quarta-feira, 2 de setembro de 2015

Ultraman Max, o primeiro tokusatsu da era pós-Ryukendo no Brasil

Max está disponível oficialmente no Brasil desde 2014

Você é daqueles que pensam que a série Madan Senki Ryukendo (2006) ainda é o último tokusatsu exibido com direitos no Brasil? Então você está redondamente enganado. Ele continua sendo o último a ter sido lançado, mas na TV brasileira (mais precisamente em 2009 na RedeTV!). Estamos vivendo novos tempos e novas mídias oficiais estão aí como alternativa, em fase de ascensão e salvando o mercado de séries japonesas ao redor do mundo. E para manter esse legado vivo, presente e de forma legalizada, a Tsuburaya Productions vem distribuindo internacionalmente algumas séries de sua maior franquia de tokusatsu e também uma das maiores e melhores do Japão.


O pioneiro da nova geração Ultra no Brasil

A primeira desta leva é o Ultraman Max (2005-06) que está disponível em nosso país pelo serviço de streaming Crunchyroll desde o dia 20 de novembro de 2014. (NOTA: a série foi lançada primeiramente pela versão americana do serviço em 14 de outubro do mesmo ano) Pra quem ainda nunca ouviu falar, a Crunchyroll é uma das maiores plataformas de on demand ao lado da Netflix (onde lá estão oito dos recentes filmes da Família Ultra). O acervo da Crunchyroll (ou "Crunchy" para os íntimos) é calcado em animes e J-dramas. Ou seja, direcionado para os aficionados por séries japonesas, além de lançamentos. Em sua grande maioria com produções recentes e atuais lançados por simulcast (transmissão simultânea) e até algumas séries antigas. Ambos os serviços servem como TV na internet, podendo acessar, escolher programas e assistir a qualquer hora e lugar (que tenha internet) apenas num simples clique, com comodidade e mobilidade. Sem contar que os custos são irrisoriamente acessíveis. Ah, e o que é melhor: Ultraman Max pode ser visto sem aquele relógio zombeteiro no canto da tela. Além dele, também estão disponíveis no Brasil, através da Crunchy, as séries Ultraman Mebius, Ultraman LeoUltraman 80 (Eighty), além do novíssimo Ultraman X - exibida todas as terças-feiras a partir das 7h30 da manhã. Vale mencionar também o possível lançamento da série inédita Garo, em breve na Netflix, como outro tokusatsu que veio após a vinda do carismático Guerreiro Madan nas nossas telinhas.


O enredo


A equipe DASH

"Século 21... Desastres naturais têm ocorrido em todo o mundo. Além disso, monstros os quais pensávamos serem criaturas imaginárias também começaram a aparecer. Para lidar com essa ameaça, as Nações Unidas criaram a FDU, a Federação de Defesa Unida. E sua equipe de elite é o time de combate a monstros, a DASH."

A história se passa em um universo paralelo aos Ultras da era Showa. Alguns monstros conhecidos das séries anteriores aparecem como Eleking, Red King, Pigmon, King Joe, etc. Neste mundo alternativo, Ultraman Max veio diretamente da Nebulosa M-78, assim como os demais gigantes prateados. Na Terra, um grupo de defesa denominado DASH (Defense Action Squad Heroes) luta contra monstros gigantes que aterrorizam o nosso planeta (ou seria Tóquio?). A equipe é um ramo da UDF (United Defense Federation).


Kaitô Touma, o destemido
 alter-ego de Max
O primeiro episódio começa com os ataques dos monstros Grangon e Lagoras contra a capital japonesa. Em meio ao caos, somos apresentados ao protagonista Kaitô Touma. Um jovem de bom coração que não mede esforços para ajudar as pessoas em seu caminho, mesmo que isso custe sua própria vida. Vendo sua coragem, Ultraman Max o escolhe para que este seja o seu hospedeiro na luta contra as criaturas que visam o nosso planeta. Como é de praxe da franquia, quando o Color Timer pisca a luz vermelha, Ultraman tem um limite de três minutos, por conta de sua fraca irradiação solar da Terra em relação à Nebulosa. Max conta com dois ataques finais: o Maxium Cannon, desferindo raios de sua mão esquerda; e Maxium Sword, um poderoso bumerangue gerado de seu capacete com um terrível poder de corte. Técnicas estas que referem ao Ultra Seven, além de sua aparência facial.

Kaitô passa a ser integrante do DASH ao ser reconhecido por sua bravura. O esquadrão é liderado pelo Capitão Shigeru Hijikata. O herói-protagonista tem como parceira a pilota Mizuki Koishikawa, que tem uma certa queda pelo herói. Além dos oficiais Kenjiro Koba e Sean White, o DASH conta com Elly. Uma linda ginoide (androide feminina) que obtém informações dos monstros e aprende sobre o comportamento humano. O DASH também conta com o auxílio do Chefe Kenzô Tomioka, que supervisiona a equipe, e também da Profª. Yukari Yoshinaga, que pesquisa sobre as anomalias provocadas pelos seres espaciais.


Mizuki Koishikawa, a inseparável parceira de Kaitô

A graciosa androide Elly

Ultraman Max é uma série que carrega muitas referências às Ultra Series da era Showa. Em termos de desenvolvimento, é superado pela sua sucessora (Mebius). Vale a pena conferir, tanto pelo carisma quanto pelas peculiaridades. Quem curte boas histórias de ficção científica, a série também é uma boa pedida. Há alguns episódios de Max que são bizarros e alguns acabam ultrapassando o cúmulo do nonsense com seu lado humorístico. No mais, Ultraman Max possui vários episódios marcantes e memoráveis.

