quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

A tokunet brasileira precisa se tratar de um câncer chamado saudosismo

National Kid, um clássico ignorado por saudosistas do Jaspion

Quem me acompanha por aqui no blog há longa data, sabe que sou da geração que assistiu as séries de tokusatsu na extinta (e saudosíssima) Rede Manchete. Devem saber que também curto sem nenhum problema as séries daquela época e que também procuro coisas novas/recentes do gênero - sem ignorar clássicos. O mesmo faço com os animes. Pois bem, mas sabe quando você sente que o tokusatsu no Brasil tem mais tendências a se retrair ao saudosismo do que ultrapassar a barreira das mesmices? Essa é a sensação que tenho ao ver por aí nas redes sociais a fora quando citam sobre tokusatsu. É como se o público virasse caranguejo: andasse pra trás.

Tudo bem que Jaspion e cia foram marcantes e sempre serão. Não tiro o mérito e devemos sempre respeitar e resgatar a memória dos nossos nobres heróis. Até porque já escrevi e hei de escrever no futuro textos sobre nostalgia de tokusatsu, como também pretendo divulgar séries inéditas que nunca vieram ao Brasil ou que estão chegando agora de forma oficial via streaming legalizado. Nos últimos anos cheguei a palestrar sobre tokusatsus antigos também. Mas tipo, a divulgação por aí afora deveria ser mais equilibrada. Longe de mim generalizar, mas vejo muito movimento falando de tokusatsu como se resumisse apenas ao que passou na Manchete ou no geral exibido nos anos 90.E acabam esquecendo de clássicos mais antigos que já passaram no Brasil antes de Jaspion, como National Kid, Ultraman, Spectreman, Vingadores do Espaço, Esper, Robô Gigante, etc. Ou mesmo esquecem de séries inéditas (independente de época). A saturação é tão grande hoje em dia que a galerinha (de 30-40 anos) esquece que a primeira série de tokusatsu a vir ao Brasil também estará no tão falado pacote de tokusatsus distribuídos pela Sato Company para a Netflix e não fizeram barulho com o nome dele como merece.

Sinceramente não sei se isso o que é pior na tokunet. Se é o relativismo no meio que diz que "Power Rangers não é tokusatsu", "tokusatsu morreu no Brasil quando acabou a Manchete" ou se é a poluição saudosista que diz "Jaspion é o melhor", "Kamen Rider só tem biba", "diga não a Power Rangers". São afirmações tão pequenas/vazias que facilmente são derrubadas em argumentos pacíficos. Lembro que anos atrás eu via uma divulgação mais equilibrada na internet. Tinha o lado da nostalgia como também tinha o lado de outras séries. Há uns cinco anos atrás havia esse equilíbrio. Eram época das comemorações de aniversário de Ultraman, Kamen Rider e Super Sentai. Em meio às homenagens havia também lembranças de outras séries que não vieram ao Brasil. E pensar que Ultraman Zero já foi muito bem aclamado pelos fãs brasileiros antes dos materiais oficiais do herói chegarem por aqui. Hoje ficou apenas restrito aos fãs dos Ultras.

O problema do tokusatsu no Brasil é que há muita segregação e briguinhas tolas por causa de mero entretenimento. O tokusatsu no Brasil tem jeito sim. Atualmente há materiais oficiais surgindo, praticamente beirando a casa de 40 títulos oficiais. E não dá pra ficar pensando que "o tokusatsu não volta ao Brasil" pois está sim. É só dar uma "googada" pra sair da caverna do passado e respirar outras séries.

Veja bem, não sou contra a divulgação das séries japonesas de minha época. Mas tem um velho ditado que diz que tudo demais é veneno. Eu diria mais: que o excesso de saudosismo atrapalha quando não damos a devida atenção a algo que veio antes e depois da nossa geração. Tem horas que é preciso respirar novos ares. O tokusatsu no Brasil tem que se reinventar com urgência pois está ficando velho e temos que "cuidar" do que é nosso para não deixá-lo caduco. Do contrário, o público será fadado a velhos que nunca cresceram (sem pejoratividade) e passaram a vida inteira morando num museu.

O gênero tokusatsu está longe de ser uma modinha como Star Wars virou recentemente às vésperas do sétimo filme, mas Jaspion e cia se tornaram uma dentro do nosso próprio nicho. E viver apenas do passado não é legal. A saturação é pior do que aquela enxurrada de super-heróis japoneses empurrados nos canais da TV brasileira há um quarto de século atrás.

