segunda-feira, 28 de agosto de 2017

Toshihiko Egashira diz que Haim Saban NÃO acabou com o tokusatsu no Brasil

Toshi em sua recente entrevista (Foto: Reprodução/JBox)

Após duas longas semanas - e um pequeno suspense que acabou logo após o final da temporada de Game of Thrones, o JBox finalmente lançou em seu canal no YouTube a última parte da ótima entrevista com o sr. Toshihiko Egashira. Também conhecido como Toshi (leia o apelido na paroxítona). No final da parte anterior, o empresário foi perguntado sobre o que ele acha da tal afirmação de fãs de Haim Saban ter supostamente acabado com o tokusatsu no Brasil com o lançamento de Power Rangers.

Toshi responde:

"Não. Ele na verdade difundiu no mundo esse formato de live action. É por causa dessa refilmagem por parte dos seriados onde aparecem o rosto de japoneses e mudava pros loirinhos, o moreninho e tal. E esse formato fez com que todas as emissoras no mundo aceitassem, inclusive aqui no Brasil pela Rede Globo. Mas eu não acredito que ele tenha acabado, não. Eu acredito que ele tenha difundido. O que talvez hoje está desgastado é porque o mercado já deu o que tinha que dar. Já deu, eu acho. Na época eu ainda tinha os direitos de exibição no Brasil. Pelo pedido da Toei "japonesa" me fez para vender pra ele pra ele ter o direito mundial, então, eu negociei com a Saban, sim. Somente negociação de papel."

Em 1995, Kamen Rider Black RX estreou no Brasil pela extinta Rede Manchete, enquanto nos EUA a sua versão americana, Saban's Masked Rider, ia ao ar na Terra do Tio Sam. Enquanto o filho do sol era exibido no Brasil, Rider nipo-americano foi exibido também por aqui pela extinta Fox Kids. Toshi fala a respeito dos direitos de Black RX no Brasil:

"A única vez que a Toei me pediu pra vender a minha parte dos direitos de exibição no Brasil foi do Metalder (e Spielvan). Do RX não. Eu acho que o Japão tinha vendido sem o Brasil porque tava na minha mão."

Com essa entrevista, o próprio Toshi, com sua simplicidade, derruba um mito que ainda tenta perdurar por mais de 20 anos. Tem aqueles fãs brasileiros que ainda demonizam Haim Saban dizendo que ele acabou com o tokusatsu no Brasil. O que não é verdade, pois na mesma época haviam reprises de Jaspion e cia, além dos lançamentos da época como Patrine e Winspector, por exemplo. Não custa nada lembrar que após o fim da Manchete tivemos Ultraman Tiga e Ryukendo na TV aberta, filmes do Ultraman na TV por assinatura e home-vídeo, além de materiais do tipo em canais de streaming como das franquias Garo, Ultraman e Power Rangers. Goste ou não, Toshi reconhece o potencial da franquia da Saban e sua importância para o mercado. O desgaste das séries japonesas veio naturalmente devido à saturação causada por outras emissoras na época do boom de Jaspion e Changeman e do próprio retorno do público. O fim da Manchete foi outro ponto crucial, já que era uma emissora que abria espaço para anime e tokusatsu na TV aberta. Outros tempos.

Nesta última parte, Toshi também fala sobre o fim da emissora dos Bloch, sua vida atual e lembranças dos tempos da Everest/Tikara. Lá ele afirma que não tem mais direitos das séries japonesas e que ainda guarda materiais.

"Se um dia acontecer alguma coisa de precisar, tá lá. Já tá dubladinho e tá prontinho, tá prontinho e tal. É só ter um aparelho compatível que possa rodar e mudar pra esse formato novo."

Na ocasião dos lançamentos de Jaspion, Changeman e Flashman em DVD pela Focus Filmes, Toshi cedeu as fitas masters com as respectivas dublagens clássicas.

Atualmente os direitos das mesmas citadas pertencem à Sato Company.

13 comentários:

  1. Muito interessante.
    E tem gente que se esquece de que Saban e Shuki Levi estiveram envolvidos na produção de trilhas pra vários desenhos dos anos 1980.

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  2. Importante lembrar, também, que o Japão sofreu uma grande crise financeira nos anos 1990. Chegou a se especular a interrupção na produção dos Super Sentai - há relatos de que Jetman chegou a ser rodada como sendo, efetivamente, a derradeira, após Fiveman ter dado com os burros n'água. Então, de certo modo, a entrada da Saban e consequentes investimentos também ajudaram a manter a franquia viva, goste-se ou não do processo de adaptação.

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    1. Diga-se de passagem que Power Rangers foi a salvação financeira dos Super Sentai. Comercialmente as duas franquias andam juntas e funcionam como mesmo produto.

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  3. Pra quem não aguentava ouvir as baboseiras do pessoal reclamando de Power Rangers, tai o resultado. Meu, até Toshi ele aceita os Rangers, e os brasileiros ainda reclamam porque o cérebro nem sequer amadureceu para ver isso.

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    1. Pois é, Ranger Hawk. Essa reclamação só existe aqui no Brasil. Quando vai acabar? Eis a questão.

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    2. Nunca, provavelmente, já que o brasileiro é q pior coisa e que existe nessa Terran só perde para o norte americano.

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    3. Povo daqui reclama pois não temos os originais vindo de forma oficial ao menos em DVD igual é lá.

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    4. Uma pergunta que insiste em ser respondida há décadas: se não existissem os Power Rangers, quem garante que todos os Sentais passassem no Brasil?

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    5. Ora, esse negócio de dizer que brasileiro não aceita power rangers é balela, Galáxia perdida, força do tempo, RPM, dino charge e ninja steel são ótimos, agora dizer que a gente é intolerante por não engolir um MMPR S03, Turbo, Operation Overdrive, Samurai ou Super Megaforce é no mínimo ingenuidade

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  4. O desgaste das séries japonesas veio naturalmente devido à saturação causada por outras emissoras na época do boom de Jaspion e Changeman e do próprio retorno do público.
    E séries americanas e filmes de heróis Marvel e DC em excesso nunca saturam né? Tá serto.

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    1. Spiderstingmove, o desgaste que eu me refiro é justamente sobre a época onde tinha tokusatsu na Globo, na Gazeta, na Bandeirantes e deu no que deu. Os heróis da Marvel e da DC fazem sucesso até hoje porque a estratégia comercial é mais organizada, por sinal, e existe um público fiel que ajuda a manter o nicho vivo. Numa entrevista que o Toshi deu nos extras do DVD do Jaspion, ele disse que não gostava muito da forma que outras distribuidoras fizeram justamente por medo de saturar o mercado. Não deu outra e a gente sabe da bagunça que foi.

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