Em um deles, o guerreiro é derrotado pelo monstro IF (leia: If) que possui um altíssimo grau de destruição. Para detê-lo, um inesperado milagre de uma criança acontecia, marcando um dos episódios mais emocionantes. Outro destaque da séries é em um arco duplo onde tivemos a participação especial da atriz Nao Nagasawa (a Hurricane Blue do Super Sentai Ninpuu Sentai Hurricanger, de 2002) como Natsumi, a filha de uma filha de Zetton que possui poderes extrassensoriais e além de lutar arte ninja (referência direta à série que a consagrou). Neste mesmo arco, Max conta com a ajuda de Ultraman Xenon (leia: Zenon), que esteve de passagem pela Terra para uma missão secreta e lhe entrega a arma Max Spark, como ataque final mais potente em crises de batalha. Contraditoriamente, há uma ligação direta com o episódio 8 de Ultra Seven durante um dos episódios, uma vez que o universo da série não é o mesmo dos Showa Ultramen ou dos individuais da Era Heisei que o antecederam.


Natsumi, a filha de Zetton, vivida por Nao Nagasawa


Ultraman Xenon, o passageiro herói secundário

Max medindo forças contra o terrível monstro IF,
em um dos episódios mais marcantes do seriado


Produção e exibição no Japão

Ultraman Max foi exibido originalmente na TV japonesa entre 2 de julho de 2005 e 1 de abril de 2006. Sempre aos sábados pela manhã, das 7:30 às 8:00, no canal TBS. O horário sucedia as séries Bishojo Senshi Sailor Moon (o TV drama tokusatsu de 2003-04) e Ultraman Nexus (2004-05). Foi substituída por Ultraman Mebius (2006-07; também disponível no Brasil via Crunchyroll) logo após o final. Porém este último ocupou o horário das 17:30 de sábado na TBS e MBS. A série possui um total de 39 episódios e mais um especial pós-final intitulado "Special Finale - Ultra no Mirai e", que permanece inédito fora do Japão.

Max teve outras aparições nos filmes Ultraman: Mega Batalha na Galáxia Ultra (2009), Ultraman Zero: A Vingança de Belial (2010) e retornou recentemente em 14 de março de 2015 no filme Gekijô-ban Ultraman Ginga S kessen! Ultra 10 yushi!, que reuniu os 10 Ultras da era Heisei (de Tiga pra frente). Em 2015, aparece no episódio 8 de Ultraman X, lutando contra o lendário Zetton.

O programa tenta resgatar a essência e elementos das séries clássicas de Ultra, porém tendo um tom mais contemporâneo e isolado. Um pouco mais corriqueiro e com efeitos especiais melhorados. As homenagens são bem visíveis na abertura e nas leves referências e aparições de monstros conhecidos. Esta também possui uma semelhança com Ultraman 80 (leia: Eighty) por conta de luzes multicoloridas na filmagem. A aposta da Tsuburaya foi além ao convidar os atores Susumu Kurobe (como Tomioka) e Hiroko Sakurai (como Yoshinaga). Eles foram nada mais e nada menos que Shin Hayata/Ultraman e Akiko Fuji, respectivamente, na série Ultraman (1966-67). Os dois já trabalharam em outras séries e filmes da franquia (incluindo o pioneiro Ultra Q) como outros personagens e já chegaram a reprisar os seus personagens clássicos da segunda série japonesa exibida à cores.



Ryu Manatsu (Leo) e Kohji Moritsugu (Seven)
 tiveram participações especiais em Ultraman Max

Além destes, os atores Kohji Moritsugu (Dan Moroboshi/Ultraseven), Ryu Manatsu (Gen Otori/Ultraman Leo) e Masanari Nihei (Mitsuhiro Ide em Ultraman) fizeram participações especiais. No episódio 29, há uma homenagem à série Ultra Q - que estava completando 40 anos em janeiro de 2006 - com as participações dos atores Kenji Sahara e Yasuhiko Saijou, que viveram respectivamente os personagens Jun Manjome e Ippei Togawa e interpretaram versões alternativas dos próprios atores no universo de Max, abordando a relação entre um episódio lendário que jamais foi ao ar e o monstro Geronga.

Curiosamente o elenco de Ultraman Max teve um gaijin (estrangeiro) como membro oficial de equipe. Ele é o ator Sean Nichols (como Sean White), que é famoso no Japão por um popular programa infantil chamado Eigo de Asobo.

Ultraman Max também possui um especial de oito minutos lançado direto-para-DVD.

quinta-feira, 27 de agosto de 2015

Piloto de Power Rangers seria uma catástrofe mastodôntica para a Saban

O elenco da primeira temporada do clássico com a Trini definitiva

O que seria de Mighty Morphin Power Rangers se a antiga Saban Entertainment (atual Saban Brands) fosse pra frente com o tal episódio-piloto, hein? Tenho certeza que seria um fracasso certo. A série talvez nem vingasse ou elevasse da categoria B para o topo que alcançou nos distantes anos 90. Este episódio foi exibido num especial de TV chamado The Lost Episode, apresentado pelos atores Austin St. John e Walter Jones. Respectivamente, Jason/Ranger Vermelho e Zack/Ranger Preto. O especial foi ao ar no extinto bloco Fox Kids, da Fox americana, na manhã do dia 22 de maio de 1999 (sábado). Tal programa promovia a série Power Rangers na Galáxia Perdida, que já estava no ar nos EUA desde fevereiro daquele ano. Aliás, esta temporada foi a primeira da era pós-Zordon (período que ficou até Power Rangers: Força Animal). Os atores principais de todas as temporadas até então foram creditados.

O mais legal é que St. John e Jones citaram a franquia Super Sentai. Talvez fosse a primeira vez que isso acontecia dentro da esfera de Power Rangers. Resumidamente os atores-apresentadores explicavam sobre a franquia de sucesso no Japão e citaram a série Himitsu Sentai Gorenger (que já havia sido incluída desde 1995 junto com JAKQ Denguekitai) e disseram que MMPR era uma adaptação (diferente de "imitação", crianças) da série Kyoryu Sentai Zyuranger. E com direitos a algumas cenas dos episódios da série original e até rolou uma cena com a auto-apresentação dos heróis japoneses.

