sábado, 12 de março de 2016

Em novo novo arco de Digimon tri, Jo "brilha" como o personagem mais chato dos digiescolhidos

Jo chega à perfeição da chatice na nova saga

Assim como muitos fãs de Digimon, fiquei ansioso durante os últimos quatro meses pela estreia deste arco. "Ketsui" (Determinação), o mais novo arco de Digimon Adventure tri (crianças, não custa lembrar de novo, lê-se: "trái"; em inglês) tem um desenvolvimento longo e enfadonho. Tudo bem que um pouco de drama e momentos "kawaii" fazem parte da fase clássica. Só que em "Ketsui" a coisa ficou bem mais exagerada e a impressão é que a coisa andou por uma via parecida com alguma novela da Globo. O que deixou a qualidade aquém se comparado ao "Saikai" (Reunião), o arco anterior apresentado no final do ano passado.

Como as releases anunciaram, o foco esteve em Jo (Joe) e Mimi. Eu esperava mais da participação dos dois. Mimi se mostrou bem egoísta e precipitada num dado momento de risco. Mas quem se revelou o campeão da chatice foi Joe. Sério. Tipo, você espera um tempão por um arco empolgante e dá de cara com o dramalhão de Joe fugindo das batalhas para estudar. Tá certo que ele é esforçado, luta para um futuro melhor como adulto e tal. A indecisão de Jo foi tanta que isso se arrastou praticamente em todos os novos quatro episódios. Nem o Gomamon aguentou tamanha frescura de seu parceiro digiescolhido.

Pra quem esperava uma engrenada de deixar o espectador roendo unhas e babar o chão, vale a pena percorrer essa "via crucis" para assistir até o final. Todo o clímax perdido durante Ketsui foi compensado no último episódio lançado até o momento. Aliás, vale citar a volta dos rivais Leomon e Ogremon. Além do estranho retorno de um importante inimigo. Até agora foi mencionada sobre uma estranha força que está afetando dos Digimons e os influenciando para a invasão no mundo real. Mas o real motivo fica preso num gancho para os próximos episódios (previstos para o meio do ano). É bom prestar atenção em Meiccomon, pois aparentemente é um Digimon bobo/mimado, mas possui um potencial determinante para o que vem por aí.

Agora, fazendo justiça, Mimi e Jo são úteis quando ajudam Palmon e Gomamon, respectivamente, a alcançarem uma megaevolução de deixar qualquer fã de queixo caído. Vibrei mesmo foi com o golpe de um deles. Vocês saberão de qual estou falando quando assistirem. Outro dos poucos pontos positivos de "Ketsui" foi a nova versão da música "Seven", de Koji Wada, que entrou como o segundo tema de encerramento da série/filme. Demais.

PS: Curiosamente, até o fechamento deste post, um certa certa sub muito bem conhecida pela otakada ainda não pirateou os novos episódios. O que é ruim para quem (ainda) depende disso e bom para o novo mercado de animes. Quem assistiu em primeira mão via Crunchyroll só teve a ganhar. Os serviços oficiais estão aí (com preços irrisórios que até uma criança paga brincando) pra quem ainda está na "idade da pedra". Fica a dica amiga deste blogueiro e compare o custo-benefício. Depois não diga que eu não avisei, otakada.

sexta-feira, 11 de março de 2016

Revisitando os Ultra filmes no Brasil #2 - Ultraman Gaia: A Batalha no Hiperespaço (1999)

Gaia em sua primeira aventura no cinema

Este pode ser tido como o filme mais infantil da Família Ultra a vir ao Brasil. Mas Ultraman Tiga, Ultraman Dyna & Ultraman Gaia: A Batalha no Hiperespaço pode ser encarado como um típico título de Sessão da Tarde. Não precisa o espectador saber tudo sobre a série Ultraman Gaia (1998~99) e muito menos de Ultraman para assistir. É simples e um tanto curioso para os padrões da franquia dos heróis gigantes.

+ Mordomo de Preto é uma digna adrenalina a ser prestigiada nos cinemas brasileiros

+ Revisitando os Ultra filmes no Brasil #1 - Ultraman Tiga & Ultraman Dyna: Os Guerreiros da Estrela da Luz

A história começa quando Gamu Takayama - o alter-ego do herói - enfrenta seu próprio sósia, que revela ser o monstro Satanbizor. No momento ápice da batalha, a cena é interrompida e logo somos apresentados a uma realidade parecida com a nossa (de telespectador). O protagonista do filme é Tsutomu Shinsei, um pequeno estudante de dez anos que é fã dos Ultras, especialmente do Gaia (o então herói vigente, é claro). Um dia Tsutomu encontra uma esfera vermelha que lhe concede qualquer desejo. O garoto confia esse segredo para seu melhor amigo Yu Hirama e a novata Lisa Nanase.

A situação fica complicada quando a esfera é roubada por uns bad boys da escola e invocam o monstro Satanbizor para o "mundo real". Nesse momento Tsutomu se vê em desvantagem e faz o seu pedido: de conhecer Gamu Takayama, o Ultraman Gaia da série homônima da TV. Após salvar a cidade, uma série de anomalias e fenômenos paranormais ocorrem em volta das pessoas do convívio de Tsutomu, incluindo até mesmo o seu admirado herói.


