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segunda-feira, 26 de março de 2018

Círculo de Fogo - A Revolta revigora a força do cinema kaiju

Gipsy Avanger contra um medonho kaiju

Se você é fã de tokusatsu e nunca ouviu falar de kaiju, então precisa conhecer Círculo de Fogo - A Revolta. A sequência do filme de 2013 já está em cartaz, depois de incertezas sobre a continuação. Talvez você nunca tenha assistido o primeiro filme, estrelado por Idris Elba. Mas essa aventura vale tanto para quem viu quanto para quem pegar o bonde agora.

A mitologia criada pelo mexicano Guillermo del Toro há cinco anos quando era diretor do primeiro filme (atuou como produtor em A Revolta) ainda faz jus, mantendo a qualidade e divertindo o público com batalhas entre robôs e monstros gigantes. Del Toro é fã de tokusatsu e, na ocasião do primeiro Círculo de Fogo, se encontrou com o Alien Baltan, de Ultraman. E claro, não menos importante, o filme bebe da fonte de Godzilla e de outros kaijus famosos do cinema japonês que ganharão nova vida em 2019 e 2020, na franquia MonsterVerse, também pela produtora Legendary.

A história se passa 10 anos depois da derrota dos kaiju e foca em Stacker Pentecost (John Boyega), filho do herói Jake (Idris Elba) que era piloto de Jeager (nome dado aos mechas/robôs gigantes da trama). O garotão segue a vida na contramão de seu pai e cuida da adolescente Amara Namani (Cailee Spaeny), adotada por ele como sua irmã mais nova, após ela perder a família num ataque de um kaiju. Os dois são enviados para se prepararem para uma missão especial através de Mako Mori (Rinko Kikuchi), a filha adotiva de Jake. A ocasião se deve a um lançamento de uma nova linhagem de Jeager criada por uma empresa chinesa e alguém (que parece ser mais aficionado por monstros gigantes do que o normal) está infiltrado planejando um caos em todo planeta. É hora de Stacker e seu parceiro Nate Lambert (Scott Eastwood, o filho caçula de Clint) entrarem em combate com o poderoso robô Gipsy Avanger.

A direção e o roteiro são de Steven S. Denight e este seu primeiro trabalho para as telonas, sendo que já trabalhou com séries de TV como Spartacus, Buffy, Angel, Smallville e Dollhouse. Bom, tudo ali tem a cara e o jeitão de del Toro de fazer filmes kaiju, pois ele conhece bastante coisa do tipo. A diversão é garantida e renova essa nova onda de kaiju no mainstream.

O final dá um gancho para uma possível continuação. Enquanto isso não se confirma, teremos mais Godzilla quebrando tudo de novo no ano que vem. Haja coração.

sexta-feira, 23 de março de 2018

O Monstro da Bomba H (1958)

O primeiro filme tokusatsu fora da linhagem kaiju

Pela primeira vez a Toho faria uma produção tokusatsu fora do estilo kaiju, porém contando uma boa história de ficção científica. De acordo com registros oficiais, Hideo Unagami, ex-ator do estúdio Shochiku que foi contratado pela Toho (participou em papeis pequenos em Rodan!... O Monstro do Espaço e Os Bárbaros Invadem a Terra), apresentou seu projeto para um filme chamado Bijo To Ekatai-Ningen (A Bela e a Pessoa Líquida). O produtor Tomoyuki Tanaka gostou bastante e deu sinal verde para o projeto ir adiante. Com direção de Ishiro Honda e efeitos especiais de Eiji Tsuburaya, a Toho iniciava uma série de filmes sobre mutantes para o cinema como The Human Vapor (de 1960) e Matango, a Ilha da Morte (de 1963). Conhecido nos EUA como The H-Man (e às vezes confundido com o trash A Bolha Assassina, que foi lançado meses depois), o filme ficou conhecido no Brasil como O Monstro da Bomba H. Como o título japonês sugere, seria uma versão assombrosa de A Bela e a Fera no cinema japonês. Estreou por lá em 24 de junho de 1958.

Tudo começa com o desaparecimento de um contrabandista chamado Misaki que fora atropelado e apenas suas roupas estavam no chão. A misteriosa morte chama atenção da polícia e a investigação leva a pistas como tráfico de narcóticos e uma cantora de cabaré (isso mesmo!) chamada Chikako Arai (Yumi Shirakawa), a namorada do falecido Misaki. Dr. Masada (Kenji Sahara), professor assistente da Universidade Jyoto, procura Arai para buscar pistas e acaba se tornando suspeito pela polícia. Masada explica que tem uma teoria sobre o desaparecimento de Misaki, que pode estar ligado a derretimento humano causado por uma forte radiação da chuva que caiu durante a noite em que Misaki morreu.

Inicialmente sem creditar nas palavras do Dr. Masada, a linha investigativa, comandada pelo Inspetor Tominaga (Akihiko Hirata mais uma vez!) avança e descobre que o misterioso caso tem origem num experimento nuclear que causou o desaparecimento do navio Ryujin Maru II no sul Oceano Pacífico. Isso seria obra de um terrível mutante.


Uma típica cena de terror

Bem como a premissa de Godzilla, O Monstro da Bomba H foi baseado na história real do barco de pesca Daigô Fukuryu Maru (ou Luck Dragon 5) que havia entrado nas água de onde foram realizados testes com Bomba H. Os tripulantes sofreram radiação e foram mortos por envenenamento. Em novembro de 1957, o trio Tanaka, Honda e Tsuburaya finalizaram a história com o roteirista Takeshi Kimura, o mesmo de Rodan!... O Monstro do Espaço e Os Bárbaros Invadem a Terra. Pessimista, Kimura ficou encarregado de consubstanciar elementos do roteiro original de Unagami. Apesar do passo significativo para consolidar o gênero tokusatsu, o misto de investigação e ficção científica não era novidade para o público japonês, pois isso estava presente desde a década de 1920 com a popularidade de revistas como Shinseinen (Nova Juventude) e Kagaku Gaho (Ciência Pictorial).


O último filme da dupla Kenji Sahara e Yumi Shirakawa
Esta foi a terceira e última vez que Ishiro Honda juntou Kenji Sahara e Yumi Shirakawa para formar um par no cinema. Sahara trabalhou em vários filmes de Honda, além de estrelar a série Ultra Q (Tsuburaya, 1966) como Jun Manjome. E Shirakawa participou de vários filmes fora do tokusatsu, sendo que voltaria em 1962 em Gorath. Inclusive, a saudosa atriz (falecida em 2016) sutilmente chama atenção por sua estonteante beleza. Era de longe uma das musas de seu tempo.