O episódio-piloto já havia sido intitulado como "Day of the Dumpster" ("Dia da Mudança" no Brasil) e foi usado novamente na versão definitiva da estreia. Trini era interpretada pela atris Audri Dubois. Ela tinha 25 anos na época e era a mais velha do quinteto. Enquanto Austin St. John tinha apenas 18 anos (o mais jovem), Walter Jones e Amy Jo Johnson tinham 22 e David Yost tinha 24. Segundo informações, Audri teria pedido salários maiores e acabou sendo demitida e substituída pela atriz Thuy Trang (in memorian).

Power Rangers teria uma tentativa seca de mostrar o cotidiano pacato dos adolescentes americanos (ou pelo menos como era nas séries de comédia da época). Pra se ter uma ideia, Bulk fazia parte de uma gangue. Engraçado é que alguns deles sutilmente seduziam Trini e Kimberly, mas levavam uma sova das garotas. Uma coisa que ficou estranha nesse episódio era que a briga de Jason contra Bulk foi meio violenta pros padrões. O gorducho que nos fazia rir ao lado de Skull (não apareceu no piloto) não teria o mesmo carisma que conhecemos e seria menos atrapalhado como de costume.

Havia algumas peculiaridades quanto a aparição do Rita. Diferente da versão definitiva, Rita atacaria rapidamente os astronautas que a libertaram na lua. Rapidamente era mostrada o ataque ofensivo da bruxa contra a cidade de Alameda dos Anjos. Algo que ficou pela metade se comparado a Zyuranger que foi mais dramático e agressivo. Quem manja das cenas japonesas em Power Rangers e tem os olhos treinados para reconhecer a película, pode notar cenas inéditas de Zyuranger (Zyu1.5) onde a atriz Machiko Soga (dublada por Barbara Goodson) falava frases em inglês. A leitura labial e uma noção de inglês ajudam o espectador a decifrar também.

Mas a produção americana começou ruim. Os efeitos do teletransporte eram péssimos de doer. Zoltar (este era o nome original de Zordon) e Alpha 5 tinham aparências horríveis. Sem contar que o interior do Centro de Comando era cafona e oitentista demais pra década. Quase um cenário improvisado do Fantástico daquela década e com mais luzes. Uma das coisas mais sofríveis era ver os Rangers se transformarem nos dinossauros que representavam as feras individuais do Esquadrão Jurássico (e que apareciam logo no início da série japonesa). Aquilo não cairia nada bem para uma produção americana, independente de nível. Nem os efeitos e nem os dinossauros (que convenciam mais em Zyuranger).

E o que dizer das lutas civis, hein? Totalmente constrangedoras. Os Rangers caiam vergonhosamente como cadáveres na cova. O mais ridículo era ver os jovens gritando por socorro. Praticamente sem um pingo de coragem. E o que era pior: na hora da morfagem os Rangers apenas erguiam os seus Transmorfers (este era o nome dos Power Morphers no piloto), os Zyuranger apareciam com seus Dino Buckler (preciso mesmo explicar o que é?). Quer mais? Que tal ver o Jason aparecer de lampejo apenas com o capacete do Ranger Vermelho? Tiranicamente medonho. Por curiosidade, as cenas de batalha do Megazord era do sexto episódio de Zyuranger. A expressão "rock'n roll" já era usada neste piloto no momento da formação do robô gigante. Ah, a falta de continuidade na ação foi gritante, pois o King Sphinx apareceu do acaso no meio da história e já agigantado.

A coisa melhorou quando a série começou de fato. O hiato entre as duas versões foram de três meses de gravação. Mighty Morphin Power Rangers teve um humilde e precário começo, mas evoluiu com o passar do tempo (apesar de uns certos furos) e se consolidou como uma série infanto-juvenil top de linha para sua geração. Ainda bem que esta versão jamais vingou. Estaria fadada ao fracasso.

E se você é daqueles que diz odiar Power Rangers com todas as forças, saiba que MMPR é bem melhor que do que o piloto perdido. Power Rangers pode ter seus altos e baixos se comparados com temporadas específicas de algum Super Sentai, mas não chega a ser um "lixão" como alguns taxam na net afora. Muito pelo contrário, Power Rangers é tão divertido quanto assistir um Super Sentai. Tudo é questão de ter a mente aberta e analisar as diferenças com bom humor.

quarta-feira, 26 de agosto de 2015

Filme de Ataque dos Titãs é pra ultrapassar o cúmulo da bizarrice


Quando foi anunciado o filme da série de anime/mangá Ataque dos Titãs (Shingeki no Kyojin/Attack on Titan) muitos ficaram curiosos em ver o resultado e já imaginavam a tensidade que a produção traria. A Toho (mesmo estúdio dos filmes de Godzilla e da série televisiva Cybercop) fez um excelente trabalho e superou nossas expectativas.

A primeira parte (de duas) do live-action baseado na obra de Hajime Isayama (que participou da supervisão) procurou ser o mais fiel possível. Há algumas diferenças, em destaque está a inclusão de novos personagens que foram criados exclusivamente para o cinema. Segue basicamente o mesmo plot, só que com uma carga mais que brutal e próximo do "realismo".

A introdução é meio rápida, explicando o que já sabemos sobre os primeiros ataques das horrendas criaturas e o erguimento das muralhas. Vemos quem são Eren, Mikasa e Armin deste universo cinematográfico sem muita exploração. Há não ser pela forte ligação dos dois primeiros. A primeira invasão começa por volta dos dez minutos do filme com a chegada do lendário Titã Colossal. O grito do monstro é algo profundamente assustador. Dá arrepios e é de deixar qualquer pessoa perturbada do juízo. De longe supera o grito do nosso (vovô do tokusatsu) Rei dos Monstros. Há alguns Titãs com fisionomia monstruosa, mas o mais legal mesmo é ver os Titãs com cara de gente. E não é qualquer pessoa de esquina de olhos puxados não. É gente feia meeeeeeeeeesmo. Com nítida fidelidade que superou nossas imaginações de como seriam esses Titãs se fossem reais. É algo que você se impressiona, mesmo com toda aquela deformação anatômica dos gigantes e expressões faciais assustadoras. Se duvidar, tem momentos que o espectador pode pensar que a produção meio que se devotaram a São Jorge - por gostar de "dragões".