Ultraman Gaia se passa em um multiverso diferente dos Showa Ultramen e de Tiga/Dyna. A concepção de multiverso se tornou uma característica de Ultraman anos depois com a série Ultraseven X (previsto para estrear no Brasil em 1 de abril pela Netflix) e do filme Ultraman Zero: A Vingança de Belial (disponível em home-vídeo e streaming). O filme é uma ideia do que talvez a Tsuburaya já planejava para as próximas produções. Gaia pode ser uma grande referência disso por ter o mesmo desejo de Guliver em querer viajar por diferentes mundos. Ponto mencionado no filme, inclusive. 

A Batalha no Hiperespaço procura unir a ficção com a realidade através de um simples desejo de uma criança em querer conhecer um herói da TV. Algo parecido vimos no tokusatsu nipo americano Big Bad Beetleborgs (versão americana de Juukou B-Fighter). Enfim, o filme diverte com situações cômicas. Consequências como uma enxurrada de crianças correr atrás de Gamu pedindo para que ele se transforme em Ultraman e coisas do tipo. Como todo filme escolar com criança, sempre tem um ou mais valentões que tocam o terror. O mesmo acontece aqui com o trio que invoca os monstros e que, sem perceber, acabam sendo dominados pelo poder das trevas. Não por isso, a esfera revela com o passar do tempo que é mais perigosa do que se pode imaginar e seu uso pode custar caro para a existência da humanidade.



Há pouca participação dos membros da XIG, e por incrível que pareça, acaba tendo uma significatividade para a motivação de Gamu na trama. Cenas de destruição são bem intensas, do jeito como deve ser sempre nos tokusatsus (com kaijus e muita maquete). A luta final de Gaia contra King of Mons é de deixar qualquer inveterado roendo unhas. Mas isso causou um problema de continuidade no filme. É que o Color Timer de Gaia pisca por mais de três minutos. A impressão que fica é que o tempo foi estendido no "melhor" estilo Akira Toriyama de contar histórias. A aparição de Ultraman Tiga e Ultraman Dyna ficou no fanservice, como era de se esperar. Foi legal vê-los em ação mais uma vez, ajudando o então novo herói da TV japonesa, mas não teve consistência alguma. Em outras palavras, foi mais um desejo de criança em momento crítico.

Apesar da boa intenção da Tsuburaya, o público não se agradou do tratamento de Tiga e Dyna no filme. Isso não tira de maneira nenhuma o mérito do enredo, que como falei acima, diverte. Além do mais, arrisco em dizer que pode ser visto como um filme para a família, especialmente ao remeter a referência ao lendário herói do passado que veio da Nebulosa M-78 para algum pai de família da velha guarda. Particularmente, apesar de não ser um dos melhores, A Batalha no Hiperespaço é um dos meus filmes favoritos do Ultraman.

Estreou nos cinemas japoneses em 6 de março de 1999. Mesmo se situando entre os episódios 26 e 27 da série de TV, o monstro Satanbizor aparece só depois do filme, mais precisamente no episódio 42.


Ultraman Tiga, Ultraman Dyna & Ultraman Gaia: A Batalha no Hiperespaço foi lançado em DVD nos EUA em maio de 2002. Os fãs brasileiros receberam o título em DVD pela Focus Filmes em 2011, através de um pacote de lançamento de outros filmes da Família Ultra. Foi o segundo filme de Ultraman a ser dublado pelo estúdio Dubrasil, do proprietário Hermes "Ultraman Dyna" Baroli.

Seu alter-ego não aparece no filme, mas trabalhou na direção de dublagem e interpretou o caça XIG Fighter e um policial abobalhado. Gamu/Ultraman Gaia foi interpretado por Fábio Lucindo, um velho conhecido do mundo dos animes como Ash Ketchium em Pokémon, Kuririn em Dragon Ball Z, Nagate em Knights of Sidonia, entre outros. Fábio voltaria a dublar o seu então novo herói de tokusatsu no filme Superior Ultraman 8 Brothers (que falarei em breve), assim como os respectivos dubladores de Ultraman.

Desde 15 de dezembro de 2014 o filme pode ser visto em streaming pela Netflix. Ainda sobre Ultraman Gaia, uma boa notícia para os fãs de tokusatsu no Brasil. É que a série de TV estreou em fevereiro no catálogo da Crunchyroll, inicialmente nas versões americana e britânica do serviço. A América Latina está na lista da Tsuburaya e a qualquer momento deste semestre a série vai pintar aqui no Brasil, junto com Ultraman Nexus. Enquanto a série de Gaia não chega em português, pode ser assistida aqui nas versões já mencionadas da Crunchy (confira as opções de idiomas no painel inferior do site). Não deixe de conferir os novos títulos de tokusatsu através dos serviços oficiais.

segunda-feira, 7 de março de 2016

Frost é um guerreiro apelão e pode mudar o rumo de Dragon Ball Super

A contraparte de Freeza do Sexto Universo

O clima começa a esquentar em Dragon Ball Super com as ações de Frost. Mais conhecido como o "Freeza do Sexto Universo", ele conseguiu enganar a todos com o seu ar heroico de moço bom. Por si só mostra que é um adversário à altura de sua contraparte do Sétimo Universo, que foi morto duas vezes por Goku.

O Saiyajin perdeu de forma tosca que o deixou adormecido por uns instantes. Piccolo seria a próxima vítima, mas visivelmente lutou com mais vigor do que Goku. Em parte, a determinação do Namekuseijin se justifica pelo desejo em derrotar o oponente do outro time. Mas nem Goku nem Piccolo perceberam que Frost escondia uma carta na manga. Uma agulha sonífera em seu próprio corpo. O que é uma trapaça para as regras do torneio.

