quarta-feira, 4 de outubro de 2017

Kamen Rider Black surgia há 30 anos como o novo começo da franquia da Toei

O homem mutante

Falar deste clássico apenas por passar na extinta TV Manchete - onde o sucesso foi consagrado no longínquo ano de 1991 - é muito pouco diante do grande trabalho que a Toei teve para criar, ou melhor, recriar todo o conceito da franquia dos motoqueiros mascarados. Kamen Rider Black foi um projeto ousado para os padrões, fugindo totalmente dos velhos clichês, narrativas caricatas, alívios cômicos e até de vilões exagerados que seus antecessores tinham.

Susumu Yoshikawa, produtor responsável por várias séries Metal Hero, esteve à frente da atração, sucedendo Toru Hirayama (falecido em 2013). O primeiro episódio foi praticamente um "remake" da série original de 1971. Como se fosse um novo começo para a mitologia Kamen Rider e reformulando tudo o que conhecíamos até então. Mas essa ideia ficou de lado durante a exibição dominical na TBS, fazendo como que Black seguisse a mesma cronologia, encerrada até então em 1984 com a exibição do especial de Kamen Rider ZX (leia Zêcross). Antes disso, havia o risco de desconsiderar todo o conceito dos Riders anteriores que a Toei desenvolveu em 13 anos.

O visual do Black era mais inovador ainda e lembrava algo como uma armadura insectóide. A ideia veio graças à PLEX, uma empresa subsidiária da Bandai que ajudou a desenvolver o traje do Rider de forma que não parecesse uma fantasia ou algo parecido. A Bandai era quem decidia sobre o material do herói, ao invés do próprio Shotarô Ishinomori. Isso apenas nos anos 80 e ao contrário do que acontecia antes. A cor do traje do então novo Kamen Rider se destacou pelo simples motivo: a cor preta estava em evidência naquela época. Isso foi justificado como "a cor que mais absorve a luz solar".

As mudanças não foram só essas aí, não. A equipe Japan Action Club (atual Japan Action Enterprise), que já atuava nas séries Super Sentai e Metal Hero, entrou para substituir a equipe de dublês Ohno Ken Yuu Kai, que trabalhou nas cenas de ação das primeiras séries Kamen Rider. Outra mudança foi a escalação de Eiji Kawamura, que ficou no lugar de Shunsuke Kikuchi. Ryudo Uzaki compôs parte da trilha sonora do seriado. Em outras palavras, não só o conceito, mas toda a produção foi reconstruída para esse momento que seria o "marco zero" das séries Kamen Rider.

E ao contrário do que muita gente pensa e diz por aí, Ishinomori apenas criou esboços, mas não chegou a fazer grandes trabalhos para o Black da televisão. Enquanto isso, o mangaká trabalhava em sua publicação do herói pela revista Shonen Sunday. Lá o mangaká teve mais liberdade de trabalhar com o personagem e seguia na contramão da imposição dos produtores. Uma das diferenças era o nome da pedra King Stone, que se chamava "A Pedra Filosofal" no mangá. Elemento baseado mais tarde para a TV em 2001 na série Kamen Rider Agito.

Além de carregar referências às séries clássicas, como a do ser humano reconstruído (adaptado na dublagem como "homem mutante"), toda essa mudança foi fundamental para que Kamen Rider Black fosse uma série única, diferente, sombria e com vários momentos de drama e suspense. Esta que é sem dúvida uma das melhores passagens da franquia na TV japonesa.

Kamen Rider Black completa 30 anos de sua estreia pela emissora japonesa TV Asahi neste 4 de outubro. A estreia no Brasil aconteceu em 22 de abril de 1991, junto com Spielvan e Maskman na Sessão Super-Heróis da Rede Manchete.

Henshin!!!

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5 comentários:

  1. Eu nem vou falar aquilo denovo porque você já sabe o esquema. Porém, por mais que eu não gosto mesmo desse herói (e também um dos meus menos favoritos), darei a minha "carta branca" ao rever essa série novamente (caso se eu tiver interesse é claro). E também não levar a sério no negócio.

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  2. Na nossa infância... chamávamos de Black Kamen rider.

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  3. Belo texto, Cesar. Já havia feito algumas considerações sobre Black em outro post, mas vale ressaltar que, independente da chatice de alguns fãs mais radicais, Kamen Rider Black é uma ótima série.

    Embora eu prefira o clima geral dos episódios iniciais (com os Gorgom infiltrados na sociedade japonesa em posições de destaque), é impossível negar que as cenas de ação ficaram reforçadas com a chegada do Taurus e posteriormente do Shadow Moon (que levou à metamorfose dos Sacerdotes).

    Particularmente continuo achando o episódio da morte do Black um dos melhores da franquia até hoje. A carga emocional do conflito dele com o Shadow Moon era muito grande.

    Um aspecto que sempre achei curioso em relação ao Kotaro (Issamu) Minami é que ele nunca conseguiu vitórias completas. Em Black ele não conseguiu resgatar Nobuhiko e acabou sozinho. Em RX ele viu o casal que o acolheu, e que era sua segunda família, ser morto.

    Acredito que isso dá um caráter trágico ao personagem que é interessante. Sei que é muito difícil (desde Gokaiger não digo mais que algo é impossível em tokusatsu), mas gostaria de ver uma série no estilo Amazons ou mesmo um especial tipo 30 years after para ver como o encontraríamos depois de tanto tempo. Será que ele continua solitário, em sua cruzada sem fim? Ou acabou encontrando a felicidade?

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    1. Valeu, Ricardo. Desde a infância que tenho o Kamen Rider Black como um dos meus favoritos (na época eu dividia o carinho com o Jiban). Tanto que eu tinha um boneco dele e carregava sempre que os episódios iam ao ar na Manchete. :P

      A melhor fase, pra mim, foi a partir do despertar de Shadow Moon. Não importava quantas vezes era reprisado, eu sempre ficava triste com a morte do Black. Ainda me dá um aperto no coração em ver a derrota cruel do Kamen Rider.

      Alguns acham que o Black RX é ruim por não ter a mesma carga dramática. Eu discordo. Não tem como ser a mesma coisa e Issamu Minami estava buscando sua redenção após a batalha contra os Gorgom. Era hora de mudar. Em alguns momentos Issamu teria que enfrentar situações difíceis de forma ou de outra. Ainda mais em ver seus entes queridos em perigo, como King Stone o tinha alertado. Apesar de algumas "esquisitices", também gosto muito do Black RX e principalmente das músicas cantadas pelo Takayuki Miyauchi (o conheci pessoalmente em 2007 no evento Sana) e pelo Ichiro Mizuki.

      Seria legal ver Issamu Minami de volta numa série própria. E esse é um desejo antigo do próprio Tetsuo Kurata numa entrevista que ele concedeu em 2008 na revista japonesa Hyper Hobby. Se isso um dia acontecer no estilo do Kamen Rider Amazons, será um momento épico. Acredito que Issamu deve estar vagando por aí, assim como sua versão alternativa vista em Kamen Rider Decade.

      Abraços!

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  4. Belo texto, e o kamen rider Black com certeza é uma das melhores séries ja feitas! O primeiro episódio é uma verdadeira obra de arte, atemporal! Temos que celebrar esta obrapelos seus 30 anos, o próprio Tetsuo Kurata fez vários posts em seu facebook, celebrando junto aos fãs essa data tão especial!

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