Isso pra não citar que os ataques cruéis dos Titãs contra os humanos é digno de um filme de terror. A censura dos momentos em que os humanos são comidos é quase nula. Tem lá uma cena em que os Titãs se divertem com uma pobre vítima ao brincar de ver quem fica com a parte inteira do humano. Pense aí também num Titã saboreando outro humano como se estivesse chupando um din-din? Isso mesmo, você não leu errado. Quer mais? Então que tal ver um Titã comendo a cabeça de alguém como se fosse uma barrinha de cereal? A produção não perdoa e supera infinitamente as demais versões de Ataque dos Titãs no quesito bizarrice. O que faz pessoas com nervos de aço terem taquicardias involuntárias e pessoas com problemas coronários se arriscarem por conta e risco. Independente de ter acompanhado ou não a série.


Depois de um pouco mais de 20 minutos de película, vemos o resultado sofrível da catástrofe das criaturas. Logo somos levados dois anos no tempo e vemos a formação da Tropa de Exploração e um foco mediano nos heróis e a inserção dos novos personagens. Capitão Shikishima (interpretado por Hiroki Hasegawa), um homem que é conhecido como "o homem mais forte do mundo", deverá ter um destaque maior na próxima parte. Até aqui ele mostrou ser um personagem misterioso, com um toque de sarcasmo e zero de canastrice. A atriz Ayame Misaki (musa conhecida de tokusatsus como Go-Busters e Cutie Honey: The Live) chamou a atenção em várias cenas e de forma discreta. Vale uma surpresa na sua atuação no meio do filme. No filme tambem está outro nome conhecido das séries de tokusatsu. O ator Shu Watanabe (o Kamen Rider OOO [Ôzu] da série homônima), que interpreta Fukushi. Aliás, ele estava quase que irreconhecível no filme.

Quanto ao trio principal, eles estavam mais "equilibrados" no filme, se comparados ao anime/mangá. Talvez pela produção dividir o foco no drama dos demais personagens da Tropa e também dos principais. Mas há algumas coisas que acrescentam na relação entre Eren e Mikasa. É como o caso de uma pequena vítima que foi salva por um deles na primeira invasão dos Titãs, logo no início do longa, que acrescenta um detalhe importante no enredo.

E um bom gancho para o final do filme (Se você ainda não acompanhou nada sobre o Ataque dos Titãs, pare de ler agora mesmo ou pule para o próximo pagágrafo) é a épica cena da qual Eren salva Armin e é engolido por um Titã e por fim se torna um deles. Ao invés de esticar vários episódios até que isso aconteça (não há como por razões óbvias), a transformação aconteceu no mesmo momento e de forma espetacular. Enfervecendo ainda mais o clímax da primeira parte da obra, que retratará a perseguição de Eren e o preconceito por ser um Titã.

Ataque dos Titãs: o Filme é uma obra sensacional e tem que ser conferida, se possível, na calada da noite. É digna de um dos melhores dark fantasy que já surgiram nos últimos tempos e provou estar bem longe de ser um simples blockbuster. O filme pode ser destinado também para um público que não é aficionado pela cultura pop japonesa e tem que ser aclamada por um público mais ávido por filmes de terror. Até as bizarrices se tornam uma obra de arte perfeita que casa com o contraste da sombria fotografia. Eu espero que Ataque dos Titãs venha algum dia ao Brasil em home-vídeo e nas plataformas oficiais de streaming/on demand. Tem potencial e uns dois passos pra isso acontecer.

A segunda parte, intitulada Shingeki no Kyojin: End of the World (Ataque dos Titãs: Fim do Mundo), tem previsão para lançamento nos cinemas japoneses no próximo dia 19 de setembro.


segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Tem coisas mais urgentes do que regular a Netflix, sr. Berzoini

Knights of Sidonia é o anime distribuído exclusivamente pela Netflix

Na última quinta-feira (20) o Ministro das Comunicações Ricardo Berzoini disse numa audiência na Câmara dos Deputados que serviços como WhatsApp, YouTube, Skype e Netflix precisariam ser regulamentadas por, segundo ele, "competirem com os fornecidos por empresas brasileiras que já têm suas atividades definidas pela legislação brasileira". O ministro ainda afirma que é preciso resolver esse quadro de “assimetrias regulatórias e tributárias” para promover um “tratamento equânime”.

Dentre estas ferramentas, a que mais foi mais foi alarida entre o público, quanto à declaração do ministro, foi a Netflix, que é um serviço Over The Top (OTT) de streaming/on demand que que atua no Brasil há alguns anos. É bem verdade que o serviço está em seu melhor boom, não apenas por aqui mas também em outros países onde atua. Parte desse crescimento é devido às suas séries originais como House of Cards, Orange Is the New Black, Sense8, Demolidor, Narcos, etc. Dentre os títulos também está o anime Knights of Sidonia (Sidonia no Kishi no original), distribuído mundialmente e com selo exclusivo da gigantesca plataforma.

No dia seguinte da declaração de Berzoini, o vice-presidente de marketing da Netflix da América Latina, Vinicius Losasco, disse durante o Fórum webOS o seguinte: "Não estou preocupado até porque não tem nada resolvido. Estamos abertos para conversar e dispostos a explicar como funcionam as OTTs em relação a TV tradicional. Além disso, temos uma empresa constituída no Brasil, com funcionários, gerando emprego e conteúdo nacional". O executivo do serviço frisou também que a empresa possui um canal aberto de comunicação com o governo, por meio da Ancine, e também com as operadoras de internet.


Demolidor, outra atração exclusiva da plataforma

Sr. Ministro, entendo a sua posição e das operadoras de TV por assinatura. Mas toda essa preocupação é graças ao avanço da mídia de séries de TV e cinema, que até então era um público que estava atrás dos que acompanham fervorosamente as novelas. O que não é ruim, entenda. Os serviços de streaming vieram pra ficar e cabem a todos aceitarem essa tecnologia que facilita demais a vida de quem consome este tipo de produto. Como diria Darth Vader, da série Star Wars: é inútil resistir.

