terça-feira, 27 de março de 2018

Toei deveria repensar sobre exibições de animês em praças

Final entre Jiren e Goku levou Dragon Ball Super ao mainstream

Você deve saber do rolo em que o México se meteu ao exibir o penúltimo episódio de Dragon Ball Super em praças e sem autorização da Toei Animation, né? Comentei sobre isso neste post. Apesar de arriscado, algumas cidades brasileiras entraram na mesma onda. Bares, shoppings, centros culturais e outros estabelecimento resolveram aderir também a exibição pública do episódio final que foi ao ar neste fim de semana.

Vendo pelo lado da Toei, ela pode se sentir prejudicada e tal. Como produtora, tem suas razões. É um direito que lhe assiste. Agora vendo por outro lado, podemos tirar de longe a popularidade que a franquia de Akira Toriyama ainda tem. A iniciativa era inédita até então (esse tipo de coisa funcionava mesmo apenas em eventos voltados para o nicho) e pode funcionar muito bem com franquias de séries populares de animê como em algum episódio de estreia ou final de uma nova série d'Os Cavaleiros do Zodíaco, por exemplo.

Quer dizer, animações japonesas de grande sucesso atraem multidões como numa partida da seleção brasileira um jogo da Copa do Mundo. Nesse teste (se é que podemos dizer) feito com Dragon Ball Super, vimos que a série saiu de uma mera esfera de fãs e saltou para o mainstream. Mesmo que temporariamente. Algo similar pode acontecer? O tempo dirá. Mas o resultado foi positivo com a final do Torneio do Poder.

Esse momento é oportuno para a Toei avaliar o resultado e sair da "caixinha". O mesmo vale para o serviço oficial de streaming Crunchyroll que poderia aproveitar a popularidade de alguns animês para promover eventos assim. Isso ajudaria a expandir a divulgação da cultura pop japonesa, por meios legais e atraindo novos espectadores.

segunda-feira, 26 de março de 2018

Círculo de Fogo - A Revolta revigora a força do cinema kaiju

Gipsy Avanger contra um medonho kaiju

Se você é fã de tokusatsu e nunca ouviu falar de kaiju, então precisa conhecer Círculo de Fogo - A Revolta. A sequência do filme de 2013 já está em cartaz, depois de incertezas sobre a continuação. Talvez você nunca tenha assistido o primeiro filme, estrelado por Idris Elba. Mas essa aventura vale tanto para quem viu quanto para quem pegar o bonde agora.

A mitologia criada pelo mexicano Guillermo del Toro há cinco anos quando era diretor do primeiro filme (atuou como produtor em A Revolta) ainda faz jus, mantendo a qualidade e divertindo o público com batalhas entre robôs e monstros gigantes. Del Toro é fã de tokusatsu e, na ocasião do primeiro Círculo de Fogo, se encontrou com o Alien Baltan, de Ultraman. E claro, não menos importante, o filme bebe da fonte de Godzilla e de outros kaijus famosos do cinema japonês que ganharão nova vida em 2019 e 2020, na franquia MonsterVerse, também pela produtora Legendary.

A história se passa 10 anos depois da derrota dos kaiju e foca em Stacker Pentecost (John Boyega), filho do herói Jake (Idris Elba) que era piloto de Jeager (nome dado aos mechas/robôs gigantes da trama). O garotão segue a vida na contramão de seu pai e cuida da adolescente Amara Namani (Cailee Spaeny), adotada por ele como sua irmã mais nova, após ela perder a família num ataque de um kaiju. Os dois são enviados para se prepararem para uma missão especial através de Mako Mori (Rinko Kikuchi), a filha adotiva de Jake. A ocasião se deve a um lançamento de uma nova linhagem de Jeager criada por uma empresa chinesa e alguém (que parece ser mais aficionado por monstros gigantes do que o normal) está infiltrado planejando um caos em todo planeta. É hora de Stacker e seu parceiro Nate Lambert (Scott Eastwood, o filho caçula de Clint) entrarem em combate com o poderoso robô Gipsy Avanger.

