no futuro alguma nova série de Sentai ou Kamen Rider pintar por estes serviços com transmissão simultânea e poder de escolha.

Eu considero os download salutares quando se tratam de materiais raros/inéditos no Brasil ou que tiveram direitos expirados com o tempo. O que seria uma autentica divulgação. Diferente de pirataria. No mais, quando se tem materiais licenciados e de acesso oficial, os downloads se tornam coisas obsoletas e da idade da pedra. Não estamos mais no ano 2000 e não precisamos mais madrugar pra ter aquele anime atual ou tokusatsu antigo, pois uma boa porção está toda lá nos catálogos pra assistirmos com apenas um clique.

PS: Não ganho e jamais ganhei um centavo pra mencionar os nomes dos serviços, pois como blogueiro tenho o papel de informar, emitir opiniões e divulgar/recomendar os bons serviços. Legítima liberdade de expressão que assiste à imprensa.

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