Além do mais, o preço da Netflix é justo e acessível. Serviços OTT são baratos por natureza e daqui a 10, 15 anos isto certamente estará muito bem adaptáveis ao cotidiano. Ou melhor, já estão sendo inicialmente. Não apenas no Brasil, mas também no mundo. O problema das operadoras de TV por assinatura é que os preços dos pacotes de programação estão cada vez mais caros e o seu modelo precisa ser reinventado. Canais de filmes e séries que tem janelas de lançamentos estão maiores e mais atrasados que a própria Netflix e muitas vezes há falha de qualidade de programação de algumas emissoras. Salvo séries como Game of Thrones que possui janela zero de lançamento na HBO.

Tanto a Netflix, quanto a Crunchyroll (exclusiva de séries japoneses), a HBO GO (para assinantes da HBO) oferecem uma infinidade de programas para serem assistidos a qualquer hora. No meu caso, sendo bem específico, eu não preciso mais ter que perder meu tempo suado e corrido pra baixar minha série japonesa inédita favorita (que está sendo exibida no outro lado do Brasil) quando eu já tenho ela na palma da mão, de forma legalizada e sem custo adicional pelo simulcast (como é o caso específico do serviço oficial de animes e dramas). Isso sem mencionar que eu posso montar minha própria tabela de programação e escalar minha exibição diária/semanal ou maratonas a gosto de séries. É a primeira vez na história da mídia televisiva em que pagamos um preço acessível e isso nada fere as operadoras. Muito pelo contrário, não tem porque esse pânico todo. O que falta para elas é se adequarem à estas tecnologias e entenderem que elas não são e nem foram feitas para rivalizar com as TVs e sim adaptá-las como forma alternativa e tecnológica. Elas são como locadoras virtuais que oferecem uma imensidão de filmes, séries, musicais, documentários, novelas, desenhos, etc. E digo mais: as TVs por assinatura poderiam oferecer pacotes mais acessíveis e até personalizadas, podendo o assinante escolher que canais cabem no seu próprio perfil. Visto que alguns países adotam esse formato. Cairia bem mais em conta e a escolha seria mais democrática.

E sobre os casos mais urgentes para serem priorizados seria, primeiramente, quanto a resolução da atual crise econômica que o país sofre antes de se pensar em regulamentação e tributos (coisa que a Netflix paga sim). A outra, que é mais pertinente ao Ministério das Comunicações, é se unir para fiscalizar com mais rigor "serviços" de streaming não-oficiais e de downloads ilegais que são comercialmente impronunciáveis e que fomentam cada vez mais a pirataria contra obras áudio-visuais que possuem direitos no Brasil (com isenção de títulos inéditos e expirados no Brasil que funcionam apenas como divulgação na internet) e por fim prejudicam a audiência de tais títulos.

Todos só tem a ganhar quando se colocam metas, estratégias equilibradas e uma comunicação interativa com o público, com os serviços de streaming e com as operadoras de TV por assinatura.

sábado, 22 de agosto de 2015

Riku Sanjô está salvando Kamen Rider Drive de um provável pesadelo

Gold Drive e Medic no episódio desta semana

Já faz algumas semanas que não falava sobre Kamen Rider Drive por aqui neste espaço. Olha, agora que a série está rumando para o final no mês que vem, está parecendo até mentira todo aquele lance do Shinnosuke revelar sua identidade secreta publicamente. O que nada contribuiu para a evolução da série (ou ajudou em um certo detalhe). Riku Sanjô deixou de lado esse detalhe, pois toda aquela conspiração dos Roidmudes dentro da polícia foi desmantelada. Eu disse e repito: esse up no roteiro não precisava de tal revelação. Até parece que acordei de um pesadelo que estava a ponto de arruinar o programa dominical da TV Asahi. Esse ponto poderia muito bem ficar restrita apenas aos colegas de delegacia do herói de alguma forma.

Mas a coisa deu uma driblada legal que até a série melhorou. Não só ela, mas também os personagens em si. Até o carisma - inclusive dos vilões - está mais irradiante. Os Roidmudes agora estão bem armados com a entrada de Tenjuro Banno (o pai de Kiriko e ) que mostrou ser quem realmente é e criando um novo poder para se tornar Kamen Rider Gold Drive.

Ainda sobre os Roidmude, destaco o último arco que focou na vilã Medic. A princesinha estava bem apagada nos últimos episódios e sua história foi revelada. Confesso que dentre os poderosos dos Roidmude, ela é a minha favorita e desde o início percebi que ela tinha potencial. Agora pudemos ver que ela pôde provar isso e de uma forma mais dramática, que justificava seu poder de cura e seu amor por Heart. O único vilão que ainda não me convence é o Brain. Não sei o que ele ainda faz na série ou que utilidade ele tem ainda. É um personagem patético que não fez grandes coisas que favorecesse os planos dos Roidmude e que atrapalhasse diretamente os Kamen Riders. Ele já deveria ter morrido no final da saga anterior quando teve oportunidade. Não faria falta alguma, nem antes nem agora.

Agora, se tem um personagem que sempre gostei foi o Chase. Tudo bem que ele apareceu pousando misterioso com uma história que estava na vista (como ele ter sido um Kamen Rider na época da Global Freeze). Foi o único personagem que suportou a má fase do roteiro da série e ela ainda está invicto. Tanto é que agora ele reconheceu que está realmente apaixonado por Kiriko e irá se declarar para ela no próximo episódio. Bem, esta é a parte que o blogueiro que vos escreve mais gosta.

PS: Também gostei da minissérie que contava a chegada do futuro filho de Shinnosuke para o nosso ano presente. Boa expectativa para o summer movie e ótimos efeitos especiais.

quinta-feira, 20 de agosto de 2015

Power Rangers já dividiu espaço na mesma emissora oficial dos Super Sentais

Os heróis de Alameda dos Anjos coexistiram na mesma programação de suas contrapartes

Que os heróis multicoloridos da terra do Tio Sam fazem sucesso no mundo todo, isso não é novidade. O que poucos devem saber ainda (ou fingir que não) é que Power Rangers também tem sua notoriedade na terra do sol nascente. E por "ironia do destino", a temporada original de Mighty Morphin Power Rangers teve espaço na lendária TV AsahiIsso mesmo. A mesma emissora onde são transmitidas as séries Super Sentai há cerca de quatro décadas. Gênero que deu origem à franquia americana.