A direção e o roteiro são de Steven S. Denight e este seu primeiro trabalho para as telonas, sendo que já trabalhou com séries de TV como Spartacus, Buffy, Angel, Smallville e Dollhouse. Bom, tudo ali tem a cara e o jeitão de del Toro de fazer filmes kaiju, pois ele conhece bastante coisa do tipo. A diversão é garantida e renova essa nova onda de kaiju no mainstream.

O final dá um gancho para uma possível continuação. Enquanto isso não se confirma, teremos mais Godzilla quebrando tudo de novo no ano que vem. Haja coração.

domingo, 25 de março de 2018

Final de Dragon Ball Super foi um tanto generoso

Freeza e Goku no momento em que unem suas forças contra Jiren (Foto: Reprodução/Crunchyroll)

Fim da saga para Goku e cia na TV. Dragon Ball Super acabou neste domingo (25) e de longe foi um dos finais mais esperados. Foi destaque fora do nicho de animês pelo mundo afora (apesar de maneira safada). Por mais que a nossa consciência apontasse o Sétimo Universo como vencedor, o que importava mesmo era como essa disputa entre Goku e Jiren iria acabar. Ou melhor, o Saiyajin contou com a ajuda de Freeza e Androide Nº 17 quando parecia estar vencido pelo excessivo poder do Instinto Superior.

A união do trio evidenciou a confiança entre eles (ainda mais com um vilão) e isso foi decisivo para vencer Jiren, que renegava a amizade de seus companheiros do Décimo Primeiro Universo por orgulho. O mesmo companheirismo mudou os laços entre Goku e Freeza. Antigos inimigos que tiveram que, no fim das contas, lutar juntos por um bem em comum.

Com a vitoria do Sétimo Universo, Daishinkan encarrega ao Nº 17 o pedido para as Super Esferas do Dragão, por ter sido o único a sobrar na arena. Ninguém esperava que o pedido fosse a ressurreição dos demais Universos que haviam sido extintos no Torneio do Poder. Aliás, isso estava em cogitação até um tempo atrás, mas quase ninguém lembrava mais disso. Ninguém esperava que poderia ser assim, já que o 17 estava pensando em como ajudar sua família. Embora terminasse tudo bem pra todos, foi bastante generoso da parte dele e mais do justo. Até Freeza teve sua sua redenção. Foi ressuscitado. Uma cortesia de Bills. Merecido ou não, Freeza foi mal necessário para o Sétimo Universo vencer este Torneio.

Dragon Ball Super vai fazer falta. Os domingos não serão mais os mesmos sem Goku, Vegeta e toda a turma. Akira Toriyama fez um Dragon Ball diferente, mais carismático possível, sem perder a essência e acrescentando novos personagens e elementos à mitologia que ele criou lá nos idos de 1984. E que venha o filme de Dragon Ball Super, na esperança dessa nova aventura pintar o mais breve nas nossas telonas.

Até um dia, Goku.

sábado, 24 de março de 2018

Agente duplo de Kamen Rider Build sempre foi um bom suspeito

Sawa no episódio 27 de Build

Desde o primeiro arco da série que ficou claro que Sawa Takigawa (Yukari Taki) ainda era suspeita de trabalhar para Seito. Ela comoveu os personagens principais, da região de Touto, como se estivesse se aliando aos heróis. Ok, mas ela aprontaria cedo ou tarde.

E foi o que aconteceu nos dois episódios anteriores de Kamen Rider Build. Ela trabalha como informante da região de Seito e passou para o Primeiro Ministro tudo o que os Riders de Touto estavam preparando. No meio do time estava Kazumi Sawatari/Kamen Rider Grease, de Hokuto.

Você deve se lembrar que no episódio passado Sawa ligou para Kazumi pedindo ajuda. Talvez o Rider de Hokuto também esteja trabalhando ou seja uma simples cobaia. Veremos isso a seguir. Esse detalhe certamente será crucial para a batalha entre Sento/Build e Gentoku/Rogue.

