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sexta-feira, 28 de julho de 2017

Entrevista com Danilo Modolo, do canal TokuDoc

Danilo fala sobre seu primeiro livro (Foto: Divulgação/TokuDoc)

Em agosto será publicado pela Editora Estronho o livro Ultraman, escrito por Danilo Modolo, do canal TokuDoc. O comunicador está há cerca de 3 anos e meio falando sobre tokusatsu, trazendo um excelente conteúdo que aborda o universo dos monstros de borracha. O lançamento vem para agregar informações sobre uma das mais importantes séries do gênero. Uma fonte imprescindível - e obrigatória - para quem quer se aprofundar mais e entender como o tokusatsu é e funciona desde sempre.

Este será o primeiro livro brasileiro inteiramente dedicado ao herói gigante vindo da Nebulosa M-78. Danilo irá contar no livro a história por trás do clássico da TV, desde o surgimento do programa até os bastidores. As obras que surgiram pela influência de Ultraman também estarão presentes. Como exclusividade, o livro terá entrevistas com os dubladores brasileiros da série japonesa. Presentão para os fãs.

Danilo é de Piracicaba, São Paulo, e atualmente mora em Madri, capital da Espanha. De lá ele produz conteúdos voltados exclusivamente sobre tokusatsue carregados de informações, curiosidades, além de derrubar mitos e lendas urbanas. Ele é formado em rádio e televisão e já passou por diversas mídias. Já foi integrante de uma banda espacializada em hits de sucesso dos anos 80. O TokuDoc começou inicialmente como documentário sobre as séries e filmes do gênero. Hoje funciona como uma revista dinâmica sobre tokusatsu.

Danilo é amigo do Blog Daileon há cerca de dois anos e por aqui batemos um papo (com cafezinho e tudo) sobre seu mais novo lançamento e também sobre o seu canal no YouTube.


Ultraman e Alien Baltan na capa do livro
(Foto: Divulgação/Editora Estronho)
Blog Daileon: O que o levou a escrever um livro sobre Ultraman?

Danilo: O destino me deu essa missão totalmente sem querer. A editora que me convidou está colocando no mercado uma coleção com a temática de séries antigas (como Hulk dos anos 70, Perdidos no Espaço, Além da Imaginação). Entre eu e a editora havia um amigo escritor, que soube do TokuDoc e me convidou a escrever, apostando no trabalho, graças aos conteúdos criados pro canal. Foi um desafio e tanto, pois é minha primeira obra impressa e também o primeiro livro brasileiro sobre um herói de tokusatsu.

Blog Daileon: Quais conteúdos iremos encontrar neste lançamento?

Danilo: Me preocupei em escrever para atingir e agradar a todos. É um livro para leigos, fãs e fanáticos. Quem está conhecendo o herói agora, vai gostar. Quem acompanha desde sempre, vai saber algo mais. Quem só viu na época que passou na TV, vai saber mais e se atualizar. Tem desde o guia de episódios, até a relação de cada monstro e as inspirações para criá-los. Entrevista com os envolvidos com a série no Brasil e datas específicas de estréia, incluindo as inéditas e exclusivas ocorridas na TV brasileira, que foi uma das partes mais difíceis e penosas do material. Além do prefácio escrito pelo Alexandre Nagado.

Blog Daileon: Quando foi o seu primeiro contato com a série clássica e quais suas lembranças?

Danilo: Me lembro de ver gigantes contra monstros na extinta TV Pow, no SBT. Mas era tão novo que não aciona uma memória tão afetiva. Mas Ultraman está em todos os cantos. Qualquer produção, de qualquer país, qualquer blockbuster hollywoodiano tem ao menos uma pequena porcentagem de influência de Ultraman e suas maquetes ou fantasias. Muitos tem contato com as influências e referências que ele deixou, mesmo sem saber que vem dali.

Blog Daileon: Além do primeiro Ultraman, quais são suas séries favoritas da franquia Ultra?

Danilo: Seven é maravilhoso e deixou um legado importantíssimo, dentro e fora da franquia. Gosto do Mebius, do Ace, o proprio Orb, que é mais atual e virou "do avesso" o que se espera de uma série Ultra, mesmo mantendo tudo que precisa pra fazer parte da família. Enfim, falar de um é injustiça, eles são gigantes e não cabem dentro de uma simples opinião.