O horário inicial era um tanto ingrato: nas madrugadas de quarta pra quinta-feira da 1:40 a 2:10 JST. Entre 4 de outubro de 1995 e 27 de março de 1996. Antes que alguém use o horário zoado como desculpa pra dizer algo como "zero à esquerda" por ser uma adaptação "jogada às corujas", vamos levar em conta então outras séries tokusatsu que passaram nos corujões como Voice Lugger, Ultra Q: Dark FantasyGaro, Lion Maru G, Cutey Honey, Ultraseven X, Kamen Rider: O Cavaleiro Dragão e Daimajin Kanon e Akibaranger. Sem contar que o horário é normalmente movimentado por vários animes há tempos. MMPR continuou nas manhãs de sábado da emissora, das 6:00 às 6:30 JST. Entre 6 de abril e 21 de setembro de 1996 - antecedendo o anime Gundam X que ocupou o mesmo horário. Foi ao ar até o episódio 48 no canal.

A partir daí, Power Rangers calcou-se em fitas VHS e transmissões em canais de TV por assinatura até a temporada Power Rangers: o Resgate. Além de transmissões em canais UHF independentes. Houve hiato que acabou com a estreia de Power Rangers SPD (dublado pelos próprios atores principais de Dekaranger) em 2011, pelo Toei Channel. O mesmo canal exibiu na sequencia as temporadas Power Rangers: Força Mística e Power Rangers Samurai/Super Samurai. A TV Asahi voltou a exibir MMPR em 4 de novembro de 2005 onde foram ao ar os primeiros 64 episódios (até o quarto episódio da segunda temporada).

Curiosamente, MMPR teve dublagem japonesa de alguns atores de Zyuranger. Machiko Soga (Bandora/Rita Repulsa), Ami Kawai (Lamy/Scorpina) e Reiko Chiba (Mei/Kimberly) dublariam suas contrapartes americanas. O restante do elenco foi dublado por outros seiyus. Inclusive, MMPR ganhou três temas originais de encerramento. As duas primeiras podem ser vistas na internet. Confira:


O primeiro tema de abertura é da banda modern grey, que esteve em atividade de 1994 a 1998.


O segundo tema de abertura é intitulado "BREAK YOURSELF" da banda ROLL DAYS. O encerramento teve duas versões na TV: short version e long version, que é a que você confere no vídeo, com cenas do clipe do single. O ritmo remete o clima da série americana. mas com um charme de um J-pop. Este foi substituído por "BLOOD ON BLOOD" da banda ZYYG.



Este vídeo postei a título de curiosidade. Além de abertura, oferecimento padrão e encerramento, os trechos possuem alguns intervalos comerciais quando ainda exibido nas madrugadas, em novembro de 95. Servem como ideia de como era a exibição. Curiosamente, tem um comercial com o Alien Baltan (de Ultraman) jogando com uma gata e uma chamada da estreia de Arquivo X nas noites de quarta-feira.


E esta é uma amostra da dublagem japonesa de Mighty Morphin Power Rangers que enfatiza a morfagem que era gritada por Jason como "Henshin da!". Ao pé da letra seria algo como "Vamos transformar!".

quarta-feira, 19 de agosto de 2015

Vegeta ainda é o maior vexame em Dragon Ball Super

Vegeta e sua cara de espanto

Quando o filme Dragon Ball Z: A Batalha dos Deuses saiu nos cinemas em 2013, teve gente que disse que Vegeta "perdeu sua honra" quando teve que fazer estripulias pra não deixar o deus da destruição Bills ficar furioso. Isso se tratando de um terrível ser que atacou seu planeta natal.

Na versão atual do filme pra TV, em Dragon Ball Super, Vegeta passou também por sufoco. Engraçado vê-lo tentar evitar a fúria de Bills enquanto alguns personagens veteranos como Yamcha e Kuririn se socializam com ele. Até Goten e Trunks tentaram do jeito deles, mas o Príncipe dos Saiyajins teve de passar por sufoco de todo o jeito pra evitar um caos no transatlântico. Não que fosse a mais vergonhosa/engraçada de todas como na versão original pro cinema, mas foi legal ver o Vegeta numa saia justa. Coisa atípica pro lado dele.

Outro dia eu disse aqui no blog que Vegeta tem que passar por uns vexames de vez em quando. Não que isso vá "estragar" a sua imagem ou isso rebaixe como um "inseto insignificante" (com trocadilho). É até legal vê-lo em situações cômicas aqui acolá pra quebrar o gelo. E olha que o Vegeta é um dos meus personagens favoritos de DB ao lado do Picollo Daimaoh.

segunda-feira, 17 de agosto de 2015

Andreas mostra o seu potencial por causa do seu falso deus em Alma de Ouro

Loki, o falso deus de Asgard (Foto: Divulgação/Crunchyroll)

Desde quando começou Os Cavaleiros do Zodíaco: Alma de Ouro que a atuação do vilão Andreas, o novo representante de Asgard, não me convencia de jeito nenhum. Sempre achei ele meio seco e apático. Pra não dizer que ele era sem graça. Talvez pelo roteiro ter tentado dar um tom mais misterioso a ele nos episódios passados e a fórmula ter dado errado com a correria da trama.

Eis que agora na reta final, Andreas mostrou o seu lado mais cruel. Não tanto quanto Ares, Hilda, Poseidon, Lúcifer, Hades, etc. Mas mosrou o seu potencial. Foi covarde ao usar Lyfia como isca para ressuscitar os Cavaleiros de Ouro afim de usar o cosmo das suas armaduras para seu plano diabólico.

