quarta-feira, 14 de março de 2018

Rodan!... O Monstro do Espaço (1956)

O monstro dos céus devastando tudo

Godzilla foi um marco na história do cinema japonês. Isso possibilitou que o daikaiju fosse conhecido mundialmente. Em 1956, estreou nos EUA o filme Godzilla, King of the Monsters (No Brasil: Godzilla, o Monstro do Mar e/ou Godzilla - O Rei dos Monstros), adaptação do filme original de dois anos antes, quando nascia despretensiosamente o gênero tokusatsu. Enquanto isso, a Toho resolve criar um novo monstro para o cinema. Um clássico que se tornou uma obra de arte e uma referência para produções de tokusatsu e até mesmo na cultura pop em geral.

Rodan!... O Monstro do Espaço (ou Sora no Daikaiju Radon; algo como "Radon, o Monstro Gigante dos Céus") é historicamente considerado como o segundo maior sucesso do produtor Tomoyuki Tanaka. É também o segundo trabalho de filmes kaiju/tokusatsu da extensa carreira do lendário diretor Ishiro Honda. O filme que estreou no Japão em 26 de dezembro de 1956 foi escrito por Ken Kuronuma. Novelista de ficção científica que ficou conhecido também por roteirizar o clássico Varan - O Monstro do Oriente (1958).


O monstro inseto Meganulon

Em Kyushu, no sul do Japão, uma pequena aldeia de mineração de Kitamasu é inundada. Os mineradores resgatam uma vítima que sofreu ferimentos fora do comum. A princípio, Goro, um dos mineradores que havia desaparecido, se torna suspeito, porém com descrição. Ao procurar Goro, alguns mineradores encontram uma misteriosa criatura que ataca-os ferozmente.


Mesmo com as suspeitas, Shigeru Kawamura, um colega de Goro, não acredita que o colega tenha sido capaz de atacar seus companheiros de forma tão macabra. Um dia, quando vai visitar Kiyo, a irmã de Goro, Shigeru é surpreendido pelo paleozoico monstro inseto Meganulon. Os policiais e também os mineradores vão atrás de deter Meganulon (ele faz um barulho terrivelmente ensurdecedor), que em seguida ataca um dos homens.

As pistas vão surgindo e apontam para uma ameaça bem pior. Numa velocidade supersônica, uma criatura gigante, semelhante a um pteranodonte começa a fazer suas vítimas. Eis em cena o monstro Rodan (Radon). O mistério gera outros mistérios. De onde veio Rodan? Teria ele vindo do espaço? Seria uma criação da natureza ou do próprio ser humano? Qual o meio de derrotar Rodan? Para ajudar a desvendar o caso, os trabalhadores contam com a ajuda do biólogo Kyuichiro Kashiwagi, que pode ser a chave para deter o monstro.


Rodan!... O Monstro do Espaço foi primeiro filme colorido de kaiju/tokusatsu. Mais uma vez Eiji Tsuburaya trabalhou com maestria com os efeitos especiais, que ficaram bem melhores do que os dois filmes anteriores de Godzilla. As cores também devem ter ajudado a deixar as cenas de catástrofes mais realistas possíveis -- para os padrões da época. Foi nesse filme que nasceram sequencias de explosões, civis correndo desesperados no meio do dia e arsenais como tanques e mísseis etc. Modelo que serviu de inspiração para produções de tokusatsu nas décadas seguintes (incluindo até mesmo aquelas séries oitentistas que passaram no Brasil) e que estão presentes atualmente em séries das franquias Super Sentai e Power Rangers.

A trilha sonora é assinada por Akira Ifukube, o lendário maestro que compôs para os filmes de Godzilla, além de grandes clássicos da Toho. E aqui vai mais uma honrosa menção ao saudoso dublê Haruo Nakajima, o mesmo que assumia o papel do Rei dos Monstros. Curiosamente, ao filmar a cena onde Rodan cai da Ponte Saikai, a polia que segurava o sr. Nakajima se quebrou e o dublê caiu de uma altura de 7 metros. Mas felizmente as asas e a água com um metro e meio de profundidade absorveram o grande impacto.

Rodan volta a aparecer nos filmes Ghidrah, O Monstro Tricéfalo (1964), A Guerra dos Monstros (da franquia Godzilla; 1965), O Despertar dos Monstros (da mesma franquia; 1968), Godzilla vs. Mechagodzilla II (1993), Godzilla - A Batalha Final (2004) e futuramente em . Já Meganulon voltou a aparecer somente 44 anos depois no filme Godzilla vs. Megaguirus (2000).

Rodan é um clássico obrigatório do tokusatsu e é ícone da cultura pop. Curiosamente, o personagem já foi uma das formas da criatura sobrenatural Pennywise no livro It - A Coisa, do mestre do terror Stephen King. A referência de um daikaiju surge ao lado de outros personagens conhecidos do cinema como o Lobisomem, o Drácula, o Monstro da Lagoa Negra, Frankeistein, entre outros. Rodan deverá ganhar uma versão americana em 2019 no filme Godzilla: o Rei dos Monstros, da saga MonsterVerse do estúdio Legendary, onde prepara terreno para a luta entre Godzilla e King Kong. Uma boa dica para já entrar no clima.

Assim como a maioria dos filmes clássicos de Godzilla e outros filmes kaiju da Toho, Rodan foi exibido no Brasil em circuitos de cinema no Bairro da Liberdade, onde se concentra a maior colônia japonesa no país. Passou na TV aberta pelas emissoras Tupi, Record e Bandeirantes.

