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segunda-feira, 12 de março de 2018

TV Diário faz tratamento absurdo com séries japonesas e fãs cearenses aprovam

Flashman é uma das vítimas da inconstante transmissão

Meses atrás escrevi este texto sobre a transmissão bagunçada que a TV Diário fazia com o animê Super Campeões (Captain Tsubasa J) no final de 2017. Eram erros bem piores que a extinta Rede Manchete fazia nos anos 90 com as séries japonesas. Ok, dava pra relevar tais problemas na época pois eram bem pequenos. A emissora situada em Fortaleza (também conhecida fora do Ceará por ter tido sinal aberto até uns anos atrás após incomodar a Globo) inaugurou sua nova programação em janeiro e de lá pra cá tem apresentado mudanças significativas. Um provável aquecimento para as comemorações de seus 20 anos em julho que vem.

Além de repaginar antigos programas e lançar novas atrações, a TV Diário lançou desde então uma nova grade de séries, desenhos e filmes clássicos. Não se sabe bem quanto a permissão dos respectivos direitos de exibição de enlatados na emissora. Apesar de não ser o carro-chefe da programação, séries japonesas tem chamado atenção do público saudosista que parece não se importar de jeito nenhum com erros crassos que a TV Diário vem cometendo. Apesar da chamada da sessão de desenhos anunciar a "volta" de Jaspion, Changeman, a TV Diário jogou as séries tokusatsu Changeman, Flashman, Cybercop, Ultraman, Kamen Rider Black RX e o animê Shurato. Todos de forma incompleta, com episódios pulados, encerramentos cortados no meio e quase sempre voltando ao primeiro episódio sem dar muitas satisfações com seus espectadores.

Antes da sessão, há um horário isolado para séries tokusatsu que está no ar desde o final de janeiro. A primeira da vez foi Cybercop que teve os mesmos erros citados acima, além de já ter finalizado um dos episódios em meio a um diálogo, ir para o intervalo minutos antes da veiculação dos eyecachtes (as vinhetas de intervalo) e (pasme!) um salto gigantesco do episódio 13 para o episódio 22. Quem estava assistindo pela primeira vez com certeza não entendeu absolutamente nada ao ver Lúcifer surgindo no meio da trama e perdeu toda a reviravolta que tinha acontecido com a chegada do anti-herói.

Sem ao menos passar o episódio final, a TV Diário colocou desde semana passada a série original do Ultraman no lugar dos Policiais do Futuro. Ao que parecia ter um timing correto no primeiro episódios, os erros foram aparecendo ao limar o tema de abertura (sem "Ultraman no Uta" é sacrilégio!) e ter começado o terceiro episódio durante um diálogo entre Akiko, Hoshino e um guarda, antes de serem surpreendidos pelo monstro Neronga. E ainda na mesma semana, a TV Diário exibiu o mítico episódio 15 de Flashman (aquele onde Kaura aparece e Flash King tem o braço decepado) e no dia seguinte voltou para o primeiro episódio. Nestas duas sequências, a emissora ignorou completamente o segundo episódio.

E logo na manhã desta segunda (12) entrou Kamen Rider Black RX sem mais nem menos no lugar de Ultraman (que mudou de horário), a partir do segundo episódio, com o importante diálogo entre Issamu e seu tio cortado pelo break comercial, sem encerramento e (pasme! 2) o título da série apareceu como "Black Kamen Raider RX". Existe uma diferença gritante entre Rider e Raider. Sem contar que a série foi confundida com Kamen Rider Black, que ficou conhecido oficialmente no Brasil como Black Kamen Rider. A impressão que fica é que temos um estagiário ou algo assim cuidando da programação. A TV Diário chegou a rebatizar Cybercop como "Cybercops". Veja aí o erro com Black RX:


O confuso rebatismo de RX (Foto: Reprodução/TV Diário)

O que era pra ser um descontentamento entre os fãs de tokusatsu/animê, virou um mero espetáculo por parte do próprio público cearense nas redes sociais, que parecem não se importar com tais problemas e pensam que estão voltando aos distantes anos 80 e 90. As desculpas são as mais clássicas possíveis: pra ver séries da época da Manchete "de volta" à TV aberta e dar aquela "moralzinha" para uma exibição ilegal que não sabe nem por onde vai a cronologia. Obviamente isso não implica a todos os fãs cearenses, mas é que esse tipo de reclamação seria normal - e com toda razão - quando alguns desses erros acontecessem em materiais oficiais (DVD, canais de streaming etc). Quer dizer, há quem deixa a nostalgia falar mais alto que a razão e vemos por aí a defesa ao indefensável. Não dá mesmo pra entender.

Nas redes sociais é fácil de encontrar essas euforias. Aqui vão dois exemplos encontrados no Twitter:


- "Fico muito feliz em ver que a TV Diário está se tornando a sucessora espiritual da TV Manchete, só hoje pela manhã assisti Cybercop, Shurato e agora tá passando Kamen Rider Black RX. De novo que felicidade ver isso na tv aberta."

- "Black Kamen Rider passando atualmente na TV Diário, e me respeito que sou da época que passava na Manchete"


E é preciso que se diga: Atualmente quem possui direitos de Cavaleiros no Brasil é a Angelotti Licensing (representante nacional da Toei Animation) e a mesma série, junto com Dragon Ball Z, possui exclusividade na TV aberta pela Rede Brasil, que exibe em HD. Logo os direitos de Jaspion, Changeman e Flashman pertencem atualmente à Sato Company. Estas três séries e mais Jiraiya, Jiban e National Kid estão disponíveis de graça pelo canal oficial Tokusatsu TV, via YouTube.

Bem, é aí que essa discussão gera um questionamento: O que é mais? Comprar ideia de um material licenciado quando o mesmo apresenta qualidade impecável ou promover na internet da vida uma transmissão que sequer consegue dar conta de séries japonesas? Outra pergunta fica no ar: a TV do Nordeste tem mesmo licença para exibir produções japonesas que são caras no mercado?

quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018

Lupinranger VS Patranger traz um novo aspecto à franquia Super Sentai

O embate entre polícia e ladrão

Nos últimos tempos temos visto ótimas séries tokusatsu pra ninguém sair reclamando. Em 2017 tivemos os lançamentos de Kyuranger, a segunda temporada de Kamen Rider Amazons e os excelentes Ultraman Geed e Kamen Rider Build (este último ainda está em exibição e mandando muito bem). Agora em 2018 temos mais um ano que promete ser cheio para os fãs do gênero.

E começou muito bem com duas equipes Super Sentai se enfrentando numa mesma série. Assim é o ponto inicial de Lupinranger VS Patranger, que começou há um pouco mais de duas semanas no Japão. Ainda é cedo pra saber se as duas equipes irão se unir no meio da série ou próximo à reta final. Enfim, o que se sabe até o momento é que nos próximos episódios aparecerá um integrante que irá assumir duas identidades: uma atende o codinome Lupin X e outra como Patren X. O quarto membro de cada equipe. Agente duplo? Quem sabe.

Enfim, a nova série Super Sentai ainda mantém as mesmas tradições como robô gigante, por exemplo. O que muda, além de apresentar as duas equipes, é ver o ponto de vista de cada equipe. Tanto os trios Lupinranger quanto Patranger buscam o mesmo objetivo: capturar o tesouro Lupin Collection. Isso ao mesmo tempo em que o grupo maligno Gangler também visa este mesmo tesouro.

Até o momento quem tem me cativado mais é o trio Lupinranger (leia: "Lupanranger"), por causa do passado recente e trágico dos anti-heróis. O mais tocante foi saber um pouco mais sobre quem era Touma (Lupin Blue) no episódio deste domingo (25). É provável que passado de Umika (Lupin Yellow) seja visitado no próximo episódio e logo mais será a vez de Kairi Yano (Lupin Red). Por enquanto, o que podemos ver sobre o trio Patranger (leia: Pat-ranger) é o foco na captura de Lupinranger e de Gangler. Tudo em nome da lei. É esperado que em algum ponto da trama Keichirou (Patren Ichi-gou) comece a se perguntar se Lupinranger é um grupo maligno quanto Gangler e quem sabe um desenrolar para uma possível união das duas equipes. Algo que pode acontecer cedo, tarde ou talvez nunca.


Haruka Kudo, a mais nova musa das séries Super Sentai
Lupinranger VS Patranger (leia "VS" em inglês ao invés de "versus") é uma série que promete muitas surpresas e marcar história. A franquia Super Sentai está em um bom momento desde a Kyuranger, série que começou com nove integrantes e deu uma diferenciada ao contar uma trama futurística. Sinal de uma jogada bem trabalhada da Toei. Ainda não há indícios de que um dia Lupinranger VS Patranger vire alguma temporada de Power Rangers num futuro próximo agora que Go-Busters (de 2012) está garantido para ser Power Rangers Beast Morphers no próximo ano. As nuances infantis não são exageradas como algumas séries recentes da franquia e as dancinhas foram limadas. Aliás, desta vez não temos tema de encerramento. O que não fará falta alguma.

E uma última nota: a jovem atriz Haruka Kudo, a Umika/Lupin Yellow, já é disparadamente a musa das séries tokusatsu em 2018. Mal tinha começado a série e a atriz de apenas 18 aninhos roubou o coração do público. Em dezembro de 2017 deixou o grupo idol Morning Musume para se dedicar integralmente à carreira de atriz. Lupinranger VS Patranger não é a sua primeira participação como atriz. Anteriormente, enquanto integrante do Morning Musume, interpretou a personagem Miyashita Noa no drama Sugaku Joshi Gakuen (de 2012), estrelado por cantoras do grupo e de outros da Hello! Project.

quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018

O que esperamos do filme nacional de Jaspion no cinema

Jaspion vai ganhar um remake oficial no Brasil (Foto: Divulgação/Sato Company)

Se você é daqueles que esperavam (ou pensaram em) ver uma participação maior de Jaspion no primeiro filme da série Space Squad, uma boa notícia: o maior super-herói japonês no Brasil vai ganhar o seu primeiro filme. E não é uma produção japonesa. Trata-se de um remake oficial e 100% brasileiro. Com produção da Sato Company, o filme tem aval da Toei Company, o estúdio que produziu a série original em 1985. A nota saiu em primeira mão pelo site Omelete na tarde desta quarta (21). Um dia antes da data em que Jaspion e Changeman completam 30 anos de estreia na extinta Manchete. 

Algo inédito e totalmente inesperado. Aliás, esta pode ser a primeira adaptação brasileira de um super-herói japonês do gênero tokusatsu. Nos anos 90, o sr. Nelson Sato, CEO da Sato Company, tinha planos para fazer uma adaptação brasileira de Cybercop, da Toho Company, devido ao grande sucesso na saudosa emissora da família Bloch. Porém o projeto nunca saiu do papel. Seria precursor de Power Rangers no formato de utilização de cenas japonesas e inclusão de atores estrangeiros. Porém não a primeira da história do tokusatsu. O pioneiro foi Godzilla, o Rei dos Monstros. Produção nipo-americana de 1956 que serviu de adaptação do filme original do kaiju da Toho.

É bem verdade que as opiniões estão divididas, mas ainda é cedo pra dizer se o filme irá vingar ou não. Tudo vai depender do conjunto da obra que a Sato irá reunir daqui pra frente. O mínimo que esperamos deste remake - que promete uma repaginação/atualização dos personagens - é uma fidelidade à mitologia do Tarzan Galático e que faça referências aos principais elementos da trama. Mais do que isso, é necessário uma consultoria e trabalho de pessoas que entendam e dominem, nos mínimos detalhes, sobre tokusatsu e saibam com que estão lidando. Seria pedir muito uma direção de Koichi Sakamoto? Quem sabe, mas tem que ter alguém que manje de cenas de ação, tokusatsu e alguém que tenha uma competência próxima a dele. Dependendo da produção, os efeitos especiais tem que ser os melhores possíveis. Seja para maquetes (por que não?) ou algo superior. O clipe "On The Rocks", primeiro single de Ricardo Cruz (da banda JAM Project) pode ser uma forte referência. Desde o local da pedreira até o modelo de sequencias de ação e efeitos especiais. E não menos importante: o fator roteiro. É essencial, ou melhor, primordial que a história tenha coerência e faça uma boa adaptação. Obviamente não dá pra injetar 46 episódios numa película de uma hora e meia ou duas horas. Por isso, personagens importantes e que acrescentam a mitologia sejam bem conduzidos.

O elenco será divulgado em agosto, durante o festival de filmes japoneses. Até lá vamos nos deparar com especulações de todos os tipos enquanto não saem mais informações oficiais. Espera-se que o elenco tenha bons atores. O único palpite que dou é de uma possível participação do sr. Sato e sua filha Jacqueline Sato. Afinal, no passado, o sr. Sato contribuiu com a narração de Cybercop. Já Jacqueline cantou o tema de abertura de Doraemon (a série de 2005) e tem uma carreira de atriz em ascensão.

Não se sabe ainda se esta nova produção terá ou não ligação com a série original. Mas será legal ver uma aventura inédita do Jaspion nas telonas. Este pode ser o primeiro passo para o tokusatsu se destacar mais uma vez para o grande público brasileiro. Ou seja, fora da esfera do fandom.

Atualização

O canal TokuDoc, tocado pelo meu amigo Danilo Modolo, entrou em contato com o sr. Nelson Sato nesta quinta (22) e o mesmo esclareceu, em primeira mão, detalhes sobre o filme de Jaspion. Assista o vídeo extra aqui.

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

Conspiração e rivalidade fazem de Kamen Rider Build a melhor série dos últimos tempos

O duelo entre Grease e Build (Foto: Divulgação)

Incompreendida algumas vezes, as séries Kamen Rider geram boas (e más) discussões ano após ano. Desde o visual até o roteiro. Apesar dos altos e baixos e a mudança dos tempos, os elementos atuais seguem o legado deixado por Shotaro Ishinomori. E as últimas séries tem surpreendido bastante. A qualidade chegou aos ápice com Kamen Rider Build. Uma série extremamente envolvente, que amarra o espectador desde o inicio e sempre vem um episódio mais espetacular do que o outro.

O episódio exibido nesta semana foi considerado pelo público como o melhor até o momento. Se você acompanha, deve saber que um duelo foi travado entre Sento/Build e Kazumi/Grease. Ambos representando as respectivas regiões de Touto e Hokuto que entraram em guerra. O dilema de Sento, a preocupação de Banjo e a lealdade de Kazumi aos seus companheiros Smash (um deles foi morto) foram pontos que deram um peso importante na batalha decisiva. Batalha essa que é digna de ser comparada a um final.

O escritor Shogo Muto vem realizando um excelente trabalho neste que é o seu primeiro em tokusatsu. A conspiração entre os Primeiros Ministros de Seito, Touto e Hokuto é outro elemento incontestável na trama e deve esquentar ainda com a aparição de Kamen Rider Rogue (Night Rogue?), até então desconhecido. A tendência é que Kamen Rider Build fique cada vez melhor e aumente mais a ansiedade para o fim de semana chegar e roer as unhas. Mais do que isso, é de longe a melhor série tokusatsu da Toei nos últimos 5, 10 anos. Sem mencionar que estamos diante do melhor vilão da franquia até hoje: Blood Stalk.

Kamen Rider Build tem momentos que não dá pra mencionar tudo num post inteiro e quem ainda não começou a acompanhar, nem imagina o potencial da série que pode ser a número um da franquia. Superando até mesmo clássicos como Kamen Rider Black, por exemplo. Sensacional.

terça-feira, 30 de janeiro de 2018

Kamen Rider Build é uma ótima série com um anti-herói impulsivo

O secundário Kamen Rider Cross-Z

Após meses sem assistir Kamen Rider Buildtirei uns dias pra maratonar episódios atrasados e ficar em dia. Indiscutivelmente essa é uma das melhores séries da franquia. A trama é muito bem construída (sem trocadilho) e é escrita por Shogo Muto, que por sinal, é seu primeiro trabalho com tokusatsu. Além de direção de Ryuta Takasi, que já esteve envolvido em algumas séries Kamen Rider e também Super Sentai.

Se você está acompanhando, provavelmente você viu várias reviravoltas durante a trama. Só pra destacar: as revelações sobre a verdadeira identidade de Blood Stalk (um dos grandes vilões dos últimos tempos) e sobre o passado de Sento Kiryu foram pontos-chave para tudo o que vem acontecendo até aqui. Kamen Rider Build tem bastante coisa pra comentar e não daria um post inteiro.

Como toda boa produção, nem tudo é perfeito e como em praticamente toda série Kamen Rider, tem um anti-herói esquentadinho. Nesta série temos Ryuga Banjou, acusado de ter matado Takumi Katsuragi, o cientista (do diabo) que criou o Rider System. Bem como o Build Driver e outros apetrechos usados no enredo. Desde o primeiro episódio, Ryuga se mostra um personagem à altura e não tem como não se deixar apegar a ele. Ainda mais pelo fato de Ryuga ter perdido sua noiva após ter sido transformada num Smash e ser derrotada por Build em seguida. Demorou alguns episódios para Ryuga se transformar no Kamen Rider Cross-Z (lê-se: "cross", com Z mudo). De lá pra cá vemos um herói impulsivo e que não mede as consequências quando seu foco é apenas obter mais poder e vingar a morte de sua noiva. Isso não vem sendo ruim para a trama, pois ele não perde o carisma e seu lado humano.

Bem, mais cedo ou mais tarde essa atitude pode prejudicar algum personagem e talvez mudar o rumo das coisas. Seja para o bem ou para o mal. Provavelmente lá para a reta final da série, como aconteceu com Hiiro Kagami/Kamen Rider Brave em Kamen Rider Ex-AidEssas expectativas podem fazer com que Ryuga seja um personagem bem mais interessante do que agora.

sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

Ultraman vs. Hanuman: o encontro que gerou um grande problema para a Tsuburaya

Os seis Irmãos Ultra e a divindade Hanuman

Durante a história da Tsuburaya, uma das fases mais difíceis foi a parceria com o estúdio tailandês Chaiyo. Fruto de uma briga judicial que se arrastou por mais de dez anos e que teve seu fim em novembro passado. O símbolo desta parceria é de longe o constrangedor Ultra Roku Kyodai vs. Kaiju Gundan (Os Seis Irmãos Ultra contra o Exército de Monstros) que reuniu os heróis da Nebulosa M-78 e a divindade Hanuman.

Lançado em 26 de novembro de 1974, o filme contou a história de Koh um garoto que foi brutalmente assassinado por ladrões que roubaram a cabeça da estátua de Buda. Comovida com a bravura do garoto, a Mãe de Ultra convoca os seis irmãos Zoffy, Ultraman, Ultraseven, Ultraman Jack, Ultraman Ace e Ultraman Taro para transportar o corpo de Koh para M-78 e ressuscitá-lo como hospedeiro do deus-macaco Hanuman. Uma figura lendária que existe apenas na mitologia hindu.

Enquanto isso, a base Donuma Seven está prestes a testar um lançamento de foguetes. Donuma Seven é comandado pelo Dr. Wisut e ele conta com sua assistente Marissa e a dupla de pilotos Sipuak e Sisuliya. Ambos são bem bobocas e tentam fazer graça com atitudes bastante infantiloides, além de vestir uniformes da ZAT, o esquadrão anti-monstros de Ultraman Taro. Já a moça é um colírio para os olhos, porém sem muita utilidade para a trama.

A experiência com os foguetes foi catastrófica e isso despertou os kaijus Gomora (de Ultraman), Dustpan (de Mirrorman), Astromons, Tyrant e Dorobon (os três últimos são de Ultraman Taro). Após salvar Annan, o amigo de Koh, do perigo, Hanuman ressurge para impedir o ataque dos cinco monstros gigantes. Ao ser encurralado, os seis Irmãos Ultra aparecem para ajudar o novo companheiro e defender a Terra.

No longa de quase 2h de duração podemos ver cenas de séries e filmes antigos, trilhas sonoras (especialmente de Ultra Seven) e outros elementos da mitologia da Família Ultra reaproveitados. Um filme arrastado e que não causa a menor empolgação. Tem boas sequencias de ação, porém está longe da essência da franquia Ultra. Quase tudo é fraquíssimo e há situações improváveis como esmagar um bandido, mostrar cena de assassinato de criança, entre outras bizarrices. Ultra Roku Kyodai vs. Kaiju Gundan soou como uma desculpa pretensiosa para divulgar os Ultras como se fosse uma superprodução. Está anos luz de tal nível.

Ainda não é a produção mais constrangedora de todos os tempos, como os filmes orientais live action de Dragon Ball, por exemplo. Mas vale assistir pela curiosidade e como material de pesquisa sobre tokusatsu. Você não irá sentir saudades depois de conferir por si próprio. Muito menos a Tsuburaya que teve uma experiência constrangedora que ultrapassa a qualidade do filme. Tudo parecia acabar ali mesmo, mas este seria apenas o começo de uma grande dor de cabeça para o estúdio japonês.

Curiosamente no mesmo ano de lançamento desta bizarrice, a Chaiyo produziu Hanuman and the Five Riders, em parceira com a Toei Company. A divindade também se encontrou com os Riders Ichigô, Nigô, V3, Riderman e X. Mas isso é assunto para um outro post.

Ultra Roku Kyodai vs. Kaiju Gundan estreou no Japão apenas em 17 de março de 1979, semanas antes da estreia do animê TheUltraman. Série que marcou a volta temporária dos Ultras após o final de Ultraman Leo.

Fim da briga judicial em 2017

Capa do Laser Disc japonês do filme 
com destaquepara Ultraman Taro
Após a morte de Noburu Tsuburaya (segundo filho de Eiji Tsuburaya) em junho de 1995, o presidente da Chaiyo, Sompote Saengduenchai, afirmou no ano seguinte que havia um acordo firmado entre as empresas tailandesa e japonesa assinado cerca de 20 anos antes. Na ocasião foi apresentada uma carta com uma assinatura forjada, como se fosse do próprio Noburu Tsuburaya e com data de 4 de março de 1976. O suposto documento dizia que os direitos internacionais (com exceção do Japão) dos personagens da franquia Ultra até 1973 (ano de estreia de Ultraman Taro) foram transferidos para a Chaiyo.

A Tsuburaya afirmou que a tal carta era uma fraude e haviam evidências disso. O nome do estúdio japonês estava com grafia errada e Ultraseven foi referido como "Ultraman Seven". De acordo com os advogados da Tsuburaya, o sr. Noburu jamais erraria os nomes dos personagens. Apesar disso, a Chaiyo criou um seus próprios personagens baseados nos Ultras e inserido-os em shows, imagens promocionais e o famigerado filme tratado acima.

A disputa judicial pela marca Ultraman começou em meados de 2002 e atingiu o mercado ocidental, uma vez que o documento apresentado pela Chaiyo afirmava que os direitos de distribuição para outros países pertenciam a eles. O mais absurdo é que a Chaiyo afirmava que ela tinha parte da criação da franquia nos anos 60. O que todos sabemos que é uma falácia sem cabimento. Tal alegação teve como base uma visita que Eiji Tsuburaya fez na Tailândia e lá teria conhecido uma variedade de estátuas raras de Buda através de Saengduenchai e algumas dessas imagens serviria de inspiração para a criação do primeiro Ultraman. O fato é que a Chaiyo teve permissão oficial para negociação de merchandising de Ultraman na Tailândia e em mais cinco países da Ásia. Porém o presidente da Chaiyo diz ter sido prejudicado pela Tsuburaya e chegou a exigir uma carta de retratação numa determinada ocasião.

Em 20 de novembro deste ano, oito membros da corte jurídica de Los Angeles declararam por unanimidade que o tal contrato apresentado pela Tsuburaya não tem qualquer autenticação. Assim foram concedidos os direitos definitivos das primeiras séries Ultra para a Tsuburaya. Em outras palavras, séries como Ultra Q, Ultraman, Ultra Seven, O Regresso de Ultraman, Ultraman Ace e Ultraman Taro podem futuramente ser comercializadas fora do Japão para variadas mídias. Após esta longa e árdua batalha, a Tsuburaya conquista a vitória num ano bastante significativo/comemorativo que foi 2017.

quinta-feira, 21 de dezembro de 2017

Cancelamento de Ultraman Tiga pela Record é mais um mistério que jamais será desvendado

Marcelo Del Greco fala sobre o licenciamento de Ultraman Tiga (Foto: Reprodução/Jbox)

Neste fim de semana saiu a segunda e última parte da entrevista com Marcelo Del Greco ao canal Jbox. O jornalista - que passou pela revista Herói e atualmente está na Editora JBC - também foi responsável por parte do licenciamento de Ultraman Tiga no Brasil, como sócio da distribuidora Mundial.

Ultraman Tiga tinha tudo para continuar o legado das séries japonesas de tokusatsu na TV brasileira. Estava com mais pontos de audiência do que Pokémon (na época estava em sua segunda temporada por aqui) e tinha todo um material que estava sendo licenciado. Além de Ultraman Dyna e Ultraman Gaia, havia também planos de redublarem séries antigas como Ultra Seven e O Regresso de Ultraman e até o inédito Ultraman Ace. Na época em que Ultraman Tiga estava em exibição na Record, o filme Ultraman Tiga: A Odisseia Final também estava em exibição nos cinemas do Japão e estava nos planos da distribuidora para trazer nas telonas brasileiras.

O que não dá pra entender é o real motivo da saída do guerreiro da luz da TV faltando apenas quatro episódios para finalizar a série. Acredita-se por aí que Eliana tenha sido o pivô, pois a série era uma das atrações de seu programa na Record. Porém isso não foi mencionado. É um detalhe que cabe aos bastidores e talvez ela tenha estivesse insatisfeita com o material em seu programa. Por um lado, Ultraman Tiga era muito violento/sério/dramático para um programa com conteúdo mais "inocente". Merecia estar numa faixa jovem como umas 19h ou 20h. Por outro, a Record poderia dar uma chance ao herói colocando num horário justo e condizente ao enredo.

É claro que isso não dependia da Mundial nem do Marcelo. As emissoras de TV são soberanas nas decisões de horário. O que pode ajudar ou complicar no resultado final. O fato é que Ultraman Tiga é mais um mistério que não deverá ser desvendado tão cedo e não dá pra entender o cancelamento de uma série que tinha tudo para renovar público. Triste realidade.

O encontro de Tiga e Ultraman foi ao ar apenas na Rede 21

terça-feira, 19 de dezembro de 2017

Ultraman Geed é de longe a melhor série tokusatsu de 2017 e supera Ultraman Orb

Ultraman Geed vai fazer muita falta

Falta apenas um episódio para fechar a saga de Riku Asakura e cia na TV japonesa (aqui no Brasil pode ser visto a qualquer hora via streaming pela Crunchyroll) e definitivamente podemos constatar que Ultraman Geed é a melhor série tokusatsu deste ano. Ultimamente as séries Ultra vem mudando alguns elementos, porém respeitando a essência que a franquia carrega desde 1966 com Ultra Q e Ultraman. Um dessas mudanças é a saída dos esquadrões anti-monstros (isso tinha que mudar uma hora ou outra e pode voltar num futuro próximo).

Desde a estreia em julho vimos que a série tinha potencial para superar Ultraman Orb, que foi uma ótima série formada por um número concentrados de personagens e deixou uma marca carregada de carisma e uma digníssima homenagem aos heróis. Ultraman Geed tem tudo isso e muito mais. A diferença é que a trama tem um lado sombrio que não cai numa densidade profunda como Kamen Rider Black, Garo, etc.

Isso sem mencionar o talento dos atores. Todos escolhidos a dedo. Tatsuomi Hamada cresceu desde sua participação no filme do Ultraman Zero e tem uma carreira promissora devido ao seu talento e ótima interpretação como Riku Asakura. Eu destaco alguns nomes como Yuuta Ozawa (Leito Igakuri), Chihiro Yamamoto (Laiha Toba) e Kunito Watanabe (Kei Fukuide). E as vozes de Megumi Han (Pega), Suzuko Mimori (Rem) e claro, Mamoru Miyano (Ultraman Zero). Tudo isso foi feito com primazia pelo roteirista Oitsuichi e a direção com competentíssimo Koichi Sakamoto (o mesmo de Space Squad) que deram um show.

Apesar de todo o trabalho, a sensação é de que alguns pontos deverão ficar pendentes para o filme do herói que estreia em março de 2018 - obviamente -no Japão. Um semestre inteiro já é o suficiente para contar história, mas é bom Riku dar um descanso para retomar o fôlego e quem sabe explorar sua origens em Okinawa.

O ano 2017 foi cheio para os fãs de tokusatsu e principalmente para a franquia Ultra que comemorou o cinquentenário de Ultra Seven - com direito a participação de Bin Furuya aqui no Brasil pela CCXP. Ultraman Geed é mais uma série que vai deixar saudades e é mais uma prova clara de que a Tsuburaya ainda tem muito trabalho pela frente.

segunda-feira, 18 de dezembro de 2017

Jiraiya arrebata gerações no Sana Fest e reacende a chama do tokusatsu

Takumi no palco do evento de Fortaleza

Treze anos se passaram desde a primeira visita do ator japonês Takumi Tsutsui ao Brasil para representar o maior sucesso de sua carreira: o ninja Jiraiya. De lá pra cá, Takumi passou por vários eventos em nosso país e sempre transmitindo simpatia, humildade e carisma. A presença dele é sucesso garantido por onde passa.

Demorou, mas aconteceu. Depois de muita insistência do público local, finalmente Takumi Tsutsui se apresentou em Fortaleza no terceiro e último dia da 11ª edição do Sana Fest, que aconteceu neste domingo (17). Originalmente acontecia no mês de janeiro, servindo com prévia do tradicional evento de julho, e a partir de agora o Fest passa a acontecer anualmente em dezembro. Takumi é o primeiro ator japonês de tokusatsu a vir à capital do Ceará. Sendo que ele é o quarto, considerando os três atores de Power Rangers que também estiveram recentemente. O primeiro foi Walter Jones (Zack, o primeiro Ranger Preto de Mighty Morphin Power Rangers) em janeiro de 2016, Jason Faunt (Wes, o Ranger Vermelho de Power Rangers Força do Tempo) em julho do mesmo ano e Steve Cardenas (Rocky, o segundo vermelho de MMPR e o azul de Power Rangers Zeo) em janeiro de 2017.

O ator entrou no palco Art & Fest cantando o tema de abertura da série Sekai Ninja Sen Jiraiya. Originalmente cantado por Akira Kushida, que já esteve no Sana em 2007 e em 2010. Entre muitos marmanjos que assistiram o clássico pela extinta Manchete entre 1989 e 1999, estavam também crianças e adolescentes que conheceram a série por causa da popularidade do ninja olimpíada no Brasil.

Takumi, que estava trajando um quimono parecido com o que Toha Yamashi (Toha Yamaji) vestia em Jiraiya, mencionou que agora faz 30 anos do início das gravações da série. No Japão, Jiraiya estreou em 24 de janeiro de 1988 e era exibido nas manhãs de domingo da TV Asahi. Pediu "desculpas" por ter envelhecido nesse tempo (cá pra nós: a mudança não foi tanta assim). Contou que também vestia a armadura olímpica nas gravações e que, segundo ele, "não protegia nada" e fazia muito calor no verão e que quase morria de frio durante o inverno. Sempre precisava de ajuda para vestir e tirar o traje. Até para ir ao banheiro havia dificuldades.


Com a simpatia de sempre, Takumi interage com o público

Ao som das BGMs que tocaram na série (produzidas por Kei Wakakusa, o mesmo compositor de Janperson, Blue SWAT, Robotack e Tomica Hero Rescue Force), o ator falou que por causa de Jiraiya, fez amizade com atores da franquia Metal Hero. Entre eles, Kenji Ohba, o Policial do Espaço Gavan. Ohba participou do episódio 27 de Jiraiya como Yajiro, um ninja que desafiou Toha ao vestir a armadura olímpica. Ele também amizade com Akira Senoo e Shouhei Kusaka. Respectivamente os atores que viveram Metalder e Jiban. Takumi disse que, se tudo der certo, quer trazê-los para Fortaleza. Akira Kushida também é um grande amigo.

O público fez perguntas e até declarações. Como uma criança que disse que conheceu Jiraiya por causa de seu pai. Takumi ficou surpreso por ter muitas crianças que são fãs dele. No Japão não tem isso. Teve até uma fã que pediu um "kiss me" e Takumi mandou carinhosamente a distância. Um jovem disse que Jiraiya serviu de inspiração em sua vida, pois, mesmo sem dinheiro, Toha vencia as adversidades. Isso lhe deu forças para trabalhar e amar mais as pessoas. Entre as perguntas, ele respondeu que faria novamente Jiraiya caso apareça alguma oportunidade. Tem expectativa quanto à uma possível participação numa sequencia de Space Squad, mas ainda não recebeu convite da Toei. E o episódio 22 de Jiraiya é o seu favorito. Aquele em que Kei ganha de Toha um vestido de presente para comemorar o aniversário de uma amiga e caiu na armadilha de Dokusai e sua Família de Feiticeiros.

Houve um momento de gincana onde cinco pessoas participaram para imitar a apresentação de Jiraiya. Um deles foi escolhido e ganhou uma revista (talvez uma Televi-kun da época, não tenho como precisar). Como prêmio de consolação, os outros participantes ganharam tecidos autografados pelo próprio Takumi.

A apresentação de Takumi Tsutsui terminou com ajuda do público cantando o tema de abertura em português (na primeira parte da música) e o autor cumprimentou rapidamente as pessoas que estavam em sua frente. Foram 40 minutos de muita alegria e que ficarão na memória de quem testemunhou a passagem do incrível ninja. O resultado constata que tokusatsu é rentável também em Fortaleza e pode ter divulgação ampliada. A experiência pode render a vinda de mais atores do gênero nas próximas edições. Assim esperamos.

O Brasil é praticamente a segunda casa de Takumi Tsutsui e as portas estão abertas para recebê-lo mais uma vez em Fortaleza.

Veja Takumi Tsutsui no início da apresentação:

quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

Ninguém vai sentir falta dos filmes Super Hero Taisen

Os últimos Riders da era Heisei

Saiu nesta quarta (13) um tweet do produtor Shinichirô Shirakura sobre a descontinuidade de Super Hero Taisen. A famigerada série de filmes da Toei que reúne as franquias Kamen Rider e Super Sentai na primareva japonesa. Quem assistiu sabe da bagunça que é. Fanservices malfeitos, situações forçadas, estratégias toscas, etc. Filmes como Super Hero Taisen GP: Kamen Rider 3 (2015) e Kamen Rider 1 (2016) são exceções e são recomendáveis.

A nota de Shirakura diz o seguinte:

"Nós não pretendemos fazer mais filmes de "primavera". O "Final" no título deste se refere a isso e concentrou esforços tantos para os filmes de inverno quanto para os de primavera. O filme de (Kamen Rider) Amazons é algo à parte, separada dos principais filmes Rider. Gostaríamos de trazer algo impressionante."

O "Final" que Shirakura se refere é ao filme Kamen Rider Heisei Generations Final: Build & Ex-Aid with Legend Rider, lançado no último fim de semana nos cinemas japoneses e que marca o fim da atual era imperial para os motoqueiros mascarados. Pelo que dá a entender, a Toei está abandonando esses formatos de filmes que vinha aderindo desde o começo da década. O filme de Kamen Rider Amazons é um caso isolado como foi explicado e servirá como desfecho da web-série.

Já era sem tempo da Toei mudar e fazer algo diferente. Mesmo com seus altos e baixos, Super Hero Taisen não passou de um circuito "caça-níquel". Alguns devem ficar felizes, outros nem tanto. Mas cá pra nós: foi uma série que não fará falta alguma. Quem sabe a Toei esteja preparando algo mais elaborado/inteligente para a próxima era.

Até aqui, a série de filmes Space Squad tem feito sucesso no Japão e, segundo declaração de Kenji Ohba (Gavan) na CCXP, terá continuação em 2018.

terça-feira, 12 de dezembro de 2017

Mente quem diz que o Ultraman é velho. Bin Furuya comprovou exatamente isso na CCXP

O encontro épico de Bin Furuya, Austin St, John e Kenji Ohba (Foto: Divulgação/4 Fun Fest)

Tem uma música do veterano grupo musical MPB4 que diz no refrão "mente quem diz que a Lua é velha". Essa foi minha inspiração no título acima pra desmistificar algo que ouvi falar há algum tempo e que talvez você também tenha se deparado. Algo como Ultraman é "velho", que é "ultrapassado" e que "ninguém gosta mais da série". Pura desinformação. Um absurdo sem cabimento. Ultraman é a alma e a essência do tokusatsu. Talvez alguém que se declara fã do estilo diga que não gosta da franquia. Ele pode pensar que não gosta, mas com certeza já curtiu elementos bem presentes em produções oitentistas e que continuam até os dias de hoje, certo? É só ver Jaspion e Power Rangers, por exemplo, que dá pra encontrar fácil fácil.

É estranho ouvir falar que gosta de tokusatsu e não curte a Família Ultra. Seria o mesmo que alguém falar que gosta de HQ e não curte um Superman, um Batman ou um Homem-Aranha. Contraditório, não? Pois bem. Mas a questão aqui não é exatamente sobre gosto pessoal de cada um e sim tentar mostrar mais uma vez (sem querer, mas já mostrando) que Ultraman continua muito bem atrelado ao gênero e continua atravessando gerações. E uma má notícia pra você que de repente torce o nariz para o gigante: ele vai continuar assim nas próximas décadas.

Eu não pude ir para a CCXP, mas acompanhei alguma coisa ou outra por fotos de amigos, vídeos de canais do YouTube e até envios de leitores. Lá na fan page do blog no Facebook há alguns registros bem bacanas. Quem esteve lá pode expressar melhor como foi a experiência, mas quem acompanhou de longe pôde notar de alguma maneira que o evento foi épico. Mais precisamente sobre atores de tokusatsu, lá estavam Austin St. John (o Jason de Power Rangers), Kenji Ohba (o nosso eterno Gavan) e Bin Furuya (dublê do primeiro Ultraman e intérprete de Amagi em Ultra Seven). Queria ter visto e conversado com os três se eu pudesse estar lá em SP e quem sabe entrevistá-los.

Power Rangers conquistou uma geração que acompanha a franquia nipo-americana há quase 25 anos. Já Gavan tem um público fiel que acompanhou a trajetória dos Metal Heroes nos anos 80 e 90. E com Ultraman não é muito diferente. Pelo que deu pra perceber, Bin Furuya representou o nome do herói mais importante da história do tokusatsu e provou que não existe idade pra curtir um bom clássico -- que continua bastante presente. Antigos e novos fãs aproveitaram a oportunidade pra conversar com o veterano ator/suit actor, pegar um autógrafo e bater aquela foto imitando a pose de disparo do Specium Ray. Marca que Furuya carrega por onde vai, sempre com boa simpatia. Isso é o bastante para derrubar mitos citados na introdução deste artigo. Fora tantos outros exemplos que poderia mencionar. O gigante prateado consegue sim cativar várias idades do nosso nicho.

Como disse duas semanas atrás neste post, Ultraman é rentável, mas ainda precisa ser melhor difundido. É como descobrir Star Wars que também é uma franquia antiga, atual e é riquíssima em mitologia e bastidores. Porém não é tarde para explorar essa "mina de ouro". Esta edição da CCXP serve de referência para tantos outros grandes eventos de cultura pop no Brasil e é uma prova da força que Ultraman tem na esfera da cultura pop japonesa. Por isso não dá pra deixá-lo de fora ou ofuscado na hora de divulgar o tokusatsu.

E imagino o quão especial deve ter sido conhecer três lendas vivas do tokusatsu e sem distinção de idade ou geração.

domingo, 10 de dezembro de 2017

Na reta final, Ultraman Geed muda o rumo de maneira totalmente inesperada

Kei após mais uma dura batalha (Foto: Reprodução/Crunchyroll)

Esse foi de longe um dos melhores episódios da série. Estamos a duas semanas do final de Ultraman Geed e a cada episódio a produção da Tsuburaya vem deixando o espectador na ponta do sofá (ou da cadeira se você assiste pelo computador). O episódio deste sábado (9) foi marcado pela luta decisiva entre Riku/Geed e Kei/Belial. Seria só isso se não fosse por uma surpresa que ficou guardada para este momento que antecede os dois últimos episódios.

Quem acompanha o blog sabe que comentários eventuais de episódios da semana podem conter spoilers. Como se trata de algo surpreendente, não leia as linhas abaixo caso não tenha visto nada ainda.














A luta foi marcante, porém não tinha muito do clima de desfecho. Parecia mais um acerto de contas antes dos momentos decisivos. Mas o que chamou atenção mesmo foi a inesperada aparição de Arie Ishikari, que aparece viva, com poderes especiais e retira o poder de Belial do corpo de Kei. Tem mais: ela revela que é a mãe de Riku Asakura.

A participação de Arie foi curta, pois ela desmaiou logo após o ato. Foi pequena, porém o bastante para mudar os rumos da série. Possivelmente veremos no próximo episódio uma explicação sobre o passado de Arie e qual sua relação com Belial. Há um ponto que deixa subtendido uma razão para Arie querer ir para Okinawa ao lado de Kei. Esta relevação leva o espectador a crer que algo muito importante aconteceu na cidade (onde Jaspion atua como instrutor de mergulho... Hahaha!) e que o local seja a terra-natal de Riku. Nada confirmado até o momento. Então temos que esperar pra ver o que acontece. Se você acompanha as notícias, deve saber então que Okinawa será palco do filme de Ultraman Geed em março de 2018 nos cinemas japoneses.

Escrevi dois posts nesta coluna sobre a curta aparição de Arie em Ultraman Geed e, até onde ela foi dada como morta, disse que ela tinha potencial para formar uma insana parceria com Kei/Belial e que ela poderia ser melhor explorada na trama. Seu retorno foi significativo e dá mais sentido ainda à sua participação. Ficou acima do esperado.


Arie em seu retorno triunfal... e revelador (Foto: Reprodução/Crunchyroll)

segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

Em Ultraman Geed, Arie Ishikari foi um mero joguete nas mãos de Kei

Arie em seus últimos momentos ao lado de Kei (Foto: Reprodução/Crunchyroll)

Semanas atrás comentei sobre a parceria entre Kei Fukuide/Belial e Arie Ishikari. Ela que foi uma escritora que teve a improvável decisão de se aliar ao vilão, mesmo tendo ideia dos riscos que ela poderia sofrer. Foi uma coisa louca, mas que tinha tudo pra ser explorado em Ultraman Geed. Seria ideal se ela vingasse até o penúltimo episódio, pelo menos.

Ela foi uma escritora como disse acima. Você não leu errado. Ela foi vítima de seu próprio parceiro. Alguém em que ela jamais deveria ter compactuado. Sim, ela poderia ser vitimada a qualquer momento, como aconteceu no episódio deste sábado (2). Mas Arie poderia ter ficado mais algum tempinho e continuar ajudando Kei de alguma forma ou de outra. A escritora serviu apenas de cobaia para atrair Riku/Geed e Leito/Zero numa cilada para capturar duas cápsulas importantes.

O destino de Arie foi cruel e inesperado -- pelo menos neste exato ponto da série. Ela poderia ficar em mais dois episódios e, digamos, servir por mais tempo ao mal. Por outro lado, como todo "bom" vilão, Kei apenas aproveitou a ambição da moça para conquistar seu objetivo e descartá-la em seguida. Cena forte para os padrões atuais de programação infantil na TV japonesa e o bastante para odiá-lo.

Infelizmente Arie foi apenas um joguete nas mãos de Belial e não deu tempo para ela ter mais desenvolvimento na trama. Que pena.

quinta-feira, 30 de novembro de 2017

Mangá ULTRAMAN é digníssimo de animação

O anúncio oficial do animê (Foto: Reprodução/Heros-ULTRAMAN)

A maravilhosa obra da dupla Eiichi Shimizu e Tomohiro Shimoguchi foi uma das gratas surpresas que tivemos nos últimos tempos. O décimo primeiro volume da publicação vai sair agora no dia 5 de dezembro, lá no Japão. Enquanto isso, os volumes 9 e 10 devem ser publicados no começo do próximo ano (se nada dar errado) pela Editora JBC.

Um contador regressivo de horas apareceu no site oficial do mangá no início da semana e nos preparava para uma divulgação que envolve o mangá ULTRAMAN (a estilização oficial é assim mesmo, tudo maiúsculo). A mesma aconteceu no começo da madrugada desta sexta-feira (1) no Japão (tarde desta quinta-feira [30] no Brasil) e revelou uma adaptação da obra em animê. Com previsão para 2019.

O mangá está em publicação desde 2011 pela editora japonesa Shogakukan e de lá pra cá sempre saem dois volumes por ano na terra dos monstros gigantes. A trama se passa décadas depois do final da série clássica Ultraman. Desconsiderando eventos de Ultra Seven, O Regresso de Ultraman, Ultraman Ace e outras séries e filmes da cronologia de M-78. Ou seja, Ultraman foi o único herói que lutou na Terra nesta linha alternativa. Hayata está idoso e tem um filho adolescente, Shinjiro, que tenta levar uma vida pacata como os garotos de sua idade. Porém ele carrega uma força sobre-humana conhecida como Fator Ultra, provável de Hayata devido ao período em que esteve em simbiose com o gigante prateado.

Personagens como Dan Moroboshi (Seven) e Seiji Hokuto (Ace) estão presentes nesta releitura e com personalidades fortes, se compararmos as suas contrapartes originais. O segundo Ultraman é representado pelo humano chamado Jack, que possui o Ultra Bracelete. Isso sem mencionar as constantes referências e homenagens às séries clássicas, aparições de alguns personagens da Patrulha Científica, e muitas surpresas.

O mangá poderia ganhar uma versão tokusatsu? Sim, quem sabe um dia. Mas não acho que seja o momento. Sempre esperei por uma versão animê do que em live action. O ritmo da história tem todas as características para uma animação da faixa da madrugada e as batalhas são de deixar o leitor (futuro espectador) na ponta do sofá/roendo as unhas. Até aqui tudo fica na imaginação de como poderá acontecer e torcermos pra que a adaptação seja o mais fiel possível. Uma temporada de dois cours (termo francês que significa "curso" e que representa um período de três meses cada na TV japonesa) seria o ideal para contar essa história semanalmente. Vamos esperar um pouco mais de um ano para ver o resultado. A ansiedade é grande para quem é fã dos Ultras e acompanha o mangá. Pretendo recomeçar a ler em breve para entrar no clima e comemorar essa grande novidade.

Ah, torço pra que a atriz/dubladora/cantora Maaya Uchida (a Hiroyo Hakase do tokusatsu Akibaranger) participe do animê. Ela interpretou a idol Rena Sayama numa Motion Comic do mangá apresentado no canal oficial da Tsuburaya no YouTube e poderia reprisar a personagem na TV. Se não for sonhar demais, ela poderia cantar ao menos algum tema de abertura.

Se você ficou curioso e está no aguardo do lançamento do animê ULTRAMAN, não fique só na vontade. O mangá está em publicação pela Editora JBC, vale cada centavo e é mais uma ferramenta que diverte, instiga a nova geração a conhecer a mitologia Ultra e emociona fãs veteranos. Item obrigatório para os fãs de tokusatsu.

PS: Recomendo dois artigos escritos pelos mestres Alexandre Nagado e Usys222 sobre o mangá em seus respectivos blogs Sushi POP e Casa do Boneco Mecânico - Anexo -. Nesta sexta o grande Danilo Modolo vai apresentar no canal TokuDoc a primeira parte de sua review sobre a obra.

quarta-feira, 29 de novembro de 2017

TimerMan - O Guerreiro do Tempo

Nasce um novo herói brasileiro (Foto: Divulgação)

Quando se fala em tokusatsu, logo vem à mente produções como Jaspion, Changeman, Ultraman, Kamen Rider, Godzilla, Gamera, Power Rangers e tantos outros. Tokusatsu, abreviação de "tokushuu kouka satsuei" (algo como "filmagem de efeitos especiais"), é um gênero que utiliza maquetes, pirotecnia, entre outros recursos de produção para contar uma história. Originalmente estrelados por monstros e robôs gigantes, o gênero, que começou em 1954 com a estreia de Godzilla no cinema japonês, evoluiu de lá pra cá. Desde destaques para heróis de tamanho humano até mesmo a evolução desses efeitos.

Assim como, por exemplo, o samba é um estilo musical genuinamente brasileiro em qualquer parte do mundo, o mesmo vale para o tokusatsu. Qualquer país pode produzir o seu próprio conteúdo neste estilo, mesmo que seja uma adaptação estrangeira. Aqui mesmo no Brasil tivemos o famoso Insector Sun (em 2000) e o Cruzer (em 2015). Este último foi um personagem exclusivo do clipe da música "On The Rocks", do cantor Ricardo Cruz, integrante da banda JAM Project.

Close para o guerreiro do tempo
O ano 2018 já tem um novo super-herói e ele irá defender a paz e a justiça -- no Brasil. TimerMan é um novo projeto de tokusatsu nacional que tem tudo para se destacar entre o público. A produção independente se passa em um futuro distante da cidade maravilhosa: Rio de Janeiro. A Terra é o alvo dos Nômades. Grupo formado pelos seres espaciais Rei Madu e seu filho, o príncipe Madam. A humanidade conta com armamentos de alta tecnologia. Prestes a serem derrotados, os Nômades conseguem roubar uma tecnologia experimental criada em nosso planeta para viajar no tempo. Essa tecnologia permite enviar material inorgânico apenas para o passado. Assim, os Nômades ganham vantagem na tentativa de conquistar os terráqueos, além de ser ideal, uma vez que a fisiologia deles é diferente dos humanos.

Ao descobrirem os planos dos vilões, os humanos do futuro correm contra o tempo para enviar aos nossos dias atuais uma androide, cuja a missão é encontrar uma pessoa que seja compatível a um poderoso traje de combate - denominado pela sigla T.I.M.E.R.MAN - para lutar contra o diabólico Madam.

A inspiração do projeto TimerMan nasceu em 2014 através da parceria do trio Fabiano Ferreira, Francisco Mauriz e Jeferson Martins. Além de roteirizar e cuidar do figurino, das armaduras e dos efeitos especiais, Fabiano é quem interpreta o herói-título. Com ele está Francisco que é encarregado da produção e ilustração dos personagens.

"Conforme o planejamento para execução do projeto avançava novos membros, de diferentes regiões do Brasil, se aliaram na intenção de trazer o personagem à vida. São eles, Rafael Alencar (roteiro), Marister Cortez (atriz), Felipe Gotelip (ator), Tuta Vasconcelos (compositor), Fagner Alves (modelador 3D)". Conta o ilustrador e produtor Francisco Mauriz.

Atualmente está em produção um curta que deve ter duração de 5 ou 10 minutos, servindo como episódio-piloto para divulgação e mostrando a primeira batalha entre TimerMan e Madam. Filmado no Rio de Janeiro, o curta será o pontapé inicial para a campanha de crowdfunding (financiamento coletivo) para a produções do longa-metragem do herói, que tem lançamento previsto para 2018.

TimerMan se apresentou pela primeira vez no evento carioca AnimeStar, ainda este ano. "ficamos bem satisfeitos, pois seu visual agradou ao público, Fabiano Ferreira (Timerman), Felipe Gotelip (Madam) e Marister Cortez (Andróide Iane) subiram no palco e falaram sobre o projeto para os presentes". Relata Francisco com bastante entusiasmo.

As primeiras cenas de TimerMan estão em produção

No dia 23 de novembro, o primeiro teaser de TimerMan foi lançado em parceria do canal TokuDoc (tocado pelo meu amigo Danilo Modolo) através da fan page no Facebook. O projeto TimerMan pode ser acompanhado no canal oficial no YouTube e na página oficial no Facebook. Seguindo a evolução do tokusatsu, TimerMan embala o público com um projeto promissor e a missão de representar os heróis do gênero.

Veja a seguir o primeiro teaser de TimerMan, seguido do vídeo de apresentação no evento AnimeStar:


quinta-feira, 9 de novembro de 2017

Década perdida! O destino infeliz de Kamen Rider Kuuga no Brasil

O primeiro Rider da era Heisei

Se você acompanhava as notícias sobre séries japonesas que estavam no páreo para serem veiculadas no Brasil entre 2002-2003, provavelmente você deve lembrar do possível lançamento de Kamen Rider Kuuga por aqui. Revistas e sites especializados publicaram sobre a volta da franquia dos motoqueiros mascarados na TV brasileira. Foi um título que causou expectativa para muitos de nós que ficamos órfãos de produções originais do estilo tokusatsu desde o repentino cancelamento de Ultraman Tiga na Record (todas as três exibições sem o final).

Lembro que em outubro de 2003, a primeira das três edições do extinto site Awika! (revista eletrônica mensal de tokusatsu na internet tocado por Ricardo Cruz e cia), destacou a estreia de Kamen Rider Kuuga que poderia acontecer em algum momento de 2004. Porém, sem emissora e dublagens definidas. Luiz Angelotti, que na época era representante da empresa de licenciamento Dá Licença, estava empolgado e certo de que poderia mesmo acontecer o lançamento oficial do primeiro Rider da então nova geração, assim como aconteceu com Os Cavaleiros do Zodíaco no Cartoon Network e na Band. Afinal, a marca ainda era forte na memória do público que assistiu Kamen Rider Black e Kamen Rider Black RX na extinta Rede Manchete. O Awika! também ressaltou a importância de Kamen Rider Kuuga, a história da franquia da Toei, e o potencial que Kuuga tinha para cativar/impactar o público. Infelizmente o licenciamento não vingou. Rumores foram surgindo quanto aos motivos do fracasso e no fim das contas perdemos uma chance de ter oficialmente mais um Rider legítimo da terra do sol nascente.

A primeira parte da entrevista com o sr. Luiz Angelotti lançada neste fim de semana pelo canal do JBox no YouTube esclareceu esse episódio. Algumas séries como Kamen Rider Kuuga, o animê Pretty Cure, entre outros foram vendidas para emissoras de TV aberta e simplesmente ficaram na gaveta. Obviamente que não foi culpa dos licenciadores, entenda. Eles fizeram suas partes. O problema mesmo era a falta de aproveitamento das próprias emissoras.

O terreno estava fértil no começo da década de 2000. Hoje o investimento em séries tokusatsu para a TV aberta é um tanto improvável devido ao esfriamento desse tipo de produto para o mercado brasileiro para este veículo. Hoje a salvação seria os serviços de streaming (focados em nichos específicos) e já falei várias vezes sobre isso aqui no blog. Só que hoje as coisas são diferentes. O "grande público" de séries tokusatsu demora para se renovar (justamente por esses problemas com Ultraman Tiga e Kamen Rider Kuuga), é exigente e boa parte é saudosista -- esses geralmente ficam presos no "museu" da Toei Company e da Rede Manchete. E não custa lembrar: Power Rangers não tem nada a ver com o problema. Quem tem culpa no cartório são as próprias emissoras de TV aberta. A essa altura do campeonato, não cabe a nós sabermos qual foi exatamente a emissora que  comprou a série tokusatsu. Tudo é questão de ética/sigilo e tentar especular não vai adiantar nada.

Se tudo desse certo, quem sabe Kamen Rider Kuuga poderia ser um sucesso e ter a dignidade da memória afetiva de muitos fã, não é? Mais do que isso. O herói-título poderia abrir a porteira para outras séries da franquia e despertar o interesse por tokusatsu para a geração dos anos 2000. Foi um fracasso antes de qualquer possibilidade de lançamento oficial. Esse problema gerou uma grande lacuna para o tokusatsu no Brasil e vários anos sem um lançamento de uma série inédita até 2009, quando estreou Ryukendo na RedeTV!. As coisas seriam diferentes se as emissoras tivessem boa vontade.