O que ajudou o vilão a ter esse brilho foi o deus falso Loki que o possuiu. Lembrou até o deus Saturno de Os Cavaleiros do Zodíaco Omega só que com um toquezinho mais macabro. Andreas só teve esse destaque merecido por causa do tal deus falso de Asgard. Agora que mostrou suas garras, Loki deve dar muito mais trabalho para os Cavaleiros de Ouro como aconteceu no episódio desta sexta (14). Provavelmente o jeitão do finado Andreas fizesse com que ele não fosse levado a sério. Agora a história muda com o início da batalha final. Espero que isso melhore com os próximos três episódios restantes.

Uma coisa estranha ainda nessa trama é que Andreas ainda não tinha percebido a cicatriz que estava no seu olho esquerdo desde quando foi atingido pela flecha de Aiolos. Mas isso não atrapalhou o merecimento que os dois vilões tiveram neste fim de semana.

sexta-feira, 14 de agosto de 2015

Zyu2, as "aventuras" exclusivas de Zyuranger contadas em Power Rangers


Em 2013, lá no comecinho do blog, eu escrevi uma mega matéria especial sobre a série Kyoryu Sentai Zyuranger (Esquadrão Dinossauro Zyuranger, 1992-93). Lá falei sobre a série, sobre o que eu acho da franquia (dei outras chances também de lá pra cá, vai) e sintetizei sobre o Zyu2 (lê-se: Zyu two). Esse é um elemento que deveria ser mais debatido nas discussões brasileiras sobre Super Sentai e Power Rangers ao invés de virar motivo de brigas tolas e infelizes na internet. Estamos às vésperas do Power Rangers Day - 28 de agosto - e resolvi então aprofundar mais sobre as tais cenas inéditas japonesas que jamais foram ao ar na série original de 1992.

O termo é conhecido pelos fãs hardcore de ambas as franquias por motivos já citados. Antes de qualquer coisa, é preciso que se diga que Zyu2 não foi a primeira produção japonesa inédita derivada de Zyuranger na primeira temporada de Mighty Morphin Power Rangers. Nem muito menos foi uma série de TV ou uma leva de episódios engavetados. Nada mais era que um projeto de parceria entre a americana Saban Entertainment e a japonesa Toei Company. Já nos primeiros episódios era possível notar cenas inéditas da saudosa Machiko Soga - outrora Bandora em Zyuranger - como Rita Repulsa. Estas cenas foram gravadas de lá mesmo do Japão e no mesmo cenário que serviu para o Bandora Palace. E tudo isso antes de MMPR começar. Provavelmente logo após o fim das gravações de Zyuranger. É possível perceber, por exemplo, a leitura labial da própria Machiko ao dizer algo frases como "Magic Wand, make my monster/Goldar GROW!" (dublada por Barbara Goodson, que dublou a vilã também quando interpretada por Carla Perez [não confundam com a ex-dançarina do É o Tchan, crianças]). Ou até mesmo Ami Kawai - a Lamy de Zyuranger - interpretou Scorpina (dublada por Wendee Lee) quando chamava os Patrulheiros de Massa para atacarem os Rangers. Mas estas cenas não fazem parte do projeto Zyu2 e podem ser consideradas como "Zyu1.5" (lê-se: Zyu one-point-five).


Ami Kawai (Scorpina) e Machiko Soga (Rita) já gravaram cenas
 inéditas em Zyuranger direto para Power Rangers

Originalmente, MMPR teria apenas 40 episódios e um final que ficou apenas no papel. O series finale aconteceria no episódio duplo "Doomsday" (39 e 40 da primeira temporada). As cenas de ação de Zyuranger utilizadas neste arco eram dos últimos quatro episódios da mesma. Na série original, a Bruxa Bandora (Rita) havia ressuscitado seu filho Kai, usando o poder de Dai Satan (Lokar) e pilotou o robô gigante Dora Talos (Cyclopsis). Kai teria uma contraparte americana que se chamaria Bubba, mas nunca existiu. Porém foi representado no episódio "Once A Ranger", de Power Rangers Operação Ultra Veloz (de 2006), através do vilão Thrax, o filho de Rita Repulsa e Lord Zedd. Ao invés de ter um clímax mais carregado como no final de Zyuranger, o episódio "Doomsday" foi mais leve e teve Goldar no comando do "zord do mal". No epílogo deste arco, Zordon pergunta aos Rangers se eles querem ou não continuar na batalha do bem contra o mal. Como sabemos, nenhum dos heróis renunciaram os seus poderes.

Com o grande megasucesso de Power Rangers nos EUA, o canal aberto Fox encomendou mais 20 episódios para dar continuidade à temporada de estreia. A Saban pediu à Toei que fossem produzidas novas cenas de batalha e que novos trajes. Já que o material de Zyuranger estava esgotado (alguma cenas foram reaproveitadas depois nas temporadas seguintes). A Toei aceitou a solicitação e o acordo rendeu a metragem de mais 25 episódios (o equivalente a mais 1/4 de monstros) que foram rodada durante meados de 1993. Exclusivamente feito para Power Rangers. Os trajes dos monstros foram feitos pela empresa Rainbow Productions, que também é parceira da Toei no trabalho de confecção de trajes. Até as cenas dos mechas (Zords) tiveram novas cenas. Ganhando, inclusive, novos gattais (formação/fusão). O primeiro episódio de MMPR com as cenas de Zyu2 foi o de número 43, intitulado "Something Fishy" (NOTA: Coincidentemente, este é o mesmo nome do quarto episódio de Power Rangers Samurai, de 2011). Além das novas cenas japonesas, foram também incluídas novos temas de inserção (quem disse que Power Rangers não tem, hein?) com uma pegada mais heavy metal. Os temas continuaram durante a segunda temporada.


Você jamais viu ou verá esses gattais em Zyuranger

Quem acompanhou a série Zyuranger deve saber que os heróis usavam magia. Já em Power Rangers eles tinham a tecnologia ao seus favores. Esta alteração foi incluída nas cenas japonesas de Zyu2. Por exemplo, enquanto os Zyuranger comunicavam telepaticamente, os Power Rangers usavam seus comunicadores de pulso e falavam através do microfone dos aparelhos. Isso foi demonstrado durante as cenas de luta. Além disso, os Power Rangers usavam teletransporte para viajar para destinos instantaneamente. A filmagem de Zyu2 facilitaram para esta mudança, mostrando os Rangers fazendo uma pose para representar esse fato.