Atores em destaque


Yumi Shirakawa como Kiyo no filme
de Rodan
Kenji Sahara (seu nome verdadeiro é Masayoshi Kato) apareceu no primeiro filme de Godzilla como um homem de um barco. Reaparece como o mesmo personagem na adaptação nipo-americana de 1956, mas não teve seu nome creditado. Seu primeiro papel de notoriedade foi em Rodan!... O Monstro do Espaço como Shigeru Kawamura. Antes deste filme, adotava o nome artístico Tadashi Ishihara. Participou dos filmes tokusatsu Os Bárbaros Invadem a Terra (1977), O Monstro da Bomba H (1958), entre tantos outros. Na TV, apareceu nas séries Ultra Q, Ultra Seven, O Regresso de Ultraman, Ultraman 80, Ultraman Nexus e Ultraman Mebius. Sendo um dos nomes mais conceituados entre os atores japoneses de tokusatsu, já participou de uma edição do evento americano G-FEST em 2009.

Yumi Shirakawa foi Kiyo no filme de Rodan. Além do destaque neste filme, ela foi conhecida no Japão por seus trabalhos em filmes e séries de TV. Aparece nos filmes tokusatsu Os Bárbaros Invadem a Terra, O Monstro da Bomba H e Gorath (1962). Era casada com o falecido ator Hideaki Nitani que já participou da série tokusatsu Mighty Jack, da Tsuburaya. Yumi Shirakawa morreu aos 79 anos no dia 14 de junho de 2016.

Rodan!... O Monstro do Espaço foi o segundo filme tokusatsu do saudoso ator Akihiko Hirata (astro dos filmes kaiju que se consagrou como o Dr. Serizawa no primeiro filme do Godzilla), onde viveu o Prof. Kyuichiro Kashiwagi.

terça-feira, 13 de março de 2018

Godzilla Raids Again; sequência de 1955

Godzilla enfrenta Anguirus ao lado do famoso Castelo de Osaka

O primeiro filme de Godzilla foi um grande sucesso de bilheteria e isso abriu portas para a criação de vários filmes kaiju posteriormente, tanto pela Toho quanto por outros estúdios. Assim surgia - naturalmente e sem grandes pretensões em existir - o gênero tokusatsu que, com o tempo, foi expandido do cinema para a TV e outras mídias. O sucesso de Godzilla motivou a Toho a fazer uma sequência em poucos meses e com novos personagens. Com estreia marcada de Godzilla Raids Again para 24 de abril de 1955. O diretor Ishiro Honda foi substituído por Motoyoshi Oda, um contemporâneo dele e de Akira Kurosawa. Tomoyuki Tanaka e Eiji Tsuburaya continuaram respectivamente responsáveis da produção e da criação de efeitos especiais.

Logo após os eventos do filme anterior, os pilotos Shoichi Tsukioka e Koji Kobayashi estavam à procura de peixes para uma empresa de conserva de atum, situada na cidade de Osaka. Devido a um mal funcionamento de seu avião, Kobayashi faz um pouso forçado numa ilha. Tsukioka vai atrás de resgatar o amigo e eles descobrem dois monstros gigantes se enfrentando. Um deles é Godzilla e o outro é Anguirus (leia: "Anguiras"). Um dinossauro parecido com um anquilossauro e que teria recebido uma nova vida pelo mesmo teste da bomba atômica que deu origem ao Godzilla. Porém, segundo registros, a rivalidade entre os dois kaijus vem de milhões de anos atrás.

É aí onde retorna o Dr. Kyohei Yamane, personagem do primeiro filme (reprisado por Takeshi Shimura), para tentar encontrar um meio de deter mais uma catástrofe que ameaça Osaka. Para evitar um mal maior, um apagão de emergência acontece enquanto a Força Aérea Japonesa entra em ação para impedir a chegada de Godzilla e Anguirus. Enquanto isso, um grupo de criminosos aproveita a situação para fugir de um caminhão que o transportava para a prisão. Os meliantes fogem num caminhão de gasolina e um acidente acontece durante a fuga, culminando numa explosão. Godzilla aproveita o caos para devastar mais uma cidade e, consequentemente, travar uma batalha mortal contra Anguirus.

Godzilla Raids Again conta com a trilha sonora de Akira Ifukube. Mas a falta do tema principal é sentida. Como um segundo filme do gênero tokusatsu e de filmes kaiju, não mostrou apenas mais uma catástrofe com maquetes e coisas do tipo, mas foi a pioneira entre um clássico duelo de titãs para este tipo de produção. O dublê Haruo Nakajima vestiu novamente o traje de Godzilla enquanto Katsumi Tezuka vestiu o traje de Anguirus. Tezuka foi o segundo a vestir o traje de Godzilla no filme anterior. Juntos eles protagonizaram uma cena épica que ficou marcada para os fãs de kaiju: a truculenta batalha entre Godzilla e Anguirus ao lado do famoso Castelo de Osaka -- da imagem acima.

Em 21 de maio de 1959 o filme foi lançado nos EUA como Gigantis the Fire Monster e sofreu reedição e dublagem gringa pela Warner. No mesmo ano, a Warner lançou este filme em conjunto do filme americano de ficção científica Os Adolescentes do Espaço.