Tsuburaya conseguiu produzir os efeitos dos humanos em dissolução através de bonecos de látex em tamanho natural dos atores que interpretaram as vítimas. Com filmagens de câmeras de alta velocidade, Tsuburaya literalmente deixa escapar o ar desses bonecos, e quando combinada com efeitos ópticos na pós-produção, eles pareciam ser dissolvidos pelos monstros gelatinosos. Bem feitos para os padrões da época.

terça-feira, 20 de março de 2018

Os Bárbaros Invadem a Terra; um clássico do tokusatsu de 1957


A Toho estava se firmando no conceito de fazer filmes de monstros e de ficção científica com recursos próprios de produção. Após produzir dois filmes de Godzilla (leia aqui e aqui) e um de Rodan, o estúdio oficializava um novo projeto cinematográfico para contar aventuras de ficção científica. Essa era a vontade de Ishiro Honda. O lendário diretor queria trabalhar em um filme de ficção científica mais realista. Fazendo uma metáfora com o cenário da Guerra Fria. Oriente contra Ocidente e transmitir uma simples e esperançosa mensagem universal de paz onde a humanidade estaria unida para criar uma sociedade pacífica.

O produtor Tomoyuki Tanaka recrutou Jojiro Okami, um engenheiro aeronáutico e piloto de testes militares para escrever o roteiro de um novo filme. Mais tarde, Okami se tornaria autor de filmes como Mundos em Guerra (Battle in Outer Space, 1959), Gorath (1962) e Dogora, O Invasor Espacial (Dogora the Space Monster, 1964). Durante o desenvolvimento do filme, Honda, respeitando os cientistas, temia o perigo da ciência e imaginava que quem pudesse controlá-la poderia assumir a Terra inteira.

Assim surgia o projeto Chikyu Boeigun (algo como "Força de Defesa da Terra") e foi lançado nas telonas do Japão em 28 de dezembro de 1957. Baseado no conto de mesmo nome escrito por Shigeru Kayama (1904-1975). Conhecido nos EUA como The Mysterians, o filme também passou no Brasil como Os Bárbaros Invadem a Terra. Foi a primeira produção da parceria entre Honda e o diretor de efeitos especiais Eiji Tsuburaya no projeto TohoScope, em formato anamórfico similar à antiga tecnologia de filmagem e projeção CinemaScope. Portanto o primeiro filme tokusatsu no formato de tela 16:9 ou widescreen. Segundo biografia sobre Ishiro Honda, publicada em outubro de 2017 por Steve Ryfle e Ed Godziszewski, os números precisos de orçamentos para a produção de Os Bárbaros Invadem a Terra são esquivos. Honda havia mencionado em certa ocasião que este foi o filme mais caro que Godzilla e Rodan.


O contra-ataque de Moguera

Durante um tradicional festival de verão, próximo ao Monte Fuji um misterioso incêndio destrói uma floresta em grande proporção. Cientistas tentam desvendar o caso através de um asteroide que teria passado uma vez entre os planetas Júpiter e Marte. Acredita-se que isso seja obra de invasores do espaço. O astrofísico Ryoichi Shiraishi nomeou o corpo celeste como Mysterioide.

Enquanto a equipe investigava a área do incêndio, ocorre um grande terremoto provocado pelo robô gigante Moguera (leia: "Môguerá"), que estava camuflado nas montanhas. O ataque de Moguera obriga os cidadãos a evacuarem a cidade. Enquanto isso, o exército trava uma batalha para derrubar a criatura mecânica.

Os alienígenas chamados de Mysterianos (eles usam capacetes e óculos escuros. Um visual bastante brega nos dias de hoje) se revelam para os cientistas e dizem que sabem sobre os cientistas, até mesmo seus nomes. Os Mysterianos querem um "pequeno sacrifício" para evitar uma possível guerra: eles desejam se acasalar com mulheres da terra para procriar uma nova raça de Mysterianos. Previamente foram escolhidas cinco, sendo que três delas foram capturadas. Caso a exigência não seja cumprida, a Terra sofrerá um ataque com bombas de hidrogênio (mais uma referência às causas e efeitos da radioatividade no período pós-guerra). Isso sem contar que os invasores ameaçam disparar um raio com um poder equivalente a um terremoto na região de Kanto.


A primeira tentativa de negociação entre os terráqueos e os Mysterianos

Com excelente trilha sonora de Akira Ifukube (o mesmo de Godzilla), Os Bárbaros Invadem a Terra é um prato cheio pra quem curte clássicos da década de 50, sci-fi, aliens, naves, raios, explosões, arsenais de guerra, pânico e tudo o que uma boa produção do gênero tem direito. São de lá efeitos sonoros que posteriormente foram utilizados em clássicos como Ultraman e Ultra Seven.

Os Bárbaros Invadem a Terra é simplesmente um dos melhores filmes kaiju da era de ouro da Toho e que todo fã de tokusatsu deveria procurar para assistir. Divertidíssimo!

Atores em destaque

Moguera recauchutado nos anos 90
O elenco principal foi formado por atores haviam participado de filmes anteriores de tokusatsu pela Toho. Kenji Sahara foi o ator que viveu um homem num barco em Godzilla e viveu o protagonista Shigeru Kawamaru em Rodan!... O Monstro do Espaço. Neste filme ele interpreta Joji Atsumi. A belíssima Yumi Shirakawa foi Etsuko Shiraishi. Anteriormente havia feito par com Kenji Sahara no filme de Rodan e ambos contracenariam juntos mais uma vez no ano seguinte no filme O Monstro da Bomba H.

Momoko Kochi, a Emiko Yamane do primeiro filme de Godzilla, foi Hiroko Yamamoto. A personagem foi a noiva do astrofísico Ryoichi Shiraishi, vivido nada mais e nada menos do que o lendário astro dos filmes kaiju Akihiko Hirata. Mais uma vez os dois contracenam como casal de noivos que não deu certo. E não para por aí. O personagem de Hirata é um personagem a se prestar bastante atenção, pois ele guarda algumas surpresas para quem ainda não assistiu.

Takashi Shimura foi o Dr. Tanjiro Adachi. Outro personagem importante na trama. Shimura é conhecido principalmente por viver Kambei Shimada em Os Sete Samurais (de Akira Kurosawa) e o Dr. Yamane no primeiro filme de Godzilla.

E o saudoso dublê Haruo Nakajima vestia neste filme o traje do mecha Moguera, vilão que ganharia outras versões posteriormente. 

Curiosidade

O mecha Moguera ganhou uma releitura em 1994 como M.O.G.U.E.R.A., no filme Godzilla vs. SpaceGodzilla. Tanto a versão antiga da era Showa quanto a da era Heisei já apareceram em diversas mídias da franquia Godzilla em games e livros. Na TV japonesa, Moguera aparece na série Godzilla Island, atualmente disponível mundialmente via YouTube pelo canal oficial do Rei dos Monstros. Sempre com "novos" episódios às segundas e sextas.

quarta-feira, 14 de março de 2018

Rodan!... O Monstro do Espaço (1956)

O monstro dos céus devastando tudo

Godzilla foi um marco na história do cinema japonês. Isso possibilitou que o daikaiju fosse conhecido mundialmente. Em 1956, estreou nos EUA o filme Godzilla, King of the Monsters (No Brasil: Godzilla, o Monstro do Mar e/ou Godzilla - O Rei dos Monstros), adaptação do filme original de dois anos antes, quando nascia despretensiosamente o gênero tokusatsu. Enquanto isso, a Toho resolve criar um novo monstro para o cinema. Um clássico que se tornou uma obra de arte e uma referência para produções de tokusatsu e até mesmo na cultura pop em geral.

Rodan!... O Monstro do Espaço (ou Sora no Daikaiju Radon; algo como "Radon, o Monstro Gigante dos Céus") é historicamente considerado como o segundo maior sucesso do produtor Tomoyuki Tanaka. É também o segundo trabalho de filmes kaiju/tokusatsu da extensa carreira do lendário diretor Ishiro Honda. O filme que estreou no Japão em 26 de dezembro de 1956 foi escrito por Ken Kuronuma. Novelista de ficção científica que ficou conhecido também por roteirizar o clássico Varan - O Monstro do Oriente (1958).


O monstro inseto Meganulon

Em Kyushu, no sul do Japão, uma pequena aldeia de mineração de Kitamasu é inundada. Os mineradores resgatam uma vítima que sofreu ferimentos fora do comum. A princípio, Goro, um dos mineradores que havia desaparecido, se torna suspeito, porém com descrição. Ao procurar Goro, alguns mineradores encontram uma misteriosa criatura que ataca-os ferozmente.


Mesmo com as suspeitas, Shigeru Kawamura, um colega de Goro, não acredita que o colega tenha sido capaz de atacar seus companheiros de forma tão macabra. Um dia, quando vai visitar Kiyo, a irmã de Goro, Shigeru é surpreendido pelo paleozoico monstro inseto Meganulon. Os policiais e também os mineradores vão atrás de deter Meganulon (ele faz um barulho terrivelmente ensurdecedor), que em seguida ataca um dos homens.

As pistas vão surgindo e apontam para uma ameaça bem pior. Numa velocidade supersônica, uma criatura gigante, semelhante a um pteranodonte começa a fazer suas vítimas. Eis em cena o monstro Rodan (Radon). O mistério gera outros mistérios. De onde veio Rodan? Teria ele vindo do espaço? Seria uma criação da natureza ou do próprio ser humano? Qual o meio de derrotar Rodan? Para ajudar a desvendar o caso, os trabalhadores contam com a ajuda do biólogo Kyuichiro Kashiwagi, que pode ser a chave para deter o monstro.


Rodan!... O Monstro do Espaço foi primeiro filme colorido de kaiju/tokusatsu. Mais uma vez Eiji Tsuburaya trabalhou com maestria com os efeitos especiais, que ficaram bem melhores do que os dois filmes anteriores de Godzilla. As cores também devem ter ajudado a deixar as cenas de catástrofes mais realistas possíveis -- para os padrões da época. Foi nesse filme que nasceram sequencias de explosões, civis correndo desesperados no meio do dia e arsenais como tanques e mísseis etc. Modelo que serviu de inspiração para produções de tokusatsu nas décadas seguintes (incluindo até mesmo aquelas séries oitentistas que passaram no Brasil) e que estão presentes atualmente em séries das franquias Super Sentai e Power Rangers.

A trilha sonora é assinada por Akira Ifukube, o lendário maestro que compôs para os filmes de Godzilla, além de grandes clássicos da Toho. E aqui vai mais uma honrosa menção ao saudoso dublê Haruo Nakajima, o mesmo que assumia o papel do Rei dos Monstros. Curiosamente, ao filmar a cena onde Rodan cai da Ponte Saikai, a polia que segurava o sr. Nakajima se quebrou e o dublê caiu de uma altura de 7 metros. Mas felizmente as asas e a água com um metro e meio de profundidade absorveram o grande impacto.

Rodan volta a aparecer nos filmes Ghidrah, O Monstro Tricéfalo (1964), A Guerra dos Monstros (da franquia Godzilla; 1965), O Despertar dos Monstros (da mesma franquia; 1968), Godzilla vs. Mechagodzilla II (1993), Godzilla - A Batalha Final (2004) e futuramente em . Já Meganulon voltou a aparecer somente 44 anos depois no filme Godzilla vs. Megaguirus (2000).

Rodan é um clássico obrigatório do tokusatsu e é ícone da cultura pop. Curiosamente, o personagem já foi uma das formas da criatura sobrenatural Pennywise no livro It - A Coisa, do mestre do terror Stephen King. A referência de um daikaiju surge ao lado de outros personagens conhecidos do cinema como o Lobisomem, o Drácula, o Monstro da Lagoa Negra, Frankeistein, entre outros. Rodan deverá ganhar uma versão americana em 2019 no filme Godzilla: o Rei dos Monstros, da saga MonsterVerse do estúdio Legendary, onde prepara terreno para a luta entre Godzilla e King Kong. Uma boa dica para já entrar no clima.

Assim como a maioria dos filmes clássicos de Godzilla e outros filmes kaiju da Toho, Rodan foi exibido no Brasil em circuitos de cinema no Bairro da Liberdade, onde se concentra a maior colônia japonesa no país. Passou na TV aberta pelas emissoras Tupi, Record e Bandeirantes.

Atores em destaque


Yumi Shirakawa como Kiyo no filme
de Rodan
Kenji Sahara (seu nome verdadeiro é Masayoshi Kato) apareceu no primeiro filme de Godzilla como um homem de um barco. Reaparece como o mesmo personagem na adaptação nipo-americana de 1956, mas não teve seu nome creditado. Seu primeiro papel de notoriedade foi em Rodan!... O Monstro do Espaço como Shigeru Kawamura. Antes deste filme, adotava o nome artístico Tadashi Ishihara. Participou dos filmes tokusatsu Os Bárbaros Invadem a Terra (1977), O Monstro da Bomba H (1958), entre tantos outros. Na TV, apareceu nas séries Ultra Q, Ultra Seven, O Regresso de Ultraman, Ultraman 80, Ultraman Nexus e Ultraman Mebius. Sendo um dos nomes mais conceituados entre os atores japoneses de tokusatsu, já participou de uma edição do evento americano G-FEST em 2009.

Yumi Shirakawa foi Kiyo no filme de Rodan. Além do destaque neste filme, ela foi conhecida no Japão por seus trabalhos em filmes e séries de TV. Aparece nos filmes tokusatsu Os Bárbaros Invadem a Terra, O Monstro da Bomba H e Gorath (1962). Era casada com o falecido ator Hideaki Nitani que já participou da série tokusatsu Mighty Jack, da Tsuburaya. Yumi Shirakawa morreu aos 79 anos no dia 14 de junho de 2016.

Rodan!... O Monstro do Espaço foi o segundo filme tokusatsu do saudoso ator Akihiko Hirata (astro dos filmes kaiju que se consagrou como o Dr. Serizawa no primeiro filme do Godzilla), onde viveu o Prof. Kyuichiro Kashiwagi.

terça-feira, 13 de março de 2018

Godzilla Raids Again; sequência de 1955

Godzilla enfrenta Anguirus ao lado do famoso Castelo de Osaka

O primeiro filme de Godzilla foi um grande sucesso de bilheteria e isso abriu portas para a criação de vários filmes kaiju posteriormente, tanto pela Toho quanto por outros estúdios. Assim surgia - naturalmente e sem grandes pretensões em existir - o gênero tokusatsu que, com o tempo, foi expandido do cinema para a TV e outras mídias. O sucesso de Godzilla motivou a Toho a fazer uma sequência em poucos meses e com novos personagens. Com estreia marcada de Godzilla Raids Again para 24 de abril de 1955. O diretor Ishiro Honda foi substituído por Motoyoshi Oda, um contemporâneo dele e de Akira Kurosawa. Tomoyuki Tanaka e Eiji Tsuburaya continuaram respectivamente responsáveis da produção e da criação de efeitos especiais.

Logo após os eventos do filme anterior, os pilotos Shoichi Tsukioka e Koji Kobayashi estavam à procura de peixes para uma empresa de conserva de atum, situada na cidade de Osaka. Devido a um mal funcionamento de seu avião, Kobayashi faz um pouso forçado numa ilha. Tsukioka vai atrás de resgatar o amigo e eles descobrem dois monstros gigantes se enfrentando. Um deles é Godzilla e o outro é Anguirus (leia: "Anguiras"). Um dinossauro parecido com um anquilossauro e que teria recebido uma nova vida pelo mesmo teste da bomba atômica que deu origem ao Godzilla. Porém, segundo registros, a rivalidade entre os dois kaijus vem de milhões de anos atrás.

É aí onde retorna o Dr. Kyohei Yamane, personagem do primeiro filme (reprisado por Takeshi Shimura), para tentar encontrar um meio de deter mais uma catástrofe que ameaça Osaka. Para evitar um mal maior, um apagão de emergência acontece enquanto a Força Aérea Japonesa entra em ação para impedir a chegada de Godzilla e Anguirus. Enquanto isso, um grupo de criminosos aproveita a situação para fugir de um caminhão que o transportava para a prisão. Os meliantes fogem num caminhão de gasolina e um acidente acontece durante a fuga, culminando numa explosão. Godzilla aproveita o caos para devastar mais uma cidade e, consequentemente, travar uma batalha mortal contra Anguirus.

Godzilla Raids Again conta com a trilha sonora de Akira Ifukube. Mas a falta do tema principal é sentida. Como um segundo filme do gênero tokusatsu e de filmes kaiju, não mostrou apenas mais uma catástrofe com maquetes e coisas do tipo, mas foi a pioneira entre um clássico duelo de titãs para este tipo de produção. O dublê Haruo Nakajima vestiu novamente o traje de Godzilla enquanto Katsumi Tezuka vestiu o traje de Anguirus. Tezuka foi o segundo a vestir o traje de Godzilla no filme anterior. Juntos eles protagonizaram uma cena épica que ficou marcada para os fãs de kaiju: a truculenta batalha entre Godzilla e Anguirus ao lado do famoso Castelo de Osaka -- da imagem acima.

Em 21 de maio de 1959 o filme foi lançado nos EUA como Gigantis the Fire Monster e sofreu reedição e dublagem gringa pela Warner. No mesmo ano, a Warner lançou este filme em conjunto do filme americano de ficção científica Os Adolescentes do Espaço.

Atores em destaque


Hiroshi Koizumi em 1955, ano do filme
Godzilla Raids Again
Hiroshi Koizumi como Shoichi Tsukioka. Participou de filmes tokusatsu da Toho como Mothra, a Deusa Selvagem (1961), Matango, Atragon (ambos de 1963), Mothra vs. Godzilla, Dogora, Ghidorah (os três são de 1964), Godzilla vs. Mechagodzilla (1974), The Return of Godzilla (1984) e Godzilla: Tokyo S.O.S. (2003). Além destes filmes, participou do episódio 27 de Ultra Q (1966). Morreu em 31 de maio de 2015, aos 88 anos, vítima de pneumonia. Foi um dos ícones dos filmes kaiju após Akira Takarada e Akihiko Hirata.

Minoru Chiaki foi Koji Kobayashi no filme e teve uma extensa carreira no cinema japonês, principalmente em filmes do diretor Akira Kurosawa. Entre eles, o clássico Os Sete Samurais, onde interpretou Heihachi Hayashida. Faleceu em 1 de novembro de 1999.

Yoshio Tsuchiya, o membro da Corporação Defensiva de Osaka, também participou de Os Sete Samurais como Rikichi, um dos aldeões do clássico de Kurosawa. Participou dos filmes tokusatsu Os Bárbaros Invadem a Terra (1957), Varan - O Monstro do Oriente (1958), Mundos em Guerra (1959), The Human Vapor (1960), Matango, a Ilha da Morte (1963), Frankeinstein Contra o Mundo (1965), A Guerra dos Monstros (filme da franquia Godzilla de 1965), Son of Godzilla (1967), O Despertar dos Monstros (filme da franquia Godzilla de 1968), O Desafio dos Monstros (1970), Tokyo: The Last War (1989) e Godzilla vs. King Ghidrah (1991). Tsuchiya também fez pontas nas séries tokusatsu: no episódio 2 de Ultra Q, no episódio 18 de Ultraman e nos episódios 14 e 15 de Ultra SevenMorreu em 8 de fevereiro de 2017, aos 89 anos.

Outra notável é a atriz Setsuko Wakayama, que interpretou Hidemi Yamaji. Trabalhou em clássicos fora dos filmes kaiju. Morreu em 9 de maio de 1985.

Veja o trailer de Godzilla Raids Again:

sexta-feira, 9 de março de 2018

Sato Company lança os filmes de Attack on Titan nos cinemas brasileiros

Dando sequencia a circuitos de adaptações de mangá/animê para o cinema, a Sato Company lançará no mês de abril os dois filmes live action de Attack on Titan. Além da exibição no Brasil, a distribuidora fechou parceria com redes de cinema de outros países da América Latina.

Por aqui estão garantidas exibições de Attack on Titan e Attack on Titan: Fim do Mundo (ambos de 2015) em 16 cidades pelas redes Cinemark, UCI e Kinoplex. As pré-vendas já começaram. Até o momento o filme está confirmado em Aracaju/SE, Belo Horizonte/MG, Brasília/DF, Campinas/SP, Curitiba/PR, Fortaleza/CE, Natal/RN, Niteroi/RJ, Nova Iguaçu/RJ, Porto Alegre/RS, Recife/PE, Rio de Janeiro/RJ, Salvador/BA, São José dos Campos/SP, São Paulo/SP e Vitória/ES. Segundo Nelson Sato, CEO da Sato Company, outras praças deverão ser confirmadas.

“É uma questão de avaliar as possibilidades; é uma relação bilateral com as salas de cinema. Se houver interesse, será um grande prazer para a Sato levar essa produção incrível para todo o país. Além disso, o momento é ideal para a exibição, já que no dia 20 de março o game Attack on Titan 2 estará disponível para o público”, afirma o sr. Sato.

Também haverá exibição dos dois filmes no PeruArgentina, Paraguai, Equador, Bolívia, Chile, Costa Rica, El Salvador, Guatemala, Honduras, Nicarágua e Panamá.

terça-feira, 6 de março de 2018

Godzilla; o filme original de 1954

O Rei dos Monstros em seu primeiro longa metragem

Em março de 2018, o filme Círculo de Fogo: A Revolta estará em cartaz nos cinemas em todo o mundo. Seguido das sequencias da franquia MonsterVerse em 2019 e 2020 com a volta de Godzilla e King Kong às telonas. Para aproveitar a ocasião, o Blog Daileon estreia uma série de resenhas sobre os históricos filmes kaiju. E nada melhor do que iniciar falando sobre o primeiro e venerável longa do primeiro monstro gigante da Toho. Acompanhe:

A era dos monstros gigantes - ou também conhecidos como kaijus - foi uma época clássica para a história do tokusatsu. Aliás, esta época foi essencial para a formação deste gênero que tanto gostamos e que continua atravessando gerações. Muita coisa mudou de 1954 pra cá. Especialmente se tratando de efeitos especiais. A narrativa destas produções também se transformaram com o tempo.

Desde 2013 podemos ver a evidência de uma nova era de filmes kaiju em Hollywood como Círculo de Fogo, filme dirigido por Guillermo del Toro. A sequencia será lançada logo mais em 22 de março. Godzilla ganhou mais uma chance no cinema mundial após a fracassada versão de 1998, pela dupla Roland Emmerich e Dean Delvin (os mesmos de Independence Day). Em 2014 o gigante celebrou 60 anos do seu filme original e conquistou o público com o excelente filme que inaugurou a franquia MonsterVerse, da Legendary Entertainment. O segundo filme foi Kong: A Ilha da Caveira, de 2017. Em 2019 e em 2020 chegam os aguardados Godzilla: O Rei dos Monstros e Godzilla vs. Kong, respectivamente. Existem outros filmes com referências kaiju no cinema norte-americano como Cloverfield (2008), Colossal (2017), entre outros que ainda estão previstos para o futuro próximo.

Mais do que tudo isso, Godzilla é o que eu chamo de "pedra fundamental do tokusatsu". Nada disso existiria se não fosse a parceria formada entre o produtor Tomoyuki Tanaka, o diretor Ishiro Honda e o diretor de efeitos especiais Eiji Tsuburaya (também criador de Ultraman). Foi um marco histórico para o estúdio Toho que no mesmo ano de 1954 lançou o clássico Os Sete Samurais, dirigido por Akira Kurosawa (de quem, curiosamente, contou com a amizade e colaboração de Honda ao longo da carreira). O tema principal criado pelo compositor Akira Ifukube também é outro destaque a se mencionar. Um verdadeiro hino da franquia.

A inspiração surgiu pela influência do filme norte-americano O Monstro do Mar (The Beast from 20,000 Fathoms), produzido pela Warner em 1953. Ano anterior ao Godzilla. O clássico contou com os efeitos especiais do mestre Ray Harryhausen que utilizava stop-motion. Algo espetacular naquele tempo. A ideia de Tanaka era associar o monstro com os riscos nucleares. Afim de mostrar como o homem poderia sobreviver ao próprio mal criado pelo uso de energia atômica através de atividades militares. Sem grandes recursos de produção, a saída foi contratar um dublê para vestir um traje de borracha e interpretar um monstro que devastava Tóquio -- representado em maquetes. Este dublê era Haruo Nakajima (falecido em agosto de 2017 e homenageado no Oscar 2018).

Para entender melhor o que está acontecendo no cinema, é preciso visitar o primeiro filme e entender o contexto da época, onde o Japão se recuparava dos efeitos da bomba que atingiu as cidades de Hiroshima e Nagasaki, durante a Segunda Guerra Mundial. Godzilla surgiu com a finalidade de contar sobre os perigos da radioatividade. Assim nascia um clássico da ficção científica.


O casal Emiko e Ogata
O filme começa com a destruição do navio cargueiro Eiko-maru nos arredores da Ilha Odo. Após o incidente, vários navios e barcos de pesca também são atacados. As suspeitas levam a crer que uma lendária criatura do mar despertou. Algo como um ser pre-histórico. O paleontólogo Dr. Kyohei Yamane investiga o caso e descobre que a criatura gigante emite radiação e presume que ela acordou por causa de testes com bomba de hidrogênio.

Enquanto isso, a filha do Dr. Yamane, a bela Emiko, rompe seu relacionamento com o Dr. Daisuke Serizawa, médico recluso que trabalhou como assistente de seu pai. A garota decide namorar Hideto Ogata, capitão do navio de salvamento. Serizawa desenvolve em segredo um projeto que pode deter o monstro gigante. Porém o mesmo pode causar a destruição da humanidade se cair em mãos erradas.

Godzilla consagrou a carreira daqueles jovens atores que formaram o "triângulo amoroso" da trama. Akira Takarada, o ator que viveu Hideto Ogata, se tornou popular devido a este trabalho. Participou de alguns filmes da franquia interpretando outros personagens, além de uma ponta no filme americano de 2014. Atualmente é dublador de filmes e animações e em 2016 participou de um evento estadunidense de cultura pop G-FEST junto com Bin Furuya (o dublê do Ultraman original) e Hiroko Sakurai (A Akiko de Ultraman).

A atriz Momoko Koichi, que interpretou Emiko Yamane, participou de um outro filme kaiju conhecido no ocidente como Os Bárbaros Invadem a Terra (The Mysterians). Filme dirigido por Ishiro Honda em 1957. Koichi reprisou o papel de Emiko Yamane em 1995 no filme Godzilla vs. Destroyer. A atriz morreu em 5 de novembro de 1998 aos 66 anos, vítima de um câncer colorretal.


Daisuke Serizawa, o papel mais famoso da carreira do saudoso Akihiko Hirata

Akihiko Hirata (nascido como Akihiko Onoda) foi o Dr. Daisuke Serizawa. Um importantíssimo personagem neste primeiro filme que tem relação com Godzilla vs. Destroyer e serviu de inspiração para o personagem de Ken Watanabe na versão hollywoodiana de 2014, o cientista Ishiro Serizawa. Originalmente, Hirata estava escalado para interpretar Ogata, mas acabou ficando com o papel do cientista que lhe rendeu grande notoriedade em sua carreira no cinema japonês. Além de filmes da franquia Godzilla e de outros filmes kaiju nas décadas de 1960 e 1970, Hirata pode ser visto nas séries tokusatsu Ultra Q, Ultraman, Ultra Seven e Daitstsujin 17. Iria participar do filme The Return of Godzilla, em 1984. Porém estava muito debilitado por causa de um câncer no pulmão. Faleceu aos 56 anos em 25 de julho de 1984. Deixou um legado para a história dos filmes kaiju e de seus fãs.

E aqui também vale a menção do ator Takashi Shimura, que foi o Dr. Kyohei Yamane neste filme e na sequência Godzilla Raids Again, de 1955. Meses antes da estreia de Godzilla, mais precisamente em abril de 1954, Shimura pôde ser visto em Os Sete Samurais como Kambei Shimada. Chegou a participar de vários filmes kaiju da Toho e mais alguns filmes de Kurosawa como O Anjo Embriagado (de 1948), Rashomon (de 1950) e Viver (de 1952). Participou dos filmes tokusatsu Os Bárbaros Invadem a Terra, Mothra, a Deusa Selvagem (1961), Gorath (1962), Ghidrah, O Monstro Tricéfalo (1964), Frankeinstein Contra o Mundo (1965) e Catástrofe - Profecias de Nostradamus (1974). Morreu em aos 76 anos no dia 11 de fevereiro de 1982, vítima de enfisema pulmonar.


Poster japonês de Godzilla, o Rei dos
Monstros. Estrelando: Raymond Burr
Em 27 de abril de 1956, o monstro gigante ganha as telas norte-americanas com o filme Godzilla, O Monstro do Mar (Godzilla, King of the Monsters). É preciso que se diga que esta foi a primeira adaptação de tokusatsu nos EUA. Ou seja, havia uma interação do elenco gringo com os eventos do filme original. A "americanização" ajudou a popularizar o kaiju na terra do Tio Sam e antecedeu o recurso usado na franquia Power Rangers (adaptação das séries Super Sentai no ocidente). O ator principal foi Raymond Burr, que estrelou a famosa séries de TV Perry Mason (ou "Pede Mais Um" como diria Seu Madruga) entre 1957 e 1966. Ele viveu o jornalista Steve Martin (não confunda com o ator de comédia) que foi ao Japão para cobrir uma matéria sobre o Godzilla. Martin tanto interagia com os personagens da trama original quanto servia como narrador-personagem. O mesmo foi reprisado por Raymond Burr quase trinta anos depois no filme Godzilla 1985. Uma reedição de The Return of Godzilla, do ano anterior.

Nos anos 50, o filme Godzilla, O Monstro do Mar foi exibido nos cinemas brasileiros. Em junho de 2015, Godzilla, Godzilla, O Monstro do Mar e O Monstro do Mar foram lançados no formato DVD-box pela distribuidora independente Obras-Primas do Cinema e de forma oficial, segundo consta em nota do Blog do Jotacê. A coleção foi batizada como Godzilla - Origens e provavelmente já tenha se tornado um item raro para colecionadores e figurando entre os poucos lançamentos recentes de tokusatsu em home-video em nosso país. Logo a adaptação Godzilla, O Monstro do Mar foi rebatizado como Godzilla - O Rei dos Monstros, seguindo a tradução direta do título em inglês. A coleção contém extras com entrevistas e documentários que abordam desde a concepção do filme até o legado deixado para cultura pop.

Assista o trailer do primeiro filme de Godzilla e de sua adaptação americana:



 

Confira também o teaser do box nacional Godzilla - Origens, pela distribuidora Obras Primas do Cinema:

segunda-feira, 5 de março de 2018

Homenagem a Haruo Nakajima foi uma grata surpresa no Oscar

O momento em que Nakajima é homenageado no Oscar (Foto: Reprodução)

Mais do que as premiações de filmes como A Forma da Água, Blade Runner 2049, Dunkirk etc, mais do que a ótima condução de Dira Paes nos comentários da transmissão na Globo (ela deu uma aula para Glória Pires) e mais do que menções do filme Pantera Negra (que não concorreu a nenhuma premiação), um momento honroso merece ficar na memória: a homenagem ao ator e dublê Haruo Nakajima, falecido em agosto de 2017.

Se você é fã de tokusatsu e nunca ouviu falar dele, por favor, pesquise sobre este que é um dos grandes nomes do tokusatsu. Nakajima foi consagrado como um dos maiores dublês de todos os tempos na história do gênero, especialmente em produções kaiju da Toho e da Tsuburaya. Sendo Godzilla o seu papel mais venerável em toda a carreira.

No momento "In Memoriam" da 90ª edição da Academia que aconteceu neste domingo (4), Eddie Vedder, da banda de rock Pearl Jam, apresentou um cover da música “Room at the Top” de Tom Petty and the Heartbreakers. Dentre vários artistas que morreram em 2017 foram homenageados, Nakajima foi lembrado. Uma surpresa e tanto para quem já acompanhou seu trabalho. Foi rápido, porém significativo e emocionante.

No Twitter, os fãs americanos de tokusatsu e filmes kaiju aproveitaram para homenagear este ícones que foi um dos colaboradores para a formação do gênero tokusatsu lá nos idos de 1954, nos estúdios da Toho. É lá nos EUA onde provavelmente deve se concentrar o maior número de fãs de Godzilla fora do Japão. Veja alguns relatos:

"Happy the #Oscars honored one of my favorite performers, Haruo Nakajima. A man truly dedicated to the monster movie craft."

"Thank you, @TheAcademy, for including Haruo Nakajima in the #InMemoriam segment of the #Oscars. #Godzilla".

"They included Haruo Nakajima in the In Memoriam. I'm glad."

"Loved that the Academy included Haruo Nakajima in their 'In Memorium' tribute."

Assista o momento In Memoriam do Oscar 2018:



PS: Outra celebridade japonesa que recebeu homenagens foi o diretor Seijun Suzuki, falecido em fevereiro de 2017. Ele é conhecido por filmes B e gênero Yakuza. Suzuki trabalhou em alguns filmes do animê Lupin III.

terça-feira, 6 de fevereiro de 2018

The Cloverfield Paradox é fraco, mas deixa pistas no ar

Os tripulantes da estação Cloverfield

A Netflix preparou uma surpresa guardada a sete chaves. Durante o intervalo da 52ª edição do evento esportivo Super Bowl, foi liberado o primeiro trailer de The Cloverfield Paradox. O que ninguém esperava era que o filme estava mais perto do que imaginávamos. O terceiro longa da franquia Cloverfield estreou na madrugada desta segunda (5) no Brasil e também nos outros países onde o canal de streaming atua. Uma jogada inédita (e esperta) da Netflix.

O primeiro filme foi lançado nos cinemas em janeiro de 2008, pela Paramount, e carregava dois conceitos: o primeiro era o estilo found footage. Espécie de documentário como A Bruxa de Blair, Distrito 9, entre outros. E o outro era o estilo de filmes kaiju. Gênero consagrado de filmes de monstros que começou com Godzilla, deu origem a outros personagens que marcaram o cinema japonês como Rodan, Gamera, Mothra etc e continua vivo na cultura pop. Na época, J.J. Abrams tinha parceria com Brian Burk na produção. Os conceitos mencionados foram abandonados a partir de março de 2016 com o segundo filme, Rua Cloverfield, 10, que tinha uma temática diferente e com terror psicológico. Assim a franquia começava a andar em caminho inverso ao Godzilla e Círculo de Fogo (ambos da Legendary Pictures) e tomava seu próprio rumo. Distanciando da sua proposta original. Abrams conta com Lindsey Weber, que substituiu Burk e segue até hoje com a produção.

O terceiro filme se passa num futuro próximo onde a humanidade sofre com a escassez de combustíveis. Afim de criar uma nova energia inesgotável, uma estação espacial é enviada em caráter especial. A jornada causa um rompimento no espaço-tempo e daí criando situações esquisitas. The Cloverfield Paradox tenta ser um filme assustador de ficção-científica, porém é cheio de clichês e não consegue ser mais do que isso. Porém, de alguma forma, consegue conectar ao filmes anteriores e até abrindo a possibilidade de acrescentar futuramente novos elementos na mitologia. O que pode render algumas respostas e também lacunas abertas (vide o que aconteceu em Lost, também de Abrams). Em parte, o filme prende atenção em alguns momentos, mas deixa a desejar em outros.

Ainda este ano, a franquia Cloverfield terá mais um filme, sendo o terceiro para as telonas. Overlord deverá servir como prólogo desta mitologia e tem previsão de estreia no Brasil para 25 de outubro.

quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

Godzilla retorna impetuosamente em trilogia animada

O novo animê do Rei dos Monstros (Foto: Divulgação/Netflix)

Com divulgação quase em cima da hora - para a nossa surpresa - a Netflix lançou a primeira parte da trilogia Godzilla: Planet of the Monsters (ou Gojira: Kaiju Wakusei) nesta quarta (17) para todos os assinantes do canal de streaming em mais de 190 países. Foram exatamente dois meses de espera desde o lançamento nos cinemas japoneses em 17 de novembro do ano passado. Esta é mais uma produção do estúdio Toho em parceria com a produtora Polygon Pictures. A mesma de animês com o selo de exclusividade Netflix como Knights of Sidonia, Ajin: Demi-Human e Blame!.

Ao invés de um kaiju que protege a humanidade, esta história mostra um Godzilla muito mais devastador e impetuoso do que nunca. Ou melhor, se tornou dono da Terra através da maior catástrofe já causada na veterana franquia. O primeiro ataque começou no final do século XX. O que obrigou os humanos a abandonarem a Terra. Vinte mil anos depois a humanidade retorna ao planeta sob o comando do capitão Haruo Sasaki, que está disposto a retomar a Terra do Rei dos Monstros. O salto no tempo se deve à uma viagem interdimensional. Uma saída que ajudou a abreviar a jornada depois da fracassada busca por um lugar habitável como a antiga Terra. Sasaki tem contas a acertar com Godzilla. É que seus pais foram vítimas do monstro quando tinha apenas quatro anos de idade.

A primeira parte serve de introdução. Sendo a primeira metade deste episódio carregada de muito diálogo e pouca dinâmica. Nenhum problema, já que faz parte de narrativa bem formulada que explora o histórico da destruição ao mesmo tempo em que os humanos procuram um meio de destruir Godzilla. O ritmo é compensado com muita ação na segunda metade.

Gen Urobuchi (de Kamen Rider Gaim e Madoka Magica) está a cargo da ideia original e do roteiro deste novo Godzilla. A produção conta com dois nomes da direção: o primeiro é Hiroyuki Seshita (de Ajin e Knights of Sidonia) e Kobun Shizuno (de Detetive Conan e Hokuto no Ken). Para interpretar Haruo Sasaki, o elenco conta com o excelente Mamoru Miyano (a inconfundível voz de Ultraman Zero).

O segundo episódio desta saga está marcada para maio deste ano no Japão e deve seguir o padrão de distribuição com poucos meses de atraso via Netflix. Está garantida uma versão do Mechagodzilla na sequencia.

Godzilla: Planet of the Monsters prepara o terreno para a volta do Rei dos Monstros nas telonas em 2019 e 2020. Duas sequencias da franquia MonsterVerse, da Legendary Pictures, onde Godzilla e King Kong irão se encontrar. Até lá a Toho não irá produzir nenhum filme tokusatsu do kaiju. É hora de aproveitarmos este novo e apocalíptico universo que nos apresenta um Godzilla visualmente parecido com aquele que conhecemos em 2014.

E se você é daqueles que dispensa créditos finais, há uma cena extra logo em seguida. Não perca.

sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

Ultraman vs. Hanuman: o encontro que gerou um grande problema para a Tsuburaya

Os seis Irmãos Ultra e a divindade Hanuman

Durante a história da Tsuburaya, uma das fases mais difíceis foi a parceria com o estúdio tailandês Chaiyo. Fruto de uma briga judicial que se arrastou por mais de dez anos e que teve seu fim em novembro passado. O símbolo desta parceria é de longe o constrangedor Ultra Roku Kyodai vs. Kaiju Gundan (Os Seis Irmãos Ultra contra o Exército de Monstros) que reuniu os heróis da Nebulosa M-78 e a divindade Hanuman.

Lançado em 26 de novembro de 1974, o filme contou a história de Koh um garoto que foi brutalmente assassinado por ladrões que roubaram a cabeça da estátua de Buda. Comovida com a bravura do garoto, a Mãe de Ultra convoca os seis irmãos Zoffy, Ultraman, Ultraseven, Ultraman Jack, Ultraman Ace e Ultraman Taro para transportar o corpo de Koh para M-78 e ressuscitá-lo como hospedeiro do deus-macaco Hanuman. Uma figura lendária que existe apenas na mitologia hindu.

Enquanto isso, a base Donuma Seven está prestes a testar um lançamento de foguetes. Donuma Seven é comandado pelo Dr. Wisut e ele conta com sua assistente Marissa e a dupla de pilotos Sipuak e Sisuliya. Ambos são bem bobocas e tentam fazer graça com atitudes bastante infantiloides, além de vestir uniformes da ZAT, o esquadrão anti-monstros de Ultraman Taro. Já a moça é um colírio para os olhos, porém sem muita utilidade para a trama.

A experiência com os foguetes foi catastrófica e isso despertou os kaijus Gomora (de Ultraman), Dustpan (de Mirrorman), Astromons, Tyrant e Dorobon (os três últimos são de Ultraman Taro). Após salvar Annan, o amigo de Koh, do perigo, Hanuman ressurge para impedir o ataque dos cinco monstros gigantes. Ao ser encurralado, os seis Irmãos Ultra aparecem para ajudar o novo companheiro e defender a Terra.

No longa de quase 2h de duração podemos ver cenas de séries e filmes antigos, trilhas sonoras (especialmente de Ultra Seven) e outros elementos da mitologia da Família Ultra reaproveitados. Um filme arrastado e que não causa a menor empolgação. Tem boas sequencias de ação, porém está longe da essência da franquia Ultra. Quase tudo é fraquíssimo e há situações improváveis como esmagar um bandido, mostrar cena de assassinato de criança, entre outras bizarrices. Ultra Roku Kyodai vs. Kaiju Gundan soou como uma desculpa pretensiosa para divulgar os Ultras como se fosse uma superprodução. Está anos luz de tal nível.

Ainda não é a produção mais constrangedora de todos os tempos, como os filmes orientais live action de Dragon Ball, por exemplo. Mas vale assistir pela curiosidade e como material de pesquisa sobre tokusatsu. Você não irá sentir saudades depois de conferir por si próprio. Muito menos a Tsuburaya que teve uma experiência constrangedora que ultrapassa a qualidade do filme. Tudo parecia acabar ali mesmo, mas este seria apenas o começo de uma grande dor de cabeça para o estúdio japonês.

Curiosamente no mesmo ano de lançamento desta bizarrice, a Chaiyo produziu Hanuman and the Five Riders, em parceira com a Toei Company. A divindade também se encontrou com os Riders Ichigô, Nigô, V3, Riderman e X. Mas isso é assunto para um outro post.

Ultra Roku Kyodai vs. Kaiju Gundan estreou no Japão apenas em 17 de março de 1979, semanas antes da estreia do animê TheUltraman. Série que marcou a volta temporária dos Ultras após o final de Ultraman Leo.

Fim da briga judicial em 2017

Capa do Laser Disc japonês do filme 
com destaquepara Ultraman Taro
Após a morte de Noburu Tsuburaya (segundo filho de Eiji Tsuburaya) em junho de 1995, o presidente da Chaiyo, Sompote Saengduenchai, afirmou no ano seguinte que havia um acordo firmado entre as empresas tailandesa e japonesa assinado cerca de 20 anos antes. Na ocasião foi apresentada uma carta com uma assinatura forjada, como se fosse do próprio Noburu Tsuburaya e com data de 4 de março de 1976. O suposto documento dizia que os direitos internacionais (com exceção do Japão) dos personagens da franquia Ultra até 1973 (ano de estreia de Ultraman Taro) foram transferidos para a Chaiyo.

A Tsuburaya afirmou que a tal carta era uma fraude e haviam evidências disso. O nome do estúdio japonês estava com grafia errada e Ultraseven foi referido como "Ultraman Seven". De acordo com os advogados da Tsuburaya, o sr. Noburu jamais erraria os nomes dos personagens. Apesar disso, a Chaiyo criou um seus próprios personagens baseados nos Ultras e inserido-os em shows, imagens promocionais e o famigerado filme tratado acima.

A disputa judicial pela marca Ultraman começou em meados de 2002 e atingiu o mercado ocidental, uma vez que o documento apresentado pela Chaiyo afirmava que os direitos de distribuição para outros países pertenciam a eles. O mais absurdo é que a Chaiyo afirmava que ela tinha parte da criação da franquia nos anos 60. O que todos sabemos que é uma falácia sem cabimento. Tal alegação teve como base uma visita que Eiji Tsuburaya fez na Tailândia e lá teria conhecido uma variedade de estátuas raras de Buda através de Saengduenchai e algumas dessas imagens serviria de inspiração para a criação do primeiro Ultraman. O fato é que a Chaiyo teve permissão oficial para negociação de merchandising de Ultraman na Tailândia e em mais cinco países da Ásia. Porém o presidente da Chaiyo diz ter sido prejudicado pela Tsuburaya e chegou a exigir uma carta de retratação numa determinada ocasião.

Em 20 de novembro deste ano, oito membros da corte jurídica de Los Angeles declararam por unanimidade que o tal contrato apresentado pela Tsuburaya não tem qualquer autenticação. Assim foram concedidos os direitos definitivos das primeiras séries Ultra para a Tsuburaya. Em outras palavras, séries como Ultra Q, Ultraman, Ultra Seven, O Regresso de Ultraman, Ultraman Ace e Ultraman Taro podem futuramente ser comercializadas fora do Japão para variadas mídias. Após esta longa e árdua batalha, a Tsuburaya conquista a vitória num ano bastante significativo/comemorativo que foi 2017.

quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

Ninguém vai sentir falta dos filmes Super Hero Taisen

Os últimos Riders da era Heisei

Saiu nesta quarta (13) um tweet do produtor Shinichirô Shirakura sobre a descontinuidade de Super Hero Taisen. A famigerada série de filmes da Toei que reúne as franquias Kamen Rider e Super Sentai na primareva japonesa. Quem assistiu sabe da bagunça que é. Fanservices malfeitos, situações forçadas, estratégias toscas, etc. Filmes como Super Hero Taisen GP: Kamen Rider 3 (2015) e Kamen Rider 1 (2016) são exceções e são recomendáveis.

A nota de Shirakura diz o seguinte:

"Nós não pretendemos fazer mais filmes de "primavera". O "Final" no título deste se refere a isso e concentrou esforços tantos para os filmes de inverno quanto para os de primavera. O filme de (Kamen Rider) Amazons é algo à parte, separada dos principais filmes Rider. Gostaríamos de trazer algo impressionante."

O "Final" que Shirakura se refere é ao filme Kamen Rider Heisei Generations Final: Build & Ex-Aid with Legend Rider, lançado no último fim de semana nos cinemas japoneses e que marca o fim da atual era imperial para os motoqueiros mascarados. Pelo que dá a entender, a Toei está abandonando esses formatos de filmes que vinha aderindo desde o começo da década. O filme de Kamen Rider Amazons é um caso isolado como foi explicado e servirá como desfecho da web-série.

Já era sem tempo da Toei mudar e fazer algo diferente. Mesmo com seus altos e baixos, Super Hero Taisen não passou de um circuito "caça-níquel". Alguns devem ficar felizes, outros nem tanto. Mas cá pra nós: foi uma série que não fará falta alguma. Quem sabe a Toei esteja preparando algo mais elaborado/inteligente para a próxima era.

Até aqui, a série de filmes Space Squad tem feito sucesso no Japão e, segundo declaração de Kenji Ohba (Gavan) na CCXP, terá continuação em 2018.