Para adaptar à realidade dos adolescentes de Alameda dos Anjos, as cenas de Zyu2 ajudaram em algumas situações e características dos heróis. Foi o caso do relacionamento de Tommy e Kimberly nas cenas japonesas, por exemplo. A inteligência de Billy (o cérebro de Zyuranger era o Mammoth Ranger) e a feminilidade de Trini (o Tiger Ranger era homem na série original) também estiveram em evidência nas novas cenas importadas de ação.


E essa cena, hein? Inédita em Zyuranger e inclusa no 
season finale do primeiro ano de Power Rangers

O Dino Ultrazord foi era praticamente presente nas cenas de Zyu2. Originalmente, os Zyuranger utilizavam o seu Ultimate Daizyujin em casos mais críticos, como na batalha final contra Dai Satan.

Enquanto os últimos episódios da primeira temporada de MMPR (com as cenas de Zyu2) iam ao ar nos EUA, a Saban estava em negociação com a Toei para adquirir os direitos da série Gosei Sentai Dairanger (Esquadrão Cinco Estrelas Dairanger, 1993-94) para servir de base para a adaptação da temporada seguinte. O que significa que a Saban faria suas próprias cenas de ação ainda com os trajes de Zyuranger (que ainda estavam em alta). Aliás, já estavam fazendo durante o período. Porém, as cenas dos Zords seriam da então recém-concluída Dairanger. As primeiras inserções das cenas de Dairanger seriam utilizadas logo no primeiro episódio da segunda temporada. Mas ainda restavam algumas cenas de Zyu2 que ainda não tinham sido aproveitadas. Em tempo, houve a introdução de Lord Zedd (o primeiro vilão da franquia que não teve uma contraparte de Sentai). Parte dos monstros restantes de Zyu2 tiveram cenas filmadas nos EUA.


Ryuseioh em Dairanger ou Dragão Rex em Power Rangers

Só que o uso de Zyu2 se tornaram mais difíceis para as edições quando a Saban decidiu trocar os Dino Zords pelos mechas de Dairanger (os Thunderzords). A estreia prematura das cenas aconteceram no terceiro episódio da então nova temporada. Ou seja, houve uma substituição. Por isso que os dois oponentes jamais apareciam numa mesma tomada. Nem sempre era perfeito, pois havia vários lampejos do antigo Megazord. Uma boa pra quem gosta de analisar as cenas peliculadas nas séries clássicas da Saban. Dá pra encontrar falhas de edição e perceber os entraves. Isso provou para ambas as produtoras que criar cenas inéditas das séries japonesas seria um trabalho próprio para quem faz a adaptação.

O último episódio de MMPR com as cenas do Zyu2 acontecia no episódio 13 da segunda temporada, no epílogo do arco duplo "Green No More", que marca a extinção dos poderes de Tommy como o Ranger Verde. A partir do episódio seguinte ("Missing Green") começam a ser usadas regularmente as cenas de Dairanger, com os dois primeiros episódios, onde o monstro Pipebrain (Baron String em Dairanger) ataca. Havia rumores na rede de que um vigésimo sexto episódio de Zyu2 havia sido gravado e que o monstro seria chamado Pythor, mas jamais houve uma confirmação oficial que comprovasse isso.

GrnRngr, um fã de Power Rangers, e Jeff Pruitt, o coordenador de dublês de MMPR, divulgaram há um tempo atrás na internet imagens sem cortes de Zyu2 e cenas jamais vistas na série americana, como é o caso dos últimos monstros da produção que teriam enfrentado o Mega Thunderzord. Veja aqui e também aqui no mesmo site as cenas japonesas que foram feitas antes de Power Rangers estrear nos EUA.

quarta-feira, 12 de agosto de 2015

Goku "mal traçado" fica parecido com mascote das Olimpíadas e vira piada na internet

Goku no episódio da semana de Dragon Ball Super

Assistiu Dragon Ball Super desta semana? Então com certeza você deve ter reparado alguns traços estranhos no episódio deste domingo (9). Tudo bem que é normal haver alguns "deformes" quando há alguma distância entre um determinado personagem e a "câmera". Foi o que aconteceu agora com o Goku na forma Super Saiyajin, durante sua luta contra o deus da destruição Bills. Não dá pra ficar perfeito quando o personagem está longe do foco e isso é normal em desenhos da Disney e até em animes clássicos, por exemplo. Só pra constar, até mesmo em animes mais recentes como Os Cavaleiros do Zodíaco: The Lost Canvas já houve esse tipo distanciação, mas nada chamativo como em DB Super. E olha que The Lost Canvas foi muito bem produzido.

Não acho que Dragon Ball Super venha a cair na mesma "maldição" de Os Cavaleiros do Zodíaco: Alma de Ouro, pelo menos por ora. Mas há alguns momentos em que Goku não estava com cara de Goku até quando a "câmera" estava próxima de seu rosto. É como o caso da imagem acima, por exemplo. Ainda assim é bem curioso e engraçado. Espero que isso não seja corriqueiro. Aliás, dizem que Alma de Ouro tem alguns traços mal desenhados por ser uma anime distribuído de graça nos serviços de streaming. Se for por isso, Sailor Moon Crystal, que foi lançado num esquema similar na internet, não teria um traço tão perfeito do início ao fim.

Enfim, o fato rendeu algumas brincadeiras na web como na foto abaixo. Não sei vocês, mas em alguns momentos achei o Goku parecido com o Cobi, aquele mascote das Olimpíadas de 1992 - em Barcelona - que ganhou um desenho próprio exibido nas tardes da TV Cultura em meados dos anos 90. Talvez pelos traços mais quadrados/pontudos e excesso de "fofura". Veja aí e tire suas conclusões:




O mascote Cobi

Ainda sobre o episódio, a brincadeira rendeu um vídeo que malha de toda a situação: