terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

Stan Lee e Nelson Sato seriam odiados por tentarem adaptar tokusatsus originais no ocidente?

Nelson tinha planos para uma adaptação brasileira de Cybercop (Foto: Reprodução/Jbox)

Infelizmente a tokunet brasileira carrega uma mancha vergonhosa que, digamos, continua beirando na desinformação quando o assunto é Power Rangers e derivados. Ainda há quem defenda essas crendices como a Saban proibir tokusatsus no Brasil e coisas do tipo. Uma visão tapada gerada pelo saudosismo mancheteiro e que criaram absurdas lendas com o tempo. Nada como uma boa pesquisa aprofundada pra derrubar os mitos numa cajadada só.

Mas antes de Haim Saban adaptar Zyuranger nos EUA, tivemos dois candidatos que seriam seus precursores. O primeiro é Stan Lee. Pra quem não sabe, a Marvel foi parceira da Toei Company por quatro anos - de 1978 a 1982. O clássico nipônico Spiderman foi o primeiro fruto dessa parceria, seguido de Battle Fever J, o primeiro Super Sentai (até então). A Marvel trabalhou nas séries Denziman e Sun Vulcan como co-produtora. Foi mais pra cumprir o tempo restante de contrato. Em 1983, a divisão japonesa da Marvel tinha planos de levar tais produções japonesas para a TV americana, especialmente Sun Vulcan. Uma das emissoras visadas era a HBO. Já em 1985, foi gravado um piloto de uma adaptação americana de um Super Sentai, mas o projeto foi rejeitado pelas grandes emissoras estadunidenses.

Aqui no Brasil aconteceria uma coisa parecida. Na época da febre de Cybercop no começo dos anos 90, o diretor Jayme Monjardim conversava com Nelson Sato e na oportunidade deu uma ideia para o empresário de uma criação de uma versão brasileira dos Policiais do Futuro. Porem não deu certo, uma vez que a Manchete estava focada na produção da novela Pantanal. Segundo entrevistas à revista Gyodai (em 2005) e recentemente ao site Jbox (em 2015), Sato deu a entender que tal versão usaria cenas de ação da série japonesa enquanto os atores seriam brasileiros.

Daí a gente pode perguntar o seguinte: Lee e Sato seriam odiados no Brasil? Com certeza não. E nem merecem por isso. Essa forma de divulgar tokusatsu é válida e no mínimo interessante. No caso do primeiro: Changeman ainda estaria sendo exibido no Japão e obviamente ninguém no Brasil conhecia a ponto de vivenciar a febre que foi, junto com Jaspion. Caso a adaptação americana do estúdio de Stan Lee desse certo, nada disso iria interver na chegada das mais séries japonesas por aqui. O mesmo vale para o segundo caso: a exibição seria nacional seria uma e a série japonesa também. Talvez a versão brasuca faria sucesso ou talvez não. Acredito que sem grandes pretensões.

Com essa conclusão surge outra pergunta: Então pra que odiar Haim Saban se as séries originais continuam nos seus devidos lugares, independente da existência dessas adaptações? Nem se trata de defender o empresário israelita, até porque sua empresa acertou e errou como a Toei e qualquer produtora desse planeta azul que a gente chama de Terra. Power Rangers, assim como qualquer série japonesa, estão sujeitas a ter uma história boa ou ruim. Vai depender muito da criatividade e do empenho dos roteiristas.

Olha, hoje em dia fica mal informado e passa vexame quem quer. Uma coisa é questão de gosto, que não se discute. Outra é odiar e fazer uma campanha peregrina contra uma produção que sequer tem domínio no assunto pra falar. Por ironia do destino, um dos maiores divulgadores de Power Rangers são os próprios haters, que são genuinamente brasileiros (por que será?). Então, parabéns pela campanha que levou ao sucesso dos heróis americanos e vai continuar por várias e várias gerações.

Stan Lee ao lado do Homem-Aranha japonês

2 comentários:

  1. Sei que as adaptações americanas tem permissão da TOEI para tal, mas o que não gosto é do fato deles deixarem de exibir o material original para exibir essas versões no ocidente (que é até lógico ja que tem parceria), mas nos brasileiros perdemos muito com isso, deixamos de ver muitos outros tokus, se não fosse pela internet, n~ao sei como seria nossa vida. Isso o próprio Hiroshi Watari comentou uma vez em uma entrevista, dizendo que se ele fosse escolher, gostaria que o seu trabalho puro e sem adaptação fosse exibido aqui no ocidente e não como adaptações.Mas reconheceu que quem manda é a empresa ( assim como eu reconheço tb). Um abraço =,).

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  2. Ai quando você vai falar de coisa nova que está saindo no Japão o cara não conhece, pois esta preso só a saudosa Manchete.

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