2 comentários:

  1. Eu diria que... Acho que só precisa existir a ideia de que "cada um gosta do quer, ninguém tem direito de dizer que ele não pode gostar e nem ele tem direito a criticar o gosto dos demais", apenas isso. Exemplo prático, tenho 40 anos, não sou extremista, me lembro de muitas séries antes de Jaspion e devo ter esquecido de algumas, mas não faço nenhum alarde com o que vem e o que não vem pro Netflix... Sou saudosista, tenho Metalder como meu favorito de todos, mas meu segundo seriado é Kuuga assim como Gekiranger, Den-O e agora Kiva estão entre os favoritos... No meu modo de ver Power Ranges nunca foi nem nunca vai ser Tokusatsu, mas respeito quem diga que é e não entro em discussões sobre isso. Tenho amigos que são mancheteiros de coração e assistem 10 vezes um episódio clássico a assistir algo novo enquanto eu prefiro assistir outra coisa e continuamos os melhores amigos de sempre, cada um no seu quadrado... O que acho que falta na tokunet, não, em toda a internet e principalmente nas redes sociais, é o pessoal parar de apontar o dedo pro outro pra dizer que tal pessoa ou pensamento está errado. Cada um curte o que quer, cada um tem um estilo de ser e enaltece as séries que gosta, mas se mantenha dentro de seu quadrado e não opine sobre o gosto dos outros nem sobre ser saudosista ou curtir "o que mais existe". Se tornou hoje em dia problemático ter 40 anos de idade, sem sequer saber o que assistimos ou o que pensamos, somos viúvas da Manchete ou saudosistas de museu e isso é tão errado quanto querer determinar que o gosto por tal série é mais correto que os demais ou mesmo que Jaspion é melhor que Garo, ou seja, aquele personagem que a pessoa curte como melhor, será sempre o melhor, para ela, e o mesmo vale para todos os outros, ninguém deve apontar os dedos e criticar o gosto alheio, nem os extremistas nem os defensores das séries novas, pois dizer que o saudosismo é um câncer é o caminho contrário de dizer que somente o que passou na Manchete é Tokusatsu... Sempre que se aponta o dedo criticando alguém, devemos lembrar que a mão fechada apontando, tem mais 4 dedos apontando pra nós mesmos. Tolerância e respeito a quem está do lado acho que é o que precisamos e não taxar nomes e denominações para gostos diferentes dos nossos... Acho que é isso, obrigado pelo espaço!

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  2. Olá Lanthys. Antes de qualquer coisa, meus comentários não foram sobre as pessoas que curtem tokusatsus antigos, até porque eu me incluo nesse meio. E sim sobre divulgações na tokunet, sem generalizar nem muito menos apontar A ou B. Então, há uma diferença entre nostalgia e saudosismo. Nostalgia é quando lembramos de algo que foi importante numa determinada época e na maioria das vezes fazendo sem restringir algo do presente. Já o saudosismo é quando dizemos que tal coisa é melhor do que hoje e sem um balanço ou uma análise. Eu me incluo na primeira opção, pois gosto de relembrar datas, fatos e eventos sem deixar de vivenciar o hoje.

    Não sou contra o saudosismo, mas sim o excesso do mesmo. É uma coisa que vejo bastante na tokunet. De alguma forma ela também está ligada à outras mídias. Particularmente, costumo dizer que as músicas antigas são melhores que as de hoje. Há vários motivos que eu poderia listar e comparar com a MPB de ontem com a de hoje, por exemplo, mas seria outro assunto.

    Sobre os tokusatsus, admiro muito as séries antigas. Cresci com elas. Mas quando falo sobre tokusatsu procuro não me prender apenas ao que passou na Manchete ou na época dela. Entende? Nada contra a quem prefere ver apenas as séries antigas. Eu respeito. No meu caso, das séries Metal Hero exibidas no Brasil tenho um carinho maior por Spielvan, Metalder, Jiraiya e Jiban. Pra me atualizar, resolvi assistir séries inéditas como Janperson e B-Fighter. Arrisco a dizer que a primeira citada supera de longe muito Metal Hero dos anos 80 (inclusive o Jaspion e até Metalder e Jiban). Em contrapartida ando me dedicando um pouco mais ao B-Fighter por também estar revendo sua contraparte americana, o Big Bad Beetleborgs (sem entrar no mérito da questão, também é comprovadamente um tokusatsu assim como Power Rangers). Tenho outras séries de Metal Hero dos anos 90 pra assistir e pretendo escrever sobre as mesmas a medida em que eu for assistindo no meu pouco tempo livre. No mais, não tem tempo ou efeito especial bom ou ruim pra mim. Antes disso vem outros pontos mais relevantes como roteiro e narrativa, por exemplo.

    Não tenho nada contra Jaspion, até porque, como falei no post acima, já escrevi e palestrei sobre o nosso Ginga no Tarzan. Até homenageei o nome desse espaço com o nome do seu maior arrimo. Eu só acho que outras séries além geração Manchete poderiam sim ser mais divulgadas e não apenas se restringir apenas em uma geração. O saudosismo tem o seu lado bom? Sim. Mas em demasia pode atrapalhar as divulgações sobre tokusatsu e pode passar a impressão de que o gênero se resume apenas ao que vimos no fim dos anos 80 até o fim dos anos 90.

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