Sawa que já atuava desde sempre como agente duplo e isso deverá mudar mais uma vez os rumos da série desde a "traição" de Soichi Isurugi/Blood Stalk. 

sexta-feira, 23 de março de 2018

O Monstro da Bomba H (1958)

O primeiro filme tokusatsu fora da linhagem kaiju

Pela primeira vez a Toho faria uma produção tokusatsu fora do estilo kaiju, porém contando uma boa história de ficção científica. De acordo com registros oficiais, Hideo Unagami, ex-ator do estúdio Shochiku que foi contratado pela Toho (participou em papeis pequenos em Rodan!... O Monstro do Espaço e Os Bárbaros Invadem a Terra), apresentou seu projeto para um filme chamado Bijo To Ekatai-Ningen (A Bela e a Pessoa Líquida). O produtor Tomoyuki Tanaka gostou bastante e deu sinal verde para o projeto ir adiante. Com direção de Ishiro Honda e efeitos especiais de Eiji Tsuburaya, a Toho iniciava uma série de filmes sobre mutantes para o cinema como The Human Vapor (de 1960) e Matango, a Ilha da Morte (de 1963). Conhecido nos EUA como The H-Man (e às vezes confundido com o trash A Bolha Assassina, que foi lançado meses depois), o filme ficou conhecido no Brasil como O Monstro da Bomba H. Como o título japonês sugere, seria uma versão assombrosa de A Bela e a Fera no cinema japonês. Estreou por lá em 24 de junho de 1958.

Tudo começa com o desaparecimento de um contrabandista chamado Misaki que fora atropelado e apenas suas roupas estavam no chão. A misteriosa morte chama atenção da polícia e a investigação leva a pistas como tráfico de narcóticos e uma cantora de cabaré (isso mesmo!) chamada Chikako Arai (Yumi Shirakawa), a namorada do falecido Misaki. Dr. Masada (Kenji Sahara), professor assistente da Universidade Jyoto, procura Arai para buscar pistas e acaba se tornando suspeito pela polícia. Masada explica que tem uma teoria sobre o desaparecimento de Misaki, que pode estar ligado a derretimento humano causado por uma forte radiação da chuva que caiu durante a noite em que Misaki morreu.

Inicialmente sem creditar nas palavras do Dr. Masada, a linha investigativa, comandada pelo Inspetor Tominaga (Akihiko Hirata mais uma vez!) avança e descobre que o misterioso caso tem origem num experimento nuclear que causou o desaparecimento do navio Ryujin Maru II no sul Oceano Pacífico. Isso seria obra de um terrível mutante.


Uma típica cena de terror

Bem como a premissa de Godzilla, O Monstro da Bomba H foi baseado na história real do barco de pesca Daigô Fukuryu Maru (ou Luck Dragon 5) que havia entrado nas água de onde foram realizados testes com Bomba H. Os tripulantes sofreram radiação e foram mortos por envenenamento. Em novembro de 1957, o trio Tanaka, Honda e Tsuburaya finalizaram a história com o roteirista Takeshi Kimura, o mesmo de Rodan!... O Monstro do Espaço e Os Bárbaros Invadem a Terra. Pessimista, Kimura ficou encarregado de consubstanciar elementos do roteiro original de Unagami. Apesar do passo significativo para consolidar o gênero tokusatsu, o misto de investigação e ficção científica não era novidade para o público japonês, pois isso estava presente desde a década de 1920 com a popularidade de revistas como Shinseinen (Nova Juventude) e Kagaku Gaho (Ciência Pictorial).


O último filme da dupla Kenji Sahara e Yumi Shirakawa
Esta foi a terceira e última vez que Ishiro Honda juntou Kenji Sahara e Yumi Shirakawa para formar um par no cinema. Sahara trabalhou em vários filmes de Honda, além de estrelar a série Ultra Q (Tsuburaya, 1966) como Jun Manjome. E Shirakawa participou de vários filmes fora do tokusatsu, sendo que voltaria em 1962 em Gorath. Inclusive, a saudosa atriz (falecida em 2016) sutilmente chama atenção por sua estonteante beleza. Era de longe uma das musas de seu tempo.

Tsuburaya conseguiu produzir os efeitos dos humanos em dissolução através de bonecos de látex em tamanho natural dos atores que interpretaram as vítimas. Com filmagens de câmeras de alta velocidade, Tsuburaya literalmente deixa escapar o ar desses bonecos, e quando combinada com efeitos ópticos na pós-produção, eles pareciam ser dissolvidos pelos monstros gelatinosos. Bem feitos para os padrões da época.

quinta-feira, 22 de março de 2018

Super ainda não excluiu Dragon Ball GT do cânon e ninguém se lembrou da Mai

A Mai do Futuro em Dragon Ball Super

Em julho de 2015 escrevi este artigo onde eu questionava sobre a permanência ou exclusão de Dragon Ball GT no cânon da franquia. O texto foi postado dias antes da estreia de Dragon Ball Super na TV japonesa. Na época, os fãs (principalmente aqueles que detestam DBGT) já ansiavam por isso. Ate hoje recebo um bom número de comentários no antigo post e com o tempo o debate foi se alongando. Alguns reclamaram justamente pela confusão da cronologia. Algo que até agora Akira Toriyama não explicou.

Talvez ele não venha a falar sobre isso tão cedo, já que Dragon Ball Super terá uma continuação no cinema. Alguns pontos podem justificar ou não o que vem a ser Dragon Ball GT, que cronologicamente se passa dez anos a frente de DB SuperÉ óbvio que qualquer afirmação que não seja de Toriyama ou da Toei Animation não passa de suposições. Coisa do "campo das ideias". Pode ser que Dragon Ball GT se torne uma história alternativa. Isso poderá vir mais cedo ou mais tarde. Paciência. O que talvez ninguém se indagou ainda é quanto ao fator Mai.

Em GT ela estava velha, ainda era integrante da gangue do Pilaf e sumiu depois da fracassada missão onde Goku se tornou criança novamente através das Esferas do Dragão. Já em Super a coisa toma outro rumo. Ela se torna criança, vira namoradinha do Trunks e sua versão do futuro foi de relevância.

A personagem pode ser um dos pontos a determinar o destino de DBGT no cânon da franquia que pode mesmo ficar em segundo plano. Ela é a chave que leva-nos a crer nessa lógica. Aguardemos.

quarta-feira, 21 de março de 2018

Exibição púbica de Dragon Ball Super no México foi um erro vergonhoso

Jiren no episódio deste domingo (18)

Quem diria que a atual série de Goku e cia poderia gerar um grande problema entre Japão e México, né? O caso se deu por governos locais do México decidirem exibir o penúltimo episódio de Dragon Ball Super neste fim de semana. A exibição, que não teve permissão alguma da Toei, estava marcada para sábado (domingo de manhã no fuso horário japonês). A produtora ficou sabendo com antecedência da tal exibição em praças. Se ainda não acompanhou o caso, saiba mais aqui.

A iniciativa é boa? Com certeza. É louvável. É interessante ver algum evento do tipo acontecer. Isso dá uma certa visibilidade à franquia de Akira Toriyama e mostrar ao grande público que Dragon Ball não parou nos anos 90. Porém o que faltou por parte dos representantes mexicanos foi um mero detalhe: direitos autorais.

A Toei está certa em reclamar? Sim, ela é quem produz a série. Sendo mais específico, bem como todo animê, existe uma grande equipe que trabalha nos bastidores e que ganha por isso. Sequer houve uma consulta, uma permissão, um planeamento do México com a Toei. O que agravou ainda mais foi a divulgação maciça que gerou essa proporção. Por sinal, a Crunchyroll detém direitos da exibição de Dragon Ball Super via streaming e, se houvesse uma consulta ao canal de streaming, o evento poderia acontecer ou não. Independente do resultado, haveria a intenção de se fazer um evento oficial e a palavra final seria da Toei.

O caso virou um problema diplomático que pode afetar as relações entre México e Japão. O que não deixa de ser uma desconfiança e desconforto. Torço pra que o problema seja resolvido da melhor maneira possível, mas esse caso não deixa de ser histórico e um exemplo a jamais ser seguido por aí. Todos acabam perdendo no fim das contas. 

terça-feira, 20 de março de 2018

Os Bárbaros Invadem a Terra; um clássico do tokusatsu de 1957


A Toho estava se firmando no conceito de fazer filmes de monstros e de ficção científica com recursos próprios de produção. Após produzir dois filmes de Godzilla (leia aqui e aqui) e um de Rodan, o estúdio oficializava um novo projeto cinematográfico para contar aventuras de ficção científica. Essa era a vontade de Ishiro Honda. O lendário diretor queria trabalhar em um filme de ficção científica mais realista. Fazendo uma metáfora com o cenário da Guerra Fria. Oriente contra Ocidente e transmitir uma simples e esperançosa mensagem universal de paz onde a humanidade estaria unida para criar uma sociedade pacífica.

O produtor Tomoyuki Tanaka recrutou Jojiro Okami, um engenheiro aeronáutico e piloto de testes militares para escrever o roteiro de um novo filme. Mais tarde, Okami se tornaria autor de filmes como Mundos em Guerra (Battle in Outer Space, 1959), Gorath (1962) e Dogora, O Invasor Espacial (Dogora the Space Monster, 1964). Durante o desenvolvimento do filme, Honda, respeitando os cientistas, temia o perigo da ciência e imaginava que quem pudesse controlá-la poderia assumir a Terra inteira.

Assim surgia o projeto Chikyu Boeigun (algo como "Força de Defesa da Terra") e foi lançado nas telonas do Japão em 28 de dezembro de 1957. Baseado no conto de mesmo nome escrito por Shigeru Kayama (1904-1975). Conhecido nos EUA como The Mysterians, o filme também passou no Brasil como Os Bárbaros Invadem a Terra. Foi a primeira produção da parceria entre Honda e o diretor de efeitos especiais Eiji Tsuburaya no projeto TohoScope, em formato anamórfico similar à antiga tecnologia de filmagem e projeção CinemaScope. Portanto o primeiro filme tokusatsu no formato de tela 16:9 ou widescreen. Segundo biografia sobre Ishiro Honda, publicada em outubro de 2017 por Steve Ryfle e Ed Godziszewski, os números precisos de orçamentos para a produção de Os Bárbaros Invadem a Terra são esquivos. Honda havia mencionado em certa ocasião que este foi o filme mais caro que Godzilla e Rodan.


O contra-ataque de Moguera

Durante um tradicional festival de verão, próximo ao Monte Fuji um misterioso incêndio destrói uma floresta em grande proporção. Cientistas tentam desvendar o caso através de um asteroide que teria passado uma vez entre os planetas Júpiter e Marte. Acredita-se que isso seja obra de invasores do espaço. O astrofísico Ryoichi Shiraishi nomeou o corpo celeste como Mysterioide.

Enquanto a equipe investigava a área do incêndio, ocorre um grande terremoto provocado pelo robô gigante Moguera (leia: "Môguerá"), que estava camuflado nas montanhas. O ataque de Moguera obriga os cidadãos a evacuarem a cidade. Enquanto isso, o exército trava uma batalha para derrubar a criatura mecânica.

Os alienígenas chamados de Mysterianos (eles usam capacetes e óculos escuros. Um visual bastante brega nos dias de hoje) se revelam para os cientistas e dizem que sabem sobre os cientistas, até mesmo seus nomes. Os Mysterianos querem um "pequeno sacrifício" para evitar uma possível guerra: eles desejam se acasalar com mulheres da terra para procriar uma nova raça de Mysterianos. Previamente foram escolhidas cinco, sendo que três delas foram capturadas. Caso a exigência não seja cumprida, a Terra sofrerá um ataque com bombas de hidrogênio (mais uma referência às causas e efeitos da radioatividade no período pós-guerra). Isso sem contar que os invasores ameaçam disparar um raio com um poder equivalente a um terremoto na região de Kanto.


A primeira tentativa de negociação entre os terráqueos e os Mysterianos

Com excelente trilha sonora de Akira Ifukube (o mesmo de Godzilla), Os Bárbaros Invadem a Terra é um prato cheio pra quem curte clássicos da década de 50, sci-fi, aliens, naves, raios, explosões, arsenais de guerra, pânico e tudo o que uma boa produção do gênero tem direito. São de lá efeitos sonoros que posteriormente foram utilizados em clássicos como Ultraman e Ultra Seven.

Os Bárbaros Invadem a Terra é simplesmente um dos melhores filmes kaiju da era de ouro da Toho e que todo fã de tokusatsu deveria procurar para assistir. Divertidíssimo!

Atores em destaque

Moguera recauchutado nos anos 90
O elenco principal foi formado por atores haviam participado de filmes anteriores de tokusatsu pela Toho. Kenji Sahara foi o ator que viveu um homem num barco em Godzilla e viveu o protagonista Shigeru Kawamaru em Rodan!... O Monstro do Espaço. Neste filme ele interpreta Joji Atsumi. A belíssima Yumi Shirakawa foi Etsuko Shiraishi. Anteriormente havia feito par com Kenji Sahara no filme de Rodan e ambos contracenariam juntos mais uma vez no ano seguinte no filme O Monstro da Bomba H.

Momoko Kochi, a Emiko Yamane do primeiro filme de Godzilla, foi Hiroko Yamamoto. A personagem foi a noiva do astrofísico Ryoichi Shiraishi, vivido nada mais e nada menos do que o lendário astro dos filmes kaiju Akihiko Hirata. Mais uma vez os dois contracenam como casal de noivos que não deu certo. E não para por aí. O personagem de Hirata é um personagem a se prestar bastante atenção, pois ele guarda algumas surpresas para quem ainda não assistiu.

Takashi Shimura foi o Dr. Tanjiro Adachi. Outro personagem importante na trama. Shimura é conhecido principalmente por viver Kambei Shimada em Os Sete Samurais (de Akira Kurosawa) e o Dr. Yamane no primeiro filme de Godzilla.

E o saudoso dublê Haruo Nakajima vestia neste filme o traje do mecha Moguera, vilão que ganharia outras versões posteriormente. 

Curiosidade

O mecha Moguera ganhou uma releitura em 1994 como M.O.G.U.E.R.A., no filme Godzilla vs. SpaceGodzilla. Tanto a versão antiga da era Showa quanto a da era Heisei já apareceram em diversas mídias da franquia Godzilla em games e livros. Na TV japonesa, Moguera aparece na série Godzilla Island, atualmente disponível mundialmente via YouTube pelo canal oficial do Rei dos Monstros. Sempre com "novos" episódios às segundas e sextas.

segunda-feira, 19 de março de 2018

Na reta final do Torneio do Poder, Dragon Ball Super supera expectativas

Goku e Jiren medindo forças numa batalha épica (Foto: Reprodução/Crunchyroll)

Foi uma série com altos e baixos, conseguiu divertir em muitas coisas, enrolou em outras, acertou, errou e agora sua melhor fase está chegando ao fim. Sem dúvida alguma, o Torneio do Poder era aquilo que precisávamos ver desde o fim de Dragon Ball Z. Agora falta apenas um episódio para acabar Dragon Ball Super (que terá uma continuação em dezembro nos cinemas japoneses).

Na arena estavam Goku e Jiren. Dois guerreiros de grande poder e com diferentes ideais. O episódio deste domingo (18) enfatizou esse abismo entre eles. Um acabou conquistando amigos ao longo do tempo através de combates. E o outro é triste/solitário/amargurado e não aceita perder de jeito nenhum.

Não apenas isso. Vimos o desfecho desta violenta batalha (não tanto quanto na era de Dragon Ball Z, mas tá valendo) e que insistia em não acabar. Se você acompanha notícias sobre a série, provavelmente ficou sabendo da possibilidade de Goku perder a luta e Jiren ter que enfrentar Freeza e Nº 17. O primeiro já estava escondido na arena e - quem prestou bem atenção - já esperava que ele aparecesse num momento oportuno. Já o segundo tinha ativado sua autodestruição e conseguiu sobreviver. E foi exatamente isso o que aconteceu.

Pode parecer uma bola fora, mas já era hora de Goku ter uma mãozinha (ou duas) para vencer essa parada. Claro, ele lutou muito bem e nada do que ele fez foi em vão. A luta poderia ter terminado ali mesmo se não fosse o "efeito colateral" do Instinto Superior. De qualquer forma, Freeza e 17 darão um troco no Jiren e garantir a sobrevivência do Sétimo Universo. Sinal de que o nosso herói nunca esteve sozinho.

Já podemos dizer que a série cumpriu sua missão e marcou o público. Provou que pode ser tão bom quanto DBZ, embora uns desavisados digam o contrário. Esta rivalidade entre Goku e Jiren veio pra ficar registrada nos anais da franquia.

E aqui vai um adendo deste blogueiro: eu já tinha comentado por aqui que acreditava na possibilidade de Freeza trair seus colegas de time. Não foi isso que aconteceu e foi uma surpresa esse heroísmo. Surpresa essa que não veio de agora e sim de poucos dias atrás, conforme as pistas foram surgindo através de notícias sobre Dragon Ball Super.

quarta-feira, 14 de março de 2018

Rodan!... O Monstro do Espaço (1956)

O monstro dos céus devastando tudo

Godzilla foi um marco na história do cinema japonês. Isso possibilitou que o daikaiju fosse conhecido mundialmente. Em 1956, estreou nos EUA o filme Godzilla, King of the Monsters (No Brasil: Godzilla, o Monstro do Mar e/ou Godzilla - O Rei dos Monstros), adaptação do filme original de dois anos antes, quando nascia despretensiosamente o gênero tokusatsu. Enquanto isso, a Toho resolve criar um novo monstro para o cinema. Um clássico que se tornou uma obra de arte e uma referência para produções de tokusatsu e até mesmo na cultura pop em geral.

Rodan!... O Monstro do Espaço (ou Sora no Daikaiju Radon; algo como "Radon, o Monstro Gigante dos Céus") é historicamente considerado como o segundo maior sucesso do produtor Tomoyuki Tanaka. É também o segundo trabalho de filmes kaiju/tokusatsu da extensa carreira do lendário diretor Ishiro Honda. O filme que estreou no Japão em 26 de dezembro de 1956 foi escrito por Ken Kuronuma. Novelista de ficção científica que ficou conhecido também por roteirizar o clássico Varan - O Monstro do Oriente (1958).


O monstro inseto Meganulon

Em Kyushu, no sul do Japão, uma pequena aldeia de mineração de Kitamasu é inundada. Os mineradores resgatam uma vítima que sofreu ferimentos fora do comum. A princípio, Goro, um dos mineradores que havia desaparecido, se torna suspeito, porém com descrição. Ao procurar Goro, alguns mineradores encontram uma misteriosa criatura que ataca-os ferozmente.


Mesmo com as suspeitas, Shigeru Kawamura, um colega de Goro, não acredita que o colega tenha sido capaz de atacar seus companheiros de forma tão macabra. Um dia, quando vai visitar Kiyo, a irmã de Goro, Shigeru é surpreendido pelo paleozoico monstro inseto Meganulon. Os policiais e também os mineradores vão atrás de deter Meganulon (ele faz um barulho terrivelmente ensurdecedor), que em seguida ataca um dos homens.

As pistas vão surgindo e apontam para uma ameaça bem pior. Numa velocidade supersônica, uma criatura gigante, semelhante a um pteranodonte começa a fazer suas vítimas. Eis em cena o monstro Rodan (Radon). O mistério gera outros mistérios. De onde veio Rodan? Teria ele vindo do espaço? Seria uma criação da natureza ou do próprio ser humano? Qual o meio de derrotar Rodan? Para ajudar a desvendar o caso, os trabalhadores contam com a ajuda do biólogo Kyuichiro Kashiwagi, que pode ser a chave para deter o monstro.


Rodan!... O Monstro do Espaço foi primeiro filme colorido de kaiju/tokusatsu. Mais uma vez Eiji Tsuburaya trabalhou com maestria com os efeitos especiais, que ficaram bem melhores do que os dois filmes anteriores de Godzilla. As cores também devem ter ajudado a deixar as cenas de catástrofes mais realistas possíveis -- para os padrões da época. Foi nesse filme que nasceram sequencias de explosões, civis correndo desesperados no meio do dia e arsenais como tanques e mísseis etc. Modelo que serviu de inspiração para produções de tokusatsu nas décadas seguintes (incluindo até mesmo aquelas séries oitentistas que passaram no Brasil) e que estão presentes atualmente em séries das franquias Super Sentai e Power Rangers.