Frost é o inimigo que Dragon Ball Super precisava, por mais trapaceiro que seja, e sua atuação no episódio deste domingo (6) foi oito mil vezes melhor do que os remakes dos dois últimos filmes de Dragon Ball Z. Agora com a vitória de Piccolo renunciada, quem vai enfrentar Frost será Vegeta. Quem acompanha DB há longa data sabe que Vegeta não é de sossegar fácil quando se trata de uma boa luta e por si já deixa uma grande expectativa para o espectador. E não duvido se surgir uma brecha para Frost estragar o torneio e querer dominar os dois universos. Isso deverá ser bem divertido se assim acontecer.

Mordomo de Preto é uma digna adrenalina a ser prestigiada nos cinemas brasileiros

Mordomo de Preto está em cartaz no cinemas

A Sato Company está voltando a apostar no ramo de séries e filmes japoneses no mercado brasileiro. E uma dessas "fichas" que está sendo lançada atualmente é o filme Black Butler - O Mordomo de Preto (Kuroshitsuji em japonês; Black Butler na romanização oficial em inglês), que esteve em cartaz em março deste ano nos cinemas do Rio de Janeiro e passou por algumas mostras de cinema e arte. A partir do dia 23 de junho, o filme estreia nas cidades de Fortaleza, Recife e Salvador, como parte do Projeto Cinema de Arte, pela Rede Cinépolis. Outras capitais como João Pessoa e Natal devem receber o filme a partir do dia 30 do mesmo mês.

Baseado na série de mangá/anime da autora Yana Toboso, a produção conta com o cenário japonês do ano 2020 (originalmente se passa na Inglaterra, século XIX) e gira em torno de Genpô Shiori, também conhecida como a aristocrata Genpô Kiyoharu (Ayame Goriki), que teve seus pais assassinados e passou a assumir identidade masculina para liderar o posto da família. Afim de vingar a morte de seus país, Kiyoharu contrata o demônio Sebastian Michealis (Hiro Mizushima), que atua como seu mordomo fiel, em troca de sua alma.

O filme carrega elementos urbanos, empresariais e aborda o tema sobre máfia/terrorismo de forma apropriada. Kiyoharu e Sebastian são convocados para trabalhar numa investigação sobre uma organização criminosa que inicialmente vitima seus alvos com mumificação e passa a trabalhar com a fabricação de uma droga letal capaz de ameaçar a existência da humanidade. Tal caso pode ter alguma ligação com interesses pessoais no passado da família Genpô.

Mesmo para quem não é aficionado pela cultura pop japonesa, O Mordomo de Preto atrai atenção pelas suas sequencias de ação e uma elaborada linha investigativa que leva a várias pistas e surpreendentes revelações. Uma falha a ser apontada seria inclusão de diálogos em meio à plena linha de fogo. Mas esse detalhe é o menos importante e não chega a atrapalhar o desenrolar. Aliás, tais diálogos são imprescindíveis para acrescentar o teor do enredo. Com adrenalina e drama bem equilibrados, o longa passa rápido e deixa um gostinho de "quero mais".

Produzido pela Warner Bros., Mordomo de Preto estreou nos cinemas do Japão em 18 de janeiro de 2014 e contou com o excelente trabalho dos diretores Kentarô Ôtani e Keiichi Sato (este último trabalho em Os Cavaleiros do Zodíaco: A Lenda do Santuário). O astro principal é Hiro Mizushima, mais conhecido no universo tokusatsu como o Kamen Rider Kabuto da série homônima da Toei Company de 2006. Ele perdeu 5kg para interpretar o mordomo demoníaco. A produção marcou o seu retorno na mídia após 4 anos (devido à um desentendimento com a agência que o representava). Nesse tempo, Mizushima passou a dedicar sua carreira escrevendo para peças e roteiros. Vale reparar na interpretação de Mizushima  que deu um tom mais sarcástico e sombrio do que o famoso "Minha vó dizia que...".

A atriz Ayame Goriki também brilhou no meio tokusatsu na adaptação cinematográfica de Gatchaman, em 2013. Além da atriz Yuku, que surpreende no papel de tia de Shiori. Outro destaque vai para o ator Masatô Ibu (como Kuzo Shinpei) que já trabalhou em filmes de tokusatsu como Sukeban Deka, Godzilla vs. Megaguirus, Godzilla Final Wars, Tetsujin 28-gô e em alguns animes importantes como Patrulha Estrelar (1973) e The Ultraman (1979). Curiosamente o ator Ken Kaitô aparece diversas vezes em flashbacks e está no elenco principal da série Atelier (o primeiro J-drama original da Netflix).

Infelizmente, pelo menos para os mais insistentes, Mordomo de Preto não possui dublagem brasileira. O próprio licenciador Nelson Sato, em entrevista exclusiva ao portal Jbox, explica que teve problemas com este tipo de custeio (que é caro sim) e que tinha o desejo de inserir o áudio em português. Há de ser considerado o provável fator crise do qual o Brasil ainda enfrenta. Independente disso, não é desculpa de não prestigiar a produção que está e exibição oficial. Mordomo de Preto vale cada centavo. Quem sabe mais filmes japoneses possam ser evidenciados com o tempo. E é isso mesmo que a Sato Company pretende com um novo filão que inclui títulos como Garo, por exemplo. Se depender da boa vontade do público, claro.

sexta-feira, 4 de março de 2016

Revisitando os Ultra filmes no Brasil #1 - Tiga & Dyna: Os Guerreiros da Estrela da Luz (1998)

Dyna em sua primeira aparição no cinema

A partir de hoje, semanalmente às sextas-feiras deste semestre, apresentarei no blog esta seção especial. Postarei aqui resenhas sobre os filmes da Família Ultra lançados no Brasil em home-vídeo pela Focus Filmes e que muitos desses podem ser encontrados facilmente em streaming via Netflix. Nada melhor do que comemorar o aniversário de 50 anos do Ultraman comentando e divulgando esta maravilhosa franquia que vem me encantando há um certo tempo.