Ultra Seven, um clássico atemporal da Tsuburaya que completa cinco décadas em 2017

Blog Daileon: Cite algum momento marcante de Ultraman e porquê.

Danilo: Mas importante que ser convidado a escrever um livro sobre ele? Conhecer pessoas que gostam também e hoje são meus amigos.

Blog Daileon: Ultraman é considerado um cult do tokusatsu assim como outros títulos como Jaspion, Godzilla, Spectreman, National Kid, Jiraiya, Vingadores do Espaço, Flashman, Kamen Rider Black, Robô Gigante, Metalder, etc. Existe idade ou geração certa para acompanhar bons clássicos como estes?

Danilo: De forma alguma. É livre para todos e o TokuDoc está aí pra provar isso. Há seguidores de 8 e de 80 anos. Há pessoas que conheceram tokusatsu com Ultraman, com Power Rangers, com Jaspion, com o Ultraman Tiga e tem gente chegando por conta das atuais. As portas estão abertas para todos que querem se aproximar. Aliás, a séries de tokusatsu nos ensinam isso, sempre.

Blog Daileon: Em 2016, Ultraman completou 50 anos de sua estreia na TV japonesa e continua atravessando gerações. Pra você, qual a importância do gigante prateado na história do tokusatsu?

Danilo: Toda, igual já comentei nas respostas anteriores. A influência é tamanha que perdura a tanto tempo que são pouquíssimas as séries que ainda se mantém na ativa depois de décadas e atravessando gerações, se reinventando e reaprendendo consigo mesma. Cito dois exemplos claros: Jaspion e Changeman são cultuados no Brasil como "as melhores series", mas sem Ultraman e Ultra Seven elas não seriam metade do que são pela quantidade de referências e inspirações que há na criação.

Blog Daileon: Baltan ou Zetton? Qual destes vilões da série clássica você mais curte?

Danilo: Tenho que escolher algum do mal? Fico com Pigmon que é feio, mas poderia ser criado como um membro da família. Ahahahaha!

Blog Daileon: Nestes 3 anos, o TokuDoc se tornou uma referência tanto pra quem curte clássicos quanto para quem acompanha novas/recentes produções do tokusatsu. O que se deve o sucesso do canal até hoje?

Danilo: Além do diferencial pela abordagem, creio que o fator sinceridade ajuda. Faço porque gosto de fazer e falar sobre o assunto. E claro, o pessoal que segue passa um feedback positivo e me guia no melhor caminho. O TokuDoc não foi criado para fama própria, mas sim valorizar o tema no Brasil e elevar outra vez ao "mainstream", aproveitando a força da internet. O tokusatsu há 30 anos esta(va) guardado como peça de museu. Então, o foco, antes de tudo, é provar que o tokusatsu tem força e pode ser sempre valorizado.

Blog Daileon: Ultraman Geed, a mais nova série da franquia Ultra, estreou recentemente. Quais são suas expectativas para o semanal?

Danilo: Geed chegou com uma carga dramática e uma responsabilidade enorme antes mesmo de começar. A Tsuburaya está sabendo reinventar a franquia de uma forma assustadoramente positiva. A expectativa está a melhor possível.

Blog Daileon: Danilo, muito obrigado pela entrevista. Deixe uma mensagem para os leitores.

Danilo: O obrigado eu é quem deixo, pelo convite e pelo apoio de quem está lendo e acompanha o TokuDoc. Tudo que aconteceu até agora é porque o pessoal que gosta do tema apoia de alguma forma. Espero que também apoiem o livro, pra mostrar que o tokusatsu no Brasil não se resume apenas a nostalgia, mas que tem espaço independente da mídia usada.

O livro Ultraman, de Danilo Modolo, estará a venda em breve. Mais informações na página do site da Editora Estronho. Danilo estará em agosto aqui no Brasil para participar de eventos e divulgar o lançamento. Mais informações no canal TokuDoc no Youtube e nas redes sociais como Facebook e Twitter.

E ATENÇÃO! A pré-venda do livro Ultraman foi lançada nesta sexta (28). Mais informações na Loja Virtual da Editora Estronho. Aproveite!

Assista o vídeo com o anúncio oficial do livro Ultraman:

terça-feira, 8 de novembro de 2016

Entrevista com Alexandre Nagado

Nagado e seu novo Almanaque da Cultura Pop Japonesa (Foto: Divulgação)

A segunda edição do Almanaque da Cultura Pop Japonesa, escrita por Alexandre Nagado, é o mais novo lançamento da Editora Kimera. A primeira edição foi lançada em 2007 pela Via Lettera e serviu de copilação de várias matérias escritas ao longo da carreira do redator que já passou por várias mídias como a famosa revista Herói e site Omelete. O foco da nova edição será voltada à nostalgia de vários seguimentos da cultura pop japonesa entre os anos 60 e 90 como anime, mangá, música e tokusatsu. A diferença é que esta é uma versão ampliada e trará novos conteúdos que estão recheadas de informações, curiosidades e muito mais. A Família Ultra é um dos fortes destaques no livro.

Nagado tem um papel importante para a história da divulgação desse entretenimento. É desenhista profissional e trabalhou nos roteiros de quadrinhos brasileiros de Flashman, Maskman e Changeman (séries tokusatsu da franquia Super Sentai exibidas pela extinta Rede Manchete) pela editora Abril, nos anos 90. Na mesma época, pela editora EBAL, escreveu histórias inéditas nos quadrinhos de Sharivan, Goggle V e Machine Man (séries tokusatsu exibidas pelas emissoras Bandeirantes e Record). Em 1993, Nagado trabalhou em 15 edições da revista Street Fighter II, se tornando um dos autores que mais criou histórias em quadrinhos oficiais da famosa franquia da Capcom.

Ministrou palestras em várias cidades do Brasil em eventos ligados ao gênero. Em 2008 foi ao Japão como um dos selecionados para o Jovens Líderes, programa promovido pela MOFA (Ministry of Foreign Affairs) que serviu como parte integrante das comemorações do Centenário da Imigração Japonesa no Brasil.

Entrevistei Alexandre Nagado, que fala sobre a segunda edição do Almanaque da Cultura Pop Japonesa, além de temas atuais desse universo.


Blog Daileon: O que o levou a fazer uma nova edição do Almanaque da Cultura Pop Japonesa?

Nagado: Foi por insistência do editor Vanderlei Sadrak, da Editora Kimera. Em 2010, ainda na Via Lettera, o Almanaque havia passado por uma atualização ortográfica, pois estava em vias de ser comprado para distribuição em bibliotecas de escolas estaduais. A compra acabou não acontecendo e não mexemos mais nisso. Daí, em 2015, resolvi soltar o Almanaque em formato digital, mas isso durou pouco. O Vanderlei, que é amigo do meu amigo Tiburcio (da webcomic Meu Monarca Favorito) me procurou interessado em republicar o Almanaque. Fui bem resistente à ideia, pois tinha um outro projeto de livro em mente, mas acabei topando quando ele aceitou que a edição fosse ampliada. O processo de preparação foi bem demorado, mas compensou.

Blog Daileon: Quais são as novidades que encontraremos nesta edição?

Nagado: Além da nova capa, entraram algumas matérias que ficaram de fora da edição original, por falta de espaço. São textos sobre Cybercop (extraído da Herói), Lion Man (do extinto Nihonsite) e Cavaleiros do Zodíaco – Prólogo do Céu (do Omelete). Ainda, um texto de 2015 sobre o Ultraman X para o portal UOL. Dois textos antigos, um sobre J-pop e outro sobre a revista Shonen Jump, foram trocados por outros mais recentes.

Blog Daileon: Você é um grande fã da Família Ultra e ela é um dos destaques no novo Almanaque. Pra você, qual a importância dos heróis da Nebulosa M-78 no contexto histórico do tokusatsu?

Nagado: Foram os Ultras que sedimentaram o tokusatsu na televisão. Ultraman foi um enorme sucesso, seguido por Ultraseven. São séries cultuadas até hoje e que mostram diferentes momentos do tokusatsu, com histórias excelentes que são debatidas até hoje por fãs e pesquisadores. Em termos de público de nicho, hoje eles dividem espaço com Kamen Rider, Metal Heroes e Super Sentai, as franquias da Toei. Mas em termos mais amplos, falando de cultura pop japonesa de forma abrangente, não há paralelo com as demais franquias. Ultraman é praticamente uma instituição japonesa.


Blog Daileon: Entre as décadas de 1960 e 1990, quais suas séries favoritas de anime e tokusatsu e por quê?

Nagado: Meu animê favorito de todos os tempos é a Patrulha Estelar (Yamato). Gostava das naves, do clima de heroísmo clássico, do drama e da trilha sonora, que é apaixonante. Também gosto muito de Zillion, Speed Racer, A Princesa e o Cavaleiro, Sawamu e outros. Entre os tokusatsu, Ultraman, Ultraseven e O Regresso de Ultraman têm lugar garantido. Além deles, Robô Gigante, Spectreman. Do material anos 80, meus favoritos são o Jaspion, Changeman, Maskman, Metalder, Kamen Rider Black, RX e Jiraiya. Dos anos 90, tem Jetman e Dairanger, além do Ultraman Tiga. Falar do que eu gostava em cada um daria um livro...


Blog Daileon: Como você analisa o mercado de séries japonesas pelos canais de streaming?

Nagado: É um mundo de possibilidades infinitas. O simulcast oficial e legalizado é a maior conquista em termos de mercado.


Blog Daileon: Você já ministrou palestras em várias cidades do Brasil. Conte-nos um pouco sobre esta fase.

Nagado: Realmente viajei bastante dando palestras sobre cultura pop japonesa. Passei por cidades como Rio de Janeiro, Curitiba, Fortaleza, Campo Grande e Recife, para citar algumas. Cada experiência teve suas peculiaridades e minhas palestras sempre foram adaptadas ao público, fossem universitários, adolescentes ou pessoal mais velho. No SANA de 2009 (Fortaleza, CE), lembro de estar esperando a vez de entrar no palco e estava conversando com a desenhista Erica Awano. Uma garota então nos abordou com os olhos brilhando e perguntou se tínhamos vindo do Japão. É que ela tinha conhecido poucos orientais na vida e estava literalmente encantada, pois adorava cultura japonesa e estava num evento com convidados do Japão. Que não éramos nós, claro. Lá estavam o Hironobu Kageyama, o Masaaki Endo e o Hiroshi Kitadani, do JAM Project.


Blog Daileon: Nos anos 90 era possível encontrar produções japonesas apenas com versões legendadas no mercado de TV por assinatura e home-video. Hoje em dia, parte do público brasileiro que acompanha anime/tokusatsu cria certa resistência por preferir acompanhar este tipo de material apenas com dublagem. Qual sua opinião sobre o assunto? 

Nagado: Gosto de boas dublagens, mas acho que devem existir as duas opções para o espectador. Isso é liberdade de escolha.


Blog Daileon: Atualmente você trabalha como funcionário público. Existe algum segredo para conciliar o tempo de serviço com este tipo de hobby?

Nagado: Segredo não tem, mas depende do seu ritmo. Eu trabalho na área de segurança patrimonial, com horários em escalas diferentes de um trabalho “normal”, de horário comercial. Não tenho finais de semana ou feriados, mas tenho metade dos dias do mês livres para cuidar de meus projetos. Eventualmente faço freelas de ilustração ou criação de texto e roteiro, além de tocar meu blog. E ainda faço minha parte pra cuidar da casa. Sou casado e tenho duas filhas pequenas. E criamos duas gatinhas também. A vida é corrida, mas consigo brechas para fazer um pouco coisas de que gosto. Mas sinto que a vida passa rápido demais...


Blog Daileon: Você tem alguma expectativa sobre o novo filme dos Power Rangers que estreia em 2017?

Nagado: Parece que vai ter um apelo meio sombrio. Que eu não acho que tem a ver com Super Sentai, mas não quero ter visões preconceituosas. Verei sem grandes expectativas. Não sou entusiasta de Power Rangers e mesmo Super Sentai sou bem seletivo, pois é a franquia que em geral menos me interessa.

Blog Daileon: Nagado, muito obrigado por sua entrevista e deixe um recado para seus leitores.

Nagado: Agradeço demais a oportunidade e a consideração por me convidar para uma entrevista. Para aqueles que curtem cultura pop japonesa de modo abrangente, convido a conhecer meu blog, o Sushi POP. E tokusatsu é um dos assuntos mais recorrentes por lá, especialmente Ultraman. Obrigado pela atenção.

PS: Nesta segunda (7) começou uma promoção-relâmpago promovida pelo TokuDoc, do grande amigo Danilo Modolo, para concorrer a DOIS almanaques. Saiba como participar através da fan page do canal no Facebook. Não perca essa oportunidade!

segunda-feira, 26 de outubro de 2015

Papeando sobre tokusatsu no Blog Toku Force

Hoje saiu no Blog Toku Force um mais um Papo de Tokufã e o convidado é este blogueiro que vos escreve. Lá falei algumas curiosidades e respondo sobre alguns temas polêmicos que foram assunto aqui neste espaço durante o ano.

Deixo aqui o meu agradecimento aos brothers Admilton Ribeiro e Venâncio Souza - os owners do Toku Force - pelo convite e pela oportunidade. Grato também aos leitores do TF que estão curtindo. Eu também sou parceiro e colaboro com notícias e conteúdo pela equipe da fan page do blog no Facebook.

Esta é a segunda entrevista que concedo. A primeira foi no final do ano passado no Blog Tatisatsu, escrito pela senpai Taty de Sousa (a quem também mando um grande abraço).




sexta-feira, 7 de novembro de 2014

EXCLUSIVO! Entrevista com William Kawamura, da dupla Larissa e William

William fala pela primeira vez em público após 18 anos do fim da dupla

ATUALIZAÇÃO (11/11): Inserção de fotos do acervo pessoal de William

Este é o Blog DAILEON! E hoje trago pra vocês a nossa primeira entrevista, hoje com William Kawamura, estreando aqui o nosso bloco de entrevistas. Ele que juntamente com Larissa Tassi formaram a dupla Larissa e William (leia mais sobre a dupla aqui) no ano de 1995. Os dois são responsáveis pelo sucesso do anime Os Cavaleiros do Zodíaco nas emissoras de rádio de todo o Brasil, com o tema nacional de abertura, que foi exibido na Rede Manchete. Um fenômeno jamais visto e repetido neste meio de comunicação. A dupla seguiu por todo o país fazendo shows e cantando as músicas de Seiya e seus amigos. A dupla vendeu cerca de 1 milhão de cópias do álbum dedicado aos heróis da TV, o que lhes renderam Discos de Ouro, Platina e Platina Dupla. Sem contar pelas passagens por vários programas de TV.


Acompanhe a entrevista também através do YouTube:


A dupla se separou. Larissa continua em carreira musical, e William está afastado dos holofotes. Mas hoje ele está aqui pra nossa primeira entrevista exclusiva do blog. Orgulhosamente, com EXCLUSIVIDADE!!!


William Kawamura, seja bem-vindo ao Blog DAILEON.


Olá, César. Olá a todos os fãs de Cavaleiros do Zodíaco. É uma honra. É a minha primeira entrevista depois de quase 18 anos de silêncio. Bom, estamos aí pro que der e vier.


Quando foi o seu primeiro contato profissional com a música?


A primeira vez que tive contato com a música eu tive ao dez anos de idade. Cantava em festivais na escola e sempre cantei, fazia apresentações, alguns teatros e tal. Mas diretamente com a música mesmo, profissionalmente, foi no momento em que conheci a Larissa. Fiz alguns concursos de cantores mirins e com isso acabei conhecendo a Larissa, acabei me interagindo mais com o mundo da música, com programas de TV e com apresentações gerais.



Conta pra gente como você e a Larissa foram escalados pra cantar temas nacionais dos Cavaleiros?


Foi assim. Eu e a Larissa, como falei antes, participávamos muito de apresentações em praças públicas, concursos de cantores mirins. E a gente ficou sabendo sobre um teste que o Estúdio Mosh, um famoso estúdio que fica em São Paulo, estava fazendo testes para formar o novo Trem da Alegria na época. Ou seja, no caso, dois meninos e uma menina. E nessa época nós fizemos o teste. Entramos em estúdio com mais de duas mil, duas mil e quinhentas crianças. Não lembro a quantidade certa de crianças. E por eliminatória ficou eu, a Larissa e mais um menino. Não sei o que aconteceu na época. Não sei se ele desistiu ou se cortaram ele. Sobraram eu e a Larissa pra poder formar, até então, o Trem da Alegria da nova geração, na época. Isso em 1994-95. Com o sucesso estrondoso que tava fazendo Os Cavaleiros do Zodíaco, eles resolveram formar uma dupla e acabou acontecendo. Gravamos inicialmente as três primeiras músicas do CD do anime, depois gravamos o restante das músicas por causa do grande sucesso que também teve o CD.



Quais as expectativas que a dupla tinha em interpretar músicas dedicadas a um desenho japonês que estava sendo uma grande febre em todo o Brasil?


Inicialmente a gente não teve expectativa nenhuma. Era pra ser o Trem da Alegria, como falei, mas a gente acabou gravando as três primeiras músicas do CD dos Cavaleiros do Zodíaco, que seriam as principais músicas. Eram "Os Cavaleiros do Zodíaco", "Seiya, o Cavaleiro de Pégaso" e "Saori". A gente só ia fazer um projeto piloto. É aquele tipo de CD que é cantado por vários intérpretes. Então, se você for ver, o CD é assim. Por causa do grande sucesso do desenho em si e da música, todo mundo queria saber quem cantava e eles resolveram lançar a dupla como os cantores oficiais das músicas do seriado da TV, até então. E com isso a gente a gente acabou se apresentando como dupla, regravamos as demais faixas do CD, já como Larissa e William, os cantores das demais músicas, e foi assim que aconteceu. Foi muito meteórico e muito rápido. A gente não tinha noção do que tava acontecendo na época. Depois de algum tempo, depois de shows que a gente fez por todo o Brasil, é que a gente foi entender a dimensão do sucesso de Cavaleiros do Zodíaco é hoje e naquela época e, na minha opinião, foi até mais.



Você imaginava que a música de trabalho, que foi tema de abertura na extinta Rede Manchete, pudesse fazer tanto sucesso nas emissoras de rádio como fez?


Cara, imaginar jamais! O máximo que pensei que ia acontecer é que ia ter uma certa referência devido ao anime. Mas nunca imaginei que ia ser uma febre meteórica do jeito que foi. Nunca ia imaginar isso. Mesmo porque foi uma verdadeira avalanche de sucesso na época. Tanto é que gerou muitos prêmios. Disco de Ouro, Disco de Platina... Imaginar mesmo que seriam nessas proporções, jamais. Um dia desses eu tava olhando no YouTube um documentário referente a isso, e mesmo eu estando no meio daquilo eu não tinha a mínima noção do tão meteórico que era o sucesso. Aliás, eu até recomendo ver o vídeo. Chama-se A Força de Pégaso no Brasil. Meu, chega a dar nó na garganta de tanta emoção.



William, você lembra de algum fato curioso do tempo em que você cantava na dupla?


Um fato curioso não, mas um fato engraçado. Quando eu fui fazer o teste, me falaram que eu ia gravar a música dos Cavaleiros do Zodíaco, que já era sucesso antes mesmo de ter sido lançada essa música, que seria referente à "segunda temporada" na Manchete. Eu lembro que o Dalmo Beloti, que era o produtor da Sony Music na época disse: "Olha, não vai ser mais o Trem da Alegria". E a gente disse: "Ué, não vai ser mais? Como assim?". E ele disse: "Vocês vão gravar as músicas dos Cavaleiros do Zodíaco". Eu lembro que minha reação na hora que eu ouvi isso eu falei: "Nossa, aquele desenho chato? Que desenho ridículo! O cara solta raio pela mão. Desenho mentiroso do caramba." E a mãe tava do meu lado e me deu um beliscão e disse: "Cala a boca! Fica quieto! O que você tá falando?". (risos) Depois que a gente gravou a música dos Cavaleiros, eu comecei a assistir todo o dia a Rede Manchete, todo o dia eu assistia um episódio do anime só pra ver se lançavam logo a música. Eu tava ansioso e ficava assistindo, mais pra ver se eles lançavam logo a música que eu tinha cantado, porque era essa a minha intenção. Assistir o desenho, mas era pra ouvir a música de abertura. Meu, do nada. Me apaixonei. Virei um dos maiores fãs de Cavaleiros do Zodíaco, só por causa disso. Esse é que é o fato engraçado. (risos) Hoje em dia acompanho Os Cavaleiros do Zodíaco. Ainda não tive oportunidade de ver o filme que estreou no cinema (Os Cavaleiros do Zodíaco: A Lenda do Santuário). Eu tô louco pra assistir, apesar das críticas monstruosas que tem. (risos) Mas me tornei um fã de carteirinha. Acho que um dos maiores fãs de Cavaleiros do Zodíaco.



William, agora fale um pouco sobre a Larissa Tassi. Você ainda tem contato com ela hoje em dia?


Olha, pessoalmente não. Mantive contato com ela mais pelo Facebook, por inbox. Há uns dois anos atrás a gente se falou por telefone. Toda a vez que eu a Larissa nos falamos por telefone a conversa dura mais ou menos uma hora e meia ou duas horas. Mas pessoalmente não. A gente se fala muito pouco. Foi só dessa vez mesmo que por telefone e a gente falou por bastante tempo. Já faz uns dois anos. Mas contato, contato mesmo a gente não tem mais não.



Quais as recordações que você guarda da passagem da dupla pelos programas de TV da época? Há alguma lembrança em especial?


Um em especial e inesquecível, cara. Quando eu era calouro, eu fui no (Programa) Raul Gil. A primeira vez que eu fui como calouro. Eu tava tão nervoso na época, mas tão nervoso que eu acabei cometendo alguns erros na hora que eu comecei a cantar com a banda e o Raul Gil me mandou sair do palco e interrompeu a banda. Ele falou que eu era ruim. E eu chorei muito, me senti humilhado pra caramba. E depois que eu gravei o (single) "Cavaleiros do Zodíaco" junto com a Larissa, a gente acabou indo também no Raul Gil. E eu tenho certeza que quando ele me viu ele me olhou ele lembrou do que ele fez. Então, foi gratificante pra mim saber que eu voltei no programa dele como profissional, sendo que ele já tinha me barrado como amador. Como calouro, no caso. Inesquecível é claro que foi quando tivemos oportunidade de ir no programa da Xuxa e gravamos três Xuxa Hits. Um da época dos Cavaleiros do Zodíaco, que foi um estrondo. Tanto que tem o vídeo da dupla Larissa e William no Xuxa Hits. Quem procurar no YouTube vai encontrar. E também no segundo álbum que eu e a Larissa gravamos. Foi assim, inesquecível, cara.



Nossa! Momentos bem curiosos. Queria que você contasse algum momento marcante que não saiu mais da sua cabeça.


Naquela época teve o Programa Livre com o Serginho Groisman, que era no SBT ainda. E a gente recebeu Disco de Ouro ao lado de Sandy & Júnior e de vários outros artistas mirins da época. Foi muito gratificante. A gente ganhar na frente de Sandy & Júnior não é pra qualquer um. Outro momento marcante foi no show de Tocantins, que foi um recorde de público. Eu não vou saber te dizer agora qual o número exato de pessoas que tinha no show. Mas foi o recorde que a gente teve. E também, outro momento marcante, foi em Campina Grande, na Paraíba, quando a gente fez um show no Spazzio (casa de shows). Eu não sei se ainda existe hoje. Teve o show de Larissa e William o no dia seguinte teria o show do Roberto Carlos. Então, pra mim foi assim, dividir o palco e cantar no mesmo palco que cantou Roberto Carlos foi muito forte.



Recentemente o anime completou 20 anos no Brasil. Pra você, qual a importância de Cavaleiros do Zodíaco atualmente?


Olha, eu posso dizer que a extinta Rede Manchete foi uma das emissoras mais inteligentes. Apesar de não ter conseguido se manter e ter fechado as portas, foi uma emissora porque ela soube aproveitar o que o anime e o que Os Cavaleiros do Zodíaco representavam para as crianças e os adolescentes na época. Hoje em dia, não vou dizer que as outras não sejam inteligentes, mas as emissoras de TV hoje não estão mais interessadas em um sucesso meteórico de anime. O que interessa pra eles é mais essa coisa de Funk ostentação, coisas que são apelativas pro público em si. Cavaleiros do Zodíaco nunca foi apelativo. Simplesmente chegou, ficou e dominou a parada na época. E se tivesse uma boa divulgação hoje, por exemplo, do filme que foi pro cinema, Os Cavaleiros do Zodíaco: A Lenda do Santuário, com certeza estaríamos vendo aí mais um sucesso meteórico. Porque até hoje em dia até o próprio Masami Kurumada ele fez Os Cavaleiros do Zodíaco Omega, a qual já foi dublada pelo estúdio DuBrasil. Se tivesse uma certa divulgação e um certo investimento, garanto que teria muito mais coisa pra gente ver de Cavaleiros do Zodíaco no Brasil. E quanto aos 20 anos do anime, fiquei sabendo de um evento que está tendo, Cavaleiros In Concert, o qual eu não estou incluso. Sendo que eu deveria estar incluso, mas isso já é um outro assunto. 20 anos de Cavaleiros do Zodíaco não é pra qualquer um, não é qualquer anime, não é qualquer desenho. Acho que a única coisa que repercutiu tanto e que hoje o pessoal assiste é o Chaves, que dá pra se comparar assim. Mas nem se compara, claro. Cavaleiros do Zodíaco é completamente diferente.




William, estamos quase terminando nossa entrevista. Muitos fãs se perguntam: "Onde está o William?". Então, como é que está o William depois de 18 anos fora da mídia?

Eu estou estudando radiologia. Sou empresário. Tenho o meu próprio negócio. Não fico parado, cara. Claro que eu tenho vontade sim de voltar a cantar, mas acho que está muito disputado. Eu tenho três filhos hoje: O Cristian de 10 anos, o Pietro de 4 anos e o Brian de 4 meses. Então eu tô priorizando mais os meus filhos em dar uma boa vida e uma situação legal pra eles pra eles poderem correr atrás dos sonhos deles mesmos. Tô tocando a loja, eu faço alguns serviços externos, já fui coordenador de negócios também pela Honda Brasil. E é isso, cara. Se surgir uma oportunidade de voltar a cantar, é claro que eu vou abraçar. Eu sempre gostei disso. Referente ao Cavaleiros In Concert, fica aí a minha opinião. Se eu não me engano estão Edu Falaschi, Rodrigo Rossi, Ricardo Cruz, Larissa Tassi fazendo alguns shows pelo Brasil usando o nome Cavaleiros do Zodíaco. E eu deixo a minha opinião. Eu acho que eu tenho que estar no meio desse Cavaleiros In Concert, porque, queria ou não, quem iniciou tudo isso foi Larissa e William.


William, eu quero agradecer, em nome de todos os fãs de Cavaleiros do Zodíaco, de toda a Geração Manchete que acompanhou você e a Larissa, por nos conceder esta importante entrevista. Que inclusive é a primeira do blog. Então, eu queria que você deixasse um recado para os fãs da série e da dupla Larissa e William.


Bom, eu é que agradeço pela entrevista e pela oportunidade de você ter me dado pra falar aqui realmente o que aconteceu na época, qual foi a repercussão disso, e como eu estou hoje. Aos fãs de Cavaleiros do Zodíaco, muito obrigado. Continuem curtindo. Eu sei que vocês gostam muito da série em si. Curtiu e ainda curte até hoje a dupla Larissa e William, apesar dela não existir mais hoje. E o que eu tenho pra falar é o seguinte: Me aguardem. Eu pretendo sim voltar pra essa parte de Cavaleiros do Zodíaco. Pretendo também fazer parte do Cavaleiros In Concert. Tô tentando entrar em contato com o pessoal, mas essa é a minha intenção. É voltar aos tempos de Cavaleiros do Zodíaco. Me aguardem fãs. Um beijo pra todos, um abraço, fiquem com Deus.

*Entrevista realizada em 25 de outubro de 2014.