terça-feira, 9 de junho de 2015

A indústria dos animes vai acabar só para quem depende do saudosismo

Os heróis do clássico Evangelion

Esse é um assunto que anda sendo muito debatido nos mais diversos segmentos da cultura pop japonesa. Pra quem ainda está por fora da situação, o diretor Hideaki Anno, conhecido por seu trabalho no renomado título Shin Seiki Evangelion (lê-se: evanguélion), afirmou para um jornal russo que acredita que a indústria dos animes irá acabar num período de 5 a 20 anos. Mas deixa claro que o Japão não irá deixar de produzir e que perderá o pilar para Taiwan.

E isso foi palco para uma discussão distorcida no canal do site Omelete, no YouTube, que abordou de forma assustadora (pra não dizer "tendenciosa") como se atualmente a TV japonesa estivesse em total carência de desenhos japoneses e que o fim estivesse próximo. A afirmação que mais incomodou este blogueiro foi de que "estão saindo entre 10 a 20 animes novos por semestre". Quem acompanha de perto o submundo dos animes sabe de cara que isso é uma mentira absurda. Falta de aprofundamento, melhor dizendo. Ora, a maior mola que sustenta a produção dos animes atualmente são os shin'ya anime (animes da madrugada, tarde da noite ou, se preferir, "corujões"). E acredite, é um horário bem requisitado, pois é o horário em que boa parte dos otakus passam a noite em claro. Mas, apesar dos pesares, é um horário onde a popularidade local se restringe apenas para o nicho específico - os otakus. Fato que foi criticado há algum tempo pelo mestre Hayao Miyazaki.

No geral, contando também com os animes diurnos, estão previstos para estrear 48 animes para a próxima temporada de verão, a partir de julho. Caso duvide, dê uma olhada nesta lista de estreias., fora as séries que continuarão da atual temporada de primavera. O que faz cair por terra a tal afirmação sobre a quantidade e sobre a suposta "era do fim dos animes". Geograficamente falando, coisa de outra realidade alternativa.


Death Note é um dos animes que vieram da programação insônia da TV japonesa

Grande parte do público ocidental pode até pensar que não há tantos animes por falta de popularidade como antigamente. Por isso eu digo que há dois lados da moeda. Há aqueles que estão dentro e os que estão fora do "mundo paralelo" da animação japonesa. Os que estão fora provavelmente sejam um tanto saudosistas. Talvez pensem que anime bom são apenas da Toei Animation ou só se resumem apenas a Cavaleiros do Zodíaco, Sailor Moon, Dragon Ball, etc.

Aqui acolá ouço dizer que "não existem mais animes que empolguem" ou que "não existem mais animes que passem de uma temporada". Respeito os que estão do lado de fora da esfera, mas jamais ouviram falar de animes populares como Fate, Kuroko no Basket, Persona 4, The IDOLM@STER, Sword Art Online, Dog Days, JoJo no Kimyou na Bouken, etc. São animes de sucesso e que surgiram de famosos mangás. Vale ressaltar que alguns animes corujões como Kyokai no Kanata e Love Live, por exemplo tem produções bem recentes para os cinemas. Inclusive, este último terá uma estreia nas telonas no próximo fim de semana (dia 13/6). Vale citar que foi nas madrugadas que animes como Death Note e Shingeki no Kyojin se consagraram no ocidente, em termos de popularidade. Outra prova que faz "cair do cavalo" a tese de que a indústria dos animes está focada apenas em remakes, como é o caso da Toei. Provavelmente talvez nunca tenham ouvido falar de outras produções atuais da "poderosa" como World Trigger, Robot Girls Z e a franquia Pretty Cure - que são outras produções da Toei, mas que boa parte do público ocidental não se atina.

Se existe esse sucesso todo para um público "fechado", há também outro problema a se indagar. Será que o parte do público ocidental (incluindo especialmente o Brasil) não se permite atualizar ou sair do básico? Não é porque há uma popularidade restrita no Japão que não tenhamos boas séries de animes nos dias atuais e que não venhamos a procurar/pesquisar o que mais agrada a cada um. Temos sim, assim como há animes ruins no meio. Há muitos que tentam fugir da famigerada linha fanservice e chegam a surpreender. E outros nem tanto.

Querendo ou não, este universo ainda é muito vasto e não deve desaparecer tão cedo. Tá certo que falta animes boom como em décadas passadas. O último que tivemos foi Shingeki. Tivemos poucos fora do Japão nos últimos anos, mas isso não é motivo pra se ter "visão de boi" para a realidade. O nicho ainda é rentável, mas precisa se expandir/massificar e conquistar novos públicos. A animação japonesa tem potencial e pode ser muito mais, mesmo que haja quem subestime.

Um comentário:

  1. Olha na minha opinião vai depender muito no estúdio de animação desenvolver remake só pra vender figuras, e trazer histórias fracas que gozam no fan servise, deixando a historia fraca, destroi o amterial original, mas acredito poderam fazer reamake e animes originais de da qualidade se a industria não se protituir pelo lado marketeiro mas no mateiral seja enviado com sucesso animes de qualidade em roteiro e imagem.

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