Atores em destaque


Hiroshi Koizumi em 1955, ano do filme
Godzilla Raids Again
Hiroshi Koizumi como Shoichi Tsukioka. Participou de filmes tokusatsu da Toho como Mothra, a Deusa Selvagem (1961), Matango, Atragon (ambos de 1963), Mothra vs. Godzilla, Dogora, Ghidorah (os três são de 1964), Godzilla vs. Mechagodzilla (1974), The Return of Godzilla (1984) e Godzilla: Tokyo S.O.S. (2003). Além destes filmes, participou do episódio 27 de Ultra Q (1966). Morreu em 31 de maio de 2015, aos 88 anos, vítima de pneumonia. Foi um dos ícones dos filmes kaiju após Akira Takarada e Akihiko Hirata.

Minoru Chiaki foi Koji Kobayashi no filme e teve uma extensa carreira no cinema japonês, principalmente em filmes do diretor Akira Kurosawa. Entre eles, o clássico Os Sete Samurais, onde interpretou Heihachi Hayashida. Faleceu em 1 de novembro de 1999.

Yoshio Tsuchiya, o membro da Corporação Defensiva de Osaka, também participou de Os Sete Samurais como Rikichi, um dos aldeões do clássico de Kurosawa. Participou dos filmes tokusatsu Os Bárbaros Invadem a Terra (1957), Varan - O Monstro do Oriente (1958), Mundos em Guerra (1959), The Human Vapor (1960), Matango, a Ilha da Morte (1963), Frankeinstein Contra o Mundo (1965), A Guerra dos Monstros (filme da franquia Godzilla de 1965), Son of Godzilla (1967), O Despertar dos Monstros (filme da franquia Godzilla de 1968), O Desafio dos Monstros (1970), Tokyo: The Last War (1989) e Godzilla vs. King Ghidrah (1991). Tsuchiya também fez pontas nas séries tokusatsu: no episódio 2 de Ultra Q, no episódio 18 de Ultraman e nos episódios 14 e 15 de Ultra SevenMorreu em 8 de fevereiro de 2017, aos 89 anos.

Outra notável é a atriz Setsuko Wakayama, que interpretou Hidemi Yamaji. Trabalhou em clássicos fora dos filmes kaiju. Morreu em 9 de maio de 1985.

Veja o trailer de Godzilla Raids Again:

segunda-feira, 12 de março de 2018

TV Diário faz tratamento absurdo com séries japonesas e fãs cearenses aprovam

Flashman é uma das vítimas da inconstante transmissão

Meses atrás escrevi este texto sobre a transmissão bagunçada que a TV Diário fazia com o animê Super Campeões (Captain Tsubasa J) no final de 2017. Eram erros bem piores que a extinta Rede Manchete fazia nos anos 90 com as séries japonesas. Ok, dava pra relevar tais problemas na época pois eram bem pequenos. A emissora situada em Fortaleza (também conhecida fora do Ceará por ter tido sinal aberto até uns anos atrás após incomodar a Globo) inaugurou sua nova programação em janeiro e de lá pra cá tem apresentado mudanças significativas. Um provável aquecimento para as comemorações de seus 20 anos em julho que vem.

Além de repaginar antigos programas e lançar novas atrações, a TV Diário lançou desde então uma nova grade de séries, desenhos e filmes clássicos. Não se sabe bem quanto a permissão dos respectivos direitos de exibição de enlatados na emissora. Apesar de não ser o carro-chefe da programação, séries japonesas tem chamado atenção do público saudosista que parece não se importar de jeito nenhum com erros crassos que a TV Diário vem cometendo. Apesar da chamada da sessão de desenhos anunciar a "volta" de Jaspion, Changeman, a TV Diário jogou as séries tokusatsu Changeman, Flashman, Cybercop, Ultraman, Kamen Rider Black RX e o animê Shurato. Todos de forma incompleta, com episódios pulados, encerramentos cortados no meio e quase sempre voltando ao primeiro episódio sem dar muitas satisfações com seus espectadores.

Antes da sessão, há um horário isolado para séries tokusatsu que está no ar desde o final de janeiro. A primeira da vez foi Cybercop que teve os mesmos erros citados acima, além de já ter finalizado um dos episódios em meio a um diálogo, ir para o intervalo minutos antes da veiculação dos eyecachtes (as vinhetas de intervalo) e (pasme!) um salto gigantesco do episódio 13 para o episódio 22. Quem estava assistindo pela primeira vez com certeza não entendeu absolutamente nada ao ver Lúcifer surgindo no meio da trama e perdeu toda a reviravolta que tinha acontecido com a chegada do anti-herói.

Sem ao menos passar o episódio final, a TV Diário colocou desde semana passada a série original do Ultraman no lugar dos Policiais do Futuro. Ao que parecia ter um timing correto no primeiro episódios, os erros foram aparecendo ao limar o tema de abertura (sem "Ultraman no Uta" é sacrilégio!) e ter começado o terceiro episódio durante um diálogo entre Akiko, Hoshino e um guarda, antes de serem surpreendidos pelo monstro Neronga. E ainda na mesma semana, a TV Diário exibiu o mítico episódio 15 de Flashman (aquele onde Kaura aparece e Flash King tem o braço decepado) e no dia seguinte voltou para o primeiro episódio. Nestas duas sequências, a emissora ignorou completamente o segundo episódio.