Começo falando sobre Ultraman Tiga & Ultraman Dyna: Os Guerreiros da Estrela da Luz. O filme estreou nos cinemas do Japão em 14 de março de 1998, durante a exibição da série Ultraman Dyna na emissora japonesa TBS (a mesma que exibiu várias outras séries da franquia até meados dos anos 2000). Nos anos 90 a Tsuburaya lançou outros filmes de Ultra como Ultra Q The Movie: Legends of Stars (1990), Ultraman Zearth, Revive! Ultraman (ambos de 1996) e Ultraman Zearth 2: Superman Big Battle - Light and Shadow (1997). Mas este filme de Tiga & Dyna ajudou a vitalizar a franquia Ultra nos cinemas, assim como na TV.


O herói Asuka e sua parceira Mai

A história se passa entre os episódios 26 e 27. O filme começa quando a Super GUTS luta contra o monstro Geranda na Lua. Para ajudar a equipe (como sempre), aparece Ultraman Dyna que tem seus poderes resistidos pela criatura. Quando parecia não haver solução, Dyna é salvo por um navio de guerra espacial que desferiu um terrível feixe de luz contra Geranda. Ao voltar para a Terra, a Super GUTS se reúne na base secreta da ilha Coreomoes (que pode ser vista na série Ultraman Tiga) e descobre que o tal navio foi construído pela TPC. Batizado como Prometheus, a nave projetada pela Dra. Kisaragi possui uma devastador canhão chamado Neo-Maxima - que nem mesmo o Ultraman pode deter tamanha força. Seu potencial supera também os humanos, uma vez que sua força é gerada por ondas cerebrais. Apesar de sua arrogância, Shin Askua (o alter-ego de Dyna) teme o poder de Prometheus. Mas decide manter sua determinação de combate em defesa da Terra, uma vez que foi escolhido pela luz. 

No decorrer do filme, Geranda reaparece e luta contra Dyna. É nesse momento que Prometheus é tomado pelos Alien Monera que revelam possuir a mente de Kisaragi e transformam a nave no robô Deathfacer, aumentando o poder de prever os ataques do Ultraman. Derrotado pelos Monerianos, Asuka não tem outra escolha se não tentar descobrir como Tiga, o antigo gigante de luz, venceu a batalha final contra os monstros. Para isso, a Capitã Megumi Iruma reaparece e entra em ação contra o novo invasor.


Deathfacer, a terrível arma letal

Apesar do filme ter um pouco mais de uma hora, Tiga & Dyna: Os Guerreiros da Estrela da Luz é um filme divertido. Não precisa acompanhar a série para assistir. É mais um filme de tokusatsu que não faz ligação direta com a exibição regular na TV, apesar de ser canônico. O filme tem momentos de tensão que exigem maior reflexão do herói como defensor da humanidade. Ao invés de ter a serenidade de Daigo Madoka - o hospedeiro de Tiga, Askua é temperamental e explosivo. Porém possui um senso de justiça elevado.

Metade do filme parece ser um episódio estendido de Dyna que apela (propositalmente) para uma sequencia de Tiga. O título chama atenção pela volta de um dos maiores e melhores heróis da história do tokusatsu. Durante o filme, há breves referências da luz de Ultra que ajudou na luta contra o mal no passado (Detalhe: os eventos de Ultraman Dyna começam cerca de dez anos após o final de Ultraman Tiga). A humanidade mais uma vez precisa ajudar a si mesma para que os Monerianos sejam dizimados.

Tiga aparece de uma forma triunfal. Melhor talvez impossível (a considerar as expectativas da época). Porém a luz revive apenas a figura do gigante de Tiga no momento de súplica. Infelizmente o ator Hiroshi Nagano não aparece para voltar a interpretar o alter ego de Tiga. Mas o restante do elenco fixo da série retorna num momento oportuno e especial, o que é simples e marcante para os mais nostálgicos. Tiga & Dyna: Os Guerreiros da Estrela da Luz serviu não apenas como um mero crossover, mas também para acrescentar a mitologia daquele determinado multiverso futurístico distante dos Showa Ultramen (do original ao 80 [Eighty]).


A atriz Aya Sugimoto como Dra. Kisaragi e Rainha Beryl (de Sailor Moon)

A título de curiosidade, Hiroshi Tsuburaya, o falecido neto de Eiji Tsuburaya (o pai dos Ultras) e famoso por interpretar o Policial do Espaço Shaider (de 1984), aparece como o Staff Seiji Miyata. Um personagem secundário da série de TV que atua na alta cúpula da TPC. Tsuburaya aparece em toda a trilogia dos Heisei Ultramen (Tiga/Dyna/Gaia). Ainda sobre isso, tanto neste filme como na série Ultraman Dyna podemos ver o ator Joe Onodera - filho do saudoso mangaká Shotarô Ishinomori - como o oficial Tsutomu Nakajima. Onodera é um rosto conhecido de algumas séries clássicas da Toei exibidas no Brasil como Kamen Rider Black RX, por exemplo.