A trilha sonora é assinada por Akira Ifukube, o lendário maestro que compôs para os filmes de Godzilla, além de grandes clássicos da Toho. E aqui vai mais uma honrosa menção ao saudoso dublê Haruo Nakajima, o mesmo que assumia o papel do Rei dos Monstros. Curiosamente, ao filmar a cena onde Rodan cai da Ponte Saikai, a polia que segurava o sr. Nakajima se quebrou e o dublê caiu de uma altura de 7 metros. Mas felizmente as asas e a água com um metro e meio de profundidade absorveram o grande impacto.

Rodan volta a aparecer nos filmes Ghidrah, O Monstro Tricéfalo (1964), A Guerra dos Monstros (da franquia Godzilla; 1965), O Despertar dos Monstros (da mesma franquia; 1968), Godzilla vs. Mechagodzilla II (1993), Godzilla - A Batalha Final (2004) e futuramente em . Já Meganulon voltou a aparecer somente 44 anos depois no filme Godzilla vs. Megaguirus (2000).

Rodan é um clássico obrigatório do tokusatsu e é ícone da cultura pop. Curiosamente, o personagem já foi uma das formas da criatura sobrenatural Pennywise no livro It - A Coisa, do mestre do terror Stephen King. A referência de um daikaiju surge ao lado de outros personagens conhecidos do cinema como o Lobisomem, o Drácula, o Monstro da Lagoa Negra, Frankeistein, entre outros. Rodan deverá ganhar uma versão americana em 2019 no filme Godzilla: o Rei dos Monstros, da saga MonsterVerse do estúdio Legendary, onde prepara terreno para a luta entre Godzilla e King Kong. Uma boa dica para já entrar no clima.

Assim como a maioria dos filmes clássicos de Godzilla e outros filmes kaiju da Toho, Rodan foi exibido no Brasil em circuitos de cinema no Bairro da Liberdade, onde se concentra a maior colônia japonesa no país. Passou na TV aberta pelas emissoras Tupi, Record e Bandeirantes.

Atores em destaque


Yumi Shirakawa como Kiyo no filme
de Rodan
Kenji Sahara (seu nome verdadeiro é Masayoshi Kato) apareceu no primeiro filme de Godzilla como um homem de um barco. Reaparece como o mesmo personagem na adaptação nipo-americana de 1956, mas não teve seu nome creditado. Seu primeiro papel de notoriedade foi em Rodan!... O Monstro do Espaço como Shigeru Kawamura. Antes deste filme, adotava o nome artístico Tadashi Ishihara. Participou dos filmes tokusatsu Os Bárbaros Invadem a Terra (1977), O Monstro da Bomba H (1958), entre tantos outros. Na TV, apareceu nas séries Ultra Q, Ultra Seven, O Regresso de Ultraman, Ultraman 80, Ultraman Nexus e Ultraman Mebius. Sendo um dos nomes mais conceituados entre os atores japoneses de tokusatsu, já participou de uma edição do evento americano G-FEST em 2009.

Yumi Shirakawa foi Kiyo no filme de Rodan. Além do destaque neste filme, ela foi conhecida no Japão por seus trabalhos em filmes e séries de TV. Aparece nos filmes tokusatsu Os Bárbaros Invadem a Terra, O Monstro da Bomba H e Gorath (1962). Era casada com o falecido ator Hideaki Nitani que já participou da série tokusatsu Mighty Jack, da Tsuburaya. Yumi Shirakawa morreu aos 79 anos no dia 14 de junho de 2016.

Rodan!... O Monstro do Espaço foi o segundo filme tokusatsu do saudoso ator Akihiko Hirata (astro dos filmes kaiju que se consagrou como o Dr. Serizawa no primeiro filme do Godzilla), onde viveu o Prof. Kyuichiro Kashiwagi.