quinta-feira, 3 de março de 2016

Zyuohger vai salvar o Super Sentai da crise de infantilidade?

O quinteto da atual "temporada" dos Super Sentais

Há alguns dias falei por aqui que Zyuohger tem uma difícil tarefa de não deixar a peteca cair, como foi o caso dos dois Super Sentais anteriores - ToQger e Ninninger. Como a gente sabe, o último citado foi um fracasso de audiência e também em vendas de brinquedos no Japão.

A série está em seu terceiro episódio e aos poucos vem me surpreendendo. Torço pra que não caia no mesmo patamar de outros Sentais recentes que começaram bem, tiveram uma infantilizada bruta e voltaram a melhorar na reta final. Um exemplo a citar foi Goseiger. Não fiquei tão animado no primeiro episódio de Zyuohger (não que tenha me decepcionado), mas a partir do segundo a história e os personagens me contagiaram.

Sendo mais específico, Yamato Kazakiri (Zyuoh Eagle) se mostra um bom líder e sério. Não via um Red desse nível desde Go-Busters e fez muita falta nos últimos três anos. Kazakiri pelo visto está bem longe de ser um gasguitão como Takaharu/AkaNinger de Ninninger. Antes tarde do que nunca, a Toei acertou a mão desta vez. Gostei muito mesmo do Tusk (Zyuoh Elephant) pelo seu jeitão de rival. Aliás, gosto de personagens assim, pois dão um certo movimento às tramas e ficam mais evidenciados. Ás vezes ajudam na trama, ás vezes não. Com ele deu pra sentir uma diferença bacana. Lembra um pouco o Hikari/ToQ 4-gô de ToQger (que foi um dos poucos personagens legais daquela série). Leo (Zyuoh Lion) parece ter um humor mais equilibrado. Mas fiquei mais encantado pela graciosidade das garotas Sela (Shark) e Amu (Tiger). Sobre os Deathgalien, estão num bom nível de vilania e podem surprender com o tempo. É bom prestar atenção neles pois podem garantir ótimos trunfos e surpresas na história.

Zyuohger está mandando bem e qualquer infantilidade excessiva pode estragar a qualidade do programa. São feitas pro público infantil? Sim? Tem algumas gracinhas pra agradar as crianças? Tem. Mas eu espero que Zyuohger amadureça com o passar dos episódios e consiga manter o nível. Ou melhor, que eleve. Se vai realmente vingar ou se vai ser um sucesso de produtos, depende muito do empenho da Toei Company e do roteirista principal Junko Kômura pra manter um roteiro digno de um comemorativo de 40 anos da franquia. E vou torcer pra que Zyuohger consiga superar os problemas que marcaram os Super Sentais nos últimos anos. É o tipo da coisa: Que Super Sentai seja infantil, mas que não caia na retardação. É assim que Zyuohger deve ser.

quarta-feira, 2 de março de 2016

Tokusatsu no Brasil: é hora de juntos ajudarmos o novo mercado nacional dos heróis japoneses

Ultraman Mebius e Ultraman 80 (Eighty), dois dos heróis títulos no Brasil via streaming

No ano passado eu escrevi vários posts aqui no blog sobre as séries de tokusatsu que estão chegando via streaming no Brasil. É bem verdade que o mercado é promissor e só tende a ser mais evidenciado futuramente para vários nichos. Desde os mais ávidos por cinema, séries americanas, até os animes. Não dá mais pra fugir da nova mídia digital que é uma realidade e sucesso no atual mercado mundial. Pra quem não sabe ainda, no Brasil uma nova leva de séries de tokusatsu já está sendo preparada para invadir os serviços de TV por internet e alguns títulos já começaram a ser veiculados. 

A Sato Company é a licenciadora local que está investindo em séries clássicas como National KidJaspionChangemanFlashmanJiraiyaJiban, além da série inédita Garo (de 2005) para estrear em breve no catálogo da Netflix. Antes dessa turma chegar, a Família Ultra já está há algum tempo por aqui com títulos inéditos na TV Brasileira através de séries na Crunchyroll e mais sete filmes que estão no ar na Netflix. Sem contar com outras mídias como o mangá ULTRAMAN que está sendo publicado pela Editora JBC. Ampliando as opções do leque, podemos encontrar tokusatsus nipo-americanas como a franquia Power Rangers e seus spin-offs.

Com tantos títulos bombando agora e chegando por aqui no futuro não dá mais pra ficar sonorizar o negativista "ah, não temos mais tokusatsu no Brasil" ou o pessimista "tokusatsu jamais irá voltar ao Brasil". A realidade de hoje não é mais a mesma de dez anos atrás. Os tempos mudaram. Tanto as empresas locais quanto os grandes estúdios que produzem as séries e filmes do estilo investem para que tal título dê retorno financeiro. Afinal de contas, a nossa audiência pode dar uma resposta: se os fãs de tokusatsu realmente consumem as séries via streaming e se são presentes/cadeiras cativas. Esse termômetro pode indicar a chegada de mais séries do gênero que pode atravessar o nosso nicho e atingir novos públicos. Por que não? Se a gente pensar por um outro ângulo, é até uma forma de gratidão às produtoras que sempre que trabalharam para nos dar entretenimento.

Assim como em países como EUA, o Brasil deve seguir o mesmo exemplo das fansubs estrangeiras: de excluir os links de títulos com direitos ativos em suas respectivas regiões. Só assim, o foco da audiência poderá ser ampliado e não haveria paradoxo de escolha. Nem vale mais a desculpa de "posso baixar" e "assistir no YouTube" pois isso deixa qualquer empresa no vermelho e isso não é bom nem pra elas que produzem e nem pra nós fãs que assistimos (e sempre pedimos pra ter tokusatsu oficial no Brasil).

Estamos num momento único que jamais imaginamos igual nos tempos do tokusatsu na TV brasileira nem mesmo na década passada com o advento da internet. Isso pode ser um ponto de partida para um boom do tokusatsu no Brasil. Independente de qual seja o resultado, temos que fazer a nossa parte. Nos unirmos, sermos otimistas, fieis e acreditar no potencial do sucesso do tokusatsu. E essa lição aprendemos com os nosso lendários heróis e temos que pôr em prática desde já. Por mais simples que seja. Se depender da união de todos os tokufãs brasileiros, podemos fazer a diferença, ajudar o mercado das séries japonesas que tanto amamos e ganharmos um novo filão de séries inéditas. Quem sabe um dia pode pintar um tokusatsu com o selo "Original Netflix" ou algo parecido, né? Só e somente assim vamos alcançar um antigo sonho de todos nós: o reconhecimento do tokusatsu na mídia brasileira. Quem desiste não faz história.

Fica o convite para toda a comunidade tokunet brasileira fazer a diferença e ajudar o tokusatsu a crescer no Brasil assistindo os tokusatsus licenciados através dos streamings oficiais. Vamos juntos explodir a chama dos heróis japoneses e mostrar que o tokusatsu tem potencial sim.

Ultraman Ginga estreia na Crunchyroll; mas Brasil fica de fora da lista


Uma notícia boa e outra ruim sobre a Família Ultra na Crunchyroll. A boa é que as séries Ultraman Ginga e Ultraman Ginga S foram adicionadas às cinco da noite desta terça (1) pelo horário do pacífico americano, no serviço oficial das séries japonesas em streaming.

A notícia ruim é que Tsuburaya, infelizmente, não liberou as duas séries para a Ásia e principalmente para a América Latina. Ou seja, o Brasil fica de fora da lista de países que recebem estas duas séries de forma oficial/legalizada e fica impossível de acessar os episódios, mesmo que seja pela versão americana e britânica do serviço (por limitação de região). O que é uma pena, pois Ginga e Ginga S era uma das séries mais esperadas para serem lançadas através deste formato. Uma bola fora da distribuidora (e não da Crunchy que sempre transpareceu interesse de expandir este tipo de mercado).

Ginga e Ginga S foram exibidas respectivamente em 2013 e 2014, ambas como parte do programa Shin Ultraman Retsuden, da TV Tokyo. O protagonista é o jovem Hikaru Raidou que retorna para sua cidade natal e descobre uma série de ataques de monstros. Hikaru recebe o poder do Ultraman Ginga para defender a Terra das mãos das criaturas. O clímax aumenta em Ginga S com a chegada do herói Ultraman Victory. A equipe anti-monstros das duas séries é a UPG (Ultra Party Guardians). O enredo introduziu os elementos Spark Dolls, que mais tarde foram utilizadas na série Ultraman X (disponível na versão brasileira da Crunchyroll).

Ultraman Ginga e Ultraman Ginga S renderam três filmes no cinema japonês entre 2013 e 2015 e tais títulos também permanecem inéditos no Brasil até o momento, como é o caso das duas séries de TV. Uma pena.

terça-feira, 1 de março de 2016

Goku teve sua luta humilhante em Dragon Ball Super

Goku perdeu vergonhosamente para o Freeza alternativo

O que aconteceu com o Goku no episódio deste fim de semana em Dragon Ball Super? Desde o começo da primeira luta do torneio de artes marciais ele estava estranho. O saiyajin parecia não ter muita força pra lutar. Deu pra notar logo em sua primeira luta, com o urso Botamo (que parece mais uma versão bruta do Pooh). Não lutou o suficiente e usou apenas movimento corporais pra jogar o bichão para fora do ringue. Nos primeiros instantes da luta, Goku tinha dito que havia comido muito churrasco. Tudo bem, é uma pitadinha de humor do Akira Toriyama e dá pra levar de boa.

Goku teve que enfrentar Frost, que ficou conhecido por ele e seus amigos como "Freeza do Sexto Universo". Apesar da aparência e da voz ser a mesma (do seiyu Ryusei Nakao), Frost é totalmente oposto de sua contraparte do Sétimo Universo. Apesar de que tem duas transformações finais. A primeira com uma forma bem jurássica (que foi bem engraçado) e outra mais próxima da versão clássica que vimos em Dragon Ball Z. Fora isso, Frost é um herói que já salvou pessoas de seu mundo e já interviu em guerras.

Só que o mais esquisito foi na hora da luta. Goku hesitou em lutar por seu oponente ser uma pessoa valorosa e perdeu para Frost de uma maneira ridícula.Tudo bem perder uma vez ou outra. Mas hesitar? Jamais, e isso não é o jeito do Goku. Goku é um Saiyajin que derrotou inimigos poderosos como o androide Cell, o demonio Majin Boo e o próprio Freeza com muito esforço e persistência. O que aconteceu neste episódio com o herói que conhecemos? Não dá pra entender e isso não fica bem para um guerreiro de força descomunal como ele.

Só resta agora ver como Piccolo irá se sair contra Frost.

Flashman nascia há 30 anos de uma marca da mais famosa guerra da história da humanidade

O Comando Estrelar Flashman

Dentre as séries japonesas de tokusatsu exibidas no Brasil, uma das que tenho profundo carinho é o Comando Estrelar Flashman (Choshinsei Flashman no original). O clássico exibido pela saudosíssima Rede Manchete me prendia atenção quando era pequenino e até hoje, quando revejo, fico arrepiado com toda a dramaticidade da série. Isso pode ser uma característica comum entre os programas japoneses da época, mas Flashman tem algo especial, ímpar e carrega toda uma construção significativa.

A concepção da obra veio graças ao produtor Takeyuki Suzuki. Foi no início da primavera de 1985 quando ele começou a idealizar a série que substituiria Changeman (que estava no ar apenas dois meses na programação da TV Asahi). O que é normal esse planejamento nesse época do ano para a Toei Company. Junto com o roteirista Hirohisa Sôda, Suzuki decidiu que o contexto do próximo esquadrão seria sobre os órfãos japoneses abandonados na China no fim da Segunda Guerra Mundial, e que buscavam conquistar novamente a sua pátria nos anos 80. Assunto que ainda era muito discutido na mídia local. Os tais órfãos sofreram diferenças culturais ao voltar ao Japão décadas depois.

Foi daí que Suzuki resolveu usar isso de forma simples e limitada para os padrões de um programa voltado ao público infantil, afim de ensinar aquela geração - que vivia em tempos de paz - sobre o sofrimento da guerra de seus compatriotas. Os órfãos foram representados por cinco crianças terrestres que foram raptadas por caçadores espaciais e que voltariam duas décadas depois para vingar e procurar suas respectivas famílias. Durante esse período os jovens foram treinados com poderes e habilidades especiais.


As belas Yoko Nakarura (Sara) e Sayoko Hagiwara (Néfer) nos bastidores

Entre o elenco principal, apenas Kihachirô Uemura (Dan/Green Flash) foi escolhido numa audition. Tôta Tarumi (Jin/Red Flash), Yasuhiro Ishiwata (Gô/Blue Flash), Yoko Nakamura (Sara/Yellow Flash) e Mayumi Yoshida (Lu/Pink Flash), foram escolhidos já que eles haviam participado em outras produções da Toei. Segundo Tarumi, ele foi chamado para uma seleção de elenco - que jamais aconteceu. Encontrando os demais colegas, ali já havia sido definido o casting e até suas respectivas cores. Nenhum deles fazia ideia do que aquilo se tratava. Nem eles imaginavam que seria mais um Super Sentai. As primeiras cenas gravadas no estúdio de Oizumi foram da transformação. Aquelas onde o Visor Combate (Shut Goggle no original) de cada herói é fechada. Sem contar as cenas em chroma key. Esses materiais foram rodados praticamente após a "seleção" dos atores.

Nos bastidores, o talentoso ator Yutaka Hirose pensava que seria o líder do grupo. Mas foi escolhido para interpretar o vilão Wandar. A partir daí Hirose viveria outros vilões marcantes nas séries Super Sentai. Mais curioso ainda é como Koji Shimizu deu a vida ao inesquecível Dr. Keflen. Recebendo o convite da Toei por telefone, o ator ficou receoso por ser mais um vilão cômico (já que trabalha com papéis dramáticos). Mas seu filho, que é fã dos esquadrões multi coloridos, o incentivou a participar. Sabe aquela frase em que Keflen grita no último episódio "Adeus, Flashman! Adeus, planeta Terra!"? Então, foi uma alteração de script feita pelo próprio Shimizu, que se entregou ao personagem ao longo das gravações. Koji Nakata também ficou com um pé atrás no começo. A atriz Atsuko Takahata (a Kilza em Jaspion) ajudou a convencê-lo de ficar com o papel de Kaura, o Caçador das Trevas. Nakata trabalhou junto com Hirose na série Liveman como o vilão Bias. Já Yoshinori Okamoto apareceu na reta final, devido a um acidente que sofreu após o fim das gravação de Changeman, onde interpretou o Pirata Espacial Buba. Okamoto foi Galdan, o parceiro de Kaura. Bem, Sayoko Hagiwara, a Néfer, não teve problemas, pois conhecia o gênero Super Sentai através da série Dynaman, onde viveu a Dyna Pink, sem contar que antes foi a heroína Yullian em Ultraman 80 (disponível no Brasil pelo serviço Crunchyroll).

Os nomes dos vilões nada mais são que inspirações de Hirohisa Sôda, devido à férias no Egito, por onde passou em 1983. Keflen (ou Kôplen, segundo o livro Flashman - Manual Perfect) era uma referência ao faraó Kéfren, irmão menor de Kéops e autor da construção da segunda maior pirâmide do Egito. Néfer era Neferkare, um nome importante reis do antigo Egito do "período negro" nas margens do rio Nilo. Ao contrário do que muitos podem pensar, La Deus não foi inspirado no Criador, mas sim uma escolha da produção. Wandar (Wanda no original) e Kaura não tem nenhum significado, porém foram seus nomes tem influência egípcia. Bem como os monstros da semana.


A épica luta entre Kaura e Red Flash foi o ponto alto de Flashman

Voltando sobre o conceito dos heróis, os atores faziam suas apostas para saber quem seria o filho do casal Tokimura. A dupla Suzuki/Soda tinham uma carta na manga para os personagens. Ou melhor, uma dose letal de sofrimento. O efeito anti-Flash que sofreram por passarem muito tempo fora da Terra. Esse efeito nada mais representava que a rejeição e o preconceito que aqueles órfãos japoneses da guerra sofreram no passado, por voltaram para a terra natal. Os escritores foram contra a ideia por ser cruel demais, mas Suzuki insistiu até o fim. Em vez de cair (como se pensava nos bastidores), a audiência aumentou. Isso só reforçou a conquista de audiência desde o começo da segunda metade do programa - que superou os índices de Changeman. Aliás, o Esquadrão Relâmpago é o sétimo sentai mais visto, enquanto Flashman é o sexto. Falando em Changeman, a série só conseguiu a marca de 55 episódios (cinco a mais que o planejado) devido ao atraso de produção de Flashman. Inicialmente estava programado para estrear em 1 de fevereiro de 1986, mas só foi lançado em 1 de março. Na faixa das seis da tarde de sábado da TV Asahi.

Foi a partir de Flashman que aquele padrão de esquadrão carismático foi quebrado. Não que eles não tivessem. Pelo contrário, eles tinham e com um toque diferente que cativava a quem acompanhava a saga dos guerreiros. O tom de seriedade levou a outros sentais como Maskman, Liveman e outros a seguir o mesmo caminho. Flashman gerou uma das batalhas mais emocionantes do tokusatsu. A famosa luta de Red Flash contra Kaura em meio a um belíssimo pôr do sol. Por si só superou outra luta memorável, o duelo final entre Dragon e Buba em Changeman. Lutas como essas jamais tivemos igual em Power Rangers (por motivos óbvios). Uma curiosidade sobre esse episódio é que após a épica batalha, originalmente o cenário volta ao tom cinzento da praia. A Toei corrigiu esse detalhe para um tom alaranjado. Mas condizente ao entardecer. O resultado pode ser visto no DVD oficial lançado pela Focus Filmes em 2011, e é uma boa pra quem gosta de analisar e comparar cenas.

Flashman é uma série a ser apreciada além do saudosismo. Mais que lembranças de um tempo dourado, os heróis devem ser reverenciados pela idealização que lhes deram origem. Uma grandiosa obra que não deve jamais ser vista como uma mera série infantil ou se resumir a mais um clássico. Flashman é muito mais do que isso e nem todos os elogios seriam suficiente pra descrever esta maravilhosa obra.

segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

Há 15 anos estreava o Invasão Anime, da Fox Kids

O Cartoon Network e a extinta Fox Kids foram responsáveis pelo boom dos animes na TV por assinatura no início da década de 2000. A gente sabe que a grande febre começou mesmo nos anos 90 com Os Cavaleiros do Zodíaco (sendo que haviam outros animes exibidos por aqui antes de Seiya e cia). Mas esta época também tem sua importância na história dos desenhos japoneses no Brasil. Seja para o bem ou para o mal.

O Invasão Anime foi o primeiro bloco de animação japonesa na TV paga brasileira. Antes a Fox Kids - e também o Cartoon - exibiam animes desde meados dos anos 90. A partir de 2000 esse tipo de programa ficou em evidência nos canais devido às exibições de Digimon, Pokémon e outras séries do segmento. A Fox Kids promoveu uma pré estreia no carnaval de 2001. De 24 (sábado) a 27 (terça) de fevereiro daquele ano o canal fez mini maratonas de animes como Digimon Adventure, Monster Rancher, Flint - o Detetive do Tempo, a pré estreia de Dinozaurs e várias exibições do primeiro filme de Patlabor - inédito até então.

O lançamento oficial aconteceu na quinta-feira pós carnaval, em 1 de março de 2001. O Invasão Anime era o bloco de animes de maior duração diária. Iniciava sempre das 17h30, logo após a dobradinha de Power Rangers. Nos primeiros meses ia até às 20h, mas com o tempo ganhou uma hora a mais. Vale lembrar que entre 2002 e 2003, após as nove da noite aconteciam dobradinhas com reprises das duas recentes temporadas de Digimon até então, seguido do engraçadíssimo Shin-chan a partir das dez da noite. Mas já não eram incluídos no bloco. Ainda assim podem ser consideradas como uma "extensão" do Invasão Anime.

O bloco permaneceu até a extinção da Fox Kids, em meados de 2004, e algumas séries que estavam no ar continuaram no canal Jetix, canal infantil da Disney (também extinto) que ocupou a programação. Não foi o melhor bloco, mas alguns títulos deixaram lembranças, de alguma forma. Outros deixavam a desejar e não batiam de frente contra um bom Toonami.

Relembre os melhores e piores que passaram pelo Invasão Anime:



Digimon

A primeira temporada conhecida como Digimon Adventure estreou em julho de 2000, simultaneamente com a Globo (leia mais aqui). Nos primeiros meses do bloco foram de reprises até a estreia de Digimon Adventure 02 (ou Digimon 2) em julho de 2001. O tradicional horário das cinco e meia da tarde ainda recebeu as séries Digimon Tamers (Digimon 3) e Digimon Frontier (Digimon 4).



Monster Rancher

Antes da estreia na Globo no final de 2000, as aventuras de Genki e seus amigos contra o terrível Moo iniciaram na Fox Kids meses antes. Inicialmente aos sábados. A série ocupou a faixa das seis da tarde. Na Globo o anime foi exibido em substituição de Digimon e teve sucesso mediano.



Medabots

Estreou em 19 de novembro de 2001 - segunda-feira, substituindo Monster Rancher. Se passava no ano 2122 e contava a história de Ikki e seu robô Metabee numa disputa entre os Medabots (Medarot no original japonês). Praticamente na filosofia "Pokémon way of life". O anime, que teve distribuição no ocidente pela A.D. Vision, também ganhou popularidade na programação matinal da Globo. Destaque de dublagem para Wendel Goku" Bezerra como o Metabee, que sempre dizia "Ah, eu sou demais!".




Beyblade

Outro anime caça-níquel que fez carreira no Brasil na Fox Kids, seguido da famosa emissora dos Marinho. O enredo era sobre uma luta entre equipes que utilizavam poderosos peões numa "rinha" de monstros. Estreou no final de 2002, substituindo Medabots no horário das seis.



Flint - o Detetive do Tempo

Foi uma adaptação americana da Saban da série original Jikuu Tantei Genshi-kun (1998~99). Começa no século XXV onde viagens no tempo são comuns. Para deter ações da vilã Petra Fina (cuma?!), Flint, luta com seus amigos para impedir seus ataques. Esse talvez é o anime mais fraco que já passou pelo bloco (sendo um forte concorrente de Super Pig como o pior anime da Fox Kids). Um fiasco para quem "competia" com Dragon Ball Z (via Cartoon Network) na faixa das seis e meia da tarde. As histórias eram extremamente bobas e a gangue de Petra Fina era uma "contraparte" deformada da Equipe Rocket, de Pokémon. Também foi exibido na Globo, mas sem sucesso algum. Que bom.



Patlabor

Dentre os animes exibidos no Invasão Anime, esse era um dos poucos títulos dramáticos já exibidos, ao lado de Digimon. Patlabor (1989~90) tinha como protagonista a ex-jogadora de basquete Noa Izumi, que se une a uma unidade da policia e assume o controle do robô Ingram 01. Patlabor era essencialmente focado no cotidiano dos policiais que pilotavam os Labors (os mechas da série) e seguia um realismo que ia na contra mão de franquias renomadas como Gundam. Os primeiros episódios exibidos no Brasil contavam com as versões originais de abertura e encerramento, mas infelizmente estas ganharam versão em português. Quem assistia, provavelmente se constrangeu com o trecho "Me dê um abraço/Midnight Blue". Como citado no início do post, o primeiro filme (de uma trilogia) de Patlabor foi exibida antes da estreia da série, assim como no Japão. O segundo filme também foi exibido na Fox Kids. A dublagem era carioca e tinha vozes marcantes como de Iara Riça (como Noa), Felipe Grinnan (como Asuma), dentre outros. Infelizmente foi um anime injustiçado pelos próprios otakus da época e também pela Globo, que adquiriu os direitos da série e engavetou no baú do esquecimento. Bem que merece uma nova chance nos dias de hoje e melhor atenção do público.




Shaman King

Estreou em 2002 e é um dos animes mais lembrados daquela geração. Contava sobre um jovem xamã Yoh Asakura, um medium entre o mundo dos vivos e dos mortos que pode se unir a fantasma. Aparentemente pode ser visto como um caça-níquel como Pokémon/Digimon e gerou até falsas polêmicas no meio religioso. Mas tinha uma história séria, tentando chegar aos pés de YuYu Hakusho. Foi dublado pela extinta Parisi Vídeo e contou com nomes conhecidos como Rodrigo Andreatto, Fábio Lucindo, Letícia Quinto, Luiz Antônio Lobue, etc.



Dinozaurs

Adaptação ocidental da série original DinoZone (1998) que misturava animação com computação gráfica. A história era bizarra. Contava sobre a luta jurássica dos Dinozaurs contra os malignos Dragonzaurs que despertam na era moderna. Em meio a isso, Kaito, o garoto protagonista, que descobre o plano dos vilões. Sem contar que era guardião de uma das três adagas Dino que formava uma força vital na Terra. A animação (feita originalmente pela Sunrise) era de má qualidade e o enredo era de quinta. Teve pre-estreia no carnaval de 2001. Amargou apenas seis meses na programação - de 1 de março a 31 de agosto de 2001 na faixa das sete e meia, saiu sem deixar saudades, e passou na Globo apenas por sinal de parabólica. Um dos piores animes que passaram pela Fox Kids. Nem mesmo a imponente interpretação do dublador Walter Breda (o Mestre Ares na dublagem clássica de Os Cavaleiros do Zodíaco) ajudou a salvar o anime.



Shinzo

Outra adaptação americana da Saban que atendia no Japão pelo título original Mushrambo (2000), da Toei Animation. O anime se passava num futuro apocalíptico onde nosso planeta foi rebatizado de Enterra, por consequência de uma conquista dos monstros Enterranos. Três destas criaturas que foram banhados com os poderes de um estranho meteoro se empenham em defender uma sobrevivente humana chamada Yakumo. Assim começava uma jornada para levá-la até o castelo Shinzo. Apesar dos efeitos constrangedores feitos pela Saban, Shinzo tinha uma boa história e o lado sombrio foi mantido (dentro dos padrões norte-americanos). Estreou no Invasão Anime em 3 de setembro de 2001 (coincidentemente a mesma data de estreia de Samurai X no Cartoon) e substituiu dignamente Dinozaurs na faixa das sete e meia. Foi reprisado sequencialmente no bloco e ganhou uma única exibição na TV Globinho em abril de 2002.




Músculo Total

Mais conhecido no Japão como Kinnikuman (um grande clássico da Shonem Jump), o lutador passou no ocidente com distribuição da 4Kids Entertainment, a mesma de Pokémon e Yu-Gi-Oh! fora do Japão. Estreou em julho de 2003 na faixa das sete e meia da noite, substituindo Shinzo.


Autopista

Esta era uma animação sul-coreana. Era baseado em corridas de carros por controle remoto e apresentava o pequeno Jimmy que foi transportado para um mundo de um jogo que dá o nome à série (Track City no original). Jimmy, junto com os novos amigos, tinham que deter um vírus maligno. As coisas ficam confusas quando o sistema do jogo se engana e pensa que o protagonista é o Piloto Lendário. A dublagem paulista contava com Yuri Chesman (o Gohan adulto de Dragon Ball) como o protagonista. Estreou em meados de 2001 e inaugurou a faixa das oito da noite no bloco. Simplesmente era o mais leve que passou pelo Invasão Anime e tinha apenas 26 episódios.




Os Cavaleiros de Mon Colle

Em junho de 2002 a Fox Kids estendeu o bloco Invasão Anime para mais uma hora. A faixa das oito da noite foi inaugurada com Os Cavaleiros de Mon Colle (distribuído pela Saban Entertainment). Estreou sem muita divulgação e suas chamadas no canal eram medonhas. Tinha como protaginista Rockana, uma garota de 11 anos que viaja para uma outra dimensão ao lado de seu melhor amigo Mondo, afim de reunir seis elementos, antes que o vilão Eccentro pegue primeiro. O anime tinha humor excessivo e infantiloide. Foi dublado pelo extinto estúdio Herbert Richers. Mon Colle jamais foi exibido na TV aberta.



Transformers: Nova Geração

Também estreou em junho de 2002, inaugurando a faixa final das oito e meia. Originalmente como Transformers: Car Robots (2000), chegou no ocidente via Saban como Transformers: Robots in Desguise. Sem adrenalina, os fãs torceram o nariz para a então nova série. A Herbert Richers, que dublou a série clássica, fez mais esse trabalho e vale destacar Guilherme Briggs como Optimus Prime.



Transformers: Armada

Estreou em meados de 2003 no lugar da série anterior.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

Erased não é apenas mais um anime. É tudo o que uma temporada de inverno precisa


Fazia algumas semanas que eu queria assistir o anime Erased (Boku Dake ga Inai Machi) e não tinha começado ainda por falta de tempo. Precisava tirar esse atraso o quanto antes pra me informar e saber o porquê da série ser a favorita da atual temporada. Inicialmente eu iria começar apenas assistindo os quatro primeiros episódios e quando dei por mim acabei torrando todos os sete exibidos na TV japonesa até agora.

Se você ainda não viu, Erased é um anime digno pra começar numa bela manhã chuvosa ou numa madrugada tranquila. Investigação, suspense e viagens no tempo são elementos que compõem o enredo. A história se passa em 2006 (nas vésperas da Copa do Mundo na Alemanha) e o protagonista é o iniciante a mangaká Satoru Fujinuma, que por algum motivo tem poderes sobrenaturais que permitem com que ele volte alguns minutos no tempo. Assim ele evita catástrofes ao seu redor. Até que um certo dia Fujinuma é acusado por um crime que não cometeu e acaba voltando 18 anos no tempo. Isso mesmo, mais precisamente em fevereiro 1988. Sem saber o motivo que fez com que ele voltasse a ter 11 anos de idade, Satoru resolve tentar salvar a vida de sua colega de classe Kayo Hinazuki que originalmente foi assassinada em março do mesmo. Para isso o garoto - com a mente de um jovem de 29 - corre para impedir que o assassinato de sua amiga aconteça e entre na lista dos crimes mais bizarros da era Showa. Uma vez que a barbárie lhe causou tristeza por toda a sua vida.

Erased consegue prender a atenção de quem assiste e a cada episódio você quer saber mais. Arrisco dizer que atrai até mesmo os amantes de investigação criminal. Não chega a ser frenético, mas a trama equilibra entre suspense, momentos leves e adrenalina. Pelo desenrolar já dá pra apostar em quem seja o assassino e imaginar qual sua possível ligação com sequestros de crianças na atual era (Heisei). No mais você acaba ansioso pra saber como e onde esse caso vai parar enquanto a gente torce pra que Fujinuma consiga salvar Hinazuki de alguma forma (ao mesmo tempo em que se vê atraído pela mesma). O que aumenta sempre a tensão, além de mais suspeitos surgirem na investigação. Não é a toa que Erased está fazendo a diferença e logo na temporada de inverno que geralmente costuma apresentar animes mais leves de madrugada e sem grande notoriedade às vezes. É bom ter animes imprevisíveis assim pra curar a ressaca do fim de ano e quebrar a cabeça com conspirações.

E aqui vai uma curiosidade pra quem é fã da cultura pop japonesa: nos primeiros episódios são citados o jogo de RPG Dragon Quest III e o tokusatsu Chojuu Sentai Liveman - ambos lançados em fevereiro de 1988. Detalhes sem grande relevância na história, mas bem interessante pra quem curte algum desses títulos. Sobre a série, o mangá de Erased será finalizado ainda neste ano e no próximo mês estreia um filme live-action estrelado por Tatsuya Fujiwara (o Light Yagami da trilogia Death Note e o Shishi Makoto dos dois últimos filmes do Samurai X).

Erased está disponível no Brasil pelos serviços oficiais Crunchyroll e Daisuki e está programado para ter apenas 12 episódios.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

Anime de Next Dimension vai virar piada de 1 de abril


Incrível como o nicho da série Os Cavaleiros do Zodíaco não tem sossego e deixar parte do público afoito. É sempre um boato, um disse-me-disse de uma nova série baseada em algum mangá e muitas delas sem uma fonte oficial sequer. Foi o que aconteceu nesta terça (23) quando saiu uma nota de um site francês que ainda neste ano sairá uma nova série e desta vez baseada no mangá Next Dimension.

A nota nem é oficial (traduzindo: não veio da Toei, TMS, Bandai ou qualquer empresa ligada que seja) e muita gente saiu nas redes sociais vibrando, gritando e comemorando. Veja bem: como se fosse uma nota oficial. Nem adiantou os avisos de que ainda não é nada confirmado, mas mesmo assim uns desavisados vão atrás dessa boiada. Aliás, esse tipo de nota, se não é segura, nem deveria ser passada pra frente. Isso atrapalha pra caramba o foco de informações oficiais.

Olha, do jeito que a carruagem anda, mais dia ou menos dia essa história de anime do Next Dimension vai acabar virando piada de dia da mentira. Aconteceu algo parecido ano passado na Espanha (e cheguei a comentar aqui no blog). Ou não é que já esteja acontecendo esse tipo de brincadeira de mal gosto, né? Não tem dia certo pra pregar uma peça.

Não estou dizendo que não possa haver a possibilidade disso acontecer. Talvez em 2016 ou em 2061 (vai depender da boa vontade do Kurumada). O problema é como esse tipo de nota não oficial flui sem garantia. Esse tipo de falsa expectativa pode cansar o público e o aguardo perder a graça quando o anime for realmente lançado de vez.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

Zyuohger tenta inovar com animais humanoides, mas não garante vingar entre os Super Sentais

O novo esquadrão em ataque

Tem séries Super Sentai que você tem que aguardar até o segundo episódio pra começar a ter alguma expectativa boa ou ruim da temporada, já que os episódios de estreia geralmente são introdutórios. Causar impacto depende muito do que a produção quer passar. Mas pelo que foi apresentado no primeiro episódio de Dobutsu Sentai Zyuohger neste domingo (14), a Toei está tentando inovar por um lado e reciclar os mesmos elementos de sempre por outro.

O que mais achei estranho foi o fato dos heróis serem animais, com exceção do líder Yamato Kazakiri/Zyuoh Eagle - que é humano. O restante são aliens Zyuman. Curiosamente as versões animais aparecem na abertura ao invés de humanos. Claro que isso é pra causar algum "impacto" no primeiro episódio - como se não soubéssemos - e deve mudar na semana que vem. O que todo mundo estranhou foi o fato do robô ZyuohKing ter aquela aparência Minecraft/Lego. Justifica pelo robô ser formado por cubos que se transformam em animais, mas a coisa também não caiu bem na tela na hora da ação. E o que dizer das velhas dancinhas, hein? Dispensável e dá aquela vontade de pular para o preview do próximo episódios sem dó.

Pra não dizer que é ruim (ainda é cedo pra julgar), Zyuohger teve boas cenas de ataques, pânico, explosões. O visual dos heróis são bem legais e o peitoral é facil de criar uma estampa de camiseta (que por sinal já está sendo vendido no Japão). Mas não são o suficientes pra garantir que a série seja uma das melhores e quebre a "maldição" das infantilizações. Você pode dizer o seguinte: "Ora César, Super Sentais são feito pra crianças". Verdade, mas não precisa chegar ao extremo a ponto de subestimar a inteligência da molecada. Aliás, nem mesmo Power Rangers, como seus altos e baixos, chegaram a tanto como acontece com suas contrapartes originais.

Zyuohger tem uma difícil missão numa temporada comemorativa de 40 anos dos esquadrões multi coloridos. Procurar equilibrar entre o carisma e a dramaticidade pra não deixar a peteca cair como aconteceu em ToQger e Ninninger. Não precisa ser um Changeman ou um Flashman da vida. Os tempos são outros, eu sei. Basta a Toei procurar melhorar e tentar uma manobra com elementos de roteiros que deram certo no passado, mesmo que seja na base da reciclagem. Pode ser que Zyuohger melhore ou piore. E o novo Sentai tem mais barreiras a quebrar: conquistar/convencer o público (infantil, ok) e recuperar as vendagens de brinquedos. Prejuízo deixado por Ninninger como herança, diga-se.

No mais, Zyuohger ainda não me empolgou e não me deixou tão animado. E não é saudosismo deste blogueiro.

Jetman, o cult noventista dos Super Sentai, completa 25 anos

O lendário Esquadrão dos Homens Pássaro

A estreia foi no fim de tarde do dia 15 de fevereiro de 1991. Ia ao ar pela TV Asahi, sempre às sextas-feiras, o maior e/ou provavelmente o melhor Super Sentai produzido pela Toei Company em 40 anos de franquia. Choujin Sentai Jetman (Esquadrão dos Homens Pássaro Jetman) foi a mais ousada por ter a árdua tarefa de atingir não só o o público infantil, mas também jovens e adultos.

O roteirista Toshiki Inoue (de Ranma ½, Yu-Gi-Oh! e Death Note) teve a difícil missão de criar uma série diferente dos Sentais anteriores, incluindo Turboranger e Fiveman, dos quais também havia trabalhado. Inoue usou elementos como traumas, personagens calculistas, conflitos interpessoais e outros que só ele sabe fazer como ninguém. Ingrediente assim foram imprescindíveis ao longo dos momentos mais importantes do programa. A direção foi de Keita Amemiya, outro grande nome dos tokusatsu, conhecido por trabalhar em séries como Jiban, Kamen Rider Black e Garo.

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No ano 199X (que não demorou muito pra ser "revelado" como 1991), cientistas do centro de comando Earth Ship, da agência de defesa Sky Force, desenvolvem as Ondas Bardonic. Esta tecnologia concede habilidades sobre humanas. Quem estava à frente do projeto era a Comandante Aya Odagiri. Ela recrutou cinco oficiais de elite para usar tal tecnologia. Ryu Tendô foi o primeiro a ser banhado pelas Ondas Bardonic, assumindo então o codinome Red Hawk e a liderança do grupo.


Os heróis prontos para a transformação

Tudo parece um clichê até a imprevisibilidade vir à tona. Antes da irradiação nos demais quatro oficiais, uma organização maligna interdimensional Vyram ataca a tripulação. Três dos oficiais são exterminados. Os sobreviventes foram Ryu, sua namorada Rie (uma das oficiais recrutadas) e a Comandante Odagiri. Porém, Rie é raptada pelos Vyram.

Por causa da destruição da Earth Ship, feixes das Ondas Bardonic são irradiadas em quatro jovens civis que jamais se conheceram antes. Com isso, a meiga Kaori Houmekian torna-se White Swan, o fazendeiro Raita Ooishi em Yellow Owl, a colegial gananciosa Ako Hayasaka em Blue Swallow, e o bad boy Gai Yuuki em Black Condor. Ryu os encontra e consegue convencê-los alutar contra as forças do mal. Unindo suas forças, o quinteto Jetman passa a combater os perigosos Vyram.


Os antagonistas de Vyram





















Vyram é liderado pelo Conde Radiguet (leia: Radiguê). Seus integrantes são o robô Grey e o garoto humanoide Tran. Além dos Soldados Grinam e dos Jigenju (Feras Dimensionais) - os tradicionais monstros da semana. Rie é transformada na vilã Maria. Um dos pontos importantes para as reviravoltas na trama. Durante a série, os Vyram recebem a chegada da demoníaca Imperatriz Juuza. Outro momento marcante da série é a transformação de Tran para Imperador Tranza, um inimigo mortal que ameaça os heróis na proximidade da reta final.

Diferente de tudo o que foi visto até então em tokusatsu, Jetman explorou a fundo o tema romance como nunca houve igual. Kaori guarda uma paixão secreta por Ryu que sofre com a suposta morte da namorada, mas o coração da garota se torna objeto de cobiça para Gai. Situações como essa geraram conflitos que chamam atenção de quem vê determinados episódios da série, mesmo que descompromissadamente. Em momentos críticos, os Jetman foram auxiliados pelo trio de soldados da Dimensia. Em outra saga surgiam o quinteto Neo-Jetman, uma tropa especial formada pela Sky Force.


Gai Yuuki - o herói mais cultuado
dos super esquadrões
De longe, Gai é o melhor herói de Jetman. Costumo brincar ao dizer que ele é o Jece Valadão dos Super Sentais, pelo seu jeitão cafajeste de ser. Fumante, jazzista, conquistador, rebelde, egocêntrico, temperamental, etc. Essas definições politicamente incorretas para uma série infanto-juvenil ajudaram a construir um grandioso personagem que rivalizava o líder do quinteto por amor e interesse. Detalhe: uma rivalidade incomum em relação aos demais Super Sentais. Mas com o tempo Gai mostrou-se digino. Chegou a rivalizar contra Grey nos episódios finais.

Jetman rendeu um final curioso e teve um dos três melhores desfechos, segundo a própria Toei Company (saiba mais aqui). Três anos após a batalha final contra Vyram, Ryu e Kaori se casam. Gai é esfaqueado por um assaltante, enquanto estava à caminho da igreja. O herói consegue chegar à festa de casamento onde esconde seu ferimento e conversa rapidamente com Ryu. De forma triste, a série terminou de forma poeticamente irônica para um final que estava encaminhando para um final feliz digno de uma novela. E foi em partes.

O visual dos heróis são visivelmente inspirados na clássica série de anime Kagaku Ninjatai Gatchaman (conhecida no ocidente como Batalha dos Planetas, G-Force e Eagle Riders). Até pouco tempo, Jetman era o último Super Sentai a não ser adaptado como Power Rangers até Tokumei Sentai Go-Busters ficar de fora das versões estadunidenses. Porém havia sido cotado para ser a primeira adaptação de tokusatsu pela Saban, mas no final acabou sendo Kyoryu Sentai Zyuranger a servir de base para a formação do clássico grupo de adolescentes de Alameda dos Anjos. Jetman foi o primeiro Super Sentai a ter um terceiro robô gigante. Posteriormente os heróis ganharam uma game para a Nintendo Famicon.


Os Soldados da Dimensia
Em 1996 foi publicado pela revista B-Club um mangá non-canon chamado Chojin Sentai Jeman: Toki wo Kakete, que conta a história cinco anos depois da derrota de Vyram. É introduzido Jeffrey Kensaki, o sexto Ranger da equipe que atendia pelo codinome Green Eagle. A Toei também produziu o Toei TV Hero Encyclopedia Vol. 2 (o primeiro foi dedicado ao Kamen Rider Black) que mostra Ryu e Kaori seis anos após o fim de Vyram - três após os minutos finais da série. Curiosamente, na versão em mangá é dito que o casal tem uma filha chamada Aya Tendô (em homenagem à Comandante). Já no especial de TV, eles tem um filho chamado Gai Tendô (em homenagem ao Black Condor).

Jetman aparece no microfilme Super Sentai World (especial de 15 anos da franquia), de 1994, ao lado do então vigente Ninja Sentai Kakuranger e de outros esquadrões: Fiveman, Zyuranger e Dairanger. Em 2001, Red Hawk aparece ao lado de outros Reds no filme Gaoranger vs. Super Sentai. Gai Yuuki aparece no episódio 28 de Gokaiger, um dos mais belos da série comemorativa de 2011. Sem contar que o esquadrão também já passou pelos dois primeiros filmes da série Super Hero Taisen e também no episódio 6 de Hikonin Sentai Akibaranger.

Jamais haverá outro Super Sentai que iguale ou tente chegar aos pés de Jetman. Momento ímpar da história do tokusatsu que não volta jamais. É uma prova que se pode criar histórias maduras e inteligentes num produto feito genuinamente para o público infantil e expandir outros públicos além de determinada faixa etária ou mesmo nichos. Uma pena que a TV brasileira não experimentou esta maravilhosa série no auge da febre dos heróis japoneses.


Curiosidades:

Dentre o elenco de Jetman, o ator Kotaro Tanaka (Ryu/Red) se retirou dos holofotes em 2005. Além de Jetman, o ator se destacou na série Hana no Ran, drama da TV estatal NHK. Coincidentemente é xará - de nome e sobrenome - do ator que interpretou o AbareKiller de Abaranger. De acordo com o blog do ator Toshihide Wakamatsu, Tanaka atuou como diretor da empresa relacionadas com a TI.

Toshihide Wakamatsu (Gai/Black) foi cogitado nos bastidores para viver o vilão Chevalier em Fiveman (papel que ficou definitivamente com Kihachirô "Green Flash" Uemura). Também foi sondado para interpretar Kouji Segawa, o alter-ego do herói-título Kamen Rider J (vivido por Yuta "Tirano Ranger" Mochizuki), do filme de 1994. Foi convidado por Toshiki Inoue a participar do episódio 28 como Gai, que o insistiu bastante quando recebeu a proposta. Do contrário, não haveria tributo ao Jetman no Sentai de 2011.

Tomihisa Naruse (Raita/Yellow) participou de Gosei Sentai Dairanger, o esquadrão de 1993 como Kameo, o alter ego do mecha Daimugen.


Rika Kishida, a disputada Kaori
Rika Kishida (Kaori/White) fez uma participação no episódio 9 de Kakuranger como uma repórter. Apareceu também nas séries Solbrain e Janperson, da franquia Metal Hero.

Sayuri Uchida (Ako/Blue) havia aparecido dois anos antes nas séries Super Sentai no episódio 9 de Turboranger interpretando Yumi Sakakibara. Em 2001 fez outra participação em Gaoranger como Shimada.

Mikiko Miki (Aya Odagiri) também apareceu em Dairanger. Lá interpretou a mãe de Koh, o Kiba Ranger.

Os guerreiros da Dimensia foram interpretados por atores conhecidos dos Super Sentais. Ray era Yasuhiro Ishiwata, o Blue Flash de Flashman; Kanna era Kanako Maeda, a Pink Mask de Maskman; Já Dan/Birdman era Hideki Fujiwara, que interpretou (outro) Dan em Zyuranger no ano seguinte.

J1/Neo Jetman 1 foi interpretado por Yuta Mochizuki, que no ano seguinte foi o Tyranno Ranger em Zyuranger e mais tarde, em 1994, viveu o Kamen Rider J nos cinemas. Curiosamente em 2014 o ator participou do evento Power Morphicon, nos EUA, junto com Austin St. John, o Jason (contraparte americana de Geki) de Power Rangers.

J2/Neo Jetman 2 foi interpretado por Ryuji Kasahara. Trabalhou novamente com Yuta Mochizuki no musical de Sailor Moon, onde Ryuji era vilão e Yuta era o Tuxedo Mask.

J3/Neo Jetman 3 foi Minoru Watanabe, dublê de vários personagens de Super Sentai como Gaata, Oficial Watanabe (ambos em Changeman), Kiba Ranger (em Dairanger), etc. Trabalhou em produções como Godzilla vs. Megaguirus (como Megaguirus), Kamen Rider Black RX (como Gadorian) e no stage show de Magiranger (como Magi Yellow).

J4/Neo Jetman 4 foi Takeshi Miyazaki, dublê de heróis e monstros de Super Sentai. Curiosamente foi dublê de Reddle e Tento nas séries B-Fighter.

J5/Neo Jetman 5 foi Miyuki Nagato. Em 1986 foi a vilã Urk em Flashman e em 1993 foi Kuchibeni Utahime (forma humana e monstro) em Dairanger.

Haruki Hamada, o Change Dragon de Changeman, chegou a participar em um dos episódios como um velho amigo de Ryu. No episódio 8, Masaki Terasoma, o dublador original de Shadow Moon (de Kamen Rider Black), interpretou Kyotarô Tatsumi, amigo de Kaori. No episódio 21, o monstro Gomijigen foi dublado pela seiyu Rica Matsumoto, a voz de Ash de Pokémon.

Tranza foi vivido pelo veterano Yutaka Hirose. Conhecido como os vilões Wandar em Flashman, Dr. Kemp em Liveman, Jin Matoba em Dairanger, General Zander em Changéríon e tantos outros.

Os temas de abertura, encerramento e algumas de inserção foram cantadas pelo lendário Hironobu Kageyama. Cantor oficial de outros Sentais como Changeman e Maskman, além de liderar a banda japonesa JAM Project (do qual o brasileiro Ricardo Cruz integra como part-time).