Outro destaque vai para a atriz e cantora Aya Sugimoto como Dra. Kisaragi. Ela é conhecida no mundo dos animes e dos tokusatsus nas versões live-action de Sailor Moon e Jigoku Shojo, respectivamente como Rainha Beryl e Hone Onna. Também trabalhou em Ultraman Cosmos 2: The Blue Planet e Kamen Rider W Forever: A to Z/The Gaia Memories of Fate. E Hironobu Kageyama (conhecido por cantar temas de abertura de Changeman e Dragon Ball) interpreta o tema principal do filme, "SHININ' ON LOVE". Kageyama também canta o segundo tema de encerramento da série de Dyna, "Ultra High", ainda como integrante da banda Lazy.


Em agosto de 2011, Ultraman Tiga & Ultraman Dyna: Os Guerreiros da Estrela da Luz foi lançado no Brasil em DVD pela Focus Filmes, junto com o filme Ultraman Tiga & Ultraman Dyna & Ultraman Gaia: A Batalha no Hiperespaço (de 1999). Ambos os filmes foram lançados num pacote que trazia sete filmes (sendo cinco inéditos e mais dois relançamentos) de Ultraman durante o segundo semestre daquele ano. A dublagem ficou a cargo do competentíssimo estúdio Dubrasil, de Hermes "Seiya de Pégaso" Baroli, que é conhecida por unir elencos de dubladores de Rio e São Paulo. É preciso que se diga que Hermes originalmente estava escalado para fazer o papel de Asuka quando a Mundial Films planejava exibir a série televisiva de Dyna no Brasil. Na época ele passou uma temporada de três anos dublando no RJ. Aliás, não somente ele, mas a maioria dos dubladores dos demais membros da Super GUTS fariam os respectivos personagens na série (caso a dublagem fosse investida como era pra ser). Márcio Seixas, por exemplo, emprestaria sua voz para o Comandante Hibiki. Vale lembrar que o mesmo elenco de dublagem de Ultraman Dyna trabalhou anteriormente no filme Ultraman Tiga: A Odisseia Final, lançado por aqui em 2006 pela Impact Records.

O elenco original de dublagem de Ultraman Tiga também foi mantida. Porém, Luciana Baroli, que é relativamente nova na dublagem, interpretou Mai Midorikawa. Este é o seu segundo trabalho em tokusatsu. Seu primeiro papel foi da sacerdotisa Umi Sayonji em Ryukendo. Atualmente sua voz pode ser ouvida em Power Rangers Dino Charge como a vilão Poisandra. Além de outros trabalhos como no filme CG do Capitão Harlock, entre outros. Outro nome em destaque fica para Marli Bortoleto (a primeira eterna voz de Sailor Moon) como Kisaragi. Interessante é que apesar de Daigo não aparecer no filme, Eduardo Borgerth teve seu nome nos créditos de dublagem. Merecida homenagem. 

Ultraman Tiga & Ultraman Dyna: Os Guerreiros da Estrela da Luz pode ser assistido pelos assinantes da Netflix, onde está disponível desde 15 de dezembro de 2014. Um dos títulos oficiais de tokusatsu no Brasil nos últimos tempos (especialmente pra quem acha que não há opção do estilo no Brasil).

quinta-feira, 3 de março de 2016

Zyuohger vai salvar o Super Sentai da crise de infantilidade?

O quinteto da atual "temporada" dos Super Sentais

Há alguns dias falei por aqui que Zyuohger tem uma difícil tarefa de não deixar a peteca cair, como foi o caso dos dois Super Sentais anteriores - ToQger e Ninninger. Como a gente sabe, o último citado foi um fracasso de audiência e também em vendas de brinquedos no Japão.

A série está em seu terceiro episódio e aos poucos vem me surpreendendo. Torço pra que não caia no mesmo patamar de outros Sentais recentes que começaram bem, tiveram uma infantilizada bruta e voltaram a melhorar na reta final. Um exemplo a citar foi Goseiger. Não fiquei tão animado no primeiro episódio de Zyuohger (não que tenha me decepcionado), mas a partir do segundo a história e os personagens me contagiaram.

Sendo mais específico, Yamato Kazakiri (Zyuoh Eagle) se mostra um bom líder e sério. Não via um Red desse nível desde Go-Busters e fez muita falta nos últimos três anos. Kazakiri pelo visto está bem longe de ser um gasguitão como Takaharu/AkaNinger de Ninninger. Antes tarde do que nunca, a Toei acertou a mão desta vez. Gostei muito mesmo do Tusk (Zyuoh Elephant) pelo seu jeitão de rival. Aliás, gosto de personagens assim, pois dão um certo movimento às tramas e ficam mais evidenciados. Ás vezes ajudam na trama, ás vezes não. Com ele deu pra sentir uma diferença bacana. Lembra um pouco o Hikari/ToQ 4-gô de ToQger (que foi um dos poucos personagens legais daquela série). Leo (Zyuoh Lion) parece ter um humor mais equilibrado. Mas fiquei mais encantado pela graciosidade das garotas Sela (Shark) e Amu (Tiger). Sobre os Deathgalien, estão num bom nível de vilania e podem surprender com o tempo. É bom prestar atenção neles pois podem garantir ótimos trunfos e surpresas na história.

Zyuohger está mandando bem e qualquer infantilidade excessiva pode estragar a qualidade do programa. São feitas pro público infantil? Sim? Tem algumas gracinhas pra agradar as crianças? Tem. Mas eu espero que Zyuohger amadureça com o passar dos episódios e consiga manter o nível. Ou melhor, que eleve. Se vai realmente vingar ou se vai ser um sucesso de produtos, depende muito do empenho da Toei Company e do roteirista principal Junko Kômura pra manter um roteiro digno de um comemorativo de 40 anos da franquia. E vou torcer pra que Zyuohger consiga superar os problemas que marcaram os Super Sentais nos últimos anos. É o tipo da coisa: Que Super Sentai seja infantil, mas que não caia na retardação. É assim que Zyuohger deve ser.

quarta-feira, 2 de março de 2016

Tokusatsu no Brasil: é hora de juntos ajudarmos o novo mercado nacional dos heróis japoneses

Ultraman Mebius e Ultraman 80 (Eighty), dois dos heróis títulos no Brasil via streaming

No ano passado eu escrevi vários posts aqui no blog sobre as séries de tokusatsu que estão chegando via streaming no Brasil. É bem verdade que o mercado é promissor e só tende a ser mais evidenciado futuramente para vários nichos. Desde os mais ávidos por cinema, séries americanas, até os animes. Não dá mais pra fugir da nova mídia digital que é uma realidade e sucesso no atual mercado mundial. Pra quem não sabe ainda, no Brasil uma nova leva de séries de tokusatsu já está sendo preparada para invadir os serviços de TV por internet e alguns títulos já começaram a ser veiculados. 

A Sato Company é a licenciadora local que está investindo em séries clássicas como National Kid, Jaspion, Changeman, Flashman, Jiraiya, Jiban, além da série inédita Garo (de 2005) para estrear em breve no catálogo da Netflix. Antes dessa turma chegar, a Família Ultra já está há algum tempo por aqui com títulos inéditos na TV Brasileira através de séries na Crunchyroll e mais sete filmes que estão no ar na Netflix. Sem contar com outras mídias como o mangá ULTRAMAN que está sendo publicado pela Editora JBC. Ampliando as opções do leque, podemos encontrar tokusatsus nipo-americanas como a franquia Power Rangers e seus spin-offs.

Com tantos títulos bombando agora e chegando por aqui no futuro não dá mais pra ficar sonorizar o negativista "ah, não temos mais tokusatsu no Brasil" ou o pessimista "tokusatsu jamais irá voltar ao Brasil". A realidade de hoje não é mais a mesma de dez anos atrás. Os tempos mudaram. Tanto as empresas locais quanto os grandes estúdios que produzem as séries e filmes do estilo investem para que tal título dê retorno financeiro. Afinal de contas, a nossa audiência pode dar uma resposta: se os fãs de tokusatsu realmente consumem as séries via streaming e se são presentes/cadeiras cativas. Esse termômetro pode indicar a chegada de mais séries do gênero que pode atravessar o nosso nicho e atingir novos públicos. Por que não? Se a gente pensar por um outro ângulo, é até uma forma de gratidão às produtoras que sempre que trabalharam para nos dar entretenimento.

Assim como em países como EUA, o Brasil deve seguir o mesmo exemplo das fansubs estrangeiras: de excluir os links de títulos com direitos ativos em suas respectivas regiões. Só assim, o foco da audiência poderá ser ampliado e não haveria paradoxo de escolha. Nem vale mais a desculpa de "posso baixar" e "assistir no YouTube" pois isso deixa qualquer empresa no vermelho e isso não é bom nem pra elas que produzem e nem pra nós fãs que assistimos (e sempre pedimos pra ter tokusatsu oficial no Brasil).

Estamos num momento único que jamais imaginamos igual nos tempos do tokusatsu na TV brasileira nem mesmo na década passada com o advento da internet. Isso pode ser um ponto de partida para um boom do tokusatsu no Brasil. Independente de qual seja o resultado, temos que fazer a nossa parte. Nos unirmos, sermos otimistas, fieis e acreditar no potencial do sucesso do tokusatsu. E essa lição aprendemos com os nosso lendários heróis e temos que pôr em prática desde já. Por mais simples que seja. Se depender da união de todos os tokufãs brasileiros, podemos fazer a diferença, ajudar o mercado das séries japonesas que tanto amamos e ganharmos um novo filão de séries inéditas. Quem sabe um dia pode pintar um tokusatsu com o selo "Original Netflix" ou algo parecido, né? Só e somente assim vamos alcançar um antigo sonho de todos nós: o reconhecimento do tokusatsu na mídia brasileira. Quem desiste não faz história.

Fica o convite para toda a comunidade tokunet brasileira fazer a diferença e ajudar o tokusatsu a crescer no Brasil assistindo os tokusatsus licenciados através dos streamings oficiais. Vamos juntos explodir a chama dos heróis japoneses e mostrar que o tokusatsu tem potencial sim.

Ultraman Ginga estreia na Crunchyroll; mas Brasil fica de fora da lista


Uma notícia boa e outra ruim sobre a Família Ultra na Crunchyroll. A boa é que as séries Ultraman Ginga e Ultraman Ginga S foram adicionadas às cinco da noite desta terça (1) pelo horário do pacífico americano, no serviço oficial das séries japonesas em streaming.

A notícia ruim é que Tsuburaya, infelizmente, não liberou as duas séries para a Ásia e principalmente para a América Latina. Ou seja, o Brasil fica de fora da lista de países que recebem estas duas séries de forma oficial/legalizada e fica impossível de acessar os episódios, mesmo que seja pela versão americana e britânica do serviço (por limitação de região). O que é uma pena, pois Ginga e Ginga S era uma das séries mais esperadas para serem lançadas através deste formato. Uma bola fora da distribuidora (e não da Crunchy que sempre transpareceu interesse de expandir este tipo de mercado).

Ginga e Ginga S foram exibidas respectivamente em 2013 e 2014, ambas como parte do programa Shin Ultraman Retsuden, da TV Tokyo. O protagonista é o jovem Hikaru Raidou que retorna para sua cidade natal e descobre uma série de ataques de monstros. Hikaru recebe o poder do Ultraman Ginga para defender a Terra das mãos das criaturas. O clímax aumenta em Ginga S com a chegada do herói Ultraman Victory. A equipe anti-monstros das duas séries é a UPG (Ultra Party Guardians). O enredo introduziu os elementos Spark Dolls, que mais tarde foram utilizadas na série Ultraman X (disponível na versão brasileira da Crunchyroll).

Ultraman Ginga e Ultraman Ginga S renderam três filmes no cinema japonês entre 2013 e 2015 e tais títulos também permanecem inéditos no Brasil até o momento, como é o caso das duas séries de TV. Uma pena.

terça-feira, 1 de março de 2016

Goku teve sua luta humilhante em Dragon Ball Super

Goku perdeu vergonhosamente para o Freeza alternativo

O que aconteceu com o Goku no episódio deste fim de semana em Dragon Ball Super? Desde o começo da primeira luta do torneio de artes marciais ele estava estranho. O saiyajin parecia não ter muita força pra lutar. Deu pra notar logo em sua primeira luta, com o urso Botamo (que parece mais uma versão bruta do Pooh). Não lutou o suficiente e usou apenas movimento corporais pra jogar o bichão para fora do ringue. Nos primeiros instantes da luta, Goku tinha dito que havia comido muito churrasco. Tudo bem, é uma pitadinha de humor do Akira Toriyama e dá pra levar de boa.

Goku teve que enfrentar Frost, que ficou conhecido por ele e seus amigos como "Freeza do Sexto Universo". Apesar da aparência e da voz ser a mesma (do seiyu Ryusei Nakao), Frost é totalmente oposto de sua contraparte do Sétimo Universo. Apesar de que tem duas transformações finais. A primeira com uma forma bem jurássica (que foi bem engraçado) e outra mais próxima da versão clássica que vimos em Dragon Ball Z. Fora isso, Frost é um herói que já salvou pessoas de seu mundo e já interviu em guerras.

Só que o mais esquisito foi na hora da luta. Goku hesitou em lutar por seu oponente ser uma pessoa valorosa e perdeu para Frost de uma maneira ridícula.Tudo bem perder uma vez ou outra. Mas hesitar? Jamais, e isso não é o jeito do Goku. Goku é um Saiyajin que derrotou inimigos poderosos como o androide Cell, o demonio Majin Boo e o próprio Freeza com muito esforço e persistência. O que aconteceu neste episódio com o herói que conhecemos? Não dá pra entender e isso não fica bem para um guerreiro de força descomunal como ele.

Só resta agora ver como Piccolo irá se sair contra Frost.

Flashman nascia há 30 anos de uma marca da mais famosa guerra da história da humanidade

O Comando Estrelar Flashman

Dentre as séries japonesas de tokusatsu exibidas no Brasil, uma das que tenho profundo carinho é o Comando Estrelar Flashman (Choshinsei Flashman no original). O clássico exibido pela saudosíssima Rede Manchete me prendia atenção quando era pequenino e até hoje, quando revejo, fico arrepiado com toda a dramaticidade da série. Isso pode ser uma característica comum entre os programas japoneses da época, mas Flashman tem algo especial, ímpar e carrega toda uma construção significativa.

A concepção da obra veio graças ao produtor Takeyuki Suzuki. Foi no início da primavera de 1985 quando ele começou a idealizar a série que substituiria Changeman (que estava no ar apenas dois meses na programação da TV Asahi). O que é normal esse planejamento nesse época do ano para a Toei Company. Junto com o roteirista Hirohisa Sôda, Suzuki decidiu que o contexto do próximo esquadrão seria sobre os órfãos japoneses abandonados na China no fim da Segunda Guerra Mundial, e que buscavam conquistar novamente a sua pátria nos anos 80. Assunto que ainda era muito discutido na mídia local. Os tais órfãos sofreram diferenças culturais ao voltar ao Japão décadas depois.

Foi daí que Suzuki resolveu usar isso de forma simples e limitada para os padrões de um programa voltado ao público infantil, afim de ensinar aquela geração - que vivia em tempos de paz - sobre o sofrimento da guerra de seus compatriotas. Os órfãos foram representados por cinco crianças terrestres que foram raptadas por caçadores espaciais e que voltariam duas décadas depois para vingar e procurar suas respectivas famílias. Durante esse período os jovens foram treinados com poderes e habilidades especiais.


As belas Yoko Nakarura (Sara) e Sayoko Hagiwara (Néfer) nos bastidores

Entre o elenco principal, apenas Kihachirô Uemura (Dan/Green Flash) foi escolhido numa audition. Tôta Tarumi (Jin/Red Flash), Yasuhiro Ishiwata (Gô/Blue Flash), Yoko Nakamura (Sara/Yellow Flash) e Mayumi Yoshida (Lu/Pink Flash), foram escolhidos já que eles haviam participado em outras produções da Toei. Segundo Tarumi, ele foi chamado para uma seleção de elenco - que jamais aconteceu. Encontrando os demais colegas, ali já havia sido definido o casting e até suas respectivas cores. Nenhum deles fazia ideia do que aquilo se tratava. Nem eles imaginavam que seria mais um Super Sentai. As primeiras cenas gravadas no estúdio de Oizumi foram da transformação. Aquelas onde o Visor Combate (Shut Goggle no original) de cada herói é fechada. Sem contar as cenas em chroma key. Esses materiais foram rodados praticamente após a "seleção" dos atores.

Nos bastidores, o talentoso ator Yutaka Hirose pensava que seria o líder do grupo. Mas foi escolhido para interpretar o vilão Wandar. A partir daí Hirose viveria outros vilões marcantes nas séries Super Sentai. Mais curioso ainda é como Koji Shimizu deu a vida ao inesquecível Dr. Keflen. Recebendo o convite da Toei por telefone, o ator ficou receoso por ser mais um vilão cômico (já que trabalha com papéis dramáticos). Mas seu filho, que é fã dos esquadrões multi coloridos, o incentivou a participar. Sabe aquela frase em que Keflen grita no último episódio "Adeus, Flashman! Adeus, planeta Terra!"? Então, foi uma alteração de script feita pelo próprio Shimizu, que se entregou ao personagem ao longo das gravações. Koji Nakata também ficou com um pé atrás no começo. A atriz Atsuko Takahata (a Kilza em Jaspion) ajudou a convencê-lo de ficar com o papel de Kaura, o Caçador das Trevas. Nakata trabalhou junto com Hirose na série Liveman como o vilão Bias. Já Yoshinori Okamoto apareceu na reta final, devido a um acidente que sofreu após o fim das gravação de Changeman, onde interpretou o Pirata Espacial Buba. Okamoto foi Galdan, o parceiro de Kaura. Bem, Sayoko Hagiwara, a Néfer, não teve problemas, pois conhecia o gênero Super Sentai através da série Dynaman, onde viveu a Dyna Pink, sem contar que antes foi a heroína Yullian em Ultraman 80 (disponível no Brasil pelo serviço Crunchyroll).

Os nomes dos vilões nada mais são que inspirações de Hirohisa Sôda, devido à férias no Egito, por onde passou em 1983. Keflen (ou Kôplen, segundo o livro Flashman - Manual Perfect) era uma referência ao faraó Kéfren, irmão menor de Kéops e autor da construção da segunda maior pirâmide do Egito. Néfer era Neferkare, um nome importante reis do antigo Egito do "período negro" nas margens do rio Nilo. Ao contrário do que muitos podem pensar, La Deus não foi inspirado no Criador, mas sim uma escolha da produção. Wandar (Wanda no original) e Kaura não tem nenhum significado, porém foram seus nomes tem influência egípcia. Bem como os monstros da semana.


A épica luta entre Kaura e Red Flash foi o ponto alto de Flashman

Voltando sobre o conceito dos heróis, os atores faziam suas apostas para saber quem seria o filho do casal Tokimura. A dupla Suzuki/Soda tinham uma carta na manga para os personagens. Ou melhor, uma dose letal de sofrimento. O efeito anti-Flash que sofreram por passarem muito tempo fora da Terra. Esse efeito nada mais representava que a rejeição e o preconceito que aqueles órfãos japoneses da guerra sofreram no passado, por voltaram para a terra natal. Os escritores foram contra a ideia por ser cruel demais, mas Suzuki insistiu até o fim. Em vez de cair (como se pensava nos bastidores), a audiência aumentou. Isso só reforçou a conquista de audiência desde o começo da segunda metade do programa - que superou os índices de Changeman. Aliás, o Esquadrão Relâmpago é o sétimo sentai mais visto, enquanto Flashman é o sexto. Falando em Changeman, a série só conseguiu a marca de 55 episódios (cinco a mais que o planejado) devido ao atraso de produção de Flashman. Inicialmente estava programado para estrear em 1 de fevereiro de 1986, mas só foi lançado em 1 de março. Na faixa das seis da tarde de sábado da TV Asahi.

Foi a partir de Flashman que aquele padrão de esquadrão carismático foi quebrado. Não que eles não tivessem. Pelo contrário, eles tinham e com um toque diferente que cativava a quem acompanhava a saga dos guerreiros. O tom de seriedade levou a outros sentais como Maskman, Liveman e outros a seguir o mesmo caminho. Flashman gerou uma das batalhas mais emocionantes do tokusatsu. A famosa luta de Red Flash contra Kaura em meio a um belíssimo pôr do sol. Por si só superou outra luta memorável, o duelo final entre Dragon e Buba em Changeman. Lutas como essas jamais tivemos igual em Power Rangers (por motivos óbvios). Uma curiosidade sobre esse episódio é que após a épica batalha, originalmente o cenário volta ao tom cinzento da praia. A Toei corrigiu esse detalhe para um tom alaranjado. Mas condizente ao entardecer. O resultado pode ser visto no DVD oficial lançado pela Focus Filmes em 2011, e é uma boa pra quem gosta de analisar e comparar cenas.

Flashman é uma série a ser apreciada além do saudosismo. Mais que lembranças de um tempo dourado, os heróis devem ser reverenciados pela idealização que lhes deram origem. Uma grandiosa obra que não deve jamais ser vista como uma mera série infantil ou se resumir a mais um clássico. Flashman é muito mais do que isso e nem todos os elogios seriam suficiente pra descrever esta maravilhosa obra.