E logo na manhã desta segunda (12) entrou Kamen Rider Black RX sem mais nem menos no lugar de Ultraman (que mudou de horário), a partir do segundo episódio, com o importante diálogo entre Issamu e seu tio cortado pelo break comercial, sem encerramento e (pasme! 2) o título da série apareceu como "Black Kamen Raider RX". Existe uma diferença gritante entre Rider e Raider. Sem contar que a série foi confundida com Kamen Rider Black, que ficou conhecido oficialmente no Brasil como Black Kamen Rider. A impressão que fica é que temos um estagiário ou algo assim cuidando da programação. A TV Diário chegou a rebatizar Cybercop como "Cybercops". Veja aí o erro com Black RX:


O confuso rebatismo de RX (Foto: Reprodução/TV Diário)

O que era pra ser um descontentamento entre os fãs de tokusatsu/animê, virou um mero espetáculo por parte do próprio público cearense nas redes sociais, que parecem não se importar com tais problemas e pensam que estão voltando aos distantes anos 80 e 90. As desculpas são as mais clássicas possíveis: pra ver séries da época da Manchete "de volta" à TV aberta e dar aquela "moralzinha" para uma exibição ilegal que não sabe nem por onde vai a cronologia. Obviamente isso não implica a todos os fãs cearenses, mas é que esse tipo de reclamação seria normal - e com toda razão - quando alguns desses erros acontecessem em materiais oficiais (DVD, canais de streaming etc). Quer dizer, há quem deixa a nostalgia falar mais alto que a razão e vemos por aí a defesa ao indefensável. Não dá mesmo pra entender.

Nas redes sociais é fácil de encontrar essas euforias. Aqui vão dois exemplos encontrados no Twitter:


- "Fico muito feliz em ver que a TV Diário está se tornando a sucessora espiritual da TV Manchete, só hoje pela manhã assisti Cybercop, Shurato e agora tá passando Kamen Rider Black RX. De novo que felicidade ver isso na tv aberta."

- "Black Kamen Rider passando atualmente na TV Diário, e me respeito que sou da época que passava na Manchete"


E é preciso que se diga: Atualmente quem possui direitos de Cavaleiros no Brasil é a Angelotti Licensing (representante nacional da Toei Animation) e a mesma série, junto com Dragon Ball Z, possui exclusividade na TV aberta pela Rede Brasil, que exibe em HD. Logo os direitos de Jaspion, Changeman e Flashman pertencem atualmente à Sato Company. Estas três séries e mais Jiraiya, Jiban e National Kid estão disponíveis de graça pelo canal oficial Tokusatsu TV, via YouTube.

Bem, é aí que essa discussão gera um questionamento: O que é mais? Comprar ideia de um material licenciado quando o mesmo apresenta qualidade impecável ou promover na internet da vida uma transmissão que sequer consegue dar conta de séries japonesas? Outra pergunta fica no ar: a TV do Nordeste tem mesmo licença para exibir produções japonesas que são caras no mercado?

sexta-feira, 9 de março de 2018

Artista brasileiro recria transformação de Daileon em 3D

Jaspion no reformulado clockpit de Daileon (Foto: Reprodução/Rafael Segnini)

Não é a primeira vez que o artista Rafael Segnini (o mesmo do clipe "On The Rocks" de Ricardo Cruz) lança em seu canal no YouTube animações em 3D com personagens de Jaspion. Mas a obra que mais chamou atenção viralizou entre o fandom nesta quinta (8). O vídeo mostra como seria a transformação de Daileon, o robô gigante do herói japonês, em 3D. Os detalhes são bastante realistas e chegam aos pés de filmes recentes da Toei. É bom deixar claro que o vídeo não é um projeto oficial do prometido filme de Jaspion que a Sato Company pretende realizar, mas não deixa de ser um excelente modelo. Sinal de que dá sim pra fazer um filme brasileiro do Tarzan Galático com qualidade. Assista aqui.

Sato Company lança os filmes de Attack on Titan nos cinemas brasileiros

Dando sequencia a circuitos de adaptações de mangá/animê para o cinema, a Sato Company lançará no mês de abril os dois filmes live action de Attack on Titan. Além da exibição no Brasil, a distribuidora fechou parceria com redes de cinema de outros países da América Latina.

Por aqui estão garantidas exibições de Attack on Titan e Attack on Titan: Fim do Mundo (ambos de 2015) em 16 cidades pelas redes Cinemark, UCI e Kinoplex. As pré-vendas já começaram. Até o momento o filme está confirmado em Aracaju/SE, Belo Horizonte/MG, Brasília/DF, Campinas/SP, Curitiba/PR, Fortaleza/CE, Natal/RN, Niteroi/RJ, Nova Iguaçu/RJ, Porto Alegre/RS, Recife/PE, Rio de Janeiro/RJ, Salvador/BA, São José dos Campos/SP, São Paulo/SP e Vitória/ES. Segundo Nelson Sato, CEO da Sato Company, outras praças deverão ser confirmadas.

“É uma questão de avaliar as possibilidades; é uma relação bilateral com as salas de cinema. Se houver interesse, será um grande prazer para a Sato levar essa produção incrível para todo o país. Além disso, o momento é ideal para a exibição, já que no dia 20 de março o game Attack on Titan 2 estará disponível para o público”, afirma o sr. Sato.

Também haverá exibição dos dois filmes no PeruArgentina, Paraguai, Equador, Bolívia, Chile, Costa Rica, El Salvador, Guatemala, Honduras, Nicarágua e Panamá.

terça-feira, 6 de março de 2018

Godzilla; o filme original de 1954

O Rei dos Monstros em seu primeiro longa metragem

Em março de 2018, o filme Círculo de Fogo: A Revolta estará em cartaz nos cinemas em todo o mundo. Seguido das sequencias da franquia MonsterVerse em 2019 e 2020 com a volta de Godzilla e King Kong às telonas. Para aproveitar a ocasião, o Blog Daileon estreia uma série de resenhas sobre os históricos filmes kaiju. E nada melhor do que iniciar falando sobre o primeiro e venerável longa do primeiro monstro gigante da Toho. Acompanhe:

A era dos monstros gigantes - ou também conhecidos como kaijus - foi uma época clássica para a história do tokusatsu. Aliás, esta época foi essencial para a formação deste gênero que tanto gostamos e que continua atravessando gerações. Muita coisa mudou de 1954 pra cá. Especialmente se tratando de efeitos especiais. A narrativa destas produções também se transformaram com o tempo.

Desde 2013 podemos ver a evidência de uma nova era de filmes kaiju em Hollywood como Círculo de Fogo, filme dirigido por Guillermo del Toro. A sequencia será lançada logo mais em 22 de março. Godzilla ganhou mais uma chance no cinema mundial após a fracassada versão de 1998, pela dupla Roland Emmerich e Dean Delvin (os mesmos de Independence Day). Em 2014 o gigante celebrou 60 anos do seu filme original e conquistou o público com o excelente filme que inaugurou a franquia MonsterVerse, da Legendary Entertainment. O segundo filme foi Kong: A Ilha da Caveira, de 2017. Em 2019 e em 2020 chegam os aguardados Godzilla: O Rei dos Monstros e Godzilla vs. Kong, respectivamente. Existem outros filmes com referências kaiju no cinema norte-americano como Cloverfield (2008), Colossal (2017), entre outros que ainda estão previstos para o futuro próximo.

Mais do que tudo isso, Godzilla é o que eu chamo de "pedra fundamental do tokusatsu". Nada disso existiria se não fosse a parceria formada entre o produtor Tomoyuki Tanaka, o diretor Ishiro Honda e o diretor de efeitos especiais Eiji Tsuburaya (também criador de Ultraman). Foi um marco histórico para o estúdio Toho que no mesmo ano de 1954 lançou o clássico Os Sete Samurais, dirigido por Akira Kurosawa (de quem, curiosamente, contou com a amizade e colaboração de Honda ao longo da carreira). O tema principal criado pelo compositor Akira Ifukube também é outro destaque a se mencionar. Um verdadeiro hino da franquia.

A inspiração surgiu pela influência do filme norte-americano O Monstro do Mar (The Beast from 20,000 Fathoms), produzido pela Warner em 1953. Ano anterior ao Godzilla. O clássico contou com os efeitos especiais do mestre Ray Harryhausen que utilizava stop-motion. Algo espetacular naquele tempo. A ideia de Tanaka era associar o monstro com os riscos nucleares. Afim de mostrar como o homem poderia sobreviver ao próprio mal criado pelo uso de energia atômica através de atividades militares. Sem grandes recursos de produção, a saída foi contratar um dublê para vestir um traje de borracha e interpretar um monstro que devastava Tóquio -- representado em maquetes. Este dublê era Haruo Nakajima (falecido em agosto de 2017 e homenageado no Oscar 2018).

Para entender melhor o que está acontecendo no cinema, é preciso visitar o primeiro filme e entender o contexto da época, onde o Japão se recuparava dos efeitos da bomba que atingiu as cidades de Hiroshima e Nagasaki, durante a Segunda Guerra Mundial. Godzilla surgiu com a finalidade de contar sobre os perigos da radioatividade. Assim nascia um clássico da ficção científica.


O casal Emiko e Ogata
O filme começa com a destruição do navio cargueiro Eiko-maru nos arredores da Ilha Odo. Após o incidente, vários navios e barcos de pesca também são atacados. As suspeitas levam a crer que uma lendária criatura do mar despertou. Algo como um ser pre-histórico. O paleontólogo Dr. Kyohei Yamane investiga o caso e descobre que a criatura gigante emite radiação e presume que ela acordou por causa de testes com bomba de hidrogênio.

Enquanto isso, a filha do Dr. Yamane, a bela Emiko, rompe seu relacionamento com o Dr. Daisuke Serizawa, médico recluso que trabalhou como assistente de seu pai. A garota decide namorar Hideto Ogata, capitão do navio de salvamento. Serizawa desenvolve em segredo um projeto que pode deter o monstro gigante. Porém o mesmo pode causar a destruição da humanidade se cair em mãos erradas.

Godzilla consagrou a carreira daqueles jovens atores que formaram o "triângulo amoroso" da trama. Akira Takarada, o ator que viveu Hideto Ogata, se tornou popular devido a este trabalho. Participou de alguns filmes da franquia interpretando outros personagens, além de uma ponta no filme americano de 2014. Atualmente é dublador de filmes e animações e em 2016 participou de um evento estadunidense de cultura pop G-FEST junto com Bin Furuya (o dublê do Ultraman original) e Hiroko Sakurai (A Akiko de Ultraman).

A atriz Momoko Koichi, que interpretou Emiko Yamane, participou de um outro filme kaiju conhecido no ocidente como Os Bárbaros Invadem a Terra (The Mysterians). Filme dirigido por Ishiro Honda em 1957. Koichi reprisou o papel de Emiko Yamane em 1995 no filme Godzilla vs. Destroyer. A atriz morreu em 5 de novembro de 1998 aos 66 anos, vítima de um câncer colorretal.


Daisuke Serizawa, o papel mais famoso da carreira do saudoso Akihiko Hirata

Akihiko Hirata (nascido como Akihiko Onoda) foi o Dr. Daisuke Serizawa. Um importantíssimo personagem neste primeiro filme que tem relação com Godzilla vs. Destroyer e serviu de inspiração para o personagem de Ken Watanabe na versão hollywoodiana de 2014, o cientista Ishiro Serizawa. Originalmente, Hirata estava escalado para interpretar Ogata, mas acabou ficando com o papel do cientista que lhe rendeu grande notoriedade em sua carreira no cinema japonês. Além de filmes da franquia Godzilla e de outros filmes kaiju nas décadas de 1960 e 1970, Hirata pode ser visto nas séries tokusatsu Ultra Q, Ultraman, Ultra Seven e Daitstsujin 17. Iria participar do filme The Return of Godzilla, em 1984. Porém estava muito debilitado por causa de um câncer no pulmão. Faleceu aos 56 anos em 25 de julho de 1984. Deixou um legado para a história dos filmes kaiju e de seus fãs.

E aqui também vale a menção do ator Takashi Shimura, que foi o Dr. Kyohei Yamane neste filme e na sequência Godzilla Raids Again, de 1955. Meses antes da estreia de Godzilla, mais precisamente em abril de 1954, Shimura pôde ser visto em Os Sete Samurais como Kambei Shimada. Chegou a participar de vários filmes kaiju da Toho e mais alguns filmes de Kurosawa como O Anjo Embriagado (de 1948), Rashomon (de 1950) e Viver (de 1952). Participou dos filmes tokusatsu Os Bárbaros Invadem a Terra, Mothra, a Deusa Selvagem (1961), Gorath (1962), Ghidrah, O Monstro Tricéfalo (1964), Frankeinstein Contra o Mundo (1965) e Catástrofe - Profecias de Nostradamus (1974). Morreu em aos 76 anos no dia 11 de fevereiro de 1982, vítima de enfisema pulmonar.


Poster japonês de Godzilla, o Rei dos
Monstros. Estrelando: Raymond Burr
Em 27 de abril de 1956, o monstro gigante ganha as telas norte-americanas com o filme Godzilla, O Monstro do Mar (Godzilla, King of the Monsters). É preciso que se diga que esta foi a primeira adaptação de tokusatsu nos EUA. Ou seja, havia uma interação do elenco gringo com os eventos do filme original. A "americanização" ajudou a popularizar o kaiju na terra do Tio Sam e antecedeu o recurso usado na franquia Power Rangers (adaptação das séries Super Sentai no ocidente). O ator principal foi Raymond Burr, que estrelou a famosa séries de TV Perry Mason (ou "Pede Mais Um" como diria Seu Madruga) entre 1957 e 1966. Ele viveu o jornalista Steve Martin (não confunda com o ator de comédia) que foi ao Japão para cobrir uma matéria sobre o Godzilla. Martin tanto interagia com os personagens da trama original quanto servia como narrador-personagem. O mesmo foi reprisado por Raymond Burr quase trinta anos depois no filme Godzilla 1985. Uma reedição de The Return of Godzilla, do ano anterior.

Nos anos 50, o filme Godzilla, O Monstro do Mar foi exibido nos cinemas brasileiros. Em junho de 2015, Godzilla, Godzilla, O Monstro do Mar e O Monstro do Mar foram lançados no formato DVD-box pela distribuidora independente Obras-Primas do Cinema e de forma oficial, segundo consta em nota do Blog do Jotacê. A coleção foi batizada como Godzilla - Origens e provavelmente já tenha se tornado um item raro para colecionadores e figurando entre os poucos lançamentos recentes de tokusatsu em home-video em nosso país. Logo a adaptação Godzilla, O Monstro do Mar foi rebatizado como Godzilla - O Rei dos Monstros, seguindo a tradução direta do título em inglês. A coleção contém extras com entrevistas e documentários que abordam desde a concepção do filme até o legado deixado para cultura pop.

Assista o trailer do primeiro filme de Godzilla e de sua adaptação americana:



 

Confira também o teaser do box nacional Godzilla - Origens, pela distribuidora Obras Primas do Cinema:

segunda-feira, 5 de março de 2018

Homenagem a Haruo Nakajima foi uma grata surpresa no Oscar

O momento em que Nakajima é homenageado no Oscar (Foto: Reprodução)

Mais do que as premiações de filmes como A Forma da Água, Blade Runner 2049, Dunkirk etc, mais do que a ótima condução de Dira Paes nos comentários da transmissão na Globo (ela deu uma aula para Glória Pires) e mais do que menções do filme Pantera Negra (que não concorreu a nenhuma premiação), um momento honroso merece ficar na memória: a homenagem ao ator e dublê Haruo Nakajima, falecido em agosto de 2017.

Se você é fã de tokusatsu e nunca ouviu falar dele, por favor, pesquise sobre este que é um dos grandes nomes do tokusatsu. Nakajima foi consagrado como um dos maiores dublês de todos os tempos na história do gênero, especialmente em produções kaiju da Toho e da Tsuburaya. Sendo Godzilla o seu papel mais venerável em toda a carreira.

No momento "In Memoriam" da 90ª edição da Academia que aconteceu neste domingo (4), Eddie Vedder, da banda de rock Pearl Jam, apresentou um cover da música “Room at the Top” de Tom Petty and the Heartbreakers. Dentre vários artistas que morreram em 2017 foram homenageados, Nakajima foi lembrado. Uma surpresa e tanto para quem já acompanhou seu trabalho. Foi rápido, porém significativo e emocionante.

No Twitter, os fãs americanos de tokusatsu e filmes kaiju aproveitaram para homenagear este ícones que foi um dos colaboradores para a formação do gênero tokusatsu lá nos idos de 1954, nos estúdios da Toho. É lá nos EUA onde provavelmente deve se concentrar o maior número de fãs de Godzilla fora do Japão. Veja alguns relatos:

"Happy the #Oscars honored one of my favorite performers, Haruo Nakajima. A man truly dedicated to the monster movie craft."

"Thank you, @TheAcademy, for including Haruo Nakajima in the #InMemoriam segment of the #Oscars. #Godzilla".

"They included Haruo Nakajima in the In Memoriam. I'm glad."

"Loved that the Academy included Haruo Nakajima in their 'In Memorium' tribute."

Assista o momento In Memoriam do Oscar 2018:



PS: Outra celebridade japonesa que recebeu homenagens foi o diretor Seijun Suzuki, falecido em fevereiro de 2017. Ele é conhecido por filmes B e gênero Yakuza. Suzuki trabalhou em alguns filmes do animê Lupin III.

quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018

Lupinranger VS Patranger traz um novo aspecto à franquia Super Sentai

O embate entre polícia e ladrão

Nos últimos tempos temos visto ótimas séries tokusatsu pra ninguém sair reclamando. Em 2017 tivemos os lançamentos de Kyuranger, a segunda temporada de Kamen Rider Amazons e os excelentes Ultraman Geed e Kamen Rider Build (este último ainda está em exibição e mandando muito bem). Agora em 2018 temos mais um ano que promete ser cheio para os fãs do gênero.

E começou muito bem com duas equipes Super Sentai se enfrentando numa mesma série. Assim é o ponto inicial de Lupinranger VS Patranger, que começou há um pouco mais de duas semanas no Japão. Ainda é cedo pra saber se as duas equipes irão se unir no meio da série ou próximo à reta final. Enfim, o que se sabe até o momento é que nos próximos episódios aparecerá um integrante que irá assumir duas identidades: uma atende o codinome Lupin X e outra como Patren X. O quarto membro de cada equipe. Agente duplo? Quem sabe.

Enfim, a nova série Super Sentai ainda mantém as mesmas tradições como robô gigante, por exemplo. O que muda, além de apresentar as duas equipes, é ver o ponto de vista de cada equipe. Tanto os trios Lupinranger quanto Patranger buscam o mesmo objetivo: capturar o tesouro Lupin Collection. Isso ao mesmo tempo em que o grupo maligno Gangler também visa este mesmo tesouro.

Até o momento quem tem me cativado mais é o trio Lupinranger (leia: "Lupanranger"), por causa do passado recente e trágico dos anti-heróis. O mais tocante foi saber um pouco mais sobre quem era Touma (Lupin Blue) no episódio deste domingo (25). É provável que passado de Umika (Lupin Yellow) seja visitado no próximo episódio e logo mais será a vez de Kairi Yano (Lupin Red). Por enquanto, o que podemos ver sobre o trio Patranger (leia: Pat-ranger) é o foco na captura de Lupinranger e de Gangler. Tudo em nome da lei. É esperado que em algum ponto da trama Keichirou (Patren Ichi-gou) comece a se perguntar se Lupinranger é um grupo maligno quanto Gangler e quem sabe um desenrolar para uma possível união das duas equipes. Algo que pode acontecer cedo, tarde ou talvez nunca.


Haruka Kudo, a mais nova musa das séries Super Sentai
Lupinranger VS Patranger (leia "VS" em inglês ao invés de "versus") é uma série que promete muitas surpresas e marcar história. A franquia Super Sentai está em um bom momento desde a Kyuranger, série que começou com nove integrantes e deu uma diferenciada ao contar uma trama futurística. Sinal de uma jogada bem trabalhada da Toei. Ainda não há indícios de que um dia Lupinranger VS Patranger vire alguma temporada de Power Rangers num futuro próximo agora que Go-Busters (de 2012) está garantido para ser Power Rangers Beast Morphers no próximo ano. As nuances infantis não são exageradas como algumas séries recentes da franquia e as dancinhas foram limadas. Aliás, desta vez não temos tema de encerramento. O que não fará falta alguma.

E uma última nota: a jovem atriz Haruka Kudo, a Umika/Lupin Yellow, já é disparadamente a musa das séries tokusatsu em 2018. Mal tinha começado a série e a atriz de apenas 18 aninhos roubou o coração do público. Em dezembro de 2017 deixou o grupo idol Morning Musume para se dedicar integralmente à carreira de atriz. Lupinranger VS Patranger não é a sua primeira participação como atriz. Anteriormente, enquanto integrante do Morning Musume, interpretou a personagem Miyashita Noa no drama Sugaku Joshi Gakuen (de 2012), estrelado por cantoras do grupo e de outros da Hello! Project.

terça-feira, 27 de fevereiro de 2018

Nobuhiro Watsuki, criador de Samurai X, é multado por material ligado à pornografia infantil

Você deve ter acompanhado o escândalo que envolveu Nobuhiro Watsuki em novembro do ano passado. Ele foi preso por posse de materiais de pornografia infantil em seu próprio escritório, além de confessar o crime.

O criador de Samurai X foi formalmente condenado nesta terça (27) pelo Ministério Público de Tóquio a pagar uma multa de 200.000 ienes. Algo em torno de R$ 6 mil.

Não é uma pena com grande peso e isso pode implicar em processos jurídicos, considerado que, atualmente, uma simples posse de materiais de pornografia infantil pode levar a uma pena maior. Entre um ano de prisão e até uma multa de 1 milhão de ienes. Cerca de R$ 28.500.

Nobuhiro Watsuki (ou Nobuhiro Nishiwaki, seu nome verdadeiro) é mundialmente conhecido por seu mangá Rurouni Kenshin - ou simplesmente Samurai X aqui no ocidente. Publicado pelas páginas da revista Shonen Jump entre 1994 e 1999. A série de animê foi exibida originalmente em horário nobre pela Fuji TV entre 1996 e 1998 e foi exibida no Brasil nas emissoras Globo e Cartoon Network. Atualmente está disponível no catálogo da Netflix.

Watsuki já esteve no Brasil em julho de 2013 para celebrar os 120 anos das relações diplomáticas entre nosso país e o Japão.

quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018

O que esperamos do filme nacional de Jaspion no cinema

Jaspion vai ganhar um remake oficial no Brasil (Foto: Divulgação/Sato Company)

Se você é daqueles que esperavam (ou pensaram em) ver uma participação maior de Jaspion no primeiro filme da série Space Squad, uma boa notícia: o maior super-herói japonês no Brasil vai ganhar o seu primeiro filme. E não é uma produção japonesa. Trata-se de um remake oficial e 100% brasileiro. Com produção da Sato Company, o filme tem aval da Toei Company, o estúdio que produziu a série original em 1985. A nota saiu em primeira mão pelo site Omelete na tarde desta quarta (21). Um dia antes da data em que Jaspion e Changeman completam 30 anos de estreia na extinta Manchete. 

Algo inédito e totalmente inesperado. Aliás, esta pode ser a primeira adaptação brasileira de um super-herói japonês do gênero tokusatsu. Nos anos 90, o sr. Nelson Sato, CEO da Sato Company, tinha planos para fazer uma adaptação brasileira de Cybercop, da Toho Company, devido ao grande sucesso na saudosa emissora da família Bloch. Porém o projeto nunca saiu do papel. Seria precursor de Power Rangers no formato de utilização de cenas japonesas e inclusão de atores estrangeiros. Porém não a primeira da história do tokusatsu. O pioneiro foi Godzilla, o Rei dos Monstros. Produção nipo-americana de 1956 que serviu de adaptação do filme original do kaiju da Toho.

É bem verdade que as opiniões estão divididas, mas ainda é cedo pra dizer se o filme irá vingar ou não. Tudo vai depender do conjunto da obra que a Sato irá reunir daqui pra frente. O mínimo que esperamos deste remake - que promete uma repaginação/atualização dos personagens - é uma fidelidade à mitologia do Tarzan Galático e que faça referências aos principais elementos da trama. Mais do que isso, é necessário uma consultoria e trabalho de pessoas que entendam e dominem, nos mínimos detalhes, sobre tokusatsu e saibam com que estão lidando. Seria pedir muito uma direção de Koichi Sakamoto? Quem sabe, mas tem que ter alguém que manje de cenas de ação, tokusatsu e alguém que tenha uma competência próxima a dele. Dependendo da produção, os efeitos especiais tem que ser os melhores possíveis. Seja para maquetes (por que não?) ou algo superior. O clipe "On The Rocks", primeiro single de Ricardo Cruz (da banda JAM Project) pode ser uma forte referência. Desde o local da pedreira até o modelo de sequencias de ação e efeitos especiais. E não menos importante: o fator roteiro. É essencial, ou melhor, primordial que a história tenha coerência e faça uma boa adaptação. Obviamente não dá pra injetar 46 episódios numa película de uma hora e meia ou duas horas. Por isso, personagens importantes e que acrescentam a mitologia sejam bem conduzidos.

O elenco será divulgado em agosto, durante o festival de filmes japoneses. Até lá vamos nos deparar com especulações de todos os tipos enquanto não saem mais informações oficiais. Espera-se que o elenco tenha bons atores. O único palpite que dou é de uma possível participação do sr. Sato e sua filha Jacqueline Sato. Afinal, no passado, o sr. Sato contribuiu com a narração de Cybercop. Já Jacqueline cantou o tema de abertura de Doraemon (a série de 2005) e tem uma carreira de atriz em ascensão.

Não se sabe ainda se esta nova produção terá ou não ligação com a série original. Mas será legal ver uma aventura inédita do Jaspion nas telonas. Este pode ser o primeiro passo para o tokusatsu se destacar mais uma vez para o grande público brasileiro. Ou seja, fora da esfera do fandom.

Atualização

O canal TokuDoc, tocado pelo meu amigo Danilo Modolo, entrou em contato com o sr. Nelson Sato nesta quinta (22) e o mesmo esclareceu, em primeira mão, detalhes sobre o filme de Jaspion. Assista o vídeo extra aqui.